Placar do impeachment no Senado: R$ 876 milhões x R$ 35 milhões

Essas são, respectivamente, as somas dos bens declarados pelos 61 senadores que votaram pela queda de Dilma Rousseff e pelos 20 que foram contrários

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Quanto possui cada um dos 81 senadores que decidiram o destino de Dilma Rousseff, neste dia 31 de agosto? Difícil saber ao certo, pois muitos deles declararam bens, pela última vez, em 2010. A maioria o fez em 2014. Com base na última declaração entregue à Justiça Eleitoral, fiz o levantamento a partir de cada um dos blocos: o do “sim” e o do “não”.

Vejamos primeiro aqueles que votaram pelo impeachment:

senadores-sim01senadores-sim02

O total é de R$ 875.847.188,51. Arredondando, R$ 876 milhões. A média é de R$ 14,3 milhões por senador. Continuar lendo

Sim, era açúcar; caso Imbassahy ilustra o quanto perdemos o bom senso

blowup

Espécie de “Blow-Up” às avessas, investigação nas redes não passou de suposição; apego excessivo a um detalhe ocorre enquanto ocorre um golpe, estrutural

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Viramos caçadores de imagens fugidias. Durante a sessão de anteontem no Senado, subitamente decidiu-se, nas redes sociais, que o deputado federal Antonio Imbassahy (PSDB-BA), postado logo atrás do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP). portava um papelote de cocaína. E essas conclusões súbitas têm-se tornado irrevogáveis. Como se fossem a verdade absoluta e como se fossem… relevantes.

Um olhar atento para o vídeo do G1, em alta resolução, mostra que o objeto que o deputado batuca na mesa é retangular – e branco. Compatível com um sachê de açúcar. E não com um papelote de cocaína. (Droga muito consumida em Brasília, no Congresso e fora dele, e em todo o Brasil.) O leitor mais teimoso poderá ter certeza do contrário. Mas estará sendo leviano se acusar sem provas. Continuar lendo

Lochte, o vilão? Ora, o Brasil tem os próprios mentirosos

lochte

Disputa narrativa durante as Olimpíadas ganhou uma unanimidade; em pleno Golpe do Pato, nadador americano rouba a cena dos que dilaceram há meses nossa democracia

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Cê ta pensando que eu sou Lochte, bicho..
Sou malandro velho, não tenho nada com isso

(Arnaldo Baptista, “Lóki?”, revisitado)

E eis que o nadador americano Ryan Lochte alcança a unanimidade. Nem a judoca brasileira medalhista (Rafaela Silva), nem o francês vice-campeão do salto em altura (Renaud Lavillenie) – ninguém a obtivera. Nem Usain Bolt. Nem Galvão Bueno. Em plenas Olimpíadas, o espetáculo esportivo de mitificações e demonizações tem agora um vilão para chamar de seu. Da mídia brasileira à mídia americana, que o apelidou de “americano feio”.

Mas quem tem medo de Ryan Lochte? Sua traquinagem um tanto limítrofe (apesar dos 32 anos nas costas largas) foi descoberta pela polícia brasileira, ótimo. E? E o que mesmo? Sim, não somos patetas. E temos uma história folclórica, que logo será esquecida. Mesmo assim, ela ganhou um destaque estratosférico, roubando a cena de Simones e Phelps, Neymares e velas, das torcidas pouco fleumáticas e da mais nova higienização promovida pelo poder público no Rio. Continuar lendo

Um juiz, um desembargador, um ministro: três faces da Justiça brasileira

sergiodasilva

Sérgio da Silva, fotógrafo cego pela PM. Para a Justiça, “culpado exclusivo”

Juiz diz que fotógrafo baleado em protesto foi o culpado por ficar cego; desembargador boquirroto vendia sentenças; Moraes quer menos pesquisas, mais armamentos

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Vejamos três notícias.

A primeira: “Fotógrafo cego por PM em SP teve ‘culpa exclusiva’ diz juiz em sentença“.

Trata-se de Sérgio Andrade da Silva, que ficou cego do olho esquerdo ao ser baleado pela PM em junho de 2013, durante as manifestações por passe livre. Três anos após a bala de borracha, ele terá de pagar R$ 2 mil em honorários à Justiça, por ter perdido uma ação que movia contra o Estado. Vejamos a justificativa de Olavo Zampol Júnior, juiz da 10ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo:

– No caso, ao se colocar o autor entre os manifestantes e a polícia, permanecendo em linha de tiro, para fotografar, colocou-se em situação de risco, assumindo, com isso, as possíveis consequências do que pudesse acontecer, exsurgindo desse comportamento causa excludente de responsabilidade, onde, por culpa exclusiva do autor, ao se colocar na linha de confronto entre a polícia e os manifestantes, voluntária e conscientemente assumiu o risco de ser alvejado por alguns dos grupos em confronto.

Continuar lendo

Depois da Lei de Gerson, Brasil tem a Lei de Cristovam

Senador pelo DF inventa a “violência constitucional necessária”; frase para justificar impeachment lembra Jarbas Passarinho; e entra no panteão brasileiro da infâmia

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Quem se lembra do tricampeão Gerson fazendo propaganda de cigarro, nos anos 70? “Eu fumo Vila Rica porque gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também!”

Virou uma lenda. Um código de ética às avessas. Passados os anos, porém, a Lei de Gerson vai se tornando esquecida. Afinal, diante de tanta gente levando vantagem em tudo, seguiríamos culpando… o Gerson? Continuar lendo

Paola Carossella: “Elite também come agrotóxicos”

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Conhecida como jurada do Masterchef, argentina aponta comunicação como questão-chave no combate ao uso de venenos na comida

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

A chef argentina Paola Carossella defendeu nesta sexta-feira a comunicação com os consumidores como forma de combater o uso de agrotóxicos. “As pessoas não sabem o que está acontecendo”, disse ela, durante seminário promovido pela Comissão Especial sobre Fitossanitários da Câmara dos Deputados. “Existe uma enorme desinformação. O que a gente pode fazer é comunicar”.

Jurada do Masterchef, reality show sobre gastronomia da Band, contou que, ao se tornar mais conhecida, as pessoas começaram a perguntar sobre a viabilidade do consumo de comida orgânica. E a falar que se trataria de uma comida elitista. “Será? Conheço restaurantes caríssimos que não servem orgânicos. Não creio que as pessoas que produzem agrotóxicos estejam comprando cesta orgânica”. Continuar lendo

Idec: Brasil importa frutas com agrotóxicos ilegais

Dados constam de última pesquisa do governo; pesquisadora Ana Paula Bortoletto diz que Brasil trabalha com amostras insuficientes para tamanho do problema

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Da Espanha vem a uva. Com agrotóxicos proibidos, no Brasil, para a produção dessa fruta – em todas as amostras analisadas pelo governo brasileiro. Da Itália, o kiwi: quatro entre as cinco amostras apontam utilização de agrotóxicos não permitidos. Do Uruguai, a maçã. Igualmente envenenada, com quantidade de pesticidas acima do limite tolerável. Todos os dados constam de um levantamento divulgado em junho pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que passou despercebido da imprensa.

“Os alimentos que a gente está importando para consumir no Brasil também estão contaminados, e com alimentos impróprios para a cultura”, aponta Ana Paula Bortoletto, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Ela analisou os dados do Ministério da Agricultura em entrevista ao De Olho nos Ruralistas, um observatório sobre agronegócio no Brasil. Continuar lendo

Sobre moradores de rua, sem-teto, Olimpíadas e o higienismo nosso de cada dia

Exclusões de moradores de rua, sem-teto ou indígenas são feitas pelo poder público a pedido do poder econômico; mas e quando são solicitadas pelo cidadão comum?

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Vejamos duas notícias aparentemente díspares reunidas pelo Observatório do Autoritarismo.

1) “A pedido de moradores do Centro, Brigada Militar retira população de rua do viaduto na Borges” (Sul 21). Em Porto Alegre. Continuar lendo

SP, RJ, RS, PR e SC têm 60% das feiras orgânicas do país

 

Mapa de Feiras Orgânicas do Idec mostra necessidade de políticas públicas para se atingir lugares mais pobres; movimento atual do governo é no sentido oposto

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Entre 490 feiras identificadas pelo Mapa de Feiras Orgânicas do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (idec), 60% delas (292) ficam em apenas cinco estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. No restante do país há Unidades da Federação com apenas uma feira conhecida, como Amapá, Amazônia e Rondônia.

A pesquisadora Ana Paula Bortoletto, do Idec, diz que para se fazer uma melhor distribuição geográfica são necessárias políticas públicas. E é aí que mora um dos problemas. O governo interino de Michel Temer tem feito sinalizações no sentido contrário. Com a extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário e medidas que estimulam ainda mais o setor do agronegócio, e não a agricultura familiar. Continuar lendo

Idec avisa: consumidor pode ser outra vítima do governo Temer

Pesquisadora do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, Ana Paula Bortoletto diz que riscos ambientais e para saúde são maiores com governo interino e instabilidade

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O direito do consumidor à informação está ameaçado. No Senado, um projeto de lei – relatado pelo suplente do Ministro da Agricultura – pode retirar a obrigatoriedade dos rótulos para produtos transgênicos. Confirmando o que foi aprovado, em 2015, na Câmara dos Deputados. Uma pesquisadora do Idec, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, diz que a instabilidade política joga a favor da aprovação – e convida a sociedade a se mobilizar contra.

Para Ana Paula Bortoletto, que também faz parte de um grupo de pesquisa na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), são grandes as chances de retrocesso em relação aos direitos sociais, em meio ao governo interino de Michel Temer. “E isso inclui o direito do consumidor à informação clara, correta, sobre o que está sendo ofertado no mercado e quais os riscos que os produtos apresentam para a saúde, ou o impacto ambiental dos alimentos”. Continuar lendo