ūüéôÔłŹ Fome no Brasil: o MST tem um Plano

Movimento doou 2.500 toneladas de alimentos, desde o in√≠cio da pandemia. Mas √© preciso ir al√©m: garantir terra, incentivos √† produ√ß√£o agroecol√≥gica e condi√ß√Ķes de vida digna aos camponeses. Eis o Plano Emergencial da Reforma Agr√°ria Popular

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Kelli Mafort em entrevista a Gabriela Leite, no Tibungo

O coronav√≠rus avan√ßa pelos interiores do Brasil, a boiada da desregulamenta√ß√£o ambiental passa, o governo segue menosprezando a devasta√ß√£o que a pandemia causa ao pa√≠s. Segundo relat√≥rio da ONU, a fome poder√° atingir at√© 14 milh√Ķes de pessoas na Am√©rica Latina, devido √†s consequ√™ncias da crise sanit√°ria — quadruplicando o n√ļmero de 2019.

Mesmo sem qualquer apoio das institui√ß√Ķes, o MST, Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Terra, j√° doou 2500 toneladas de alimentos em todo o Brasil, em diversas frentes de solidariedade. Ab√≥bora, batata-doce, arroz, feij√£o, mandioca, ovos, hortali√ßas, carnes, queijo, fub√°, farinha de milho‚Ķ Comida saud√°vel, vinda da agricultura familiar, para alimentar as milhares de fam√≠lias brasileiras, desatendidas pelo Estado.

Mas o MST quer ir al√©m. No in√≠cio de junho, criaram o Plano Emergencial da Reforma Agr√°ria Popular, para enfrentar o cerne do problema de alimenta√ß√£o no Brasil: a distribui√ß√£o de terra. O Plano tem quatro pilares: Terra e trabalho; produ√ß√£o de alimentos saud√°veis; prote√ß√£o da natureza, √°gua e biodiversidade e a vida digna no campo. 

Prop√Ķe medidas estruturantes para atender problemas reais da popula√ß√£o brasileira, que vem voltando ao mapa da fome. Uma delas, por exemplo, seria arrecadar terras de devedores da Uni√£o: segundo seu levantamento, 729 empresas devem cerca de 200 bilh√Ķes de reais por sonega√ß√£o fiscal. Possuem 6 milh√Ķes de hectares de terras. Estas propriedades poderiam ser destinadas a fam√≠lias de camponeses, que somariam for√ßas na produ√ß√£o de alimentos. 

Outras medidas poss√≠veis de serem aplicadas j√° s√£o incentivos e linhas de cr√©dito √† agricultura familiar e o fortalecimento de programas como o de aquisi√ß√£o de alimentos e o de alimenta√ß√£o escolar. 

Quem explica com clareza o Plano Emergencial da Reforma Agrária Popular, proposto pelo MST, é Kelli Mafort, da Coordenação Nacional do Movimento.

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