Uma chance de conhecer Molière

Em São Paulo, Coletivo Commune encena adaptação de “O doente imaginário”, última peça do dramaturgo francês. Obra é reflexão sobre morte, família, medicina e indústria farmacêutica – hoje muito mais poderosa que há 350 anos


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Na cama com Molière
Domingo, 18/8 às 20h.
Teatro Commune: Rua da Consolação, 1218 – Metrô Higienópolis
R$ 40 | R$ 20
55 ingressos grátis, como parte da Jornada do Patrimônio 2019

Considerado ainda hoje o grande dramaturgo francês por muitos críticos, também poeta e ator, Jean-Baptiste Poquelin – o Molière – foi um dos expoentes do período de agitação cultural que precedeu a Revolução de 1789. Entre suas quase 50 peças, sobressai a crítica da família, da religião e da da burguesia então nascente, em meio à atmosfera de perene hipocrisia que marcava o “Antigo Regime”. Em São Paulo, o público tem, neste fim de semana, nova oportunidade de contato com sua obra. O Coletivo Teatral Commune apresenta Na Cama com Molière, uma adaptação de O Doente Imaginário para os tempos contemporâneos – talvez ainda mais áridos e marcados por falsidade. A apresentação compõe a Jornada do Patrimônio, por meio da qual os equipamentos culturais da cidade são abertos à população. A programação completa está aqui.

Publicada em 1673, O Doente Imaginário narra as peripécias de Aragão, um velho hipocondríaco que é incentivado por seu médico a testar novos tratamentos e remédios para todas as suas doenças imaginárias. O Dr. Boa Morte alimenta suas supostas doenças. Além disso, a segunda esposa de Aragão é a interesseira Beline e ele sonha casar sua filha Angélica com o filho de um amigo médico – para ter um doutor na família.

A encenação acontece em torno de uma cama em um hospital e estimula a refletir sobre o medo iminente da morte, a solidão do mundo contemporâneo e outros temas comuns à obra do autor, como a cobiça, o egoísmo, a charlatanice e a arrogância. Adaptada, torna-se uma sátira atual sobre a poderosa indústria da medicina.

O Doente Imaginário foi a última peça escrita por Molière (1622-1673) e marcou a derradeira vez que ele subiu aos palcos. O dramaturgo sofria de tuberculose em estágio avançado e morreu algumas horas depois de concluir a quarta apresentação da montagem original. Com direção do inglês John Mowat, a adaptação do Commune estreou em fevereiro de 2019 e celebra os 50 anos de carreira do ator Henrique Taubaté Lisboa, que interpreta o protagonista da história.

Fundado em 2003, o Commune – Coletivo Teatral cria espetáculos de palco e rua com base na pesquisa sobre a comicidade, o teatro popular, as máscaras da Commedia Dell Arte, a música em cena e temas contemporâneos. Algumas de suas principais produções são O Inspetor Geral (2004), Arlecchino, de Dario Fo (2007), “Nem todo Ladrão vem para Roubar”, também de Fo (2009), e “Otelo” (2018), também dirigida por John Mowat.

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