Alternativas: e se energia for um Bem Comum?

Eletricidadade e combustíveis são vitais para atividade humana — mas produzi-los pode causar enormes impactos sociais e ambientais. Por isso, não podem continuar submetidos aos interesses do mercado

Como estender os benefícios e conforto oferecidos pela eletricidade a todos os seres humanos — inclusive a um bilhão de pessoas que não têm, hoje, acesso a uma lâmpada elétrica? Como evitar que, a pretexto de garantir este direito, mega-empresas, quase sempre financiadas por recursos públicos, desenvolvem imensos projetos que afetam a natureza e as populações locais?

A Assembleia Europeia dos Comuns (AEC), uma articulação da sociedade civil impulsionada pela Fundação Peer to Peer (saiba mais aqui) propõe uma resposta inovadora. Ela quer alterar o paradigma que orienta, hoje, tanto a produção de eletricidade e combustíveis quanto sua distribuição e suas receitas. Ao invés de subordinarem-se a interesses de mercado, estas atividades devem ser consideradas Bens Comuns da Humanidade. As decisões essenciais precisam ser transferidas das mega-empresas a comunidades organizadas.

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Por que defender a Eletrobrás

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Criada por Getúlio, esvaziada em parte após FHC, empresa é essencial para autonomia energética do país. Dilma e agora Temer ameaçam entregá-la a setor privado. Seria enorme retrocesso

Por Roberto Bitencourt da Silva

“Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas
através da Petrobras. Mal começa esta a funcionar,
a onda de agitação se avoluma.
A Eletrobras foi obstaculada até o desespero.
Não querem que o trabalhador seja livre.
Não querem que o povo seja independente”
(Carta-Testamento do Presidente Getúlio Vargas)

Importância estratégica e um pouco de história

A Eletrobras é uma empresa estratégica para o Brasil. Ela é fundamental para o domínio e a formação técnico-científica nacional e para a tomada de decisões soberanas sobre o desenvolvimento. Igualmente decisiva para o controle e o uso nacional dos nossos excedentes econômicos.

De acordo com os dados disponibilizados pelo relatório de sustentabilidade da estatal de 2014, a Eletrobras é, em nossos dias, “a maior companhia de capital aberto do setor de energia elétrica da América Latina” (1).

Atuando na geração, na distribuição, na transmissão e na comercialização por meio de 16 empresas, a Eletrobras possui uma participação, majoritária, de 33% da capacidade de geração de energia elétrica do país. Responde por 48% do total de transmissão de energia e, na distribuição, “cobre uma área correspondente a 31% do território brasileiro”.

A história da formação desse gigante nacional envolveu muitos atores sociais e políticos, individuais e coletivos, civis e militares, bem como diferentes lutas do povo brasileiro a favor da emancipação econômica em relação aos espoliativos grupos estrangeiros.

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Por que a energia solar não deslancha no Brasil

Painéis solares para geração direta de energia. Cada vez mais frequentes em países como Alemanha e China, eles ainda produzem apenas 0,00008% da eletricidade no Brasil

Painéis solares para geração direta de energia. Cada vez mais frequentes em países como Alemanha e China, eles produzem apenas 0,0008% da eletricidade no Brasil

Panorama de um cenário insólito: país mantém desaproveitado seu índice de insolação elevadíssimo — por falta de políticas do Estado e boicote das distribuidoras privadas

Por Heitor Scalambrini Costa*

A capacidade instalada no Brasil, levando em conta todos os tipos de usinas que produzem energia elétrica, é da ordem de 132 gigawatts (GW). Deste total menos de 0,0008% é produzida com sistemas solares fotovoltaicos (transformam diretamente a luz do Sol em energia elétrica). Só este dado nos faz refletir sobre as causas que levam nosso país a tão baixa utilização desta fonte energética tão abundante, e com características únicas.

O Brasil é um dos poucos países no mundo, que recebe uma insolação (numero de horas de brilho do Sol) superior a 3000 horas por ano. E na região Nordeste conta com uma incidência média diária entre 4,5 a 6 kWh. Por si só estes números colocam o pais em destaque no que se refere ao potencial solar. Continuar lendo

Energia: chave para a geopolítica global

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Igor Fuser lança hoje, em São Paulo, livro fundamental para compreender relação entre fontes energéticas, desenvolvimento e sustentabilidade

No contexto em que o Brasil emerge como potência no cenário mundial da energia e discute como aproveitar a riqueza petrolífera do pré-sal para alavancar o seu desenvolvimento, mostra-se extremamente oportuno o livro Energia e Relações Internacionais, de Igor Fuser. Para o lançamento da obra, está marcado um debate com o autor na quinta-feira, dia 26 de setembro, às 18h, no curso de Relações Internacionais da PUC de São Paulo, Sala 117-A Prédio Novo (Rua Ministro Godói, 969 – Perdizes – veja mapa).

Fuser, professor na Universidade Federal do ABC (UFABC), apresenta nesse livro os principais temas da geopolítica global da energia, em uma linguagem clara, acessível a um amplo universo de leitores, sem perder o rigor indispensável a uma obra acadêmica. A obra explica questões fundamentais para o entendimento da política internacional, como o papel do petróleo nos conflitos do Oriente Médio, a disputa entre as grandes potências pelo controle das reservas globais de energia e o ressurgimento do nacionalismo petroleiro no pós-Guerra Fria. Continuar lendo

Energias limpas: tanto, e tão pouco…

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Consciência social e avanços tecnológicos ampliam, em todo o mundo, uso do sol e ventos, na geração de eletricidade. Mas é preciso fazer muito mais, alerta novo relatório

Uma notícia ótima, outra muito preocupante. Primeiro: um estudo da Agência Internacional de Energia (IEA), divulgado hoje (17/4) voltou a apontar rápido crescimento na geração de energia a partir de fontes limpas. Entre 2011 e 2012, a produção de eletricidade a partir de células solares cresceu 21%; e a geração eólica, 12%.

O avanço foi motivado por avanços tecnológicos que reduziram o preço das fontes limpas, e principalmente pela consciência sobre os riscos do aquecimento global. Países como China, Índia e Brasil, destaca a agência, introduziram com velocidade as novas fontes. A China tornou-se líder mundial na geração limpa. No Brasil, a Associação Brasileira de Energia eólica acaba de informar que a capacidade instalada das usinas de vento cresceu 73% no ano — embora elas ainda sejam responsáveis por apenas 2% da eletricidade total produzida. Continuar lendo

Energias limpas: Austrália ensina a baratear

 

Grandes parques eólicos em alto-mar, a novidade tecnológica mais recente no caminho para ultrapassar era do petróleo

Grandes parques eólicos em alto-mar, a novidade tecnológica mais recente no caminho para ultrapassar era do petróleo

Graças a política fiscal ativa, energia eólica já é mais barata que a gerada em termelétricas. Quais os caminhos para seguir este exemplo no Brasil?

Por Antonio Martins

Num país de vasto território e insolação, como o Brasil, o principal obstáculo a um grande desenvolvimento das fontes limpas de energia é, à primeira vista, o preço. Embora os números sejam variáveis, a eletricidade de fonte eólica é, ainda, pelo menos 15% mais cara que a gerada nas hidrelétricas. A energia solar custa três ou quatro vezes mais. Embora exista, desde 2004, um programa de incentivo às fontes alternativas — o Proinfa –, suas metas são limitadas. Mesmo nas hipóteses mais otimistas, os ventos deverão suprir, em 2021, menos de 10% do consumo. Por isso, talvez seja interessante observar a experiência recente da Austrália na construção de uma matriz energética mais adequada. Continuar lendo

Uma chance de debater a matriz energética brasileira

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Termelétrica de Candiota, no Rio Grande do Sul: uma das maiores do país

Provocado por seca e risco de “apagão”, acionamento das termelétricas despejará na atmosfera 5,1 milhões de toneladas de CO² por mês. Há alternativas?

No início de janeiro, pressionado pela continuidade da seca no Norte e Nordeste e pelo esvaziamento dos reservatórios de boa parte das usinas hidrelétricas, o governo federal colocou em funcionamento a rede de termelétricas brasileiras. São geradoras de energia movidas por combustíveis fósseis — petróleo, gás ou carvão. Foram construídas, em grande parte, após o “apagão” do início do século. Não funcionam sempre: são utilizadas quando há risco de o sistema principal — no Brasil, hidrelétrico — tornar-se insuficiente. Seu acionamento poderia estimular a sociedade a conhecer a matriz energética do país, e a ampliar o debate iniciado com polêmicas como a de Belo Monte. Continuar lendo

Quem lucra com o aquecimento global

Foto do Oceano Ártico na semana passada. Em branco mais forte, área congelada. Na linha pontilhada, a extensão média do gelo, entre 1970 e 2010

Enquanto centros de pesquisa alarmam-se com derretimento do Ártico, empresas como Shell avançam planos para extração de petróleo de altíssimo risco ambiental

Por Daniela Frabasile

Nessa semana, o National Snow and Ice Data Center, uma agência governamental norte-americana, confirmou, com a colaboração da NASA, que a extensão de gelo no Oceano Ártico é a menor já registrada nesta época do ano – faltando três semanas para o período de maior aquecimento das áreas próximas ao Polo Norte.

Desde o final dos anos 1970, satélites monitoram a porcentagem de gelo que cobre o Ártico, e verificaram uma tendência no padrão de congelamento. Durante o inverno, o mar congela, atingindo o pico em março; no verão, a extensão de gelo diminui, sendo o mínimo normalmente atingido em meados de setembro. Continuar lendo

Pernambuco começa a reagir contra energia nuclear

Em Itacuruba, a 2 mil quilômetros do Aterro do Flamengo, uma Marcha das Águas contesta plano para instalar usinas atômicas no Nordeste

No domingo dia 3 de junho foi realizada a Marcha das Águas com o tema Não Queremos Usina Nuclear em Pernambuco, no Nordeste e no Brasil, que percorreu o trajeto de 12 km do trevo até a cidade de Itacuruba. Cerca de 1800 pessoas entre indígenas, quilombolas, movimentos sociais do campo e da cidade, populações urbanas, igrejas, homens, mulheres, idosos, muitos jovens e crianças acompanharam o trio elétrico e a Banda Fé e Axé, juntamente com Roberto Malvezzi e outros representantes de entidades organizadoras que mantiveram a animação do público durante a Marcha, entoando cânticos e músicas cujas letras estavam em uma cartilha, amplamente distribuída aos participantes. Continuar lendo

Belo Monte, maniqueísmos e preguiça jornalística

“Sustentar uma abordagem maniqueísta sobre usina é mais fácil, porque não exige reflexão e boa apuração por parte dos jornalistas”

Por Priscila Kesselring

Muitas informações são divulgadas, diariamente e em todo o mundo, acerca dos conflitos que envolvem a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Ao mesmo tempo, não se sabe quem realmente ouviu a opinião e os interesses dos ribeirinhos, caboclos e indígenas sobre essa obra na Amazônia.

Para Verena Glass, jornalista e coordenadora de comunicação do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, “Belo Monte não é uma questão apenas dos brasileiros, na medida em que ela mexe com violações de direitos humanos”. Continuar lendo