🎙️ Fome no Brasil: o MST tem um Plano

Movimento doou 2.500 toneladas de alimentos, desde o início da pandemia. Mas é preciso ir além: garantir terra, incentivos à produção agroecológica e condições de vida digna aos camponeses. Eis o Plano Emergencial da Reforma Agrária Popular

[Acompanhe o Tibungo em seu tocador de podcast preferido]

Kelli Mafort em entrevista a Gabriela Leite, no Tibungo

O coronavírus avança pelos interiores do Brasil, a boiada da desregulamentação ambiental passa, o governo segue menosprezando a devastação que a pandemia causa ao país. Segundo relatório da ONU, a fome poderá atingir até 14 milhões de pessoas na América Latina, devido às consequências da crise sanitária — quadruplicando o número de 2019.

Mesmo sem qualquer apoio das instituições, o MST, Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Terra, já doou 2500 toneladas de alimentos em todo o Brasil, em diversas frentes de solidariedade. Abóbora, batata-doce, arroz, feijão, mandioca, ovos, hortaliças, carnes, queijo, fubá, farinha de milho… Comida saudável, vinda da agricultura familiar, para alimentar as milhares de famílias brasileiras, desatendidas pelo Estado.

Mas o MST quer ir além. No início de junho, criaram o Plano Emergencial da Reforma Agrária Popular, para enfrentar o cerne do problema de alimentação no Brasil: a distribuição de terra. O Plano tem quatro pilares: Terra e trabalho; produção de alimentos saudáveis; proteção da natureza, água e biodiversidade e a vida digna no campo. 

Propõe medidas estruturantes para atender problemas reais da população brasileira, que vem voltando ao mapa da fome. Uma delas, por exemplo, seria arrecadar terras de devedores da União: segundo seu levantamento, 729 empresas devem cerca de 200 bilhões de reais por sonegação fiscal. Possuem 6 milhões de hectares de terras. Estas propriedades poderiam ser destinadas a famílias de camponeses, que somariam forças na produção de alimentos. 

Outras medidas possíveis de serem aplicadas já são incentivos e linhas de crédito à agricultura familiar e o fortalecimento de programas como o de aquisição de alimentos e o de alimentação escolar. 

Quem explica com clareza o Plano Emergencial da Reforma Agrária Popular, proposto pelo MST, é Kelli Mafort, da Coordenação Nacional do Movimento.

LEIA TAMBÉM:

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OutrosQuinhentos

Leia Também: