Entrudo midiático, “show dos atrasados” é a nova jabuticaba brasileira

entrudo

Sadismo em relação a atrasados no Enem é filho direto da cobertura espetacularizada da imprensa, que agora retroalimenta essa implosão ética e estética

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Esse sadismo em relação aos atrasados do Enem é filho direto da dramatização irresponsável feita anualmente pelos veículos de imprensa. Ano a ano fomos vendo essa reprodução de imagens (fotógrafos e cinegrafistas invadindo as vidas dos estudantes, em nome da notícia-mercadoria), banalizando-as, até que pessoas suficientemente canalhas construíram o tal “show dos atrasados”.

O tema esteve entre os destaques mundiais do Twitter, no domingo. Com a ajuda da imprensa, consolida-se o hábito de zombar de quem chega atrasado no vestibular. O drama pessoal dos demais – um ano inteiro de estudos, os planos profissionais adiados – se torna apenas um motivo para diversão. Uma diversão baseada na humilhação. Em São Paulo, em Porto Alegre, os sádicos se multiplicam. Continuar lendo

Esquerda sem mea culpa ignora julgamento simbólico do Congresso, em SP

ENTRADATIRADENTESPDF

IV Tribunal Tiradentes julga parlamentares nesta segunda, às 19 h, no Tucarena, mas falta apoio: forças de resistência fazem de conta que problema está apenas na direita

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

É impressionante a falta de entusiasmo diante da realização do IV Tribunal Tiradentes, nesta segunda-feira (25/09), às 19 horas, em São Paulo. O evento que, em 1983, julgou a Lei de Segurança Nacional, no ano seguinte o Colégio Eleitoral e, em 2014, a Lei de Anistia, julgará agora o Congresso.

Mas não vejo os setores de resistência abraçados à causa.

Como se todas essas trevas que vivemos não fossem diretamente obra direta de deputados e senadores. (O escroque MIchel Temer, por exemplo, presidiu a Câmara.) Continuar lendo

Bolsonaro com 20% dos votos e os crentes em intervenção militar “temporária”

Bolsonaro com o pós-golpista General Mourão.

Bolsonaro com o pós-golpista General Mourão.

Distraídos de todo o Brasil imaginam umas “Forças Armadas do Bem”, capaz de entregar o país novamente limpo da corrupção; desconhecem profundamente a história

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Impressionante como começo a ver gente do campo supostamente progressista defender a intervenção das Forças Armadas contra essa corja golpista e corrupta que tomou o país de assalto. Imaginam (o que é curioso) umas Forças Armadas do Bem, que retirariam essa quadrilha sem maiores conflitos – e devolveriam uma eleição “limpinha” em 2018. Algo do tipo “lavôtánovo”.

Só que não é assim que funciona a política. Não é assim que funciona a história. Não é assim que funcionam as Forças Armadas. Não é assim que funciona o mundo.

Não à toa, ontem, no programa do Pedro Bial, o comandante do Exército negou a hipótese de que general golpista Antonio Hamilton Mourão seja punido: “Comandante do Exército descarta punir general que sugeriu intervenção“.

Isso acontece no mesmo momento em que outro grupo político, o dos apoiadores perenes de militares no poder, empresta 20% das intenções de voto à Presidência da República a um desqualificado limítrofe, um capitão machista, truculento e hipócrita chamado Jair Bolsonaro.

Somando os dois grupos, quanto teremos? Entre militaristas assumidos e aqueles temporários e (já não tão) envergonhados? 25% do eleitorado? 30%? Ora, onde foi que enterramos nossa memória?

É por isso que falo em um Pato de Troia. Introduzido junto com o Golpe do Pato. Em captura. E por isso falo em sequestro do bom senso. E da necessidade de ler o país sem as referências – imediatistas e repletas de puxadinhos – dos próprios golpistas.

DCIM100GOPROGOPR1149.

Paulo Skaf e o Congresso: o Golpe do Pato como Ensaio Sobre a Cegueira.

***
Difícil, em um momento como esse, não lembrar da Velhinha de Taubaté. O personagem de Luis Fernando Verissimo – sintomaticamente demitido há alguns dias da RBS, após 45 anos – consistia numa idosa panglossiana que era a última a acreditar nos militares e no presidente João Baptista Figueiredo.

Em pleno ano de 2017, uns querem uma variação abobada do general Figueiredo no poder: o capitão Bolsonaro. E nem são tão velhinhos assim. Outros já imaginam as tais Forças Armadas do bem. (É uma memória amarelada das forças verde-oliva. Uma Memória do Pato.)

Ora, quanto excesso de ingenuidade. E quanta overdose de falta de memória. Militares no poder são corruptos. Extremamente corruptos. Com o agravante de que não há liberdade de imprensa (sem falar no controle do Judiciário) e essa corrupção não pode – durante a intervenção – ser devidamente evadida.

Militares no poder são genocidas. Destruíram populações indígenas (em ritmo mais acelerado do que os arremedos de democratas, anteriores e posteriores), mataram camponeses mais do que mataram a classe media revolucionária ou resistente.

Expulsaram artistas. Expulsaram políticos, intelectuais. Expulsaram (em 1964, quando alguns argumentos eram parecidos com os atuais, não em 1967) até o Josué de Castro, um herói nacional que lutava contra a fome, que morreu de desgosto no exílio.

Censuraram. E torturaram. Torturaram muito. (E torturaram a história e a educação, por isso ainda nos torturam.)

Ainda estamos com os ouvidos despedaçados por causa da técnica do “telefone”, aquela técnica de tortura que consistia em espalmar violentamente os ouvidos das vítimas. Ainda estamos assim, meio surdos, traumatizados. Mesmo os que nasceram depois. Ou os que éramos crianças nessa fase animalesca.

***
É isso que acontece. Estamos atordoados. Eu que ouvia o sargento Castro descrever carismaticamente torturas no Tiro de Guerra de São Carlos (e estapear o atirador Éden, por onde andará o Éden?), no fim dos anos 80, vejo agora uma fileira de atordoados relativizar tudo isso, neste ensaio oliva sobre a cegueira.

É um massacre. Cuidadosamente alimentado por farsantes, do MBL (que de liberal tem muito pouco, claro) aos apresentadores de programas de jornalismo cão, das PMs aos governadores que toleram milícias e grupos de extermínio, todos a serviço de pessoas (entre eles os donos dos meios de comunicação) comprometidas com o livre exercício do capital – e não com as liberdades democráticas.

Bolsonaristas bancarem essa sintonia sórdida com o passado – e, paradoxalmente, com os crimes que eles dizem combater – já é difícil de aceitar. Pois é preciso ter algum orgulho da própria ignorância histórica (e do ódio decorrente dessa falta de formação) para apoiar esse canalha e esse tipo de discurso falso e violento.

A Velhinha era a última a acreditar no regime militar.

A Velhinha era a última a acreditar no regime militar.

Agora, estar supostamente no campo democrático, abominar esse patife e assumir essa Síndrome de Estocolmo soa até ridículo. (Como se a Velhinha de Taubaté tivesse ido fazer um pós-doc em Estocolmo e voltado com técnicas avançadas de marketing.)

Embora também esse fenômeno possa ser explicado com as próprias luzes da história que essas pessoas começam a ler com olhos distorcidos

(como se daquela operação para colorir os olhos, ao se retirar a camada de olhos castanhos, emergisse não o azul, mas o verde-oliva)

e com olhos torturados.

Continuar lendo

Os irmãos Vieira Lima são três: Geddel e Lúcio

geddel-temer

Afrísio Vieira Lima é personagem oculto na trama familiar, embora divida fazendas com irmãos, ocupe alto cargo na Câmara e tenha sido tesoureiro da fundação do PMDB

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Os irmãos Geddel são três: Geddel, Lúcio e Afrísio. Intriga-me o esquecimento de Afrísio nas notícias sobre a família. Fala-se até da mãe, do pai falecido, mas não do terceiro irmão. Pois bem: Afrísio Vieira Lima Filho é diretor legislativo da Câmara.

Geddel Vieira Lima virou um astro pop às avessas. Sintetiza como poucos essa geddelização da política brasileira. Com seu olhar meio assustado. É um corrupto que dá para imaginar no churrasco mais próximo, quebrando um copo, gargalhando. Continuar lendo

Uma carta para a nova editoria do jornal Extra, a Editoria de Guerra

extra-guerra

Vamos ter enviados especiais para as terras indígenas isoladas? Correspondentes nos presídios? Editoriais contra as reintegrações de posse e destruição dos modos de vida?

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Querida Editoria de Guerra do jornal carioca Extra. Você, tão jovem, tão original. Editoria de… Guerra! Vi amigos falando sobre sua existência. Por causa do tráfico, né? Digo, por causa das ações tresloucadas da polícia – do Estado – há algumas décadas, essa ações (não lembro se já disse que elas são tresloucadas) que a embalaram no berço, alimentaram-na durante a gestação, mas sempre de forma a dar uma disfarçada, como se não fosse com ela. Como se fossem da Paz.

Chacina de Osasco e Barueri, em 2015. Que guerras urbanas serão pautadas?

Não me lembro de tantas Editorias de Guerra por aí nesse mundão velho de… guerra. Por isso pergunto: Guerra Urbana ou Guerra Agrária? Ou Guerra como um todo, uma Guerrona, nossa Guerra estrutural, a mãe de todas, aquela que dá origem ás demais?

Veja, eu não falo em Guerra Agrária por fixação, por pensar só nisso. Eu sou da cidade e vejo diariamente sua musa, a Guerra segue firme e forte por aqui, deparo-me com a Guerra no Trânsito, vejo seus espasmos, a Batalha da Especulação Imobiliária, a Marcha das Balas de Borracha acompanhada da Orquestra de Despejos. Sei que essa Guerra é rude, essa Guerra é intensa. (Não creio que você possa estar falando apenas da Guerra Urbana localizada, aquela com alguns personagens mais facilmente detectáveis pelo senso comum, jovens com fuzis na mão, não, não, eu não quero levá-los para casa, Editoria de Guerra, eu imagino que uma pessoa que conviva tanto com generais deva saber que essa é a apenas sua expressão mais noticiada, pois não?)

"A Noite de São Lourenço" (Paolo e Vittorio Taviani, 1982)

“A Noite de São Lourenço” (Paolo e Vittorio Taviani, 1982)

Mas enfim. Falo da Guerra Agrária, sim, porque ela tem uma certa precedência – histórica, cronológica – em relação às demais guerras. Dizem até que revoluções saíram do campo, não? Sim, sim, batalhas sangrentas. Assistiu “A Noite de São Lourenço”, dos Irmãos Taviani, um filme lindo dos anos 80? Lá tem uma batalha incrível entre resistentes e fascistas, no meio de um campo de trigo. E em filme anterior deles, “Allonsanfan”, outra cena imponente, revolucionários urbanos e camponeses irmanados – só que apenas em sonho.

Tá bom, tá bom, viajei. É que a Europa falou tanto de Guerra Primeira, Guerra Segunda, traumatizada que é, enquanto nós, por aqui, nós que nos distraímos tanto, não a assumimos. Mas agora temos, temos… uma E-di-to-ri-a. Uma Editoria de Guerra! Pois todo o resto é normal, imagina você, a Grande Marcha dos Psicopatas e dos Exploradores, entre estupradores e executivos em série, tudo isso seguirá na cobertura ordinária, esse desfile de vendedores de venenos e fuzileiros políticos, desnecessário fazer uma Editoria da Dívida Genocida ou uma Editoria dos Despejos Cruéis. Afinal, temos, temos… uma Editoria do Rubinho e da Bibi, uma Editoria de Guerra! Com vista para ele, para o Cristo Redentor.

Ah, Editoria de Guerra. Mal posso esperar para saber quem será o Subeditor de Grilagem, o repórter especializado em jagunços, já estou louco para conferir a cotação das motosserras e as investigações sobre a sagrada propriedade assassina. Vamos ter enviados especiais para as terras indígenas isoladas? Correspondentes nos presídios? Editoriais indignados contra as reintegrações de posse e destruição dos modos de vida? (Claro – claaaaaro – que você sabe que Guerras não existem a partir do Rio, por geração espontânea, que elas são fruto de processos históricos. Complexos. E que são objetos de narrativas. “Aos vencedores, a versão das batalhas”.)

Massacre de Pau D'Arco (PA) deixou 10 mortos em maio.

Massacre de Pau D’Arco, no Pará, deixou 10 mortos em maio. Chacinas no campo são “guerra”?

Me conta. Teremos também uma Editoria de História? Talvez vocês possam fazer umas matérias interdisciplinares. Editoria de Geografia sim, né? “A Geografia serve, em primeiro lugar, para fazer a Guerra”. (Como dizia aquele francês.) Lógico que sim. Posso sugerir também uma Editoria de Sociologia? Outra de Antropologia, outras de Psicologia e Psiquiatria. Economia eu sei que vocês já têm, Editoria de Guerra, mas ela anda muito focada, fala sempre para os mesmos – e desconfio que aqueles que estão do lado errado, posto que artífices daquilo que eu chamei de Guerra Mais Ampla, a Guerrona.

Ou será que não dá para agrupar tudo numa verdadeira Editoria de Política, uma Editoria de Política séria, uma Editoria de Política que contemple – efetivamente – todos os lados da disputa, e que não esteja a serviço de exércitos de fanáticos? E-vi-den-te-men-te não essa editoria de política que está aí, Editoria de Guerra, e isso fica entre nós, porque sei que os donos de seu jornal talvez não assimilem tão bem essa crítica, que vem do fundo de meu coração, com a melhor das intenções, apenas aqui pedindo licença para uma contribuição singela, mas uma Editoria de Política que…

Continuar lendo

De Brasília a Curitiba, afirma-se ofensiva fundamentalista na educação

"Pele de Asno". (Jacques Demy, 1970)

“Pele de Asno”. (Jacques Demy, 1970)

Jornal Gazeta do Povo ataca teses de ciências humanas ligadas à sexualidade; MEC recolhe livro por considerar conto tradicional “apologia ao incesto”; teremos um índex?

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Duas notícias aparentemente díspares, na semana passada, tomaram as redes sociais. E apontam para uma mesma tendência: fundamentalismo. Ambas tratam de educação. Uma delas foi uma peça publicitária contra as ciências humanas – disfarçada de jornalismo – no principal jornal paranaense, a Gazeta do Povo. A outra, a decisão do Ministério da Educação de recolher 98 mil exemplares de um livro por considerá-lo “impróprio”.

Essa aliança específica entre imprensa tradicional e o governo de Michel Temer não é casual. Está ligada à ideologia da Escola Sem Partido, por um lado, ao esvaziamento da diversidade e da perspectiva crítica no ensino. Por outro, aponta para uma migração de determinada posição moralista, não somente religiosa, refratária a temas que os jornalistas paranaenses e a equipe do ministro da Educação, Mendonça Filho, julgam incômodos.

É como se as políticas públicas tivessem, neste momento sombrio que atravessa o Brasil, de se submeter ao pudor desses senhores. Continuar lendo

Massacre de Pau D’Arco e Massacre de Brasília: duas faces de um país que regride

Brasília, 2017. (Foto: Walter Serra/Mídia Ninja)

Brasília, 2017. (Foto: Walter Serra/Mídia Ninja)

O assassinato de dez camponeses no Pará remete o Brasil aos anos 90; o Exércico reprimindo manifestações na capital, aos anos de chumbo; tudo no mesmo dia

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Em Pau D’Arco, no Pará, dez camponeses foram mortos pela polícia, nesta quarta-feira. O mesmo número do Massacre de Corumbiara, em Rondônia, em 1995. No ano seguinte foram mortos 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, também no Pará. As duas matanças marcaram o governo de Fernando Henrique Cardoso. Por isso é preciso que se dê o nome de massacre, com todas as letras: o Massacre de Pau D’Arco já passa a ser uma das marcas do governo de Michel Temer.

Outra marca desse presidente transitório ficará gravada para sempre na história brasileira da infâmia. A indefensável e intempestiva decisão – curiosamente corroborada por um ministro que já foi de um partido comunista, Raul Jungmann – de autorizar o uso do Exército para reprimir uma manifestação. Isto em um país supostamente democrático. Ocorreu ontem, em Brasília. Mas demorará a ser esquecido. Continuar lendo

Dorialândia, essa terra de dependentes do desprezo

dorialandia

Uma terra que necessita de despejos. (Foto: Tiago Macambira/Jornalistas Livres)

É um lugar violento, com gente violenta, mas que não se diz violenta; terra de gente que posa de bacana, mas precisa soterrar alguém para saciar a própria fissura

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Dorialândia é um lugar violento, com gente violenta, mas que não se diz violenta. Uma terra onde as pessoas se matam nas Marginais, porque-a-cidade-precisa-andar e, conforme a definição de seu guru, por “excesso de otimismo”. Terra de gente que posa.

Consumidores de dorias viajam para Campos do Jordão para testemunhar araucárias dizimadas (eles são os netos dos bandeirantes e dos plantadores de café) e, quem sabe, a casa do prefeito paulistano – aquela com uma área pública invadida.

Na administração de Dorialândia o guru leva uma garrafa pet com guaraná quente à mesa. Começa a reunião. Quem fala uma bobagem, na definição dos dependentes de doria, é obrigado a tomar o purgante. Todos riem e acham m-o-d-e-r-n-o.

Continuar lendo

“Eles não sabem o valor de uma nota de cem”

cemreais

Preso no trânsito, taxista de Belo Horizonte faz uma reflexão sobre dinheiro e poder, a partir do caso JBS e do valor concreto ou desconhecido de uma nota de R$ 100

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

A jornalista Constança Guimarães contou esta história nas redes sociais. Ela pegou um táxi em Belo Horizonte. Era o começo da noite de sexta-feira, 19 de maio. Um dia após estourarem as notícias sobre a JBS. O trânsito estava lento. “Mas melhor que ontem”, disse o taxista. “Porque em dia de manifestação fica muito parado mesmo”.

Constança disse a ele que manifestações precisam provocar desconforto, interferir no cotidiano para motivar reflexão. Em muitas outras vezes já havia se posicionado dessa maneira e sua colocação fora recebida com arroubos “a esmo”, como ela disse, ou dirigidos a ela “com muita, muita ênfase”. Algumas dessas ênfases, violentas.

Foi quando o taxista disse: “Mas é claro. Senão vira piquenique.” Continuar lendo

Imprensa alternativa precisa somar forças para resistir e avançar

midiaalternativa02

Veículos contra-hegemônicos têm agido de forma atomizada nos anos 2010; chegou a hora de resgatar parcerias que marcaram outras épocas; a começar do financiamento

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Como financiar a imprensa alternativa? Com a palavra, o leitor. Também o leitor. E, para mostrar a esse leitor que depende dele a própria sobrevivência de uma rede de veículos independentes, os editores desses veículos precisam rever alguns valores. Ou cacoetes, vícios. Principalmente, precisam refletir sobre a tendência ao atomismo que se afirmou nos anos 2010. A do “cada um por si” – nada condizente a com a perspectiva política de todos. É preciso promover a união e a sinergia.

Diante de um governo golpista, alguns veículos que, em boa parte, viviam de verbas do governo também começaram a olhar para o financiamento coletivo. Outros nunca quiseram essas verbas e, igualmente sem verbas de outros mecenas (como fundações estrangeiras), já enxergavam no crowdfunding – ou em um sistema de assinaturas – a solução para pagar as contas. A mão de obra, os gastos básicos. Até mesmo advogados, quando necessário. Continuar lendo