A esquerda, a carne e o pragmatismo masoquista

Não somos nós os que sempre afirmamos, desde os tempos de movimento estudantil, que o latifúndio (atual agronegócio) é inimigo do povo brasileiro?

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Dilma, Blairo Maggi (atual Ministro da da Agricultura) e Renan Calheiros (ex-presidente do Senado)

Não somos nós os que sempre afirmamos, desde os nossos tempos de movimento estudantil secundarista, que o latifúndio (atual agronegócio) é inimigo do povo brasileiro?

Por Igor Fuser

Na campanha eleitoral de 2014, a Friboi fez um donativo de 200 mil reais, declarados, em favor de Jair Bolsonaro, candidato a deputado federal no Rio de Janeiro. O mesmo frigorífico foi um dos maiores anunciantes da mídia burguesa durante todo o período em que os principais veículos de imprensa, rádio e TV do país levaram adiante a campanha golpista.

Pois bem, como todos sabemos, os gigantes do oligopólio da carne, como a Friboi e a Brasil Foods, dona das marcas Sadia e Perdigão, foram denunciados por subornar fiscais da vigilância sanitária a fim de ocultar práticas ilegais que põem em risco a saúde dos consumidores. (Segundo o Sensacionalista, a carne da Friboi tinha até pelos do ator Tony Ramos…)

Diante do escândalo, qual é a reação de boa parte da esquerda?

Um militante mostra-se, numa rede social, preocupado com “a dissolução das forças produtivas”. Outros autores de posts e artigos, de variadas tendências políticas, denunciam, sem provas (e em alguns casos, nem mesmo a convicção), uma suposta conspiração imperialista para quebrar o capitalismo brasileiro.

Outros, mais cautelosos, se inquietam com a perda de mercados da pecuária brasileira na Europa e em outras regiões, com o avanço da concorrência e com as decisões de autoridades estrangeiras limitando as exportações brasileiras de carnes.

Não falta também quem reproduza, nos nossos espaços virtuais alternativos, o eterno argumento da direita de que o agronegócio é quem sustenta a economia brasileira, gerando divisas para o país com os seus negócios no exterior.

Nenhuma dessas ponderações é absurda, e a maioria dos que se manifestam nessa linha se situam no campo da defesa da soberania nacional e do desenvolvimento do nosso país.

Mas… peraí, não somos nós os que sempre afirmamos, desde os nossos tempos de movimento estudantil secundarista, que o latifúndio (atual agronegócio) é um inimigo do povo brasileiro? Não somos nós que nos revoltamos e indignamos sempre que trabalhadores do campo são perseguidos, agredidos, caluniados, presos e (como acontece frequentemente, ainda hoje) até assassinados, por lutarem pela reforma agrária?

Quem, senão nós, intelectuais de esquerda, temos denunciado, até perder a voz ou nos tornarmos chatos, o aberrante cenário da concentração das terras no país? E não é a pata do boi que está destruindo a Amazônia para fazer pastagens? Não são os grandes fazendeiros os culpados pelo genocídio dos guaranis no Centro-Oeste?

Mas, peraí de novo… Deve existir um plano genial por trás disso tudo, uma lógica. Ah, rá, aqui está: encontramos uma brecha na tramoia golpista! Esses pit bulls do aparato judicial-policial não imaginam a besteira que fizeram. Agora o agronegócio, ferido gravemente pelo denuncismo irresponsável, vem pro nosso lado e… crau! Fora Temer, acabou o golpe, diretas-já, quem sabe até uma Constituinte…

Calma, companheiro, acorde, chega de sonhar. O “rei da soja” Blairo Maggi continua lá, firmão, no Ministério da Agricultura. A Globo dedicou boa parte da sua programação de domingo, dia 19 de março, em horário nobre, para convencer os consumidores de que podem comprar a sua picanha sem medo. Enquanto isso, o Michel oferecia um jantar com carnes, nobres também, para os igualmente nobres membros do corpo diplomático em Brasília.

Será então (olhando por outro ângulo) que a situação no campo brasileiro mudou e nós não percebemos? Será que senhores das imensas sesmarias já não são os mesmos? A oligarquia rural já aceita conviver democraticamente e em paz com as organizações camponesas?

Doce ilusão. Leio no portal do MST que nesta segunda-feira, 20 de março, o mesmo dia em que ativistas, blogueiros e outros “formadores de opinião” do campo progressista enfatizavam o lado positivo (digamos assim) do agronegócio, no sul da Bahia trinta famílias sem-terra foram despejadas de uma fazenda (antes improdutiva) que ocupavam há dez anos.

No Paraná, militantes do MST continuam na cadeia, como detentos comuns, pelo “crime” de lutar pela terra, enquanto a truculenta repressão policial a comunidades indígenas no mesmo Estado continua causando mortes.

Cada um desses episódios tem na sua raiz a intransigência dos fazendeiros, ainda apegados ao costume colonial de tratar a questão agrária como caso de polícia. E a propriedade (muitas vezes, obtida ilegalmente) continua a ser encarada como um bem sagrado, em desafio à Constituição que enfatiza a sua função social.

Trabalho escravo, eu ouvi trabalho escravo? Centenas de trabalhadores dos frigoríficos mutilados, todos os anos, pela rotina massacrante no corte e preparo dos frangos?

O que é isso, compadre? Deixe de lado o que diz o Sakamoto. Vamos olhar o panorama mais amplo. O nosso inimigo principal não é o agronegócio, é o imperialismo. Uma aliança com o agronegócio? Sim, tudo bem, mas apenas uma aliança tática. Temporária.

Como? Repita, não ouvi bem. O quê? Você está me dizendo que as grandes empresas rurais do Brasil estão totalmente integradas nas cadeias globais de produção agrícola e pecuária? Que todo o esquema de sementes, fertilizantes, agrotóxicos, máquinas, tratores que impulsionam os recordes de produção do campo brasileiro, é tudo transnacional? Que a Friboi anunciou no ano passado que ia mudar a sua sede para Dublin, a capital da Irlanda, como um meio de evitar o pagamento de impostos no Brasil?

Mas que hora para lembrar disso! Você não está entendendo que as grandes companhias de capital brasileiro estão sendo perseguidas por forças (ocultas) externas? Sim, as grandes empresas em geral, não é só a Odebrecht, as empreiteiras. Querem acabar com tudo. Sim, até com os amigos deles, os sócios, os capitalistas brasileiros que sempre apoiam tudo o que vem de fora, que adoram Miami.

E a aquela minha ideia de organizar um evento em solidariedade aos frigoríficos? Não? Mas por que os empresários não querem? Como? Então eles nem deram retorno à tua chamada? Já tentou pelo whatsapp? E o nosso plano de B, um ato em frente à PF para protestar contra a perseguição às grandes empresas? Nem entrou na pauta da reunião, que pena.

Agora entendi. A Friboi, a Sadia e demais frigoríficos, na verdade, estavam do lado da Dilma, embora parecesse que estavam com os coxinhas. Não, não é bem assim? Apoiaram e participaram do golpe? Caramba! O Bradesco também? Sim, quer dizer, não, até certo ponto… Estavam, mas no futuro talvez deixem de estar, quem sabe. Ou não. Depende da conjuntura.

Ufa, caiu a ligação. Em boa hora. Esse papo estava ficando muito confuso. Mas valeu, beleza, acho que, finalmente, aprendi o que é pragmatismo, a arte de engolir sapos. Tipo assim, apertar a mão do Maluf em troca de 2 minutos diários no horário eleitoral.

Pragmatismo, no discurso da esquerda, é minimizar, relativizar ou flexibilizar certos princípios – ideias fundamentais de um projeto voltado para a transformação social no longo prazo – em troca de vantagens imediatas. Vivendo e aprendendo…

Alô, você, de novo? Não é bom falar em pragmatismo? Entendi, esse conceito não se aplica neste caso. De qualquer modo, acho que captei o mais importante. Certos amigos nossos estão a favor do apoio – tático, momentâneo, limitado – aos grandes frigoríficos, pecuaristas e oligopólios das carnes de ave e suíno, diante dessa ofensiva contra as nossas sagradas forças produtivas nacionais.

Assim, vamos obter algum saldo político, conquistar aliados preciosos, furar o cerco neoliberal e autoritário, avançar na nossa luta contra o retrocesso.

Não? Tudo vai continuar igual, o Lula ainda poderá ser impedido de se candidatar em 2018? E não ganhamos o apoio de nenhuma dessas empresas? Nada? E a previdência?

Acho que aqui temos uma novidade para os manuais da ciência política. Os livros dizem que o pragmatismo envolve concessões políticas e/ou ideológicas para alcançar resultados práticos. Uma espécie de barganha. Acabamos de inventar um novo tipo de pragmatismo: sem resultados de nenhum tipo em favor das lutas e das demandas populares, e nem mesmo a expectativa de obtê-los. O pragmatismo masoquista. Essa nem o Zizek explica.

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16 comentários para "A esquerda, a carne e o pragmatismo masoquista"

  1. O artigo é muito confuso. Segue a linha de abarrotar o leitor com muitas informações desconexas. Informa que o frigorífico Friboi do Grupo JBS contribuiu nas eleições de 2014. Incluiu até o Bolsonaro no rolo. Mas esqueceu de informar que esse mesmo grupo do agronegócio brasileiro esteve intimamente ligado aos governos do Molusco Apedeuta e da Cobra Venenosa. Esquece de informar que existem notícias veiculadas na “mídia golpista” no sentido de que parentes do Molusco Apedeuta tem “interesses financeiros” no Grupo JBS. Informa sobre a “preocupação” da esquerda tupiniquim com a “dissolução das forças produtivas”. Tece loas de admiração aos que “se situam no campo da defesa da soberania nacional e do desenvolvimento do nosso país.” Até aí… tudo bem. A partir desse ponto, começa a confusão. Informa que existem militantes do MST presos, injustamente, no Paraná. Mas todo mundo sabe, graças à “mídia golpista”, que se trata de organização criminosa, ligada intimamente ao MST, investigada por furto e dano qualificado, roubo, invasão de propriedade, incêndio criminoso, cárcere privado e porte de arma ilegal, entre outros crimes. De acordo com a polícia do Paraná, eles mantinham uma espécie de milícia privada. Um dos presos, que é vereador ligado ao MST, tem o carinhoso apelido de CACHORRO. Isso não é tratar a “questão agrária como caso de polícia” – é caso de polícia mesmo!! Lugar de CACHORRO doido é a carrocinha!! Todo mundo sabe que, por detrás do MST, existe uma oligarquia agrária que anseia dominar o agronegócio brasileiro. Todo mundo sabe que o Grupo BAYER-MONSANTO patrocina o MST. A “luta dos camponeses” pela reforma agrária no Brasil é apenas uma fachada para encobrir as intenções do Grupo BAYER-MONSANTO no agronegócio brasileiro. Todo mundo sabe que, na campanha eleitoral brasileira de 1989, o Grupo BUNGE & BORN apoiou a candidatura do Molusco Apedeuta à Presidência da República. Meu caro articulista, todo mundo “está de butuca” no agronegócio brasileiro. Até o MST!! Isso não é novidade. Acredite!! Qualquer “deslize” da “burguesia rural” brasileira, incluindo do MST, tem repercussão mundial. Isso, também, não é novidade!!! Qualquer “deslize” da classe política brasileira – de qualquer matiz ideológico – tem repercussão mundial, também. As consequências da Operação Lavajato no meio político brasileiro mostram essa realidade. Nós temos que agradecer a Deus pelo fato da institucionalidade, no Brasil, ainda estar funcionando. Com o advento da Operação Lavajato, abriu-se um portal de transformação no Brasil. Não podemos perder essa oportunidade para combater a corrupção que assola o meio político brasileiro e para alavancar o desenvolvimento do Brasil. Estou “cansado” de viver num país subdesenvolvido. Meu caro articulista: DEIXE O DALLAGNOL E O MORO TRABALHAREM!!! JUNTE-SE A ELES!!!

    • Victor disse:

      O senhor fez uma denúncia muito interessante. “Só” não informou as fontes. MST-Monsanto de mãos dadas? Vá em frente. Nos informe sobre isso.

      • Senhor Victor. Existe um relatório da Bayer, em alemão, de acesso restrito que tece considerações sobre a intenção de, junto com a MONSANTO, avançar sobre o agronegócio do Brasil através do MST. Para que o senhor tenha ideia dessa movimentação, o canal Discovery da TV a cabo está veiculando um documentário que aborda as intenções da Bayer e da Monsanto no Brasil e, pasme o senhor…nos EUA, também.

  2. Eduardo Magrone disse:

    “Nós”, “Todo mundo sabe que…”, é impressionante a aparente certeza de quem hoje escreve sobre a situação política do País. Vou comentar o artigo, porque o comentário anterior está abaixo da crítica. Caro Sr. Igor Fuser, pertencemos há tempo a um país que não nos pertence. Talvez aí esteja a origem de muitos de nossos vícios políticos. O que hoje se passa não irá alterar em nada esta situação/condição. A meu ver, você está absolutamente certo em relação aos princípios. Porém, gostaria de propor uma questão para reflexão: a saída para o pragmatismo na ação política seria o principismo neste tipo de ação? Explico, se um pragmatismo irresponsável implica altos prejuízos em relação aos objetivos políticos de médio e longo prazos; a ação, fundamentada exclusivamente em princípios e valores fortes pode produzir um resultados muito diferentes? Agir politicamente nunca foi fácil em momento algum; hoje, como em outros períodos específicos da história, está ainda mais difícil. Sempre haverá a necessidade de muitas mediações entre a ação política imediata e nossos projetos políticos de longo prazo, secundados por princípios fortes e consistentes (isto para aqueles que têm princípios, obviamente). Entre um momento e outro há muita margem para erros de avaliação, alianças equivocadas, oportunismo sedutor, “companheiros” irresponsavelmente pragmáticos, traições, relações de força desfavoráveis etc. Por favor, não tenha o conteúdo do meu texto como uma tentativa de legitimação das opções da cúpula do PT e da talvez ingenuidade de suas bases. Pretendi apenas (Apenas?) rssss, levantar algumas inquietações que seu artigo suscitou.

  3. OBRIGADA! Como é refrescante saber que a forma que eu penso não é uma aberração.
    “Quem acha que os frigoríficos têm que ser investigados está defendendo o Moro”
    AFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF
    Carne Fraca: dona de frigorífico investigado tem fazenda em área indígena
    http://justificando.cartacapital.com.br/2017/03/20/carne-fraca-dona-de-frigorifico-investigado-tem-fazenda-em-area-indigena/

  4. Luiz Cláudio Fonseca disse:

    Creio que o desinteresse teórico pelo o que é e o que pode ser o Estado é um sintoma, agora, adolescente do esquerdismo. Ideologias programáticas de confinamento funcional do trabalho através do poder aquisitivo são coisas que constam na obra jurisprudencial de ministros do STF, ministros claramente comprometidos com os desígnios dos governos militares. Um curto caminho da esquerda até o Poder Executivo não poderia jamais mudar o establishment no Brasil.

  5. Ricardo Cavalcanti-Schiel disse:

    Caro colega Igor
    Defendo sem medo de errar: o que unifica os “progressistas” partidários do lulismo (e dos outros “progressismos” latino-americanos) e os interesses econômicos da velha direita é aquilo que responde pelo nome de neodesenvolvimentismo (e, com ele, práticas como o extrativismo predatório, o agronegócio ambientalmente desregulado e outros que-tais).
    Não se trata de um “desvio ideológico” de parte da “esquerda”. Trata-se de uma conformação discursiva que tem a mesma lógica que a da rendição da social-democracia europeia aos imperativos do neoliberalismo.
    Não sei se isso pode ser chamado de pragmatismo. É outra coisa, é uma outra prioridade de princípios, onde a justiça social já não ocupa uma posição proeminente; onde a pulsão narcísica do individualismo consumista dita o sentido dos fins da política. Afinal, tudo se trata de produzir mais. Não bens, porque o capitalismo jamais foi um sistema econômico de produção de bens. O capitalismo é, isto sim, um sistema simbólico de produção de necessidades.
    Então se trata apenas de saber quem está dentro da lógica desse sistema e quem não está.
    O lulismo seguramente não está fora dessa lógica. Para o “peão” Lula, bem-estar social não é outra coisa que um carrinho na garagem e uma televisão de plasma na sala.
    Direitos cidadãos? Algo que, em termos de sistema, responda à lógica regulatória da precedência do coletivo sobre o individual, do público sobre o privado? Valha-me! Isso, definitivamente, é coisa de socialistas! Rsrsrs.

  6. Luiz Cláudio Fonseca disse:

    Lembro que isenções fiscais, que precedem o consumo e constituem modo de ingresso na globalização, também garantem a manutenção da canga monetarista neoliberal na transmissão de um governo para o outro. Quando a natureza contratual dá-se como um enclave na gestão, vemos o homem público seduzido, avaro e norteado pela troca, que entende, mais concreta. Será o valor da moeda a única assimilação coletiva do pragmatismo permitida ao, digamos, homem não-público?

    • Roldão Lima Junior disse:

      Meu caro Luiz Claudio, em termos de sedução neoliberal, os governos da Turma da Sorbonne/Ibiúna (tucanos) são “fichinhas” quando comparados aos governos dos Aloprados do ABC (Molusco Apedeuta e Cobra Venenosa). A Turma da Sorbonne/Ibiúna e os Aloprados do ABC mostraram aos brasileiros como usar a “coisa pública” (res publica) em beneficio próprio. E tudo declarado para a Justiça Eleitoral!!! Que coisa!!!

  7. Roldão Lima Junior disse:

    Senhor Victor. Continuando a minha resposta. Veja o link http://www.zeit.de/wirtschaft/unternehmen/2016-09/bayer-kauft-us-saatguthersteller-monsanto para inteirar do assunto. Depois, veja o link http://www.taz.de/!5366629/ que trata de um texto sobre a fusão da Bayer com a Monsanto, ressaltando os objetivos ocultos dessa fusão para dominar o agronegócio. O título é: Wer stoppt Baysanto? Die Aktionäre des US-Saatgutkonzerns Monsanto haben der Fusion mit Bayer zugestimmt. Aktivisten hoffen auf Einsprüche der Kartellämter. É um texto bem interessante que aborda alguns aspectos da intenção dos cartéis para dominar o agronegócio no mundo. Vale a pena ler. Para entender mais, procure nos arquivos da Globo News, que é “mídia golpista”, uma entrevista do líder do MST (Stedile) com o jornalista Mario Conti. Nessa entrevista, o líder do MST confessa – na maior cara de pau – a intenção do MST em participar do agronegócio brasileiro através de parceria com um grande grupo internacional do ramo. Ele não se refere, diretamente, ao BAYSANTO, mas no documentário veiculado no canal Discovery, o CEO da Bayer diz que o BAYSANTO está dando apoio financeiro e tecnológico aos movimentos sociais na América ligados à área da agricultura, entre eles o MST. Nesse apoio, a Bayer cuida dos defensivos agrícolas e a Monsanto cuida das sementes transgênicas. Pelo que entendi da fala do CEO da Bayer, esse apoio tem a intenção de convencer os movimentos sociais que lutam pela posse da terra a utilizarem, nas respectivas áreas de ocupação, técnicas avançadas de agricultura aplicando defensivos agrícolas e sementes transgênicas para alcançarem altos níveis de rendimento nas suas colheitas e, por consequência, estarem aptos a disputarem mercados no agronegócio. Em termos de dominação, é uma ideia genial do Grupo Bayer-Monsanto. Treinar “campesinos” para participarem do agronegócio em condições de igualdade com a burguesia rural é muito bem bolado!!! Meu caro Victor, como diria Neném Prancha: TÁ TUDO DOMINADO!!!

  8. Eduardo Magrone disse:

    Até parece que os males do capitalismo brasileiro começaram com o PSDB e com o PT. A coisa pública no Brasil foi uma extensão dos negócios privados desde os tempos imemoriais de nossa curta existência como nação. Os “salvadores da pátria” do regime civil-militar golpista acabaram em uma trágica onde de escândalos que ia desde as propinas de Itaipu, passava pelo Montepio da Família Militar e acabavam no caso da Agropecuária Capemi e do adubo-papel. Tudo muito escondido sob o manto protetor da Lei de Segurança Nacional, da censura e da repressão. A meu ver, a questão levantada pelo artigo de Ivo Fuser é como deve agir uma esquerda brasileira pós-lulismo. Qual o lugar dos princípios em sua ação política prática? Insisto. Dizer que deve ser anticapitalista por princípio é quase inútil. A verdadeira questão é como agir no presente para realizar o projeto futuro. Permanecer em uma redoma protetora de princípios categóricos faz bem para a saúde e fortalece a autoestima, mas os efeitos práticos,se houver algum, serão sempre pífios.
    Em tempo: a denúncia de que haveria uma aliança entre o MST e a Monsanto/Bayer para enfraquecer o agronegócio brasileiro é tão delirante quanto as fontes indicadas pelo denunciante.

    • Roldão Lima Junior disse:

      Senhor Eduardo. Basta digitar bayer und MST no Google que o senhor terá acesso a vários artigos que tratam do assunto BAYSANTO na América. Dê uma olhada no artigo Wer stoppt Baysanto? Die Aktionäre des US-Saatgutkonzerns Monsanto haben der Fusion mit Bayer zugestimmt. Aktivisten hoffen auf Einsprüche der Kartellämter. É um texto bem interessante que aborda alguns aspectos da intenção dos cartéis para dominar o agronegócio no mundo. Vale a pena ler. Para entender mais, procure nos arquivos da Globo News, que é “mídia golpista”, uma entrevista do líder do MST (Stedile) com o jornalista Mario Conti. Nessa entrevista, o líder do MST confessa – na maior cara de pau – a intenção do MST em participar do agronegócio brasileiro através de parceria com um grande grupo internacional do ramo. Ele não se refere, diretamente, ao BAYSANTO. Mas no documentário veiculado no canal Discovery, o CEO da Bayer diz que o BAYSANTO está dando apoio financeiro e tecnológico aos movimentos sociais na América ligados à área da agricultura, entre eles o MST. Nesse apoio, a Bayer apoia com defensivos agrícolas de última geração e a Monsanto apoia com sementes transgênicas. Pelo que entendi da fala do CEO da Bayer, esse apoio tem a intenção de convencer os movimentos sociais que lutam pela posse da terra a utilizarem, nas respectivas áreas de ocupação, técnicas avançadas de agricultura aplicando defensivos agrícolas e sementes transgênicas para alcançarem altos níveis de rendimento nas suas colheitas e, por consequência, estarem aptos a disputarem mercados no agronegócio. Em termos de dominação, é uma ideia genial do Grupo Bayer-Monsanto. Treinar “campesinos” para participarem do agronegócio em condições de igualdade com a burguesia rural é muito bem bolado!!! Meu caro Victor, como diria Neném Prancha: TÁ TUDO DOMINADO!!!

  9. Luiz Miranda disse:

    Como defender empresas que adulteraram merenda escolar?
    De resto, a defesa do “capital nacional” parece ignorar o que aconteceu no capitalismo nos 20 ou 30 anos…

    • Senhor Luiz Miranda. Depois da Grande Depressão, em 1929, abriu-se um portal de transformação nos EUA. A classe política americana, unida aos empresários americanos, soube aproveitar esse portal de transformação para dominar o mundo, criando um império capitalista capaz de conter o avanço da onda socialista que se prenunciava na Europa, após a revolução bolchevista de 1917. O Capitalismo nunca entrou em crise. O que o mundo viu, a partir da década de 30 do século passado, foi a crise do Socialismo como parâmetro ideológico para justificar as ditaduras sanguinárias que se seguiram no mundo. A aventura socialista no século passado foi responsável por ceifar mais de 100 milhões de vidas (20 milhões na Rússia, 70 milhões na China, 8 milhões de judeus na Alemanha do Nacional Socialismo, 2 milhões do Kmer Vermelho no Cambodja, 20 mil em Cuba e 2 suecos) pela implantação de ditaduras sanguinárias e de regimes de exceção. Com o advento da Operação Lavajato abriu-se um portal de transformação no Brasil alicerçado no combate à corrupção em todos os níveis. No Brasil, a corrupção, particularmente no meio político, é um dos entraves para o nosso desenvolvimento. Com o ataque da classe política – de todos os matizes ideológicos – às iniciativas do MPF em combater a corrupção, a Operação Lavajato está fadada ao mesmo fim da Operação Mãos Limpas da Itália. Se o Brasil pretende disputar o protagonismo na cena internacional, tornando-se um país desenvolvido em futuro próximo, o povo brasileiro, em uníssono, tem que apoiar e proteger os paladinos do MPF do Paraná. Em suma: DEIXE O DALLAGNOL E O MORO TRABALHAREM!!! JUNTE-SE A ELES!!!

  10. Luiz Cláudio Fonseca disse:

    De fato, caro Roldão, o mundo não precisaria de justificativas, mas de um psicopata absurdamente informado pelos determinantes, nunca redutíveis aos condicionantes funcionais. Aí, é simples, filho de peixe, peixinho é.

  11. C.Poivre disse:

    Acho que a situação trágica do país levada pelo golpe contra a democracia, exige urgência na sua resolução, ou seja, ação. E nesse momento tudo que ajudar a fragmentar e enfraquecer a base golpista está dentro do objetivo maior de restaurar a democracia em nosso país. Mais ou menos na linha que John Holloway propõe em seu livro “Fissurar o Capitalismo”.

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