Os estranhíssimos "estupros" de Julian Assange

Ampliam-se as evidências de que acusações são manobra para extraditar criador do Wikileaks aos EUA. Protesto de hackers tira do ar site mundial do Mastercard

A tentativa de calar o Wikileaks por meio da prisão de Julian Assange, seu expoente mais visível, pode transformar-se num tiro pela culatra. Os detalhes das acusações de estupro feitas contra Assange na Suécia parecem revelar manipulação grosseira. O vazamento de mensagens comprometedoras trocadas entre diplomatas norte-americanos continuou. E surgiram sinais de uma guerrilha midiática: na manhã de hoje, o site global da Mastercard — a bandeira de cartões de crédito que bloqueou a transferência de doações para o Wikileaks — foi derrubado em sinal de repúdio contra a medida, que não teve amparo de nenhuma decisão judicial.

As revelações sobre a história do “estupro” foram feitas pelo The Guardian e Le Monde e podem ser lidas em nosso clip. Elas sugerem, além de manobra, uma possível armadilha contra Assange: em agosto, quando os fatos se deram, o Wikileaks já era atacado com ferocidade pela diplomacia dos EUA. Segue um resumo:

> As queixas foram feitas por duas mulheres, cujos nomes reais não foram revelados. A Justiça sueca chama-as apenas por “Miss A” e “Miss W”.

> No início de agosto, “Miss A” convidou Assange para encontrar-se com ativistas de uma ong de esquerda em Enkoping, Suécia. Além disso, sugeriu que ficasse em sua casa. Fizeram sexo, a camisinha furou.

> Na noite seguinte, “Miss A” participou do encontro de Assange com os ativistas, chegando inclusive a coordenar o evento — ao qual compareceu “Miss W”, sentando-se na primeira fila do auditório. Ao final da atividade, “Miss W” e Assange estavam entre um grupo que se dirigiu para um bar. “Miss W” teria lançado olhares insistentes para Assange, segundo testemunhas. Num certo momento, deixaram o grupo e foram, apenas os dois, a um cinema. “Miss W” revelou que ela e Assange fizeram sexo oral. Dormiram juntos e transaram — à noite e na manhã seguinte, desta vez sem camisinha.

> “Miss A” e “Miss W” acabaram se conhecendo. “Alguns dias depois”, segundo relato de ambas, foram a Estocolmo e queixaram-se à polícia. “Miss A” afirmou desconfiar que Assange estourou a camisinha de propósito. “Miss W” disse que o sexo pela manhã havia sido sem seu consentimento. O oficial que as atendeu aconselhou “Miss W” a queixar-se de estupro; e “Miss A”, de abuso.

A revelação desta história bizarra ampliou as suspeitas de que toda a trama pode ter sido concebida para encontrar um atalho que permita aos EUA requerer a extradição de Assange. A Suécia tem um amplo acordo de extradição com os Estados Unidos. As leis inglesas não permitiram extraditar Assange; as suecas, sim. Uma vez levado ao país nórdico (hoje governado por um coalizão de direita muito próxima de Washington), o acusado poderia ser transferido para o território norte-americano, a partir de uma denúncia por espionagem.

Para infortúnio da diplomacia norte-americana, no entanto, a prisão do expoente mais visível do Wikileaks não impediu que prosseguisse o vazamento de diálgos entre diplomatas do país. Eles continuaram a ser publicados hoje no The Guardian, Der Spiegel, Le Monde, El País e New York Times. Estavam certamente pré-agendados. Mas há indícios de que a atividade do grupo perdurará mesmo depois que esta leva terminar — e ainda na hipótese de Assange permanecer preso.

Como revela um texto publicado em Outras Palavras (Wikileaks e os segredos da guerra afegã) em Julho (e como disse o próprio Assange, em entrevista recente), este jornalista australiano é, possivelmente, apenas o membro mais visível de uma rede que cuida do Wikileaks. Apresentada publicamente pela primeira vez no Fórum Social Mundial de 2007 (no Kênia), a plataforma baseia-se na horizontalidade.

Seja como for, a prisão de sua principal referência pública está deflagrando uma espiral de protestos também global e em forma de rede. Ela se desdobra em centenas de milhares de textos publicados em blogs, em abaixo-assinados eletrônicos e até numa forma de guerrilha. Nesta manhã, um grupo de hackers anônimos, que se autodenominam 4Chan, anunciou ter tirado do ar o site mundial do Mastercard. O mesmo fora feito ontem, por alguns mninutos, com o sistema PayPal. Ambos bloquearam as contas pelas quais o Wikileaks recebia doações de seus apoiadores. O 4Chan planeja outras ações, e pode ser encontrado, no Twitter, em @Anon_Operation.

Para ler as fontes deste texto, leia nosso clip de hoje.

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11 comentários para "Os estranhíssimos "estupros" de Julian Assange"

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  2. CONCEIÇÃO ARAUJO disse:

    ESSA BANDIDA QUE ACUSOU JULIAN ASSANGE DE ESTUPRADOR, DEVE SER DAQUELAS QUE QUANDO O CABOCLO AGARRA E COMEÇA A ESTUPRAR, AO INVÉS DELA GRITAR: AI, ME LARGUE, ELA GRITA É ASSIM: AI, MILAGRE, MILAGRE, MILAGRE.
    OH, POVO SEM MORAL, ESSE POVO DA AMÉRICA DO NORTE. QUEREM PUNIR O RAPAZ SÓ PORQUE FALA A VERDADE, MAS MSMO QUE ELE FIQUE PRESO, ALGUÉM FICARÁ NO LUGAR DELE. O MUNDO ESTÁ FICANDO DIFERENTE.

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