São Paulo, metrô privatizado?

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Como as políticas do governo paulista estão degradando um sistema de transporte público que foi símbolo de excelência. Uma privatização em surdina, e com enorme favorecimento ao comprador. Os metroviários resistem, e tornam-se decisivos nas greves gerais contra a agenda de retrocessos

Wagner Fajardo, entrevistado por Antonio Martins, com vídeo de Gabriela Leite

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Como Temer pretende privatizar Saneamento

Apesar de avanços na última década 42,4% da população brasileira não têm acesso a saneamento, e 62% do esgoto não é tratado. Eventual privatização tende a eternizar este déficit, porque vincula serviço à capacidade aquisitiva dos moradores

Apesar de avanços na última década 42,4% da população brasileira não têm acesso a saneamento, e 62% do esgoto não é tratado. Privatização eternizaria este déficit, porque vincula serviço à capacidade aquisitiva dos moradores

Trabalhadores e pesquisadores alertam: governo age, sem alarde, para entregar setor. Processo elevará tarifas e inviabilizará extensão dos serviços para população de baixa renda

Alerta coletivo de dezessete entidades

Com vistas a consolidar, rapidamente, o novo projeto político-social anunciado à sociedade brasileira em outubro de 2015, por meio do documento “Ponte para o Futuro” do PMDB, o Governo Temer tem adotado um conjunto de estratégias que passa pela construção e ou aprovação de novos marcos legais, inclusive por meio de emendas constitucionais, e a formação de um ambiente que privilegia a atuação da iniciativa privada na prestação dos serviços públicos.

A “Ponte para o Futuro” prevê, após o golpe de Estado pela via institucional, a reorientação da atuação do Estado no campo das políticas públicas e sociais, o que inclui o saneamento básico. O documento preconiza o que pode ser chamado de um neoliberalismo subalterno e subordinado ao rentismo e ao mercado. Dentre as ideias de tal documento, pode-se destacar:

“executar uma política de desenvolvimento centrada na iniciativa privada, por meio de transferências de ativos que se fizerem necessárias, concessões amplas em todas as áreas de logística e infraestrutura, parcerias para complementar a oferta de serviços públicos e retorno a regime anterior de concessões na área de petróleo, dando-se à Petrobras o direito de preferência”(FUNDAÇÃO ULYSSES GRUIMARÃES; PARTIDO DO MOVIMENTO DEMOCRÁTICO BRASILEIRO, 2015, p. 18, grifo nosso). Continuar lendo

Rússia: surge um novo movimento estudantil

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“The Nation”  relata ocupação de uma universidade em Moscou e sugere que movimentos semelhantes poderão se espalhar, nos próximos meses

Num momento em que ressurgem sinais de mobilização estudantil na Europa [veja texto sobre Universidade de Essex], vale a pena lançar os olhos também para a Rússia. Um dos blogs da revista norte-americana The Nation relatou, em 22/2, o que seria “o exemplo mais visível de ativismo [estutantil] em muitos anos”. Trata-se de uma moblização curta, porém expressiva, que sacudiu em dezembro passado a Universidade do Estado Russo para Comércio e Economia (RGTEU, em russo). Continuar lendo

Universidade de Essex ocupada contra privatizações

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Meses depois de questionarem terceirização de serviços, estudantes britânicos vão à luta e recebem apoio de personalidades como Noam Chomsky

Conhecida internacionalmente pela excelência de sua pesquisa e ensino, a Universidade de Essex pode se destacar também pela resistência contra as privatizações. Desde 3 de fevereiro, centenas de estudantes ocuparam um dos prédios da instituição — a “Bramber’s House”. Fizeram-no como “último recurso” para evitar algo que no Brasil tornou-se muito comum — a transferência de serviços universitários para empresas privadas que promovem degradação das atividades e achatamento de salários. Numa Europa em que o ataque aos serviços públicos provoca cada vez mais tensões, receberam apoio imediato de personalidades como o linguista Noam Chomsky, o escritor Tarik Ali e o diretor de cinema Peter Capaldi, premiado com o Oscar. Continuar lendo

Ferrovias: a privatização indesejável

Em todo o Brasil, concessão das linhas a particulares trava retomada do transporte de passageiros. Em São Paulo, governo pode tornar a situação ainda pior

Por Rogério Centofanti

É fácil demonstrar porque o transporte de pessoas sobre trilhos, em regiões metropolitanas, deve ser público e não privado. Diferente de ruas, avenidas e estradas, (e até mesmo do espaço aéreo, fluvial e marítimo) o leito e os trilhos das ferrovias têm uso monopolista. Não é simples, em ferrovia, pensar em várias empresas utilizando a mesma via, e tampouco em seu uso para o transporte individual. Transporte de pessoas sobre trilhos é, portanto, por contingência, de natureza coletiva.

Embora ruas, avenidas e estradas (e também portos e aeroportos) sejam normalmente públicas, sua utilização é, digamos, mais democrática, pois nelas podem circular veículos coletivos, individuais, públicos e privados. Não é assim na via férrea.

Nas ferrovias paulistas, a nossa situação é paradoxal: em trilhos públicos trafegam trens privados de carga, trens públicos de passageiros e, desgraçadamente em alguns trechos, trens privados de carga e trens públicos de passageiros, concomitantemente. Essa condição afeta a velocidade e regularidade dos trens de passageiros, além de facilitar a ocorrência de eventuais acidentes. É o que acontece em algumas linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

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