Para entender a geopolítica da guerra na Síria

Em meio à Batalha de Idlib, um roteiro sobre o conflito. O esforço dos EUA para fragmentar o pais. A Turquia e seus aliados jihadistas. A batalha dos curdos para existir como nação. A entrada da Rússia no conflito. A dificílima paz

Guerrilherias curdas do YPG. Decisivas contra o ISIS no norte da Síria, brigadas receberam apoio dos EUA para lutar contra o grupo. Porém, não romperam laços com Assad e a Rússia, o que foi decisivo contra os ataques da Turquia

Por Bulend Karadag12

A guerra que ocorre há 9 anos na Síria entrou numa nova fase com a decisão unilateral da Turquia ao invadir a norte do país, dominado pelos curdos. A decisão da Turquia veio depois de uma conversa entre Trump e Erdogan por telefone, em outubro de 2019, sobre a criação de uma “zona de segurança” ao longo da fronteira da Turquia com a Síria. Erdogan anunciou o início da operação militar turca no nordeste da Síria em 9 de outubro.

O objetivo deste artigo é apresentar a posição da Turquia e abordar suas relações com os atores que têm influência na guerra da Síria ao redor dos últimos acontecimentos.

As Primeiras Consequências da Operação ‘Fonte de Paz’

Depois de ter sido criticado pelos muitos países e organizações internacionais, o avanço turco foi parado pelo acordo dúbio feito entre os EUA e a Turquia no dia 17 de outubro de 2019. Conforme o acordo, as forças curdas (SDF) deveriam recuar a uma distância de 30 km da fronteira da Turquia. Entretanto, como Trump retirou suas forças da zona de operação, o SDF, sem o apoio dos EUA, buscou negociar com o Estado da Síria sob a mediação da Rússia (de fato, isso foi o que o SDF sempre quis). No dia 18 de outubro, esse acordo tácito entre curdos e sírios fez com que o SDF perdesse o controle das cidades curdas do norte da Síria e entregasse para a Síria. Assim, a região no norte do país também ficou sob o controle da Rússia. A partir desse fato, no dia 22 de outubro, Erdogan visitou Putin na cidade de Sochi, na Rússia, para discutir o recuo do SDF das fronteiras turcas e formalizar a sua presença militar na região entre Tall-Abyad e Ras Al-ayn com o Memorandum do Sochi.

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O plano da Turquia

Segundo o discurso do presidente Erdogan na 74ª sessão da ONU realizada em setembro de 2019, a Turquia tem dois motivos para entrar no norte da Síria: combater o terrorismo e controlar a questão dos refugiados. O terrorismo é a principal justificativa das intervenções feitas por todos que estão envolvidos na guerra na Síria. A Turquia usa o combate ao terrorismo para legitimar a sua presença no território curdo da Síria pois, segundo Erdogan, o partido político curdo da Síria PYD (Partido da União Democrática) é uma subdivisão do PKK, Partido dos Trabalhadores Curdos na Turquia, que é considerado por este país, pelos Estados Unidos e pela União Europeia um grupo terrorista. Como a força da aliança internacional entre os Estados Unidos e a União Europeia legitima a presença e a intervenção deles na Síria, para o combate do Estado Islâmico sem nenhuma interferência de órgãos internacionais como a ONU, a Turquia também segue essa mesma lógica e legitima sua intervenção militar unilateral por meio da guerra contra “terrorismo” do principal partido político curdo na Turquia, o PKK. Como a autonomia curda na Síria é considerada um risco para integridade do país, a Turquia está construindo muros na sua fronteira com a Síria e fazendo ataques preventivos contra as bases curdas na região – exatamente como Israel vem fazendo contra os palestinos há anos3.

O segundo motivo da Turquia é buscar um território para alojar os 3,6 milhões de refugiados sírios. Segundo o plano do Erdogan, o objetivo a curto prazo é criar uma zona segura ao longo da fronteira com a Síria (480 km de extensão e 30 km de profundidade) e assentar os refugiados sírios em cidades construídas nessa faixa territorial. Já o objetivo a longo prazo dessa invasão turca na Síria é controlar as cidades de Raqqa e Deir el-Zor no sul e criar mais assentamos para todos os refugiados sírios abrigados na Turquia. Guerra na Síria

A guerra na Síria

A guerra na Síria já deixou meio milhão de mortos e mais da metade da população foi deslocada4. Enquanto seis milhões de sírios se deslocaram dentro do país, desde 2011, quase dez milhões abandonaram o país procurando estatuto de refugiados no mundo inteiro para uma vida longe da guerra. A Turquia foi escolhida pela maior parte dos refugiados sírios e atualmente está abrigando 3,6 milhões.

A guerra na Síria teve início em julho do 2011, quando o Exército Livre da Síria (Free Syrian Army, ou FSA em inglês) foi fundado com o apoio internacional da Turquia a fim de derrubar o governo de Bashar Al-Assad. Com a força das manifestações contra o governo (início de janeiro do 2011), a FSA foi fundada em apenas seis meses, mesmo não havendo oposição armada.

A verdade é que, desde 2010, a Turquia, os EUA, o Reino Unido, a França, a Arábia Saudita e o Qatar armaram, financiaram e treinaram cerca de 250 mil jihadistas vindos do mundo inteiro com o objetivo de atacar a Síria e precipitar a devastação do país. Como a primavera árabe derrubou os ditadores Zeynel Abidin Bin Ali da Tunísia em 28 dias e Husni Mubarak do Egito em 18 dias, a expectativa desses países era derrubar o quanto antes o ditador sírio Bashar al-Assad. No começo, o Exército Livre da Síria (FSA) era formado apenas pelos primeiros desertores do exército sírio, mas isso não foi o suficiente para a formação de um exército capaz de vencer um conflito armado. A relutância dos povos sírios de participar de uma guerra civil fez os países patrocinadores do conflito recrutarem grupos salafistas, jihadistas e paramilitares.

Do ponto de vista desses países, há três vantagens em utilizar as forças jihadistas: 1) não exige treinamento, pois já foram preparadas para ataques diretos e é menor a preocupação com as mortes nos conflitos; 2) o uso dos grupos salafistas facilita o alinhamento das forças políticas da Síria com os grupos étnicos. Como o regime de Assad é dos alauitas e as SDF são curdas, o FSA foi apresentado como se fosse dos árabes sunitas; 3) como a Síria se tornou um alvo para todos os grupos jihadistas, os demais países utilizaram esse momento para se livrarem dos grupos jihadistas localizados nos seus países. Por isso, os países vizinhos facilitaram aos grupos jihadistas a passagem por suas fronteiras, vindo de todos os continentes. O fato de que 12 mil guerreiros do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) e 70 mil famílias com o passaporte dos países ocidentais são os prisioneiros da SDF é um dos atuais problemas da guerra na Síria.

Os Atores da Guerra

A guerra na Síria, desde o princípio, tem sido coordenada e apoiada por países vizinhos e por grandes potências. O mapa da Síria atualmente está dividido em cinco partes:

  1. Os territórios controlados pelo Estado da Síria nas cidades grandes como Damasco, Aleppo e Hom, apoiado pela Rússia, Irã e Hezbollah;
  2. Os territórios controlados pela suposta oposição armada da Síria, mas predominantemente controlada por grupos salafistas ligados ao Al-Qaeda ao redor da cidade Idlib, apoiados pela Turquia, Qatar, Jordânia, Líbano e Arábia Saudita.
  3. Os territórios controlados pela Turquia nas cidades Afrin e Al-Bab com o Exército Livre da Síria (FSA), que ampliou recentemente a sua dominação com a invasão ao leste do rio Eufrates.
  4. Os territórios controlados pelas Forças Democráticas da Síria (SDF), formadas pelos curdos e árabes da região leste do rio Eufrates e apoiadas pelos EUA de 2014 a 2019. Entretanto, ao longo da guerra, não evitaram colaborar com Rússia e Síria na sua luta contra o ISIL.
  5. As Colinas de Golã, território controlado por Israel desde 1967. No começo da guerra, Israel tomou uma postura passiva, mas não evitou apoiar os grupos jihadistas assentados perto das Colinas de Golã, como Tahrir al-Sham, ligado a Al-Qaeda. No entanto, a partir de 2013, tomou uma postura mais ativa e vem fazendo ataques aéreos no território da Síria usando o pretexto do Irã e Hezbollah que se aproximavam de suas fronteiras.

Os Curdos na Síria

O Curdistão Sírio ganhou recentemente a atenção do mundo pela sua luta contra o ISIL (Estado Islâmico do Iraque e do Levante). Para se defenderem, formaram milícias armadas contra os ataques. Desde o início da guerra, os curdos seguiram uma política de defesa das terras historicamente habitadas por eles e reconheceram a presença dos demais povos garantindo a representatividades de todas as etnias e religiões. Devido ao deslocamento do exército e da polícia do Estado da Síria para as cidades onde o Exército Livre da Síria avançava, o norte da Síria se tornou uma região de exercício de sua autonomia política. Enquanto não atacam as bases do Estado, o PYD posicionou-se de forma defensiva para proteger as cidades dos ataques do regime de Assad e do FSA. Em janeiro de 2014, três cidades (Kobanî, Jazira e Afrin) sob o controle do PYD declararam sua autonomia como cantões e uma Constituição interina foi aprovada. Mesmo que essa declaração não seja reconhecida internacionalmente, as relações com os EUA, a União Europeia e a Rússia, bem como o estabelecimento de representações diplomáticas nesses países, provam a formalização das estruturas político-diplomáticas dos curdos. O PYD foi fundado na Síria em 2003 com o apoio do PKK para expandir o poder do partido entre os curdos.

Ao longo da guerra, o principal partido curdo na Síria, o PYD, vem negociando com todos os lados da guerra. No começo da guerra, o líder do PYD, Salih Muslim, foi convidado duas vezes à Turquia nos anos 2013 e 2014 para negociar na construção de uma “nova” Síria Porém, tanto nas negociações com o PKK na Turquia quanto nas negociações com o PYD na Síria, Erdogan adiava a legalização dos curdos nestes países. As negociações entre Erdogan e Ocalan (líder do movimento curdo) foram mantidas até o acordo declarado em fevereiro de 2015 no Palácio Dolmabahce, que foi posteriormente negado por Erdogan. Desde então, Ocalan, preso político desde 1999, foi isolado e impedido de se comunicar.

Quando os curdos negaram abrir uma frente de batalha contra o regime, a posição do PYD foi interpretada pela Turquia como um apoio ao regime de Assad.

O desacordo entre Erdogan e Ocalan teve repercussão política direta no posicionamento dos grupos armados no campo da guerra. Enquanto Erdogan derrubava as pontes com os curdos, fortalecia sua conexão com outros grupos armados que, neste caso, eram em sua maioria jihadistas ou salafistas. Assim, Erdogan começou a provocar os grupos dentro do FSA contra o PYD e não reagia contra o avanço do ISIL nos territórios curdos. A nova posição de Erdogan provocou uma cisão entre os grupos armados do FSA.

Por outro lado, enquanto os EUA se afastavam da Turquia no campo da batalha, aproximavam-se dos curdos. O SDF foi criado com a participação de alguns grupos do FSA ao YPG (Unidades de Proteção Popular, forças milícias curdas) com ajuda dos EUA. No entanto, no ponto de vista da Turquia, isso foi inexplicável porque em vez de trabalhar com um membro da OTAN, os EUA preferiram cooperar com o PYD na guerra contra o ISIL, considerado a subdivisão do PKK, que está listado como organização terrorista.

Os Curdos da Síria e os EUA

As relações entre os EUA e o movimento curdo na Síria iniciaram com as reuniões realizadas entre Salih Muslim, o líder do Partido da União Democrática (PYD), e Daniel Rubinstein, o enviado especial dos EUA na Síria no dia 12 de outubro no 2014 em Paris. A primeira reunião entre os curdos da Síria e os EUA aconteceu num contexto em que a cidade curda Kobani estava a ponto de ser perdida para o ISIL. Como as forças armadas dos curdos eram mal equipadas para impedir o avanço do ISIL, os curdos iniciaram uma campanha para receber o apoio internacional. A segunda reunião foi feita no dia 18 de outubro com Tony Blinken, o vice-Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA em Dohuk, no Iraque, com a decisão dos curdos batalhar contra o ISIL, ou seja, batalhar nos territórios fora dos cantões curdos, que era uma coisa que os curdos não queriam. Assim, ao invés de ficarem na posição de defesa dos seus territórios, os curdos com apoio dos grupos árabes aceitaram atacar o ISIL no leste do rio Eufrates. Assim, o PYD recebeu o primeiro apoio dos EUA de armas, munições e equipamento médico, transportados por aeronaves de carga no dia 19 de outubro de 2014.

Com a assistência das aeronaves dos EUA, as SDF venceram e afastaram combatentes do Estado Islâmico de muitas partes do nordeste da Síria retomando, assim. o controle de cidades importantes como Raqqa e Deir el-Zor. E a partir disso, no ano de 2015, os EUA criaram bases militares no leste do rio Eufrates.

Erdogan e as Relações Internacionais

Desde que Erdogan foi eleito em 2002 e se tornou primeiro-ministro da Turquia, a postura do país nas relações internacionais vem gerando duas consequências importantes. Enquanto a Turquia aumenta suas relações econômicas e políticas com os países fora do bloco ocidental como Rússia, China e outros países da África e do Oriente Médio, o país se afasta cada vez mais do bloco ocidental, da União Europeia e EUA, que dominavam as relações internacionais da Turquia desde a participação do país na OTAN em 1952.

Considerando a escassez de capacidade de infraestrutura, a Turquia buscou um caminho de desenvolvimento à margem da Europa. Desde a sua participação na OTAN e na Comissão Europeia em 1964, a articulação internacional do país com o mundo foi realizada economicamente por ser a periferia da Europa e politicamente por ser a base de operações dos EUA no Oriente Médio.

Como os países árabes do Oriente Médio conquistaram sua independência após a Segunda Guerra Mundial, durante o contexto de Guerra Fria, as relações econômicas e políticas da Turquia com a região vêm sendo realizadas com o intermédio de países centrais – por isso, as políticas da Turquia com seus vizinhos no Oriente Médio foram constituídas diante de um contexto político criado pelos EUA.

Com Erdoğan, a Turquia está tentando sair desse papel periférico definido pelas potências hegemônicas e tentando estabelecer ao menos uma economia dominante na região, aumentando o volume de comércio com os tais países5, e também querendo se tornar um ator forte e independente, fortalecendo a sua presença bélica nos países vizinhos e aumentando a colaboração militar bilateral com os países da região6.

Para Erdogan, a Síria foi um campo de batalha onde a Turquia poderia propor seu interesse na redivisão da Síria e mostrar sua capacidade de controlar a região para além dos países centrais. A posição dos EUA em relação aos curdos foi uma mensagem clara para Erdogan, de que a guerra da Síria não está em curso somente para derrubar o regime de Assad, mas também para dividir a Síria. Neste sentido, o pretexto de Erdogan é a ameaça dos curdos, mas o objetivo principal dele é conquistar territórios com a divisão da Síria. Por isso, usando os refugiados como desculpa, a proposta de Erdogan é criar uma zona-tampão no norte da Síria que seria controlada pela Turquia.

Sem dúvida, a transformação drástica na política internacional da Turquia, do papel periférico ao criador do jogo no Oriente Médio, não podia ter realizado sem uma reconciliação interna no país. A tentativa fracassada de golpe militar ocorrido no dia 15 de julho de 2016 foi usada para este fim. No dia 20 do julho, o Conselho da Segurança Nacional da Turquia declarou estado de emergência de acordo do artigo 120 da constituição turca7. Esse foi um raro momento do Erdogan que respeitou as regulações internas da Turquia porque no caso do estado de emergência, o presidente assume todos os poderes institucionais sem necessitar um processo parlamentar. Após a declaração do estado de emergência, os esforços de Erdogan foram para criar um bloco político nacionalista e conservador contra os curdos. Apresentado pela mídia alinhada ao governo turco como “o líder da segunda guerra da independência”8, Erdogan militarizou a política turca com suas agendas contra os curdos não apenas na Turquia, mas também na Síria.

Apenas um mês depois da tentativa de golpe, no dia 24 de agosto do 2016 com a operação do Escudo de Eufrates, o exército turco invadiu a faixa entre as cidades Jarablus e Azaz. O pretexto de Erdogan para a invasão era a ameaça do ISIL na sua fronteira – pois essa faixa tinha sido controlada pelo ISIL – mas o objetivo dele foi impedir o avanço dos curdos no oeste do rio Eufrates e, assim, impedir os curdos conectarem o Afrin com os dois outros cantões curdos9 (Jazira e Kobanî). Cabe lembrar que a Operação Fonte de Paz da Turquia é a terceira campanha militar da Turquia no território da Síria depois da operação do Escudo de Eufrates em 2016 e da operação do Ramo Oliveira em 2018.

As políticas de relações internacionais de Erdogan foram sobretudo formadas pelas ideias de Ahmet Davutoglu, que já assumiu vários cargos nos governos do Erdogan: foi Conselheiro do Presidente entre os anos de 2002 e 2009; esteve no ministério de Relações Internacionais entre 2009 e 2014 e, por último, ocupou o cargo de primeiro-ministro do país entre os anos 2014 e 2016. Como professor universitário, Ahmet Davutoglu articulou suas ideias em seu livro Profundidade Estratégica10,onde desenhou o papel político da Turquia como um país central da região que foi outrora dominada pelo Império Otomano. A estratégia do Davutoglu encaixa muito bem com a origem política do Erdogan que abre o caminho a usar islamismo para ganhar a simpatia dos árabes sunitas não somente na Síria, mas de toda a região. Além de fortalecer a Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), a Turquia não evitou a desenvolver suas conexões políticas com Hamas na Palestina e com Irmandade Muçulmana no Egito11, usando um discurso pan-islâmico sunita.

A Guerra e os EUA

Um dos elementos responsáveis por aumentar a velocidade de propagação da violência armada na guerra foi uma conjuntura internacional disposta a derrubar o Estado da Síria. Ao contrário dos Zeynel Abidin Bin Ali na Tunísia e Hosni Mubarak no Egito, seis meses depois do início das manifestações, em junho do 2011, a fim de aliviar a pressão das manifestações, Bashar Al-Assad desenvolveu propostas que previam estabelecer um Comitê Nacional de Diálogo, fazer reformas no sistema político, emitir uma lei da isenção de pena a prisioneiros políticos e reconhecer os direitos dos curdos e minorias. Como conta Abdullah Gül, ex-presidente da Turquia da época na sua entrevista12, a pressão dos EUA e dos países ocidentais para a rendição do Assad foi tão forte que não havia espaço para uma transição pacífica, apesar dos esforços do Assad. A partir de julho do 2011, os países vizinhos começaram retirar seus embaixadores da Síria13, o que permitiu a militarização da crise política e resultou posteriormente no fortalecimento do FSA com o apoio da coalizão internacional14 liderada pelos EUA cuja meta era treinar 200015 combatentes por ano.

Segundo o estudioso turco Ilhan Uzgel16, desde o princípio da guerra na Síria, o principal objetivo dos EUA não foi uma mudança de regime na Síria, mas sim desestabilizar o país de forma muito controlada, processo que vem sendo realizado principalmente por meio de sua aliada Turquia. Embora os EUA tenham declarado que Assad deveria deixar o poder, evitavam tomar medidas para que isso acontecesse e mantiveram a oposição em um nível que permitisse intensificar os conflitos, mas não a ponto de permitir que Assad caísse. Esta é de fato uma política adotada pelos Estados Unidos há muito tempo. A instabilidade regional é frequentemente explorada por países poderosos do mundo: não seria possível a presença militar dos EUA em uma Síria estável. Por isso, não podemos falar que Trump traiu os curdos de fato. Saindo do norte da Síria, Trump conseguiu abrir mais uma frente na guerra da Síria cujas consequências não servem pra nada além de aumentar o conflito entre os atores envolvidos.

A agenda de Washington com os curdos nunca foi realmente sobre proteger os curdos, mas sim sobre usá-los como um meio para balcanizar o território da Síria. Os curdos são o ponto fraco dos Estados da região, não somente na Turquia e na Síria, mas também na Irã. O que tornou os curdos a fonte de instabilidade regional não foi o fortalecimento dos curdos pelo EUA, mas sim a incapacidade desses Estados em desenvolver políticas para inclusão dos curdos dentro do devido entendimento de Estado unitário. Ao analisar as políticas da Turquia sobre os curdos desde que foram estabelecidas em 1923, encontramos apenas a negação da identidade curda, proibição de usar sua língua, repressão severa contra seus partidos políticos, assimilação das novas gerações, deslocamentos forçados de milhares e, por último, massacres. A questão curda na Turquia está sendo abordada apenas dentro do conceito terrorismo, ou então a Turquia não poderia justificar seus atos bélicos contra os curdos. Portanto, os EUA não somente abusam da fraqueza dos curdos, mas também aproveitam as políticas ignorantes desses países.

A colaboração entre os EUA e as Forças Democráticas da Síria (SDF) foi mantida até o desmantelamento do ISIL nos territórios da Síria no final do ano 2018. Como foi uma das promessas do Trump durante sua campanha eleitoral, o presidente estadunidense anunciou retirar as tropas da Síria em dezembro de 2018. No entanto, desde então, os EUA seguem um caminho ambivalente e continuam mantendo suas forças militares na região. Segundo o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Washington apenas retirou suas forças do campo da operação militar turca, mas não da Síria17. O equívoco dos EUA aumentou com a decisão do Trump de manter suas tropas para “segurar” campos petrolíferos no sul do país18.

A Guerra e a Rússia

Ao longo da guerra, diversas tentativas diplomáticas vêm buscando uma solução para a crise política da Síria, mas infelizmente muitos delas fracassaram ou pouco resultaram de concreto para diminuir a violência. Dois processos internacionais estão em andamento para encontrar uma solução para o conflito sírio: o “Processo de Genebra” sob os auspícios da ONU, mas liderado pelos EUA, e o ”Processo de Astana”, liderado pela Rússia com a participação da Turquia e do Irã. Enquanto a Rússia vem bloqueando as tentativas dos EUA de derrubar o regime de Assad e reconstruir uma nova Síria alinhada com seus interesses, os EUA menosprezavam as tentativas da Rússia, que almejava desescalar a violência armada19 e manter o seu único país aliado no Oriente Médio em pé. Uma das propostas, feita por Martti Ahtisaari, ganhador de Prêmio Nobel e ex-presidente da Finlândia, em fevereiro de 2012, teve três pontos simples: parar o armamento da oposição, buscar o diálogo entre os lados e afastar Bashar al-Assad do governo – proposta que foi apoiada inclusive pela Rússia. Como no final do ano 2011 a guerra já havia causado a morte de 3420 rebeldes e civis e 1277 soldados do regime20, a expectativa dos participantes do Processo de Genebra (a coalizão internacional) era ver a queda do Assad logo – por isso a proposta do Ahtisaari foi ignorada pela ONU sem ser discutida.

No começo da guerra, a Rússia teve uma postura passiva, mas não deixou de apoiar a Síria na ONU e fornecer armas e equipamentos. A partir de setembro do 2015 começou a participar diretamente da guerra após um pedido oficial de Assad de ajuda militar contra grupos rebeldes. O problema da Rússia não é que Assad permaneça no poder. Moscou, além de não desejar perder um regime próximo, que garante suas bases militares, crê que a remoção de Assad, sem manter estruturas governamentais viáveis para substituí-lo – o que ocorreu com Gadhafi, na Líbia, e Hussein, no Iraque – provoca caos e extremismo21. A participação direta da Rússia mudou o curso da guerra e alterou as posições de outros atores também envolvidos no conflito. Antes de tudo, a Síria foi dividida em duas partes pelo rio Eufrates entre a Rússia e os EUA, de forma a não haver conflito entre esse dois grandes poderes.

Os EUA e a Rússia estão agindo com um consenso velado sobre a Síria. Tornou-se cada vez mais evidente que as duas forças agiram paralelamente na Síria e nunca interferiram nas zonas de influência uma da outra22. Em 2013, os EUA e a Rússia concordaram com a destruição de depósitos de armas químicas na Síria pela ONU. Ambos começaram a enviar tropas diretamente no final de 2015; estabeleceram uma estratégia central para a coordenação de aeronaves e ambos mantiveram laços estreitos com o PYD. Como relatou o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, “nós fizemos um acordo com as forças russas para proteger os curdos da Turquia”23.

Rússia e Turquia

Uma das importantes conquistas da Rússia consistiu em alinhar a Turquia aos seus objetivos na Síria e, por seguinte, afastá-la do bloco ocidental. A colaboração cínica entre Rússia e Turquia começou com uma carta de desculpas de Erdogan a Putin, sete meses depois do abatimento da aeronave russa pela Turquia, evento ocorrido em novembro de 2015. A partir de golpe militar realizado no dia 15 de julho de 2016, as relações entre os dois país atingiram um novo patamar porque Erdogan conseguiu deter a tentativa do golpe por conta do alerta precoce24 de Putin, que depois levou à criação de um consenso25 entre os dois país para “normalizar” a situação na Síria. Considerando a forte convicção de Erdogan26 sobre a participação dos EUA na tentativa do golpe fracassado, seis meses depois, quando um ex-segurança de Erdogan matou o embaixador russo Andrei Karlov em Ancara em 19 de dezembro de 2016, as relações entre os dois país não pioraram -ao contrário, se intensificaram. Erdogan resolveu fortalecer seu sistema de defesa aérea com o sistema russo S-400, que é desenvolvido contra o sistema da OTAN27 e fechou um acordo para construir uma usina nuclear com as empresas russas28.

Com a intervenção militar da Rússia, ficou claro para Turquia que não poderia realizar seus objetivos na Síria sem a permissão de Putin. Como a decisão de Obama era colaborar com os curdos ao invés de colaborar com um aliado da OTAN na guerra contra o ISIL, os objetivos de Erdogan em relação à Síria foram modificados e, assim, o presidente decidiu concordar com as propostas feitas pela Rússia. A operação de Escudo de Eufrates em 2016 para impedir uma faixa curda no norte da Síria e a de Ramo Oliveira em 2018 para tirar as forças curdas da cidade de Afrin foram resultados dessa abordagem. Ou seja, Erdogan estava avançando no território da Síria com a permissão de Putin. Com a participação do Irã, os três países iniciaram “as conversas de Astana” que posteriormente levaram à negociação do Acordo de Sochi em maio de 2017. O acordo envolveu o estabelecimento de zonas de desescalada, e previa a construção de uma área livre de armas que chegasse a uma profundidade de 15 a 20 quilômetros para a abertura de uma rodovia internacional entre Hama-Aleppo e Latakia-Aleppo, a remoção de grupos considerados terroristas pela Rússia e o estabelecimento de pontos de vigilância29. De fato, Moscou quis cessar-fogo no oeste do país a fim de competir com os Estados Unidos no leste do país para dominar a região rica com suas reservas petroleiras que estavam nas mãos do ISIL. Consequentemente, a Rússia perdeu a competição contra o bloco entre os curdos e os EUA, mas conseguiu ganhar quase todo o território no oeste do rio Eufrates.

A Batalha de Idlib entre a Turquia e a Síria

Idlib é o último bastião controlado pela oposição armada da Síria. Conforme o acordo do Sochi para efetivar a criação de zonas de desescalada, os rebeldes jihadistas das cidades Aleppo, Hama e Duma foram deslocados para a cidade Idlib que fica no noroeste do país e a Turquia instalou doze bases militares para marcar sua zona de desmilitarização. A estimativa do número de guerreiros jihadistas nesta região é de 12 a 18 mil30. No entanto, como a Turquia não conseguiu cumprir o acordo de abertura das rodovias internacionais (M4 e M5) para conectar as cidades grandes da Síria e fracassou em tirar os grupos armados jihadistas da região, o regime de Assad, com o apoio da Rússia, iniciou uma campanha militar no dia 20 de fevereiro de 2020 para retomar as cidades e aldeias, o que praticamente causou uma guerra de baixa densidade entre a Turquia e a Síria. Os conflitos foram intensificados ao redor da cidade de Saraqep, que fica na conexão das rodovias M4 e M5.

Segundo o Syrian Observatory for Human Rights, desde o dia 2 de fevereiro 7600 soldados e 2765 veículos militares foram deslocados31 à cidade Idlib pela Turquia, mas não parece que o regime de Assad está sendo desincentivado, pois os ataques de seu regime não pararam. No último mês, os conflitos entre os dois países já causaram a morte de dezenas de soldados32, fora as perdas dos grupos paramilitares ou de milícias que são ignorados por ambos os lados. Num ataque realizado pelo regime no dia 27 de fevereiro, a Turquia perdeu 36 soldados33, o maior número de perda da num só eposódio, ao longo da guerra. De acordo com o jornal britânico The Guardian, mesmo que haja dúvidas se o ataque foi ocasionado pelas forças aéreas da Rússia, a Turquia acusa o regime pelo ataque34.

Erdogan está seguindo a política de “nenhum passo para atrás”, vem fortalecendo sua presença militar na região e não evitou ameaçar o regime sírio para escalar o conflito se as forças de regime não voltarem a suas posições conforme o Acordo do Sochi.. As reuniões em andamento entre a Turquia e a Rússia não resultaram em nada até agora. A expectativa da Turquia nestas reuniões é ganhar a permissão da Rússia para usar o espaço aéreo na Síria, mas Putin não está disposto a deixar a Turquia fortalecer os grupos jihadistas. Segundo o jornalista Fehim Tastekin35, como as brigadas internacionais de jihadistas são predominantemente formadas por chechenos, uzbeques, quirguizes e uigures, Putin quer acabar com esses grupos antes de voltarem para seu país.

No momento, o pretexto de Erdogan para permanecer no território da Síria é a questão dos refugiados, que são usados como uma ameaça contra a União Europeia há muito tempo. Por isso, Erdogan pediu a ajuda da Alemanha e da França para convencer Putin sobre a situação dos refugiados e marcou uma reunião entre os quatro países no dia 5 de março – mas Putin recusou-se a participar. Como a Turquia está decepcionada com a relutância da UE, o porta-voz oficial do governo Erdogan36 anunciou, após a morte dos 33 soldados, que não impedirá que os refugiados sírios cheguem à Europa. O porta-voz da UE, Peter Stano, respondeu à ameaça da Turquia e disse numa entrevista que “se observarmos um aumento no número de imigrantes tentando atravessar a fronteira, tomaremos medidas para defender o território da União Europeia”37.

Erdogan não pediu ajuda apenas dos países europeus, mas também dos EUA e da OTAN. Segundo o secretário-geral da OTAN38, Jens Stoltenberg, a OTAN resolveu fazer uma reunião na sexta-feira (28/02/2020) conforme o termo do artigo 4 do tratado da OTAN, que permite a qualquer aliado solicitar consultas quando se sentir que sua integridade territorial, independência política ou segurança está ameaçada. Como a guerra na Síria foi usada pela Rússia para afastar a Turquia do bloco ocidental, agora os EUA estão usando esta oportunidade para afastá-lo da Rússia. A decisão tomada na reunião da OTAN é de apoiar seu aliado contra os ataques do regime de Assad, contanto que a Turquia use o sistema de defesa aérea da OTAN39, ou seja, desista de usar o S-400 da Rússia.

Quando a guerra na Síria vai acabar?

No dia 5 de março, Putin e Erdogan assinaram um memorando em Moscou que obrigou o Erdogan a reconhecer a soberania do Síria, a aceitar o avanço do exército sírio na região de Idlib e a recuar seus bases militares atrás da rodovia M4. Já que o cessar-fogo estabelecido não incorpora os atos dos ambos lados contra os terroristas, o acordo não vai silenciar as armas na guerra da Síria.

Uma coisa é clara: o objetivo principal da operação turca é suprimir as conquistas dos curdos e mudar a demografia da região. As cidades na Síria controladas pela Turquia já está passando uma transformação enorme. A Turquia nomeia os governadores dessas cidades, mudou os nomes das praças, pendurou a imagem de Erdogan nas escolas, trouxe o serviço de correio e abriu os bancos — ou seja, está literalmente estabelecendo seu poder político num outro país. A Turquia está violando o direito de soberania de outro país e seguindo uma política expansionista contra Síria.

A guerra da Síria é um nó górdio e a palavra-chave deste nó é terrorismo. Para a Turquia, os curdos são terroristas, mas são apoiados pelos EUA. Para os EUA, o ISIL é terrorista, mas foi apoiado pelos países da região que são aliados dos EUA. Para Síria e Rússia, a oposição armada (os grupos jihadistas) são terrorista, mas apoiados pela Turquia. Para Israel, Irã e Hezbollah são terroristas, mas colaboram com Síria e Rússia. Para o Irã, Israel é terrorista, mas é apoiado pelos EUA e colabora com Rússia. Como essas terroristas não vão sumir logo, o fim da guerra não pode ser esperado para breve também.

Embora a guerra na Síria tenha sido caracterizada pela mídia internacional como uma “guerra civil”, raramente encontramos conflitos armados entre as etnias ou grupos religiosos da Síria ao longo dos nove anos de conflito. Antes de tudo, essa guerra não é dos povos da Síria. Se fosse assim, eles não abandonariam seu país para viverem como refugiados. O descontentamento popular devido à falta de participação dos povos nas decisões políticas, ou seja, a tentativa de dar fim ao atual sistema político da Síria por meios democráticos, foi sacrificada pelos ambiciosos desejos dos produtores de equipamentos bélicos. Tais armas foram inseridas na luta dos povos da Síria de propósito pelos países estrangeiros – caso contrário, a suposta oposição armada não poderia sustentar uma guerra por muito tempo. Então o fim da guerra não está na mão dos povos da Síria, mas na mão dos países envolvidos

1Curdo, nascido na Turquia, é mestre em Economia pela Universidade de Ankara (Turquia) e em Ciência Política pela Universität Kassel (Alemanha) e pela Berlin Economic and Law School.

2Agradeço a Isabella Vieira por suas observações sobre o tema e melhoramentos para facilitar a leitura do texto.

3Erdogan não evita justificar os seus ataques contra curdos com os ataques do Israel aos palestinos por serem terroristas. Enquanto Erdogan chama Netanyahu ‘o terrorista’ pelos atos do Israel contra palestinos, Netanyahu o chama ‘matadouro’ pelos atos contra os curdos.

4Human Rights Watch, Syria: Country Report, link, accesado na data 17/02/2020.

5Ozturk, Busra, 2018, Foreign Trade And Capital Flows Between Turkey And Middle East Countries, link.

6Dogan, Soner, 2016, Türkiye’nin Ortadoğu’daki Askeri Üsleri ve İlişkilerin Geleceği, link.

7The Guardian, 2016, “Turkey coup attempt: Erdoğan declares three-month state of emergency”, link.

8Al-Monitor, 09/07/2014, “Will Erdogan be Turkey’s next Ataturk?”, link

9Al Jazeera, 03/02/2017, “Operation Euphrates Shield: Progress and scope”, link.

10Davutoglu, Ahmet, 2001, Stratejik Derinlik: Türkiye’nin Uluslararası Konumu, Küre Yayınları.

11Tastekin, Fehim, 2019, “US condemnation of Muslim Brotherhood would cost Turkey dearly”, link.

12Karar Gazetesi, 18/02/2020, “Parlamenter sisteme dönmek şart”, link.

13Reuters, 7/02/2012, “Gulf states recalling ambassadors in Syria”, link

14Reuters, 19/02/2015, “Turkey, U.S. sign deal to train, equip Syrian opposition”, link

15The Daily Star, 02/05/2015, “Turkey, US to start train-and-equip plan for Syria rebels”, link

16Gazete Duvar, 26/08/2019, “Suriye’de, ABD-Rusya-İsrail uzlaşısına doğru”, link

17Reuters, 5/12/2019, “U.S. military completes pullback from northeast Syria”, link.

18Sputnik, 02/11/2019, “Trump Confirms US Wants Syria’s Oil, Not to Patrol Its Borders”, link.

19The Guardian, 15/09/2015, “West ignored Russian offer in 2012 to have Syria’s Assad step aside”, link.

20Tastekin, Fehim, 2015, “Suriye, Yikil Git, Diren Kal”, p.131-143, Iletisim yayinlari.

21Financial Times, 27/06/2019, “All this fuss about spies … it is not worth serious interstate relations”, link

22Gazete Duvar, 26/08/2019, “Suriye’de, ABD-Rusya-İsrail uzlaşısına doğru”, link

23Gazete Duvar, 21/09/2019, “Suriye’de Türk koridoru”, link

24Sputnik, 21/07/2016,”Foi Rússia quem advertiu Erdogan sobre golpe de Estado”, link

25Sputnik, 10/08/2016, “Ancara e Moscou elaboram ‘estratégia confiante’ relacionada à Síria”, link.

26Sputnik, 02/08/2016, “Erdogan acusa Ocidente de apoiar terroristas e golpistas na Turquia”, link

27BBC, 13/06/2019, “What Turkey’s S-400 missile deal with Russia means for Nato”, link

28DW, 03/4/2018, “Akkuyu nuclear plant: Turkey and Russia’s atomic connection”, link

29Gazete Duvar, 19/02/2020, “Suriye’de Türk-Rus ilişkilerinin sınırları”, link.

30BBC, 18/02/2020, “Syria: Who’s in control of Idlib?”, link

31Syrian Observatory for Human Rights, 23/02/2020, “Turkey’s reinforcement”, link

32Middle East Monitor, 23/02/2020, “Bomb kills 16th Turkish soldier this month in Idlib”, link

33Syrian Observatory for Human Rights, 27/02/2020, “At least 34 soldiers of the Turkish Forces were killed in airstrikes today”, link.

34The Guardian, 28/02/2020, “Dozens of Turkish soldiers killed in strike in Idlib in Syria”, link.

35Gazete Duvar, 28/02/2020, “Serakıp’ta ‘tekbir’ ve fakat…”, link

36Reuters, 28/02/2020, “Turkey says will not stop Syrian refugees reaching Europe”, link

37MedyaScope, 28/02/2020, “Sınırı aşmaya çalışan göçmen sayısında artış gözlemlersek AB topraklarını savunmak üzere harekete geçeriz”, link

38Time, 28/02/2020, “NATO in Urgent Talks After 33 Turkish Troops Killed in Syria”, link

39OTAN, 28/02/2020, “Statement by the Secretary General after Article 4 consultations”, link

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3 comentários para "Para entender a geopolítica da guerra na Síria"

  1. josé mário ferraz disse:

    A ESTUPIDEZ HUMANA é a causa dos males da humanidade. Se este corona não exterminar com ela, outros o farão. Quem sobreviver, verá antes de deixar de ver.

  2. Um erro da reportagem: Israel levanta muros ao redor de Gaza porque de lá são lançados foguetes que matam israelenses. O PKK nunca lançou foguetes contra a Turquia pela fronteira, o que diferencia tais motivos para erigir tais muros.

  3. Esse número de dez milhões de sírios exilados do país e 3,6 milhões na Turquia já foi questionado e não tem base em estatísticas confiáveis.

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