Esperança e realidade no Occupy Wall Street

Reportagem analisa dia-a-dia do movimento e revela seus desafios em lidar com autoridades, clima, sindicatos, imprensa—e, principalmente, consigo mesmo

Por Michael Greenberg, NY Review of Books | Tradução: Paulo Cezar de Mello
Fotos: Brendon Stuart

Conforme chega ao fim do seu segundo mês, o movimento Occupy Wall Street parece encontrar-se em um momento crítico. O tempo e as condições de vida no Parque Zuccotti vão piorando. Em 29 de outubro, os ocupantes enfrentaram sua primeira tempestade de neve. Havia muita aflição – no dia anterior o departamento de incêndio tinha confiscado os geradores de aquecimento por considerá-los perigosos – e o parque apresentava o aspecto de um acampamento ártico. (Por fim, manifestantes adaptaram-se à perda empregando bicicletas fixas para carregar baterias, as quais puderam então ser usadas para alimentar aquecedores, utensílios de cozinha e computadores). A assembleia geral da noite, normalmente um evento concorrido, tinha não mais de quarenta participantes trêmulos, gritando em meio à chuva gelada. Um homem enlameado que tinha chegado naquele dia do Havaí anunciou sua candidatura à presidência da república e pediu a bênção do movimento.

Depois um membro do “grupo de trabalho de artes e cultura” propôs a encenação de um funeral estilo Halloween “com caixões para todas as coisas que nós acalentamos: direitos civis, igualdade de oportunidades, sistema de saúde acessível…”. A apinhada tenda de mídia, parecendo uma barraca de oficiais do exército, estava fechada para manifestantes que não estivessem trabalhando lá, e o rudimentar “centro de assistência”, também uma tenda, era a lembrança de assistências que não podiam ser prestadas. Dois homens que claramente nada tinham a ver com a ocupação tentavam de maneira agressiva tirar de mim alguma “contribuição”.

TEXTO-MEIO

O tempo não era o único desafio. Um organizador ocupado em garantir a segurança do espaço me contou que a polícia estava encaminhando ao parque (e em alguns casos escoltando) prisioneiros soltos do complexo penitenciário de Rikers Island que não tinham para onde ir. Sem surpresa, o acampamento havia se tornado destino popular para os sem-teto e doentes mentais – os homens e mulheres errantes que formam um aspecto permanente da vida nas ruas de Nova York. Um sem-teto, escarafunchando um prato de legumes cozidos no vapor, macarrão e queijo, reparou que a comida era melhor que a dos sopões e que as pessoas “são mais legais”.

Em vez de rechaçar esses novos acampados, os manifestantes faziam o que podiam para inclui-los em sua minúscula sociedade modelo. Katie Davison, uma cineasta de seus trinta e poucos anos que vinha atuando na ocupação desde o começo, contou-me que esperava que gente da base da sociedade viesse encontrar seu lugar no Parque Zuccotti, mesmo sem o incentivo das autoridades que procuravam desintegrar o protesto. Ela e outros tinham providenciado oferta de serviços no local por parte de assistentes sociais. “Decidimos que não marginalizaríamos essas pessoas como o resto da sociedade faz. Penso que criamos nosso próprio estado de bem-estar social, e uso essa expressão no melhor sentido”.

Tratava-se de parte do esforço geral do movimento para mostrar ao mundo uma forma de democracia melhor e mais humanitária, fazendo isso sobre uma inóspita plataforma de concreto no meio do principal bairro financeiro da nação. Um perigo para esse esforço era ser taxado de “utópico”, palavra que arrepiava Katie, a qual se considerava uma realista crítica. Perigo maior era a possibilidade de fracasso. Katie cresceu na cidade de Tomball, Texas, perto de Houston, com pais “ultraconservadores” que eram cristãos fundamentalistas. Ativa em debates de temas nacionais no colégio, ela veio para Nova York depois da formatura, disse gracejando, “em busca de asilo político”. Acabou estudando ciência política em Rutgers, depois bandeou-se para o cinema. Entre seus projetos estava um documentário sobre a história da esquerda americana.

Apresento esses fatos para dar uma ideia do nível de inteligência e educação que encontrei constantemente entre os mais devotados organizadores do Occupy Wall Street. Outro organizador com quem conversei era um médico de vinte e oito anos com mestrado em saúde pública que temporariamente abrira mão de sua carreira em prol do movimento. Katie trabalhava com o grupo de mídia e descrevia seu trabalho como “passar a mensagem adiante, a fim de ajudar as pessoas a entender a natureza da desigualdade econômica e a pensar por si mesmas”.

Em sua própria avaliação, o sucesso desse intento vinha se mostrando misto. Ainda sentia o movimento carecer de “uma narrativa coerente”. Um dia antes de nossa conversa, em 4 de novembro, ela havia participado de um painel sobre os protestos na Universidade de Nova York e ficara desanimada ao ver como os questionamentos dos estudantes eram rudimentares. “Foi como tentar explicar o movimento para a minha mãe”. Até então, ela vinha esperando que alguns estudantes ocupassem suas universidades, mas isso não aconteceu. Os protestos haviam recebido cobertura noticiosa, mas grande parte dessa cobertura era pouco lisonjeira; e as matérias mais favoráveis tendiam a deixar os leitores confusos. No parque, uma compreensível fadiga havia se instalado entre os manifestantes à medida que eles eram confrontados com a implacável aglomeração de repórteres e câmeras. Katie disse que estava pronta para propor um boicote à mídia: nada mais de falar à imprensa. “É hora de olharmos para dentro e definir onde estamos e onde queremos estar.”

Durante semanas os organizadores demonstraram enorme habilidade para manter a ocupação funcionando, expandindo-o com vigor enquanto azedavam as tentativas do prefeito Michael Bloomberg de desalojá-los. Mas a que fim isso servia se o status de defensores éticos dos 99 por cento estava sendo manchado? Esse era, afinal, seu maior trunfo. A complicada logística para manter o parque (e prover comida, roupas e aquecimento para um exército flutuante de centenas) drenava recursos e forçava os mais talentosos ativistas a focar-se em questões de mera sobrevivência física.

A estratégia de Bloomberg, aparentemente, era agarrar toda oportunidade de colocar a opinião pública contra eles. Depois que um voluntário da cozinha no parque foi preso por supostamente ter estuprado uma colega de protesto em 29 de outubro, o prefeito falou:

Em vez de chamar a polícia, eles formam um círculo em torno de quem perpetrou o ato, aplicam-lhe um castigo ou o afugentam para a cidade lá fora, onde ele ou ela vai fazer sabe-se lá o que a sabe-se lá quem… Para mim, isso é ultrajante. E sem dúvida permite ao criminoso atacar de novo, deixando todos nós menos seguros.

Bloomberg não esclareceu, porém, que o jovem acusado tinha na verdade sido posto sob custódia policial. Até agora, a argumentação do prefeito de que os manifestantes violam os direitos dos habitantes de “uma crescente, vibrante vizinhança residencial” deixou de acertar o alvo.[1] Na realidade, o conselho comunitário local deu forte apoio à ocupação, reunindo-se regularmente com seus integrantes para aplainar “problemas de qualidade de vida”, como urinar em local público e fazer barulho.

Um organizador me contou que ter de mediar uma disputa entre os tocadores de tambor do parque e moradores da vizinhança parecia “uma colossal perda de tempo”; mas sua exasperação foi na maior parte dirigida aos tocadores. “Eu não ocupei Wall Street para ficar atolado em discussões do tipo que a gente vê num tribunal.” Não obstante a queixa de Bloomberg de que a cidade vinha sendo prejudicada economicamente, o New York Times informou que a ocupação tornara-se “uma atração turística a rivalizar com o marco zero”, referindo-se ao local onde ficavam as torres do World Trade Center.

Contudo, enquanto os manifestantes têm erguido tendas preparadas para o inverno, membros essenciais do movimento vêm debatendo sobre a continuidade da ocupação como um todo. “Depois que a gente se entrincheirou no Parque Zuccotti, ele se transformou numa armadilha turística. Deixa de ser uma ocupação política. Vira um camping”, disse Katie. “Temos um plano para o que vai acontecer a respeito de Bloomberg”, acrescentou. Ela não me contou qual seria o plano, mas pareceu possível que muito em breve os manifestantes podem levantar acampamento voluntariamente, talvez encenando uma saída dramática, marchando adiante em triunfo e a seu próprio modo.

Faria sentido do ponto de vista estratégico. Mas parece igualmente que se estaria montando a retirada como ação de desobediência civil, uma tática que eu suspeitei ser da preferência de Katie, mas que outros manifestantes deplorariam. Ela assinalou a natureza hermética de se estar “acampado” todo o tempo – outro inconveniente para a ocupação. Viveu-se dentro do próprio experimento social, perdendo contato com “o resto do país”, nas palavras de Katie – situação de derrota pessoal para um ativista político. Ela falou de sair e “ganhar a mente das pessoas”.[2] “Ao se juntar ao movimento, você se torna o movimento”, reza o slogan.

Ouvindo Katie (e outras pessoas), veio-me a imagem de tendas médicas e outros auxílios postos à disposição de necessitados entre os 99 por cento em Nova York e outros lugares. “Não temos um grande tema moral, tipo segregação”, disse ela. “O que temos é apatia, depressão, angústia, cinismo”, infortúnios de um sistema econômico debilitado. Mas, também nesse ponto, a questão política em torno da qual um movimento poderia se aglutinar permaneceu vaga, e esse é o enigma que os organizadores lutavam para enfrentar. Ao recusar uma demanda específica, eles não arriscavam ser contestados ou, pior, cair em um interminável processo de negociação legislativa. Mas, sem tal demanda, ficavam sob perigo de acabar virando um movimento de protesto decadente, com limitada concentração de apoio militante.

Contrasta com isso, no entanto, a surpreendente aliança do Occupy Wall Street com os maiores sindicatos nacionais. Em Oakland, na Califórnia, dia 2 de novembro, estivadores empreenderam uma manifestação de larga escala e pacífica que temporariamente fechou o porto da cidade. (Uma manifestação bem menor e um tanto violenta aconteceu naquela noite.) Em Nova York, Vinny Alvarez, presidente do Central Labor Council, esteve frequentemente reunido com o prefeito, pressionando-o a deixar em paz os manifestantes. Muitos participantes do movimento suspeitaram das ofertas dos sindicatos, e alguns ainda suspeitam, mas quando centenas de sindicalistas apareceram no Parque Zuccotti às 6 da manhã de 14 de outubro para ajudar na resistência a um despejo planejado pela polícia, a confiança entre os dois grupos ficou muito mais forte. O despejo foi cancelado a pedido do proprietário do parque.

Jackie DiSalvo, que participou nos anos 60 do movimento Students for a Democratic Society e hoje leciona inglês na faculdade Baruch, da Universidade da cidade de Nova York, tem sido a especialista em sindicatos do movimento. Ela organizou o apoio de trinta e quatro sindicatos, entre os quais United Steelworkers (ramo siderúrgico), Teamsters (caminhoneiros) e a central nacional AFL-CIO. O sindicato de professores de Nova York ofereceu locais para armazenar suprimentos e espaço para escritório em seu quartel-general a duas quadras do Parque Zuccotti. DiSalvo compreendeu a importância dessa parceria, o que não foi o caso dos jovens manifestantes. Os sindicatos legitimam o movimento ao oferecer uma base de apoio diferente, mais organizada. “Eles estavam desesperados”, falou DiSalvo sobre os sindicatos. “Precisavam de algo novo, e esses garotos radicais forneceram isso.”[3] Ela contou que as manifestações em Madison, Wisconsin, no último inverno, depois que o governador Scott Walker tentou tirar dos sindicatos do serviço público a negociação coletiva de direitos, inspirou-os a procurar novas possibilidades. “Foi a experiência que os impeliu a abraçar o Occupy Wall Street.”

Certa ocasião, dois ônibus lotados de manifestantes do Parque Zuccotti dirigiram-se à Sotheby’s para formar piquetes junto aos operadores de objetos de arte filiados ao Teamster, que haviam sido impedidos de entrar pela casa de leilões. Em outro momento, infiltraram-se num leilão em pleno andamento e, contou DiSalvo, serenamente “expuseram os fatos: os salários de executivos, os enormes rendimentos da casa de leilões. E no entanto era solicitado que os trabalhadores desistissem de benefícios básicos como assistência médica e pensões. Foram retirados um a um pelos guardas.”

Também marcharam em apoio a trabalhadores do setor de comunicação em Verizon, os quais ainda lutavam contra concessões pleiteadas pela gerência e poderiam entrar em greve outra vez. DiSalvo achava tudo isso promissor: “Meu pai foi um operário sindicalizado. Eu me tornei consciente da ação dos sindicatos nos anos 60, quando julguei que um movimento de classe média não poderia ir adiante sem apoio da classe operária.”

Katie Davison, por sua vez, achava “problemáticos” os sindicatos e sua hierarquia rigorosa. Eles haviam sido “empurrados para uma encruzilhada onde têm pouca condições de protestar”. Ela não gostava de ver as pessoas do parque sendo levadas de protesto em protesto, “tipo um serviço de aluguel de pessoal. Todo mundo que tem uma causa aparece no Zuccotti e estrategicamente isso nos enfraquece”.

Até onde eu sei, o movimento não tinha intenção de formular uma demanda específica além daquela básica de vencer a dominação das corporações e do um por cento da população que delas tira amplos proveitos. A ideia de elaborar uma demanda única – trazida pela Adbusters, a revista que primeiro expôs o chamado para ocupar o distrito financeiro de Manhattan – tornou-se um fardo, uma expectativa que não poderia ser realizada nem descartada.

A influência da Adbusters sobre o Occupy Wall Street parecia estar declinando. Em meados de outubro, ela lançou um “briefing tático” propondo uma taxa global de um por cento sobre os lucros de transações financeiras – a chamada “taxa Robin Hood” – como “nossa grande demanda”. Um organizador com quem falei considerava isso um caso “de massa de manobra, uma convocação para se agir a partir de um objetivo remoto”, que ia contra o ethos de “horizontalidade e consenso” do movimento. A proposta malogrou.

Contudo, se essa não era “a grande demanda”, mesmo assim me pareceu razoável e acima de tudo exequível, apoiada que era pelo presidente francês Nicolas Sarkozy assim como pelo Nobel de economia Joseph Stiglitz, entre muitos outros. Mencionei um estudo conduzido por Stiglitz, Amartya Sen e outros que recomendava abandonar o PIB como medida de progresso econômico em favor de novos índices que levassem em conta também questões ambientais e serviços de saúde.[4] O uso de tal métrica mudaria a base sobre a qual a política econômica é decidida. Meu interlocutor limitou-se a mostrar uma atenção polida. Ficou claro que assuntos políticos desse gênero não despertavam seu interesse.

No dia seguinte à tempestade de neve, tomei um café com Alec, o jovem médico de quem falei antes. Em vários momentos ao longo de nossa conversa ele citou Virginia Woolf, o poeta brasileiro Vinicius de Moraes, o futurista Filippo Marinetti e o cientista John Holland, criador de “algoritmos genéticos”. Conversando com ele, assim como com Katie, vieram-me à lembrança os chamados padres Tercer Mundistas que encontrei no México no começo da década de 1970, os quais romperam com o Vaticano e deram apoio ativo a movimentos revolucionários na América Central. Tanto Alec quanto Katie mostravam aquele calmo sentimento de devoção a uma alta vocação – não tanto uma certeza de crença mas uma certeza de propósito. Ambos falavam do movimento em termos imperturbavelmente espirituais. E, embora nenhum dos dois falasse explicitamente em religião, pareciam ter fé em que progrediam rumo ao tipo de sistema social que proporcionaria aos participantes um grau de paz e “realização mental”.

Parte de seu otimismo parecia derivar do fato de que o anarquismo, como eles espontaneamente o concebiam, mal havia sido experimentado. Ofereceu-se um processo de cooperação mútua, sem ideologias nem mesmo objetivos fixos. As crenças pessoais que eram trazidas às assembleias eram secundárias. “Somos uma oportunidade de trocas humanas, não uma instituição”, disse Alec, “uma maneira de ser, uma maneira de pensar, de romper com o velho”. O tipo de retórica que revolucionários pacíficos têm usado através dos tempos. Muito desse radicalismo parecia residir em sua recusa a ser definido.

As maiores preocupações práticas de Alec têm a ver com a estrutura interna do movimento. Como estimular a autonomia de diferentes grupos sem isolá-los uns dos outros? Como o movimento poderia manter os grupos juntos “sem um coletivismo que venha a se tornar uma força autoritária”? E assim por diante. Ele falava com excitação sobre o conceito científico segundo o qual sistemas simples geram sistemas complexos. Isso parecia aplicar-se ao Occupy Wall Street, que começou com a ideia simples da Assembleia Geral e agora tinha não menos que oitenta e dois grupos de trabalho, variando de “Reforma Político-Eleitoral” a “Medicina Baseada em Chás e Ervas”. Alguns grupos chegavam a quinhentos membros. Katie chamava aquilo de “o mais original e aberto think tank do mundo”.

Precisei lembrar a mim mesmo que o movimento só tinha poucos meses de vida. A maioria dos principais organizadores eram desconhecidos até setembro. Ainda estavam tentando arranjar coisas, improvisar, enquanto seguiam em frente. Quando voltei a falar com Katie, ela estava com uma desagradável bronquite por ter vivido no Parque Zuccotti. “Quero que sejamos a pedra de toque moral do país”, disse. “Sua consciência não oficial. Seu modelo do que é bom.”

O futuro deles parecia incerto, seu movimento frágil, “não um movimento para valer ainda, simplesmente um grande conjunto de circunstâncias,” disse Katie. O que parecia aborrecer as pessoas, tanto à esquerda quanto à direita, era sua total indiferença aos tradicionais ganhos políticos: poder, influência, acesso, o direito de criar leis. “Poder real,” disse Alec, “é a capacidade de fazer coisas inesperadas acontecerem.” Por essa medida, o Occupy Wall Street ganhou muito, pelo menos por algum tempo.

—10 de novembro de 2011

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[1] Ver Kate Taylor, “Wall Street Protest Is Hurting Area’s Families, Bloomberg Says”. The New York Times, 2 de novembro de 2011.

[2] Em 9 de novembro, um grupo de manifestantes partiu em uma marcha de duas semanas do Parque Zuccotti para Washington, com planos de fazer comícios ao longo do caminho. Segundo seu website, os manifestantes planejavam chegar a Washington por volta de 23 de novembro, prazo para o asism chamado Supercomitê do Congresso emitir sua recomendação de ao menos US$ 1,5 trilhão em cortes adicionais a ser aplicados ao longo de dez anos.

[3] Os sindicatos já representaram um terço dos trabalhadores americanos. Hoje eles representam 12 por cento. Ver Joseph Stiglitz, “Of the 1%, by the 1%, for the 1%”. Vanity Fair, maio de 2011.

TEXTO-FIM
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Michael Greenberg

Michael Greenberg é um autor norte-americano, colunista no suplemento literário do jornal The Times. Contribui com as revistas The Village Voice, The New York Review of Books, Bomb e The Boston Review.

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