Tomy Raquette, estrela do tênis

(Chéri à Paris, por Daniel Cariello)

Nova revelação do tênis mundial, Tomy Raquette começou a vida esportiva em outro campo, o de futebol. Atacante e porta-voz da pequena equipe Pau de Sebo FC, ele decidiu trocar a bola grande pela pequena depois de saber dos prêmios da modalidade e de ver uma foto da Sharapova.

O Diário de Paris entrevistou Raquette após o último jogo do qualifying para Roland Garros. O jogador havia acabado de garantir vaga para o torneio principal e já estava sendo considerado uma possível ameaça ao reinado de Nadal. Mas na véspera da estreia teve uma intoxicação depois de comer 26 croissants, “porque um só não enchia nem o buraco da cárie”, e foi obrigado a abandonar a competição.

Cumprindo seu dever de praticar sempre o melhor jornalismo, o Diário de Paris publica a exclusiva com Tomy Raquette, de quem vocês certamente ainda ouvirão muito falar.

Tomy, como foi o jogo?
O jogo foi bom, com a graça de Deus. O professor disse pra gente se deslocar-se na quadra e a gente seguiu ao risco as instruções dele e se deslocou-me bem.

É mais uma vitória pro entrar seu currículo…
Ô, rapaz, mais respeito. Não tem essa de currículo não.

Tô dizendo que é mais uma vitória pra sua carreira
Sim, a gente vencemos bem e conquistamos os três pontos.

TEXTO-MEIO

Você quer dizer os três sets…
Isso, os três sétimos.

Agora você vai encarar Roland Garros, aqui em Paris
Não quero saber quem esse tal de Rolando garrou em Paris, não. Mas ouvi dizer que todo jogo ele dá sempre o melhor de sigo. Então, quando a gente se encontrar, tudo o que posso dizer é que também vamos dar o melhor de nosco.

Já estão considerando você como um dos favoritos para o torneio. Você pode explicar um pouco o seu jogo?
Meu jogo tá bom, melhorou muito depois que o professor ensinou pra gente umas dicas.

E o que foi?
Ele disse: quando a bola vier, você rebate e tenta mandá-la onde o adversário não estiver.

Parece que você andou também treinando umas devoluções pela esquerda
O professor tá fazendo a gente trabalhar bem o braço esquerdo. Já posso dizer que é com certeza o meu segundo melhor braço.

Como é ter que enfrentar o Djokovic logo na primeira rodada?
Quem?

Djokovic, o sérvio.
Ih, rapaz, não sabia que ele tinha saído do Flamengo. Tomamos muita cana juntos. Agora ele tá no tênis também, é?

Pra finalizar, você quer mandar um recado especial pra alguém no Brasil?
Quero sim, pra minha mãe: “Mãe, acho que deixei o ferro de passar ligado. Dá pra senhora desligar pra mim? Um beijo.”


Daniel Cariello, editor da revista Brazuca, é colaborador regular da Biblioteca Diplô/Outras Palavras. Escreve a coluna Chéri à Paris, uma crônica semanal que vê a cidade com olhar brasileiro. Os textos publicados entre março de 2008 e março de 2009 podem ser acessados aqui.

TEXTO-FIM
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Daniel Cariello

Daniel Cariello é colaborador de Outras Palavras e, antes, do Diplô Brasil, desde 2008. Já lançou dois livros de crônicas, Chéri à Paris (2013) e Cidade dos Sonhos (2015), ambos best sellers na Amazon. Foi cronista de Veja Brasília e Meia Um. Este texto faz parte de seu novo projeto, Cartas da Guanabara, com crônicas cariocas. É editor do selo literário Longe.

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