Os irmãos Vieira Lima são três: Geddel e Lúcio

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Afrísio Vieira Lima é personagem oculto na trama familiar, embora divida fazendas com irmãos, ocupe alto cargo na Câmara e tenha sido tesoureiro da fundação do PMDB

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Os irmãos Geddel são três: Geddel, Lúcio e Afrísio. Intriga-me o esquecimento de Afrísio nas notícias sobre a família. Fala-se até da mãe, do pai falecido, mas não do terceiro irmão. Pois bem: Afrísio Vieira Lima Filho é diretor legislativo da Câmara.

Geddel Vieira Lima virou um astro pop às avessas. Sintetiza como poucos essa geddelização da política brasileira. Com seu olhar meio assustado. É um corrupto que dá para imaginar no churrasco mais próximo, quebrando um copo, gargalhando. Continuar lendo

Golpe de 2016 se afirma também como um golpe ruralista

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Assim como em 1964, combate à reforma agrária ganha centralidade na chegada direta das oligarquias ao poder; não à toa, medidas de Temer alegram agronegócio

Por Alceu Luís Castilho (@deolhonoagro)*

O filme brasileiro com a premiação mais badalada da história, “O Pagador de Promessas” (1962) é um belo exemplo de como a reforma agrária era apresentada, nos anos 60, como um bicho de sete cabeças. Como se fosse algo comunista – e não algo do próprio capitalismo. Resultado: foi um dos principais motivos para a derrubada de João Goulart, em 1964. O que mudou de lá para cá? Troquemos a palavra “latifundiários” por “agronegócio” e teremos uma das chaves para entender o golpe de 2016.

O golpe de 2016 é também um golpe ruralista. Continuar lendo

O que escrever sobre o PMDB, quando os cartunistas já desenharam tudo?

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Chargistas foram ao mesmo tempo proféticos e incisivos, auxiliados pelo show de horrores intrínseco à história recente do Partido do Movimento Democrático Brasileiro

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Amigo da Onça. Polvo. Verdugo. Satanás. Ogro. Vampiro. Fantasma. O PMDB é um problema para quem lida com palavras. Pois o partido é um convite explícito à caricatura. Ao longo das últimas décadas, os principais chargistas do país perceberam isso e fizeram centenas de retratos, em boa parte surreais, mas nem por isso descolados da realidade. Ganância e capilaridade são dois temas recorrentes, expressos quase sempre em diálogo com o grotesco.

Daria para fazer uma coletânea somente com o maior dos nossos chargistas, Angeli. Tem PMDB como algo perdido numa área de musgo. PMDB comparado a baratas (essas resistentes): “Estão pensando que somos o quê?” PMDB saqueando a Funasa. PMDB como Monstro da Lagoa. E não é que a primeira charge de Angeli na Folha, em 1975, era sobre o antepassado direto do partido, o MDB? (Eram outros tempos: o jornal falava da divisão interna no partido.) Continuar lendo

Fator Fiesp: golpismo de Skaf e empresários reedita 1964

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Em 2014, protesto na Avenida Paulista contra apoio do empresariado paulista ao golpe de 64

Em entrevista ao Estadão, Paulo Skaf defendeu abertamente o impeachment; e ainda há quem acredite em um movimento decorrente do “clamor popular”

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Candidato derrotado pelo PMDB ao governo paulista, Paulo Skaf deu entrevista ao Estadão como presidente da Fiesp, neste domingo, em defesa explícita do impeachment de Dilma Rousseff. As duas faces desse senhor – política e empresarial – caminham juntas. E representam o mesmo golpismo, tema historicamente muito caro à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, apoiadora do golpe de 1964.

A diferença está apenas na usurpação, por oportunistas, de uma sigla partidária – o PMDB – que já representou a luta pela redemocratização. Nem o porta-voz mudou: o Estadão, que depois resistiria ao endurecimento da ditadura, foi um dos fiadores da derrubada de João Goulart e da chegada ao poder do general Humberto de Castelo Branco. Hoje abre suas páginas para as investidas contra Dilma Rousseff.

São 50 anos de golpismo em cinco letras: F, i, e, s, p. Continuar lendo

Queiroz Galvão doou R$ 94 mi em 2014; PMDB recebeu 24%

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Ex-ministro das Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB); filho recebeu doações

Dados da Justiça Eleitoral confirmam centralidade do PMDB nas doações de campanha de grandes grupos, assim como ocorre com Vale e BTG Pactual

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

É um emaranhado de empresas. Mas com um pouco de pesquisa é possível identificar doações do grupo Queiroz Galvão que vão além dos R$ 56 milhões da Construtora Queiroz Galvão e dos R$ 15 milhões da Galvão Engenharia, ambas com diretores presos pela Polícia Federal, em meio à Operação Lava Jato. Ontem foi a vez de Mario de Queiroz Galvão. Ele foi preso pela Operação Vidas Secas, um desdobramento da Lava Jato que investiga desvios nas obras de transposição do Rio São Francisco.

No total, 11 empresas do grupo doaram R$ 94 milhões em 2014, para candidatos, comitês financeiros e diretórios dos partidos. O levantamento foi feito pelo blog a partir dos dados oficiais da Justiça Eleitoral.

E que partido lidera o ranking? Sempre ele, o PMDB – mesmo sem ter candidato à Presidência da República. No total, o partido de Michel Temer e Eduardo Cunha recebeu de empresas do grupo – construtoras, siderúrgicas, de saneamento, agrícolas – R$ 22,4 milhões, ou 24% do total. Em seguida vêm o PT (21%), PSDB (12%), PSB (10%) e PP (7%). Continuar lendo

Em 12 anos, novo líder do PMDB aumentou patrimônio em 56 vezes

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Picciani, líder destituído, era contra impeachment de Dilma. (Foto: Luis Macedo/ Câmara)

Relator do Código de Mineração, Leonardo Quintão recebeu R$ 700 mil de empresa da Vale em 2014; é autor de leis que beneficiam drogarias, financiadoras de campanha

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

As prestações de contas do deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), novo líder do PMDB após manobra do presidente da Câmara, não podem ser acusadas de ausência de transparência. Lá ficamos sabendo que, entre 2002 e 2014, esse economista de Taguatinga (DF), 40 anos de idade, multiplicou seu patrimônio em 56 vezes: de R$ 315 mil para R$ 18 milhões.

Lá estão também registrados os R$ 2 milhões recebidos, como doações de campanha em 2014, de mineradoras ou empresas ligadas ao setor – ele que é relator do novo Código de Mineração, em franca atividade para aumentar os benefícios das empresas. Leia aqui: Relator do Código de Mineração foi reeleito com milhões do setor. Continuar lendo

Banco de Esteves, o BTG, doou R$ 51 milhões em 2014; 40% para o PMDB

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Diretórios regionais do partido nos Estados de Eduardo Cunha, Henrique Alves, Romero Jucá e Michel Temer foram beneficiados diretamente com doações

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Assim como a Vale, o banco BTG Pactual – de André Esteves – teve o PMDB como destinatário principal das doações de campanha em 2014. Do total de R$ 51,3 milhões investidos por empresas do grupo em partidos e em candidatos, R$ 20,3 milhões ficaram com o PMDB. Ou seja, 40% do total. Esteves foi preso ontem pela Polícia Federal, após ser delatado na Operação Lava-Jato.

Em seguida vêm, empatados, PSDB e PT, com R$ 10,9 milhões cada, somando outros 40% do total. Os dados são da Justiça Eleitoral, organizados pelo blog. Os números chamam a atenção porque, ao contrário dos tucanos e petistas, o PMDB não tinha candidato à Presidência da República – que costuma motivar boa parte das doações de campanha. Continuar lendo

É o PMDB, jornalistas! Na mineração, é o PMDB

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Jornais divulgam doações de campanha por empresas da Vale para deputados, mas se esquecem de apontar destinação majoritária da verba a políticos do PMDB

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

E agora o Estadão deu, a Folha deu: lista de deputados que investigarão o crime ambiental em Mariana (MG), ou discutem o Código da Mineração, e receberam dinheiro da Vale ou de empresas do setor. O Estadão publicou texto nesta segunda-feira. A Folha, no sábado. Sem tanto estardalhaço, claro, pois os olhos da imprensa brasileira estão voltados para a França.

Ótimo que circulem mais informações sobre a conexão entre políticos e empresas mineradoras. Mas novamente a imprensa brasileira perde a oportunidade de encarar algo muito mais estrutural: o controle do Ministério das Minas e Energia, e órgãos a ele relacionados, pelo PMDB. Insisto no tema desde 2013: “Teia de interesses liga políticos a mineradoras em debate sobre novo Código”. Continuar lendo