Uma abordagem singular sobre o câncer

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Para neurocientista que resistiu à doença, células cancerosas podem ser combatidas por defesas do próprio organismo. Coluna debaterá como manter tais mecanismos ativos

Por Mauro LopesSylvia Lopes*, no blog HojeTem

“Se todos nós temos células cancerosas dentro de nós,

temos também um corpo preparado para frustrar

o processo de formação de tumores.

Compete a cada um utilizá-lo”

David Servan-Schreiber

Depois de receber o diagnóstico de um tumor cerebral agressivo, o neurocientista David Servan-Schreiber dedicou-se ao estudo das defesas do nosso organismo contra o câncer. A teoria que desenvolveu ao longo de anos baseia-se na seguinte hipótese: nosso organismo tem defesas para combater as células cancerosas e impedir ou ao menos retardar muito o desenvolvimento de tumores. Se nosso ser (corpo físico mais mente mais alma ou padrões emocionais) for ajudado por uma dieta saudável, exercício físicos e controle do stress, é possível prevenir, minimizar e até reverter a doença.

anticancer

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David pesquisou, fez análise da literatura científica existente e colocou em prática em si mesmo as descobertas de seu trabalho. O resultado? Viveu 20 anos a mais do que era previsto. David não sobreviveu, David viveu. Viveu bem e resolveu contar para o mundo o que aprendera publicando o famoso livro “Anticâncer”.

Um estudo feito pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) indica a grande quantidade de pessoas acometidas por diversos tipos de câncer no Brasil. Nosso país passa por mudanças em seu perfil demográfico por conta dos processos de urbanização e industrialização acelerados, que impactam diretamente no estilo de vida da população, expondo-a de maneira ainda mais intensa aos fatores de risco mundo contemporâneo. Estas mudanças e o envelhecimento da população alteram totalmente a epidemiologia conhecida, sendo necessário um novo olhar para a relação das pessoas com o ambiente, com os alimentos e com a vida, e é a partir deste ponto que a prevenção torna-se tão imprescindível.

“É importante relembrar que câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 tipos diferentes de doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células anormais com potencial invasivo. Além disso, sua origem se dá por condições multifatoriais. Esses fatores causais podem agir em conjunto ou em sequência para iniciar ou promover o câncer (carcinogênese).

O desenvolvimento da maioria dos cânceres requer múltiplas etapas que ocorrem ao longo de muitos anos. Assim, alguns tipos de câncer podem ser evitados pela eliminação da exposição aos fatores determinantes. Se o potencial de malignidade for detectado antes de as células tornarem-se malignas, ou numa fase inicial da doença, tem-se uma condição mais favorável para seu tratamento e, consequentemente, para sua cura.

A prevenção e o controle do câncer precisam adquirir o mesmo foco e a mesma atenção que a área de serviços assistenciais, pois o crescente aumento do número de casos novos fará com que não haja recursos suficientes para dar conta das necessidades de diagnóstico, tratamento e acompanhamento.

A consequência serão mortes prematuras e desnecessárias.

Assim, medidas preventivas devem ser implementadas agora para reduzir a carga do câncer, como as estratégias para o controle do tabagismo, relacionado ao câncer de pulmão, entre outros; a promoção da alimentação saudável, para a prevenção dos cânceres de estômago e intestino, entre outros; a vacinação para Papilomavírus humano (HPV) e hepatite, contra o câncer do colo do útero e de fígado. De igual modo, a adoção de estilos de vida mais saudáveis, como uma alimentação adequada e a prática de atividade física, permitirá um melhor controle dos cânceres de mama, próstata e intestino. Essas medidas crescem em importância, principalmente em países como o Brasil, que se encontra em um processo de transição econômica, o que o faz ganhar, progressivamente, o ônus global do câncer observado em países economicamente desenvolvidos.”

 Estimativa 2014 Incidência de câncer no Brasil

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Para acessar a pesquisa completa clique aqui.

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Nos vemos no próximo post. Enquanto isso, quem quiser pode assistir a seguir uma introdução sobre Anticâncer feita pelo próprio David.

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9 comentários para "Uma abordagem singular sobre o câncer"

  1. Anselmo Heidrich disse:

    “Um estudo feito pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) indica a grande quantidade de pessoas acometidas por diversos tipos de câncer no Brasil. Nosso país passa por mudanças em seu perfil demográfico por conta dos processos de urbanização e industrialização acelerados, que impactam diretamente no estilo de vida da população, expondo-a de maneira ainda mais intensa aos fatores de risco mundo contemporâneo. Estas mudanças e o envelhecimento da população alteram totalmente a epidemiologia conhecida, sendo necessário um novo olhar para a relação das pessoas com o ambiente, com os alimentos e com a vida, e é a partir deste ponto que a prevenção torna-se tão imprescindível.”
    [http://outraspalavras.net/blog/2015/10/15/uma-abordagem-singular-sobre-o-cancer/]
    Prevenir fatores indutores e/ou aceleradores de cânceres sempre é uma medida de bom senso, mas intuir que nosso “estilo de vida moderno” ou “o processo de urbanização/industrialização” é que nos expõe a mais causas que aumentam a incidência de câncer é um chute mal dado que foca numa simples correlação. Na verdade, o aumento de nossa expectativa de vida, provocado pela queda da mortalidade causada por doenças infecciosas e cardio-vasculares abre margem para que indivíduos morram mais de câncer mesmo. O câncer é uma das causas de mortalidade que predomina devido à expansão do contingente populacional idoso. Simples e nada de demonizar a sociedade moderna, isto sim, uma falácia que tem que ser severamente combatida, sob o risco de poluir nossas mentes com o obscurantismo.

    • mauro lopes disse:

      Caro senhor Anselmo,
      de fato, o aumento da expectativa de vida leva a um incremento de doenças em idosos que não estariam vivos algumas décadas ou uma centena de anos atrás. Entretanto, é preciso levar em conta que as incidências elevaram-se em grupos etários que estavam nos limites da expectativa de vida no passado. As pesquisas de um grupo cada vez mais relevantes de médicos não demonizam a sociedade contemporânea, apenas constatam o que as pesquisas demonstram. Nos próximos artigos traremos dados de uma pesquisa do americano Dean Ornish mostrando a incidência de câncer da próstata muito inferior nos homens japoneses do que nos americanos. O dado mais instigante da pesquisa é que foi acompanhado um grupo de japoneses ou seus descendentes que migraram para os EUA e adotaram o “american way of life”. Os índices desse grupo deixaram de ser similares ao dos japoneses e passou a ser igual ao dos americanos. Obrigado pelo comentário e preocupação. Há muito o que conversar!

    • Romero disse:

      Quer dizer quer a forma como comemos sendo gordos mas desnutridos, os agrotóxicos, etc, não provocam cancer e outras moléstias?

    • josé disse:

      Muito ruim Anselmo. Meus avôs, avós e irmãos deles morreram TODOS com mais de 85 anos. Meus dois tios, irmãos de meu pai, filhos do meu Avô que morreu com 93 anos estão com câncer, na faixa dos 65 a 73 anos. Deve-se demonizar a sociedade moderna sim, lembrando que o Brasil é campeão no uso de agrotóxicos e que são proibidos em outros lugares do mundo.

  2. Adilson Araújo disse:

    Importante congresso online, com participação de especialistas renomados de todo mundo, debaterá também esse tema com abordagens correlatas à dessa matéria.
    http://curasnaturais.net/congresso-internacional-online-vida-sem-cancer/

  3. mauro lopes disse:

    Caro senhor Anselmo,
    de fato, o aumento da expectativa de vida leva a um incremento de doenças em idosos que não estariam vivos algumas décadas ou uma centena de anos atrás. Entretanto, é preciso levar em conta que as incidências elevaram-se em grupos etários que estavam nos limites da expectativa de vida no passado. As pesquisas de um grupo cada vez mais relevantes de médicos não demonizam a sociedade contemporânea, apenas constatam o que as pesquisas demonstram. Nos próximos artigos traremos dados de uma pesquisa do americano Dean Ornish mostrando a incidência de câncer da próstata muito inferior nos homens japoneses do que nos americanos. O dado mais instigante da pesquisa é que foi acompanhado um grupo de japoneses ou seus descendentes que migraram para os EUA e adotaram o “american way of life”. Os índices desse grupo deixaram de ser similares ao dos japoneses e passou a ser igual ao dos americanos. Obrigado pelo comentário e preocupação. Há muito o que conversar!

  4. Ainda bem que temos essa ferramenta! pena que são poucos que usam e pesquisam ou acreditam! eu me sinto culpada por muitos que se foram e eu não pesquisei ou acreditei! meu pai foi um deles! eu devia ter falado pai! coma menos carne, menos açúcar! mais sou parecida com ele amava uma carne e ainda amo um doce. Agora com minhã irmã com câncer, estou mais atenta, mais me sinto culpada por ela tmb, usava muito adoçante, ciclamato de sódio e aspartame, eu tmb usei muito e agora estou preocupada, pois sinto os mesmos sintomas dela. Hoje ela tem câncer no cérebro, grau 04, e começou com dor de cabeça muito forte quase todos os dias, e os médicos demoraram para diagnosticar Por isso vou procurar um neurologista, e pedir uma ressonância, espero não ser nada grave, mas se for, já estou me preparando, comendo somente coisas saudáveis.

  5. Determinar, no mundo estatístico, o % de óbitos que decorrem do estilo de vida – mundo moderno e essas coisas, como causa da maior incidência do câncer – é, certamente, tarefa para um supercomputador, que não construímos por enquanto. Afinal, são tantos os fatores determinantes do surgimento do câncer nos animais, que quantificá-los por ordem e %. se constitui tarefa “inquantificável”, salvo por aqueles resultantes de ensaios humanos que julgamos a tudo responder.

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