Arquitetura hostil: as cidades contra seres humanos

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Em Londres, espetos antimendigos, bancos contra skatistas e namorados expõem horror de certos urbanistas e autoridades a interações pessoais

Por Ben Quinn, The Guardian | Tradução Maria Cristina Itokazu

Ele é chamado de banco Camden, por causa do distrito londrino que primeiro encomendou esses assentos esculpidos em concreto cinza, que podem ser encontrados nas ruas da capital britânica. A superfície inclinada dos bancos, resistente a pixações, foi desenhada para afastar tanto os moradores de rua quanto os skatistas.

Ainda que menos óbvios do que os espetos “antimendigo” de aço inoxidável que apareceram há pouco, do lado de fora de um prédio de apartamentos de Londres, esses bancos fazem parte de uma fornada recente de arquitetura urbana planejada para influenciar o comportamento público e conhecida como “arquitetura hostil”.

Os skatistas tentam subverter os bancos fazendo aquilo que sabem melhor. “Hoje estamos mostrando que você ainda pode andar de skate aqui”, disse Dylan Leadley-Watkins, freando depois de se lançar com seu skate por sobre um dos bancos no Covent Garden. “O que quer que as autoridades façam para tentar destruir o espaço público, elas não podem se livrar das pessoas que frequentam a área sem ter que gastar dinheiro e fazer algo de que elas gostem.”

As ações dos skatistas e daqueles que se indignaram com os espetos – removidos depois que uma petição online conseguiu 100 mil assinaturas e o prefeito de Londres, Boris Johnson, aderiu às críticas – chegam num momento em que muitos argumentam que as cidades estão se tornando ainda menos acolhedoras para certos grupos.

Além dos dispositivos antiskate, os parapeitos das janelas ao nível do chão têm sido “enfeitados” com pontas ou espetos para impedir que as pessoas se sentem; assentos inclinados nos pontos de ônibus desencorajam a permanência e os bancos são divididos com apoio para os braços para evitar que as pessoas se deitem neles.

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Acrescentem-se a essa lista as áreas com pavimentação irregular, desconfortável, as câmeras de circuito fechado com auto-falantes e os intimidantes sonoros “antiadolescentes”, como o uso de música clássica nas estações e os chamados dispositivos mosquito, que emitem sons irritantes de alta frequência que só os adolescentes escutam.

“Uma grande parte da arquitetura hostil é adicionada posteriormente ao ambiente da rua, mas é evidente que “quem nós queremos neste espaço, e quem nós não queremos” é uma questão consideradas desde cedo, no estágio do design”, diz o fotógrafo Marc Vallée, que tem documentado a arquitetura antiskate.

Outros enfatizam o valor do design de ambiente na prevenção do comportamento criminoso, insistindo que o tempo das soluções brutas como os espetos de aço já passou. “Os espetos são parte de uma estética da fortaleza, já ultrapassada e nada bem-vinda nas comunidades para as quais o design urbano precisa ser inclusivo”, diz Lorraine Gamman, professora de design na Central St Martins (Faculdade de Artes e Design) e diretora do centro de pesquisas Design Contra o Crime, da mesma instituição.

Hostile architecture: benches

Novos bancos em frente às Cortes Reais de Justiça na região central de Londres. Foto: Linda Nylind

“Se quisermos usar o design para reduzir comportamentos antissociais, a democracia deve ser visível no design para a prevenção do crime que incorporamos às nossas ruas”, diz ela. “Não tenho problemas com o banco Camden – cuja estética outros têm criticado – mas em muitos lugares, os bancos, banheiros e lixeiras parecem ter sido removidos para reduzir crimes presumíveis, às custas da maioria das pessoas, que costuma respeitar das leis”.

Inovações atualmente em desenvolvimento na Central St Martins incluem “arte para caixa eletrônico” – marcadores de piso que visam aumentar a privacidade e a segurança dos usuários de caixas eletrônicos.

Outros criaram projetos relacionados com o graffiti (“Graffiti Dialogues”), ganchos antifurto para pendurar bolsas e mochilas nos bares e cafés e o suporte Camden para bicicletas, que facilita a vida do ciclista por manter a bicicleta na posição vertical e prender as duas rodas e o quadro ao suporte.

Hostile architecture: spikes

A indignação contra os tipos mais grosseiros de arquitetura hostil está crescendo. Há semanas, ativistas derramaram concreto sobre os espetos instalados na frente de uma unidade da rede de supermercados Tesco na região central de Londres. A empresa disse que pretendia prevenir comportamentos antissociais e não afastar moradores de rua, mas concordou, dias depois, em retirar os espetos.

O historiador da arquitetura Iain Borden disse que o surgimento da arquitetura hostil tem suas raízes no design urbano e na gestão do espaço público dos anos 1990. Esse aparecimento, afirmou ele, “sugere que somos cidadãos da república apenas na medida em que estamos trabalhando ou consumindo mecadorias diretamente”.

“Por isso é aceitável, por exemplo, ficar sentado, desde que você esteja num café ou num lugar previamente determinado onde podem acontecer certas atividades tranquilas, mas não ações como realizar performances musicais, protestar ou andar de skate. É o que alguns chamam de ‘shoppinização’ do espaço público: tudo fica parecendo um shopping”.

Rowland Atkinson, co-diretor do Centro para a Pesquisa Urbana da Universidade de York, sugere que os espetos e a arquitetura relacionada são parte de um padrão mais abrangente de hostilidade e desinteresse em relação à diferença social e à pobreza produzida nas cidades.

Hostile architecture: seat

“Sendo um pouco cínico mas também realista, é um tipo de ataque aos pobres, uma forma de tentar deslocar sua angústia”, diz ele. “São vários processos que se somam, incluindo os processos econômicos que tornam as pessoas vulneráveis em primeiro lugar, como o imposto por quarto extra e os limiares do bem-estar, mas o próximo passo parece ser afirmar que ‘não vamos permitir que você se acomode nem mesmo do modo mais desesperado’.”

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39 comentários para "Arquitetura hostil: as cidades contra seres humanos"

  1. bandomuzzikfabio disse:

    Estão tirando o direito dos homens sentirem-se humanos no ambiente urbano. Essa tendência arquitetônica fará com que pessoas se transformem em robôs, que sempre têm algum propósito, pressa, urgência, e não possam contemplar o ambiente lhe rodeia e que em alguns casos, o próprio cidadão paga do bolso através de impostos.

  2. Alicia Giglio disse:

    Eu até concordo com as medidas. Cada área das cidades é destinada a um público alvo. Existem pistas para se andar de skate e albergues para que mendigos possam dormir. Área PÚBLICA é para o público no geral. A partir do momento que UM nicho perturba a paz de todos os outros, este está infringindo a ideia de público. Banco é para se sentar, pista é para andar de skate e cama (no caso de mendigos, a cama de albergues) é ara se deitar.
    As pessoas estão esquecendo que existe um motivo para a existencia das coisas e acha que tudo foi feito pra tirar a humanidade do homem. O homem perdeu sua humanidade há muito tempo, e não foi por nenhuma medida preventiva. Na verdade as medidas preventivas foram criadas para evitar que homens desumanos “depredem” objetos e áreas públicas.

    • Nelson Affonso Sheine disse:

      Concordo plenamente. Suas colocações são perfeitas. Temos de nos defender contra os homens desumanos e a inventividade londrina deveria ser copiada mundo afora.

    • kaiserspiegel disse:

      “As pessoas estão esquecendo que existe um motivo para a existência das coisas”
      Você então nunca subiu num banco para alcançar um lugar alto nem o usou para apoiar comida como uma mesa, não é?
      “O homem perdeu sua humanidade há muito tempo, e não foi por nenhuma medida preventiva.”
      Em que consistia essa humanidade perdida? Você, que parece dar mais importância a objetos do que pessoas, é quem parece ter perdido a humanidade. Esse papo de “antigamente era melhor” e “o mundo tá perdido” é totalmente falacioso.
      “Na verdade as medidas preventivas foram criadas para evitar que homens desumanos “depredem” objetos e áreas públicas.”
      Então quer dizer que a tal “humanidade perdida” na verdade é o senso patrimonial! A ordem das coisas determinada pelo patrimônio, público ou privado, estritamente conforme definição. Me perdoe, mas você é a personificação do que faz alguém ser rejeitada pela seleção natural: falta de adaptabilidade e insistência em padrões artificiais como se fossem naturais. Então a criatividade do skatista é desumanidade, depredação. O mendigo, sem casa, que ao menos tenta dormir perto do seu trabalho ou onde é seu ponto de mendicância, também. E você é a humana!?

      • Daniel Chagas disse:

        “Você então nunca subiu num banco para alcançar um lugar alto nem o usou para apoiar comida como uma mesa, não é?”
        Banco de rua não é lugar pra apoiar comida e nem pra “subir”. Banco de rua é para sentar. SIMPLES assim.

      • Manopj disse:

        Boa colocação jovem, a criatividade, improvisação e capacidade de adaptação que são características que se destacam entre todos os seres humanos, e que nos fizeram chegar onde estamos hoje são desestimuladas, de maneira que fazem as pessoas esquecerem que uma cadeira é na verdade composta por varias pequenas partes, e que tenta servir a um proposito, mas que pode ter outras utilizações (como por exemplo usar um banquinho na falta de uma mesa pra jogar uma partida de truco). Isso ocorre até em meios que se consideram eruditos, como o meio cientifico, onde vários cientistas começam a esquecer que o modelo cientifico é um método muito eficaz de se desenvolver conhecimento e adquirir domínio sobre nossa realidade, mas que um dia sera substituído por outro (como o método empírico foi substituído). As pessoas começam a esquecer que são humanas, e tentem cada vez mais agir como robôs, apenas seguindo a sua programação, sem tentar compreender o porque foi programado daquele jeito, e em que situações ela poderia agir de maneira diferente.

    • Valber Souza disse:

      Eu nunca ia poder andar de skate no meu bairro sendo assim, meu bairro não tem uma pista, muito menos um banco skatavel. Faz pista aqui que eu nunca mas ando em banco na rua

    • Felipe Maddu disse:

      Desumano são os bancos. A cidade é feita pra se viver. “depredação” é a higienização social.

  3. Emilia Tiago disse:

    Isto só demonstra que, infelizmente, o tempo da democracia “já lá vai”. Ao que chegámos…Já nem dos espaços exteriores podemos usufruir à vontade!

  4. Leonardo disse:

    Alícia, preciso fazer uma crítica ao seu comentário.
    Não estou dizendo que voce eh a favor das segregações, mas seu comentário dá a entender que eh! E esse tipo de lógica (cada um no seu lugar, cada espaço foi criado pra uma lógica e a idéia de mendigo se restringir à albergues então que preconceito!) é a mesma da segregações raciais, de gêneros, etc. Então pessoas pobres e ricas tem cada um seu lugar e não podem se misturar, só o “espaço público” pode ter esse fim?
    A humanidade consiste em (meu modo de ver) em interações entre os mais diversos tipos de pessoas, eh claro que se não quiser ninguem eh obrigado, mas admitir que as pessoas pobres, ou mendigos, ou mesmo indo para o extraeconomico, os outros grupos culturais tenham cada um o seu lugar, é polarizar as pessoas, isto eh segregar. A diferença irrita as pessoas, como isso eh possivel? Eh a diferença que faz a humanidade criar tudo o que existe.
    E admitir que as cosias não possam ser usadas para os fins que foram criados eh outro problema, vamos enrijecer a realidade então? Penso isso que é a expressão de uma certa classe (adoto a posição marxista aki) que tem medo de que as coisas saiam do seu controle, que as próprias pessoas ressiginifiquem as coisas.

  5. Nelson Affonso Sheine disse:

    Não, Leonardo. Não confundamos segregação com direito e respeito, por favor. A Alícia é a favor da ordem, da limpeza, do respeito ao outro, que é totalmente saudável. Somos seres humanos, criamos regras de comportamento e convivência em público, e temos de segui-las. Quem quiser viver no caos, que viva. Mas não nos obriguem a fazer, ver ou ouvir o que não queremos, não gostamos e não nos faz bem. Praças destruídas, bancos quebrados, pichações, lixo lançado em passagens públicas, desocupados incômodos, são coisas que não combinam com a beleza e a harmonia que apreciamos, nem com um bem estar normal. Isto faz mal à mente, e se faz mal à mente, também faz mal ao corpo.

  6. Ana Flávia disse:

    Com certeza! concordo plenamente Leonardo!

  7. Thatiana Cosendey disse:

    Penso, que isso é uma segregação. Se um não pode, quer dizer que não é público. Pois, o público é de todos. A rua é para ser utilizada por todos. Claro, que com medidas adequadas. Mas, isso já é demais. Isso, ja é deixar inutilizavél.
    PS: Gostei da notícia. Mas, a redação, por favor revisem melhor o texto. Há partes, que nem dá para entender, por erros de português. Obrigada.

  8. Leonardo disse:

    Ola Nelson!
    Me desculpa, mas eu confundo as coisas? Quer dizer então que o simples fato de existir skatista andando numa praça de shopping destinada à compras é desordem? Ordem pra voce então tem o sentido de segregação mesmo, se para voce tudo aquilo que não gosta é desordem, bagunça, quebração (confundiu esportes e outros tipos de manifestação artística que não as que voce “gosta” e que somente elas “fazem bem à mente e logo ao corpo”) estamos bem com a diversidade não?
    Esse tipo de opinião que diz que só “nós” temos respeito e “ordem” e que tudo aquilo que nos ofende não devemos tolerar e que é “bárbarie”, é o mesmo que os gregos e romanos usavam para chamar os outros povos que não os seus (insisto nessa tese)
    Me apoio aqui no livro a questão judaica do Marx. Hoje em dia respeito é não adentrar a propriedade alheia, não “invadar” as posses de alguem, por algum motivo isto eh algo de humano? estamos respeitando mais os bens materiais do que as relações com as pessoas, admitir que alguem invadindo meu terreiro ou mesmo minha chacara ou fazenda a priorii, isto sim é preconceito, e é segregação sim senhor!
    Insisto novamente a essencia humana é tolerar as relações diferentes, as pessoas convivendo no mesmo lugar (não estou falando de pessoas escutando som alto, funkeiros, pessoas fazendo algo que realmente interferia na concentração, descanso, tranquilidade alheia) estou falando de relação diversas e que não as que achamos “certas”, “respeitosas”.
    É a mesma coisas com opiniões, se ficarmos só com as nossas e não discutirmos com quem pensa diferentes que movimento e dinâmica tem o pensamento? seremos conservadores até morrer e a realidade permanece em constante mudança…
    Humanidade é interação entre as pessoas e não segregação e proteção aos bens materiais!

  9. Leonardo disse:

    Escrevi o texto acima com muito erros, desculpem-me, mas estava tomado pelas emoções ao escrever.

  10. Adriane disse:

    Entendo seu ponto de vista Leonardo. Está correto. Tem gente que tem pobreza de espírito….

  11. Alexandre disse:

    O correto é “pichações” (com “ch”)

  12. Na minha opinião eu concordo com as medidas. infelizmente não é todos que tem o bom senso de viver em harmonia. como disseram anteriormente, cada espaço é destinado a alguma coisa. um banco não foi feito para se deitar, e muito menos para se andar de skate. o que não significa que um skatista não possa sentar no banco. Até porque se uma pessoa for até uma pista de skate e se sentar nela os skatistas tbm não iriam gostar. Não sou a favor da discriminação, jamais. Mas sou a favor do uso correto das coisas e dos lugares.

  13. Eu concordo com as medidas, mas em alguns aspectos. Li os comentários acima e vejo que falam em humanidade, diversidade, respeito sem ter uma posição concreta sobre isto.
    Uma cidade é construída pensando em todos, os espaços públicos são criados e executados pensando em todos! Nesse aspecto, concordo com as medidas tomadas pelo poder público. Mas, desde que hajam espaços para aqueles amantes do esporte. Vejam o exemplo de Paris: a ciclovia é compartilhada com o corredor de ônibus e, pasmem, ninguém é atropelado. Mas se você andar sobre a calçada onde há estes espaços, você é multado!
    Então, existe espaço para todos, mas deve haver uma ordem, para que TODOS possam conviver de maneira saudável. Isto não significa segregar, mas sim ordenar o espaço.
    Concordo com ambas as opiniões divergentes aqui, da Alícia ao Leonardo. Com um, porque não vejo a discriminação aos mendigos. Vejo que há um espaço que visa proteger, aquecer, cuidar dos mesmos (os abrigos). Não vi na opinião da Alicia uma discriminação por não poder ficar nos espaços públicos. Mas as medidas do governo em não permitir que tais cidadãos deitem nesses espaços serve para que entendam que há um espaço onde devam ficar, feito especialmente para eles! Um exemplo (por favor, não entendam como comparação), o de coletores de lixo: porque, em grandes centros urbanos, existem coletores de lixo padrões? Imaginem andar por uma calçada enquanto se vai ao banco no meio de sacos e mais sacos de detritos?
    Agora, concordo também com a opinião do Leonardo pelo fato de todo o espaço urbano ser de todos! Mas Leonardo, veja que o espaço ser de todos não significa que este mesmo espaço deva ser destruído para agradar alguns amantes do esporte radical (o qual acho muito legal). Justamente por este fato, inúmeras pistas e locais foram criados para poder praticar esses esportes. Imagine a cena de um grupo de crianças praticar futebol ou basquete na calçada do parlamento, por exemplo. Não condiz com o local!
    Para finalizar, minha opinião é a favor das medidas, desde que existam locais para que todos possam praticar, usufruir do que gostem!

  14. Leonardo disse:

    Olá Ramses. Acho que voce não entendeu que minhas palavras humanidade, respeito e diversidade já partem de uma concepção concreta quando critico o fato de todos acharmos natural que existam mendigos e existam casas (limitadas, com filas) especializadas em manter a situação como tal. Creio que quem aceita as posições de cada um em seu lugar, (o rico em suas mansões e o mendigo nos albergues) já parte de pressupostos concretos que afirmam ser a realidade igualitária e que dizem ser culpa do individuo o fato de ele não ter conseguido subir na vida, pois ele teve oportunidade, que quem trabalha na vida fica rico, e coisas desse tipo.
    Quem tem um mínimo de conhecimento de pessoas que se matam de trabalhar a vida inteira sabe que não é assim que se fica rico, não é ganhando 1000 reais e poupando, tirando dinheiro da casa que se consegue acumular riquezas.
    Parto do pressuposto que a sociedade tal como ela está já é desigual, o fato de existirem trabalhadores de um lado que perdem seus empregos a todo momento por crises e por deliberações aleatórias dos empresários já é em si mesma uma desumanidade. Meus conceitos estão subjacentes em todas as frases.
    Crítico a forma de organização social que existe. Não me contento com a expropriação do trabalho alheio. Humanidade e respeito são tudo isso e não conceituações de duas linhas ou frases.

  15. Carolina. disse:

    “uso correto das coisas”
    banco = sentar
    escada = subir e descer
    cama = dormir
    skate – pertence à pista
    bicicleta – pertence à ciclovia
    .
    .
    .
    Nossa, espero que um dia as pessoas limitadas a tais conceitos possam se libertar de tais pensamentos… eu prefiro ser errada e usar o banco do carro pra deitar, o banco da praça pra sentar na área de encosto, a minha cama pra simplesmente passar o tempo… prefiro ver skatistas, ciclistas andando nas vias… prefiro que as pessoas sejam livres pra usar o espaço público como lhes der na telha!
    Ao contrário do que algumas pessoas aqui disseram, espaço público significa que não existem REGRAS ou BARREIRAS para a OCUPAÇÃO do mesmo por QUALQUER INDIVÍDUO. Do contrário se chamaria PRIVADO. 😉

  16. Felipe Yamahata disse:

    Espero que as pessoas que pensam que o banco foi feito para sentar, nunca tenham deitado num sofá para assistir TV nem apoiado o pé numa cadeira para amarrar seus cadarços, afinal, cadeira é feita para sentar… O ser humano possui um atributo chamado criatividade, que da a ele a capacidade de inovar, renovar e dar novas funções a coisas (materiais ou não). É claro que existem os vandalos, aqueles que querem dar prejuizo aos outros para seu prazer, mas não é o caso do mendigo, do skatista ou qualquer outra coisa que fuja da sua egoísta ordem de quem tem esse pensamento Caso um desses seja um vandalo, pode ter certeza que a culpa foi do ser humano que anda de skate, e nao do skatista.

  17. pra saber se a shoppinização é valida, saia da sua zona de conforto e enfrente as modificações na pele de um mendigo, ou na pele de um adolescente ou na pele de um idoso.

  18. Iasmim disse:

    Ei, os skatistas também têm o direito de usufruir da cidade! E nós devemos poder nos deitar nos bancos, e as crianças jogar bola na rua… qual o problema com alguns de vocês? Porque acham isso tão errado?! Quanto aos mendigos, nem comento! Há pessoas mais preocupadas em afastá-los do que em ajudá-los!! Ter mendigos na rua não é normal nem aceitável, eles deviam ter suas próprias casas, ora bolas, aí nenhum deles ia querer dormir nesses bancos aí!

  19. Eduardo Barves disse:

    O Design é uma ação processual totalmente hermética… o texto mesmo fala que a definição de público alvo e função principal de cada peça (banco, rampa etc) são pontos pensados mesmo no ínicio do processo.
    O problema mora em se excluir dessa ação o fator antropológico e imprevisível… que são os desdobramentos da utilização do usuário final, que pode, e vai!, perceber formas alternativas de utilização para cada peça de acordo com suas necessidades reais.
    Neste caso, não cabe a interferência da utilização, mas sim um estudo aprofundado para se identificar de que lacunas estruturais ela emergiu, e oque ela diz a respeito de seus praticantes.
    A imposição de funções através de “espetos” só reforça a preguiçosa incompetência humana em resolver suas próprias questões sociais, e soa como uma forma rasa, antipática e desrespeitosa de tratar o usuário urbano, excluindo a organicidade de suas necessidades… ao invés de abraça-las em uma ação de coletividade e entrosamento.
    NÃO ROLA VETAR! O espaço é público! E a utilização também!!

  20. Chay disse:

    Concordo mil vezes com a atitude deles, lugar de skatista é nas pistas e não destruindo bancos, bancos são para sentar e não para mendigo dormir… e por ai vai! Ta certo, sim!! Poderia ter chego ontem no Brasil isso (se é que funcionaria né, o “jeitinho brasileiro” já acharia outra maneira para desordem!!!!

    • Andrew Santos disse:

      Chay, ainda dá tempo de vazar! Se não gosta do país, não tem que ficar aqui falando mal dele. Temos um país com muitos problemas para resolver, não seja mais um. Apesar de tudo que dizem sobre o Brasil, é um país muito jovem se comparado aos europeus, e levando isso em consideração, estamos até que bem. Não seja uma pessoa tão imperativa e conservadora! Se não fosse a capacidade de da criatividade e do improviso, o mundo seria muito chato… Como você.

  21. Nelson Affonso Sheine disse:

    O SR. LEONARDO ACHA NORMAL ANDAR DE SKATE ENTRE CLIENTES DENTRO DE UM SHOPPING. ELE NÃO PENSA QUE PESSOAS DE IDADE, CRIANÇAS PEQUENAS, DEFICIENTES, PODEM SER ATINGIDOS POR UM DESLIZE DO SKATISTA. SÓ RINDO DE UMA OPINIÃO ASSIM, SEM FUNDAMENTO RACIONAL. PESSOAS ASSIM NÃO INSPIRAM ATENÇÃO, POIS ESCREVEM SEM PENSAR. E AINDA TRAZER OS ROMANOS À DISCUSSÃO?!

    • Leonardo disse:

      Ééé Sr Nelson! Foi exatamente isso que eu disse, com essas palavras, vão até meus comentários e vejam como eu disse: skatistas vão dentro de Shoppings e derrubem idosos, atropelem crianças! Quais artifícios usa numa discussão não? E depois me acusam de ser irracional! Ora essa estou falando de preconceito, e sou irracional (em sua visão ele não deve existir né Sr Nelson!)…
      Acabo de ler seu comentário acima novamente e diz “Praças destruídas, bancos quebrados, pichações, lixo lançado em passagens públicas, desocupados incômodos, são coisas que não combinam com a beleza e a harmonia que apreciamos, nem com um bem estar normal. Isto faz mal à mente, e se faz mal à mente, também faz mal ao corpo”
      Quando eu defendi isso? Se “desocupados incômodos” (sinceramente eu espero, de verdade, que não esteja falando de pessoas de rua e “infelizes sociais” que sujam sua beleza estética, mas nem eu mesmo consigo acreditar em mim…
      Se deseja eliminar tudo aquilo, estude como surgem, como se originam a pobreza, a miséria Sr Nelson, mas por favor vá com a mente aberta ok?
      Apenas defendo a não segregação, não quero forçar ninguém a viver de um modo que não queira, mas quando vivem de modo que destroem a hombridade das pessoas, aí sim sou obrigado a lutar por elas.

  22. Andre Guerra disse:

    Sigam o exemplo dos arquitetos do estádio “Mineirão”, em BH: fizeram os bancos com bordas arredondadas, de acordo com dicas dos skatistas! Lá tem amplos espaços para as manobras de skates e bikes, ninguém reclama da “utilização inapropriada”, inclusive em dias de jogos e shows. Preconceito, intolerância e pretensa “higiene social”, a gente vê por aqui.

  23. Danielle Yuri Yutani disse:

    Os termos utilizados como design urbanos são extremamente contraditórios. O design tem como propósito o conforto, o bem estar, e o conceito do desenho. Entendo que devem ser tomadas algumas medidas contra depredação, mas certamente o design se utilizaria do conforto, do aconchego, da praticidade, da estetica para contornar essas situacoes nao confundam design com adereços de bloqueio. Existem cadeiras, bancos, mesas e sabemos q estas devem ser preservados para pessoas sentarem, e existem pistas de skate. Espaços q tem mais barulho outros q as pessoas usam para relaxar caminhar, tomar um sorvete. O próprio mobiliário já indica o propósito é a utilização está no conceito, então esses mobiliários tem tudo mas estão longe de terem um design.

  24. guilherme rosa disse:

    E como que uma extensao da ressurgida luta de classes e competicao pela utilizacao do espaco metropolitano. Corporacoes e proprietarios afluentes tudo fazem para se livrarem dos cidadaos que sempre utilizaram o espaco publico muito antes desta vaga de especulacao imobliaria que quer afastar os mais desfavorecidos dos locais mais centrais e cobicados.
    Londres sempre foi multicultural, comunitaria e diversa em termos economicos. Em algumas partes isso esta a acabar pois o poder do dinheiro esta a impor-se a harmonia de uma cidade diversa.
    Councillor Guilherme Falcao Rosa, Stockwell Ward, Lambeth Borough de Lambeth, LABOUR PARTY!

  25. Leandro Fuinha disse:

    Também me incomoda as pistas de skate serem muito arredondadas… me sinto hostilizado quando li vou me sentar. Faltam degraus.

  26. Carlos Zibel Costa disse:

    obrigado pela sua lembrança Rodrigo Kirk a disciplina foi importante para todos nós!

  27. Interessante, gostei muito das ideias. Os espinhos podiam ser colocados na rua para furar o pneu dos motoqueiros (não motociclistas, mas aqueles babacas que gostam de fazer barulho com as motos) e o fininho para afastar a pirralhada que fala gritando!!

  28. Diego Menuzzi disse:

    Temos em nosso site um podcast muito interessante discutido por alunos de Arquitetura e Urbanismo sobre este tema. Você podem conferir no link: http://arquipelago.in/?p=697

  29. Arquitetura hostil? As cidades contra seres humanos? O título induziu-me a imaginar outro conteúdo: arquitetura contra seres humanos, isto é, problemas sobre dificuldades e inseguranças de caminhantes (todos nós) em espaços públicos. Bem, quem mandou eu imaginar, não é?

  30. Acredito q o que nos é negado é o direito a cidade, em diversas proporções, seja no caso do desenho do banco da praça, seja no desenho das cidades privilegiando o automóvel, seja na gentrificacao causada pela especulação, etc … Todas as lutas sociais urbanas são pautadas pelo direto a cidade e quando percebemos isto, não haverá força de mercado q nos segure !!!

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