Viagem às origens do bolsonarismo

No momento em que um fenômeno político nefasto começa a se esvaziar, vale a pena sair em busca de suas raízes. Primeira: o repúdio à política tradicional. A oposição ao lulismo não foi capaz de dialogar com ele; mas um deputado inexpressivo soube capturá-lo

Por Fabio Amorim

A ONDA BOLSONARO

Na nossa tese, trataremos de analisar algumas questões do homem mais falado, comentado e discutido nos últimos três anos no Brasil: Jair Messias Bolsonaro. Seja por aqueles que o apoiam ou que não, um tema tem sido corrente sobre ele: como o ex-capitão do exército, que há alguns poucos anos era motivo de chacota, se elegeu com números significativos e impulsionou a vitória de seus simpatizantes por todo o Brasil? Nesse texto, entenderemos os dois pilares – segunda a nossa visão – que sustentam o que tem sido chamado de bolsonarismo. Na primeira parte, falaremos sobre o vazio e a negação da política que promoveu a eleição do ex-deputado federal. Na segunda parte, abordaremos o antipetismo, que para nós é o segundo pilar que o mantém.

Não se pode, e nem se consegue, medir o peso de um personagem histórico no calor do momento ou ainda no desenvolvimento dos fatos causados pelo mesmo. Lógico que o impacto de grandes personalidades, e sua biografia, não cessa com facilidade. Por quanto tempo falaremos de Napoleão Bonaparte (1769 – 1821) – um dos homens mais biografados do mundo –, Alexandre, o Grande (356 a. C. – 323 a.C.), Getúlio Vargas (1882 – 1954), Júlio César (101 a. C. – 44 a.C.)? Impossível dizer. Ainda vivemos sob o mundo pensado e criado por eles. Seguindo essa linha, e refletindo sobre o Brasil, nós somos filhos de um dos citados acima: Getúlio Vargas. É impensável olharmos a história do nosso país sem mencionar seu nome, seus feitos, suas conquistas, derrotas, sua tragédia. Claro que, 65 anos após sua morte, temos um distanciamento adequado para falar da sua relevância histórica. Em 2018, como um furacão incontrolável, um homem devastou e acabou com todos os pilares do período pós-ditadura militar (1964-1985) no Brasil. A ideologia, os costumes, a cultura política, economia, história, tudo que parecia estar se consolidando hegemonicamente desde os anos 1980 no Brasil, ficou sob escombros graças a Jair Messias Bolsonaro. Assim como aconteceu com Lula a partir de 2002 – sua primeira vitória eleitoral – que ofuscou seu partido, o PT (Partido dos Trabalhadores), ocorreu o mesmo com o ex-deputado federal. Não foi o seu partido, o PSL (Partido Social Liberal), que deu suporte ao então candidato, mas este que promoveu a si próprio e conquistou a eleição. Mas mais do que isso, o terremoto Bolsonaro arrastou consigo, para dentro das instituições, senadores, deputados e governadores.

Até mesmo parte daqueles que de início demonstravam desinteresse no candidato à presidência como aliado, se renderam, como um ato quase desesperado, ao bolsonarismo. O caso mais emblemático talvez seja o do governador eleito pelo estado mais populoso do país (45,5 milhões de pessoas), São Paulo. Em julho de 2018, numa entrevista para a rádio Jovem Pan, o candidato João Dória do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) foi questionado pelo historiador Marco Antônio Villa: “O senhor aceitaria o apoio do Bolsonaro para sua campanha pro governo do estado?”. E Dória respondeu: “não, eu agradeço mas declino (…)” [1] . Entre suas justificativas, o peessedebista dizia não acreditar em extremismos, “nem de direita nem de esquerda”. Ao final do segundo turno das eleições, com pesquisas mostrando ele e o concorrente – Márcio França do PSB (Partido Socialista Brasileiro) – empatados tecnicamente nas pesquisas, o ex-prefeito da capital paulista começava a pregar o voto BolsoDoria. Inclusive, andando elegantemente vestido com uma camiseta amarela com letras verdes (um claro sinal ao patriotismo encenado do candidato à presidência) com o seu mote propagandista da campanha do segundo turno. Todavia, parece-nos legítimo perguntar: João Dória se tornou extremista ou Bolsonaro mais moderado? Ou, talvez num caso mais exagerado, não se trata de oportunismo político? Como se não bastasse de ironia a situação, enquanto o empresário acenava explicitamente ao “extremista”, este desejava apenas sorte ao candidato e dizia que se manteria neutro nos estados onde seu partido não disputaria o segundo turno. [2]

São Paulo – em que a eleição estadual se misturou com a federal –, não foi um caso isolado. Ficou clara nos pleitos a onda Bolsonaro. Dos 27 novos governadores, 12 apoiaram o candidato ao Palácio do Planalto, e 8 o seu adversário, Fernando Haddad do PT. Tal panorama não seria interessante se, entre os 12, 7 deles não tivessem contrariado a própria diretriz dos seus partidos, que oficialmente se posicionaram neutros no segundo turno. No Congresso, o bolsonarismo foi mais pujante ainda. Antes, no Senado, não havia um senador pelo PSL; em 2019, elegeram-se 4 – inclusive um deles é filho do presidente eleito, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) . Na Câmara, eram 8; em 2019 saltou para 52 [Os números mudaram após fevereiro, já que houve trocas de legenda.], constituindo a segunda maior bancada – mais uma vez, com a eleição de um dos filhos, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Indubitavelmente, esse sufrágio expressivo não foi creditado a partidários e militantes do inexpressivo PSL. E sim, ao fenômeno político Jair Bolsonaro.

Levando em consideração esse peso, é válido perguntarmos: qual será a relevância que o ex-capitão do exército terá na História assim como Vargas e outras personalidades? Além de não ser nossa intenção responder à questão, não é possível, como dissemos mais acima, darmos conta do personagem Bolsonaro sem algum distanciamento temporal. Em outras palavras, o tempo falara qual será a importância e o lugar do atual presidente na história brasileira. Contudo, nas outras seções investigaremos o que é e como se configurou o que chamamos de bolsonarismo.

2011: O ANO EM QUE A CRISE COMEÇOU

No começo dos anos 1930, Leon Trotsky (1879-1940) tentava entender, e o fazia com clareza, como podia um homem como Stálin (1878-1953) ter chegado ao poder na União Soviética. Pois

(…) seu horizonte político é muito limitado, o seu nível teórico absolutamente primitivo. O seu livro Os fundamentos do leninismo, no qual experimentou pagar o tributo devido às tradições teóricas do partido, é uma compilação de escolar e está cheio de erros grosseiros.

Se na apresentação do problema o revolucionário russo aponta-o com precisão, o diagnóstico não fica por menos: “E que êle desempenhe hoje o primeiro papel não se deve tanto a ele próprio quanto à decadência política.” E citando o filósofo francês do século XVIII, Helvetius, sentencia: ‘Cada época tem seus grandes homens e se não os tem…inventa-os’. [3] O ex-deputado representa, como veremos com mais detalhes, um conjunto de valores, crenças, anseios, que já se apresentavam na sociedade brasileira muito antes do seu protagonismo político. O mito, como seus partidários gostam de chamá-lo, nunca foi um, pois nunca fez nada de monumental ou grandioso, o que legitimaria o apelido. Sua alcunha de mito se encaixa, este sim com justeza, na condição de pessoa fictícia, irreal, em termos políticos. E que hoje Bolsonaro ocupe o posto mais importante da política brasileira – como disse Trotsky sobre Stálin –, se deve ao nosso vazio de ideias, à crise da democracia burguesa liberal, à falta de lideranças com respaldo moral. Não existe vácuo de poder. Se existe, é preenchido por qualquer um, até mesmo por Jair Bolsonaro. Claro que os macacos de plateia bolsonaristas, escondidos nas sombras da internet com seus comentários sempre geniais e revestidos de verdades absolutas, jamais aceitarão ou no mínimo pensarão por um segundo se quer no que se diz aqui. Todavia, não houve no desenvolvimento dos fatos a partir da segunda década do

século XXI, nenhuma sagacidade pessoal dele para mudar os rumos da história. Pois falta-lhe preparo, capacidade organizativa, robustez intelectual nos seus argumentos e horizonte imaginativo. Mas afinal, de que processo estamos falando?

2011: o ano em que tudo começou. O título do ensaio de Bruno Cava [4] se refere às revoltas generalizadas que sacudiram o mundo a partir de 2011. Em dezembro de 2010, um jovem vendedor de frutas tunisiano, Mohamed Bouazizi, depois de ter suas frutas apreendidas pela polícia, ateou fogo ao próprio corpo. Sua morte, em janeiro de 2011, espalhou como um rastro de pólvora revoltas e protestos em proporções inimagináveis por todo o mundo. Norte de África (Tunísia, Egito, Líbia), Oriente Médio (Síria, Iêmen), Europa (Espanha, Grécia, Inglaterra), América do Sul (Chile, e em menores proporções, Brasil) [*] e Estados Unidos. A eleição de Bolsonaro está ligada historicamente a 2011. A partir dali se configurou em sociedades das mais diversas uma crise contra a democracia liberal burguesa que tem num dos seus elementos a implosão do modelo vigente, e que se reflete na aversão popular aos políticos tradicionais. Em outras palavras, o apoliticismo: a negação da política e seus agentes diretos (Congresso, partidos, candidatos profissionais). E em até alguma medida o Judiciário, que não é um órgão eleito pela população.

Em 2013, no Brasil, desenhou-se de forma clara e gritante tudo aquilo que começou em 2011 pelo mundo. Contudo, o caminho do bolsonarismo se configura em três momentos: 15 de março de 2015 (protestos contra o governo Dilma), 13 de março de 2016 (segundo ano de protestos contra o governo Dilma) e 2 de outubro do mesmo ano (eleições municipais). E por fim se afirma em outubro 2018 (eleição para presidente e governadores de estado). Contraditoriamente, quando a petista Dilma Rousseff derrotou o candidato Aécio Neves (PSDB) nas eleições presidenciais de 2014, ela marcou o fim da linha – pelo menos a curto prazo – do lulismo. [**] Uma plena vitória de Pirro. [***] Apesar dos números conflitantes – 1,7 milhão para as PM s, 877 mil para a Folha de São Paulo –, o que não há dúvida foi a mensagem que foi emitido pelas ruas em 2015: “fora PT ” e “fora Dilma”. Nas roupas, nos gritos, nos discursos, nas redes sociais, nas bandeiras, nos cartazes, em tudo se sentia e se via o antipetismo. Talvez engasgado após anos de sucesso popular incontestável dos governos Lula (de 2003 a 2010), 15 de março de 2015 explodiu em todas as direções e com força nas ruas como não se via desde as Diretas Já, em 1984. Contudo, para além do uníssono repúdio ao Partido dos Trabalhadores, nascia ali também o vazio da política e sua negação.

Um dia após os gigantescos atos pelo Brasil, analistas, políticos e jornalistas tentavam entender o que era aquela avalanche que tomou as ruas em pelo menos 153 cidades. Segundo o colunista do jornal O Estado de São Paulo, José Roberto de Toledo, “nem do vermelho nem do verde-amarelo (…)” foram os vencedores imediatos da polarização que se insinuava. “(…) mas os engravatados de sempre. Aqueles que dominam as estruturas do poder brasilienses sem ter de vencer eleições majoritárias desde outro 15 de março, 30 anos atrás. O PMDB .” [5] Segundo ele, só o partido tinha condição de sustentar ou tirar Dilma do cargo, pois a legenda ocupava a presidência das duas casas legislativas (Eduardo Cunha a Câmara Federal e Renan Calheiros o Senado) e liderava o baixo clero dos deputados federais. Aposta errada. Se fizermos rapidamente um exercício de memória, e pensássemos nas disputas eleitorais desde a redemocratização, qual o partido que concorreu com o PT ao longo desses anos? Se veio na sua cabeça o PSDB , a resposta está certa. Desde o fim da Ditadura Militar, foram realizadas – contando com o pleito de 2018 – 8 eleições para presidência da República. Das 8, em todas havia um peessedebista ou um petista na primeira ou na segunda posição. Olhando friamente para os números, parece-nos claro que a queda do PT representaria naturalmente, como uma balança, a subida do seu maior adversário das urnas. Aposta errada. Na segunda-feira, um dia depois dos protestos, a jornalista Eliane Cantanhêde no mesmo jornal referido acima, concluía sua coluna mostrando como o Partido da Social Democracia Brasileira construía seu caminho para ocupar o vácuo de poder que se apresentava:

E da oposição, o que se espera? Aí está o X do problema. As manifestações foram contra o PT, mas não foram a favor da oposição. O PSDB parece não saber o que dizer, o que fazer e para onde ir, está sem rumo e a reboque das ruas. E isso leva a um diagnóstico bastante grave: a crise é grande, mas sem saída. [6]

Vera Magalhães, pela Folha de São Paulo, mostrava como o partido estava longe do papel político que lhe cabia: “Caciques do PSDB estão sendo pressionados por deputados da sigla a subir o tom nesta semana. Parlamentares que foram às manifestações acham que o discurso de Aécio Neves e outros líderes está aquém do das ruas. ” [7] A vitória da petista em 2014 foi extremamente apertada – 51% para Dilma e 48% para Aécio. Mais uma vez, se pudéssemos nos induzir apenas pelos números, concluiríamos que se havia um político com força para representar os anseios e vontades das ruas, seria Aécio Neves. Então, como foi a atuação e a postura do líder mineiro diante do turbilhão sócio-político daquele momento?

ATROPELADOS PELA HISTÓRIA

As ruas do Brasil foram inundadas de insatisfeitos e revoltados contra o PT/Dilma/Lula naquele 15 de março de 2015. A maior aglomeração ocorreu na avenida Paulista, onde segundo a PM 1 milhão de pessoas estavam lá. Num carro de som, encontrava-se um dos maiores jogadores de futebol da nossa história, Ronaldo fenômeno, que vestia uma camiseta apontando o caminho da mudança e propagandeando quem deveria ocupar o vazio do poder: “A culpa não é minha, eu votei no Aécio.” Não era à toa que ali foi o grande epicentro do 15 de março. Das 8 eleições para presidente da República desde a redemocratização, 5 delas foram vencidas pelo PSDB no estado de São Paulo . Ao se encaminhar para as ruas, o povo desejava que alguém personificasse seus desejos, seus anseios, “seus sonhos” e canalizasse sua revolta para a política institucional. Concorrente da presidenta Dilma na última eleição, com uma votação expressiva; presidente nacional do PSDB e senador por Minas Gerais, seu nome estava estampado nas camisetas num carro de som na avenida Paulista – o maior reduto antipetista do Brasil. Logo, a situação nos impõe perguntar: onde estava o possível líder da oposição Aécio Neves? No seu apartamento no Rio de Janeiro! Isso mesmo (pare e reflita um minuto sobre isso). Estrategicamente vestido com uma camiseta da seleção brasileira – como a grande maioria dos manifestantes –, o mineiro se limitou a acenar da janela da sua residência.

Além de estar acomodado no conforto domiciliar, o senador gravou um vídeo de 35 segundos nas redes sociais em que dizia, de forma quase oportunista: “(…) não vamos nos dispersar.”[8] Em suma, Aécio não estava à altura do momento histórico. Demonstrou total incapacidade e faro político para entender o que estava acontecendo e quais seriam os próximos passos. Sem carisma nenhum com as massas, preferiu o aconchego do lar ao calor das ruas. Ao invés de ir ao encontro da História, ficou parado e foi atropelado por ela. Talvez bem melhor com as palavras do que com as atitudes, o mineiro acertou no diagnóstico em uma pequena entrevista ao programa Fantástico da Rede Globo ainda no final daquele 15 de março: “(…) há um divórcio hoje, entre o poder executivo, entre o poder público como um todo, e a sociedade brasileira (…)” [9] . Insistindo no acerto, da forma como ele melhor o fez naquele contexto, o senador escreveu na Folha de São Paulo no dia 16: “As manifestações desse domingo, que superaram todas as previsões, não dizem respeito ao passado nem ao resultado das eleições. Dizem respeito ao futuro.” [10] Ou seja, o PT , o PSDB e Bolsonaro, respectivamente. Prognóstico perfeito.

Enquanto o suposto líder da oposição via a revolta da televisão, outros se aventuraram nela. Em São Paulo, o apoliticismo se apresentou sem pudor e fez-se sentir nos seus alvos: os políticos. Paulo Pereira (SD-SP) – que tentava reunir 1 milhão de assinaturas pela saída de Dilma – tentou discursar em um carro de som. Ao ser anunciado seu nome, só se ouviram vaias. Espantado com a reação, o locutor insistiu: “Calma, gente, ele é contra a Dilma”. Tentativa em vão. Sobrou a ele conversar com o jornal Folha e declarar: “Desisti. Para você ver como esse governo acabou com tudo, até com a classe política”. Claro que o Partido dos Trabalhadores era peça fundamental para entendermos o caos do sistema, contudo o PT era apenas o artífice de um movimento muito maior – a corrosão da democracia liberal burguesa, iniciada em 2011. Tão inglório como o caso do deputado, foi o de Aloysio Nunes (PSDB-SP) . Também ao ser anunciado seu nome no carro de som do Vem Pra Rua – um dos organizadores das manifestações – o senador foi bombardeado com o coro “Sem partido! Sem partido!” [11] Sobrou a ele o silêncio. Em 2018, no auge do bolsonarismo, seria impensável falarmos que Jair Bolsonaro foi barrado ao tentar se pronunciar num carro de som. Mas em 2015 era ele apenas mais um, tão desprestigiado como todos os outros políticos. Assim como os outros dois, Bolsonaro – que tinha protocolado um pedido de impeachment na Câmara – também foi impedido de falar ao público. Restou-lhe, como para todos os outros políticos que participaram das manifestações, o silêncio. Vale ressaltar na atuação do então deputado federal (PP-RJ), em comparação com Aécio, um aspecto positivo. Mesmo com toda a sua limitação intelectual, Bolsonaro se lançou as ruas e se arriscou em falar a multidão, enquanto o peessedebista resolveu liderar do sofá de casa, vestindo sua camiseta da seleção brasileira.

A atitude do deputado não foi pontual. Desde aquele momento, ele sempre esteve nos debates, nas discussões, mostrando e falando suas posições e ideias – por mais absurdas que fossem, e as são. Em outras palavras, Bolsonaro demonstra uma coragem política, sem medo de se pronunciar – mesmo que aquilo ofenda, afete negativamente e desconcerte alguém (que com certeza não concordamos).

BOLSONARISMO, OU O VAZIO DO PODER

Se no 15 de março de 2015 começou a se configurar na sociedade o apoliticismo, em 13 de março de 2016 ele se torna claro e palpável para todos. Nesse momento começa também a aparecer na fala de alguns manifestantes, o nome de Jair Bolsonaro como uma possível alternativa para o futuro do país no pós-Dilma. Aqui, iniciou-se a falácia que o então deputado federal pelo Rio de Janeiro não fazia parte da classe política. Ou seja, não mereceria a aversão da população como todos os outros. Vale lembrar que em 2016 Bolsonaro completava 25 anos como deputado federal. O ex-capitão se aproveitou desse engano popular para se destacar dos seus colegas de profissão nos anos que se seguiram.

Se os manifestantes viam o deputado como diferente, os lideres tradicionais não tiveram a mesma sorte. Os ventos agitados da história os miravam. Na capital São Paulo, que em março de 2015, segundo a Folha, registrou 210 mil pessoas, em 13 de março de 2016 mais que dobrou esse número: 500 mil. Se um ano antes, como vimos, a oposição se apequenou, como foi o seu papel nesse segundo momento marcante? Resposta: catastrófico.

Passadas pelo menos três grandes manifestações em 2015 (março, abril e agosto), Aécio Neves apenas compareceu pela primeira vez em março de 2016. Estranhamente, o mineiro passou pelo ato de Minas Gerais – seu reduto eleitoral –, se recusou a discursar num carro de som e veio à base histórica antipetista: São Paulo. Na cidade da garoa, o mineiro selou seu destino político. Dentro de uma van, junto com correligionários de oposição, o senador desceu do carro atrás do MASP (Museu de Arte Moderna de São Paulo) e juntamente com o governador do estado (repito, o governador do estado!) Geraldo Alckmin (PSDB), subiu a rua paralela ao museu em direção à avenida Paulista. Em 2016, as duas principais figuras políticas do PSDB, e com claras pretensões eleitorais para 2018, se desmancharam diante de todos. Seu calvário político, ficou marcado por gritos dos manifestantes como “bundões” e “oportunistas”. Numa cena patética, grupos de tucanos próximos a eles puxaram um coro de “fora Dilma” tentando encobrir e abafar os xingamentos aos peessedebistas. Ambos entraram na área reservada do movimento MBL (Movimento Brasil Livre), conversaram entre eles, e ao som de “fora” se retiraram mudos ao rodapé da História. Entre a chegada e a saída inglória dos dois, se passaram pouco mais de 30 minutos. Segundo a Folha, “os tucanos tinham medo de serem hostilizados por causa do descontentamento causado por nota do PSDB (…)”. Já o diretório do partido em São Paulo, em nota no final do dia, disse que “nunca estiveram previstos discursos de qualquer um deles”. [12] Ou seja, o senador viajou de Minas Gerais até São Paulo para apenas caminhar alguns minutos pelas ruas e se retirar discretamente. O mesmo podemos dizer do governador, que se deslocou da sede do governo até a Paulista. Ao se retirarem da manifestação de volta a van que os trouxeram – ao som das ruas de “corruptos” e “oportunistas”, segundo O Estado de São Paulo [13] –, o presidente do partido, senador, e quase vencedor da última eleição, não só se despedia dos protestos, mas, pelo menos a curto prazo, da vida pública, pois seu nome foi envolvido em delações premiadas e outras irregularidades. Já a pá de cal de Alckmin só viria em 2018, quando saiu como candidato à presidência pelo PSDB. Em uma campanha de extremos e de grande violência verbal, o ex-governador desapareceu nos debates e nas urnas. O peessedebista, num resultado sem precedentes a candidatos da sigla ao cargo mais alto da República, amargou um 4° lugar com pouco mais de 5 milhões de votos (4,76%). [14] Assim como em 2015, os dois Aécios se debatiam em contradição: o político e o colunista. E repetindo o mesmo cenário, o segundo se mostrava mais acertivo e lúcido:

É hora de estarmos à altura desse sentimento nacional que chama por mudanças. Com ele – e só com ele – será possível reduzir drasticamente o abismo existente entre a realidade e o sonho dos brasileiros e o país que queremos e merecemos. [15]

Assim como antes, análise perfeita.

A crise da democracia liberal burguesa marca a completa descrença nos políticos, a falta de identidade com propostas e ideias que parecem não conversar com a realidade. A incredulidade nas instituições do Estado, que, aos olhos da população, serve apenas para a própria perpetuação de privilégios para seus agentes. Em suma, um profundo desalento com o sistema vigente. 2016 marca essa fissura, e que, sem sombra de dúvida, explica substancialmente a eleição de Jair Messias Bolsonaro a presidência da República. É nesse contexto de apoliticismo – ou seja, a negação da política nos moldes tradicionais –, que os manifestantes de 13 de março de 2016 projetavam seus anseios em figuras que, aos seus olhos, não faziam parte do sistema. Ao entrevistar alguns participantes dos protestos na avenida Paulista, a Folha perguntou: “Qual político seria o melhor para tirar o país da crise?” Segundo um empresário, não havia muitas opções, pois “Só tem o Bolsonaro, mas seria melhor o Exército.” Já um motorista, demonstrava sua admiração declarada pelo ex-capitão: “Hoje, quem eu gosto muito é o Bolsonaro, sou fã.”

Fazendo jus a um ditado popular (“não tem tu, vai tu mesmo”), um gerente comercial disse: “Estamos sem um grande líder político. O [Jair] Bolsonaro parece ser bom.” [16] Em outras palavras, já que não temos um grande “líder político”, pode ser o deputado Bolsonaro. Assim como um ano antes, enquanto as lideranças tradicionais declinavam diante das massas, o ex-militar se aventurava na multidão com um certo êxito. Carregado nos ombros pelos manifestantes (ou por algum assessor) e ostentando uma camiseta escrita “direita já!”, ele transitava com tranquilidade e ostentava simpatia dos presentes (chegou a erguer um cartaz que dizia “Bolsonaro presidente, Lula e Dilma na cadeia”).

EM BUSCA DO HERÓI

Se Bolsonaro era afagado em Brasília, o juiz federal Sérgio Moro era reverenciado como patrimônio nacional por todo o Brasil. Cartazes, faixas, máscaras, camisetas, discursos. Tudo remetia ao funcionário público residente em Curitiba. Moro, naquele momento, representava tudo aquilo que os políticos tradicionais não pareciam ser: patriota (“O Moro é corajoso e competente. Um grande patriota (…)” [17] ), honesto, e sobretudo, não fazia parte do sistema (“O Senhor (…) nos representa!”). Aos olhos dos populares, sua altivez era maior até que a instituição de justiça mais alta do país: “STF [Supremo Tribunal Federal] é PT. Moro é Brasil”. [18] Finalmente, o Brasil encontrava alguém que empunharia a espada da justiça no seu mais puro significado e nos limparia da sujeira, corrupção, desonestidade que pune o país e a população. Um herói no termos mais clássicos: aquele com superpoderes e que muitas vezes se sacrifica pelo seu povo.

Observem que, no momento mais crítico da nossa história recente, quem é alçado e sufragado a institucionalizar os desejos das ruas, é um magistrado. Que em termos simplórios, nada mais fez que seu trabalho. A insatisfação, amargura, desalento, revolta, tudo aquilo que a política suscitava na população, institucionalizou-se em outubro de 2016, nas eleições municipais. Como vimos, nas manifestações de rua em março, o baluarte de esperança era um juiz federal: sem poder de construir hospitais, creches, mudar as diretrizes da educação, asfaltar ruas, criar empregos, incentivar a cultura entre tantas outras coisas. Em outubro, nada havia mudado. Mais uma vez – assim como fizemos mais acima e com o mesmo personagem –, um caso marcante foi o do candidato eleito a prefeito de São Paulo, João Dória. Bom comunicador, hábil na propaganda pessoal e captando com sagacidade os anseios dos paulistas naquele momento, o peessedebista marcou um feito inédito nas eleições da capital desde o sufrágio em dois turnos (1992) definida pela nova constituição em 1988: eleger-se no primeiro turno. Ao compararmos os votos do tucano ao do segundo colocado, Fernando Haddad (PT) , foi um grande atropelo: 3.084.910 contra 967.093 votos. Esse sucesso do candidato estreante tem um aspecto claro – que abordaremos numa outra seção –: o antipetismo. Mas apesar dos sorrisos largos, dos braços estendidos para cima exaltando a vitória e toda a comemoração do PSDB , há dois fatos, e que nos interessam aqui, que são elucidativos – a negação da política e o resultado das urnas.

APOLITICISMO ELEITO!

Como vimos até agora, toda a crise do sistema liberal burguês começou em 2011 e gradativamente foi se agravando e se tornando mais aguda. O primeiro grande ápice institucional foi outubro de 2016, nas eleições municipais. Tanto o resultado numérico da eleição como seus próprios personagens dizem muito sobre o sentimento das ruas. João Dória, antenado com o afã popular por mudança e disposto a mudar suas escolhas tradicionais, soube como ninguém capitanear para si esses votos. “Não sou político, sou gestor” dizia insistentemente o peessedebista em todo lugar possível. A frase é autoexplicativa. O roldão do tucano na capital paulista – que devido ao sucesso, quase o fez se lançar em 2018 como candidato a presidência do Brasil, passando na frente do seu padrinho político, Geraldo Alckmin – tinha um fator muito claro para o editorial da Folha de São Paulo: “O descrédito dos políticos tradicionais, fenômeno que se constata no mundo todo (…)” [19] . Para Vinícius Mota, colunista do mesmo jornal, o prefeito eleito nutriu-se “fortemente da degringolada na reputação dos políticos, em geral (…)”, e arremata: “Quando o sistema projeta descrédito, viceja a ilusão da resposta fácil que vem de fora da política.” [20] De fato, o prefeito nunca antes tinha disputado uma eleição para cargo pública. Porém, será que ele não era “político” como enfatizou com veemência na campanha?

João Agripino da Costa Dória Junior, foi entre 1983 e 1986 secretário de Turismo do governo Mário Covas na capital paulista. Naquela mesma década (1986-1988), presidente da Embratur e do Conselho Nacional de Turismo no governo Sarney. O “gestor” é um dos fundadores da AME Jardins, associação que defende a manutenção do caráter residencial do bairro. Em 2003 fundou um grupo de comunicação com seis empresas, entre elas o Lide (Grupo de Líderes Empresariais), que tem nos seus objetivos “discutir temas econômicos e políticos de interesse nacional”. [21] Em 2007, foi protagonista do Movimento Cívico pelos Direitos dos Brasileiros, o Cansei. Em suma, claro que não há aqui uma condenação pela atuação política de Dória nos diversos movimentos ou até mesmo sua breve passagem pela máquina pública nos anos 80. Contudo, a propaganda (especialidade do empresário) parece-nos falsa. O conteúdo do produto não condiz com a embalagem. A ênfase exagerada em mostrar-se distante da política e de seus agentes diretos, provou-se ser mais uma manobra factual do que uma verdade. Diga-se de passagem, a adaptação retórica ao contexto parece ser uma característica inerente ao tucano. Ao abandonar a prefeitura de São Paulo após 15 meses de gestão (quebrando a promessa de campanha de cumprir o mandato até o final) para concorrer ao governo do estado, seu discurso se radicalizou contra a esquerda e o PT (contradizendo sua própria convicção de 2016 de não acreditar em extremos “nem de direita nem de esquerda”).

Hoje, em 2019, João Dória (a Mística [22] da política brasileira) se prepara para 2022, ano de eleição para presidente, e começa a se preocupar com questões de gênero [23] – discussão que alavancou Bolsonaro e concedeu-lhe crédito em uma parte dos eleitores. Na eleição de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, a negação da política também se manifestou. O segundo colocado no primeiro turno, o empresário Alexandre Kalil do PHS (Partido Humanista da Solidariedade), em sua campanha falava-se que ele “não é político” [24] , quase como um defeito intolerável a ser negado. Se em 2016 conseguimos captar uma ideologia apolítica clara nos eleitores, podemos verificá-la também no resultado das urnas. Na capital do Rio de Janeiro, o repúdio a política chegou a 42,54% (somando-se nulos, brancos e abstenções), um número recorde desde 2004.

Apesar da vitória acachapante, João Dória, na verdade, ficou em segundo lugar nos números totais em São Paulo. Claro que em relação ao terceiro lugar, a diferença entre o tucano e o petista foi gritante – 3.085.187 contra 967.093. Contudo, o “grande gestor” ao final ficou com 34,7% dos votos contra 34,8% (3.095.925, número referente a nulos, brancos e abstenções). Em outras palavras, na maior capital do país, quem venceu as eleições foram os que não optaram por ninguém, seja pelo desinteresse na política e nos políticos, seja por não se sentirem representados, seja por ceticismo no sistema como um todo. Toda essa crise não passou despercebida pela “maior ameaça que o Brasil já enfrentou no atual ciclo democrático.” [25] , segundo a revista Veja se referindo a Bolsonaro. Em outubro de 2017, o ex-capitão já aparecia nas pesquisas com 17% das intenções de votos, atrás apenas do ex-presidente Lula com 35%. [26] . Naquele momento, o deputado estava isolado politicamente e usava a insularidade a seu favor para mostrar-se como um diferente entre seus iguais: “Nenhum partido vai querer se coligar comigo porque sabem que não sou ‘piranha’ para receber certas propostas indecorosas” [27] . Bolsonaro já fazia um esforço para não mostrar quem ele era (um político profissional) e captar a atenção daqueles que rejeitavam a política e seus agentes.

Como demonstramos aqui, o vazio do poder é a primeira coluna de sustentação do que chamamos de bolsonarismo. Esse primeiro pilar mostra que entre seus partidários e simpatizantes não há nenhuma liga, aproximação programática, identidade ideológica. Para elucidar mais ainda o que falamos aqui, nesse exato momento o PSL , com envolvimento direto do presidente, está numa guerra fratricida aberta ao público que divide o partido. [28] Se o primeiro pilar foi um movimento de fora e sem nenhuma ação efetiva de Bolsonaro, o segundo pilar também: o antipetismo.

[continua]

[1] Entrevista disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=npvqgpAd8Sw Acesso em: 15/07/2019.


[2] https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2018/noticia/2018/10/13/jair-bolsonaro-diz-que-doria-e-anti-pt-e-deseja-boa-sorte-para-ele-franca-tem-apoio-velado-de-pt.ghtml Acesso em: 15 jul. 2019.


[3] TROTSKY, Leon. Minha vida. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1969. p. 420.

[4] Ver o artigo em:

2011: o ano em que tudo começou
Acesso em: 21 nov. 2019.

[*} É interessante destacarmos que o nosso 2011 só chegou de fato em 2013.

[**] Para um maior entendimento sobre o termo e seu significado, recomendamos as leituras de Os

sentidos do lulismo e Lulismo em crise, do cientista político André Singer.

[***] Sobre o significado de vitória de Pirro, acessar: https://www.dicio.com.br/vitoria-de-pirro/

[5] TOLEDO, José Roberto de. Idos com março. O Estado de S. Paulo, São Paulo, ano 136, n. 44344, 16 mar. 2015. Política, p. A6.

[6] CANTANHÊDE, Eliane. Crise grave, mas sem saída. O Estado de São Paulo, São Paulo, ano 136, n. 44344, 16 mar. 2015. Política, p. A8.

[7] MAGALHÃES, Vera. Hora de mudar. Folha de São Paulo, São Paulo, ano 95, n. 31.393, 16 mar. 2015. Poder, p. A4.

[8] AMORIM, Daniela; ARRUDA, Roldão. A distância, Aécio e Marina defendem manifestações. O Estado de São Paulo, São Paulo, ano 136, n. 44344, 16 mar. 2015. Política, p. A8.

[9] Governo e oposição se pronunciaram sobre os protestos. Disponível em: http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/03/ministro-da-justica-destaca-o-carater-democratico-

das-manifestacoes.html Acessado em: 23 out. 2019.

[10] NEVES, Aécio. As Ruas. Folha de S. Paulo, São Paulo, ano 95, n 31.393, 16 mar. 2015. Opinião, p.A2.

[11] Políticos, mesmo de oposição, são hostilizados e impedidos de falar. Folha de S. Paulo, São Paulo, ano 95, n. 31.393, 16 mar. 2015. Política, p. A10.

[12] Aécio e Alckmin são recebidos com misto de hostilidade e assédio. Folha de São Paulo, São Paulo, ano 96, n 31.757, 14 mar. 2016. Poder, p. A11.

[13] Alckmin e Aécio são hostilizados em SP. O Estado de S. Paulo, São Paulo, ano 137, n. 44708, 14 mar. 2016. Política, p. A8.

[14] Sobre a eleição de 2018, ver https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/apuracao/presidente.ghtml Acessado em: 23 out. 2019.

[15] NEVES, Aécio. Vozes de março. Folha de S. Paulo, São Paulo, ano 96, n 31.757, 14 mar. 2016. Opinião, p. A4.

[16] Entrevista da 2a, manifestantes na avenida. Folha de S. Paulo, São Paulo, ano 96, n 31.757, 14 mar. 2016. Entrevista da 2a, p. A16.

[17] Lava Jato incendeia Paulista e Moro é tratado como herói. Folha de S. Paulo, São Paulo, ano 96, n 31.757, 14 mar. 2016. Poder, p. A7.

[18] Moro pede que ‘voz das ruas’ seja ouvida por partidos. O Estado de São Paulo, São Paulo, ano 137, n. 44.708, 14 mar. 2016. Política, p. A13.

[19] Oportunidade perdida. Folha de S. Paulo, São Paulo, ano 96, n 31.960, 3 out. 2016. Opinião, p. A4.

[20] MOTA, Vinícius. Sai um poste, entra outro. Folha de S. Paulo, São Paulo, ano 96, n 31.960, 3 out. 2016. Opinião, p. A4.

[21] Quem é João Dória: a trajetória do empresário. Folha de S. Paulo, São Paulo, ano 96, n 31.960, 3 out. 2016. Eleições 2016, p. 4.

[22] Para conhecer a personagem ver: https://www.einerd.com.br/mistica-poderes-habilidades-

quadrinhos/ acessado em: 12 out. 2019.

[23] https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/09/03/doria-manda-recolher-livros-de-ciencia-que-fala-sobre-diversidade-sexual-nao-aceitamos-apologia-a-ideologia-de-genero.ghtml Acessado em: 23 out. 2019.

[24] BH terá 2° turno entre ex-goleiro e ex-cartola do Atlético-MG. Folha de S. Paulo, São Paulo, ano 96, n 31.960, 3 out. 2016. Eleições 2016, p. 10.

[25] COSTA, Ana Clara. A ameaça Bolsonaro. Veja, São Paulo, ano 50, n. 41, p. 42, 11 out. 2017.

[26] COSTA, Ana Clara. A ameaça Bolsonaro. Veja, São Paulo, ano 50, n. 41, p. 42, 11 out. 2017.

[27] COSTA, Ana Clara. A ameaça Bolsonaro. Veja, São Paulo, ano 50, n. 41, p. 44, 11 out. 2017.

[28] https://oglobo.globo.com/brasil/3046-guerra-dos-tronos-entenda-briga-entre-bolsonaro-psl-

24028173. Acessado em: 20 out. 2019.

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