China, potência científica?

Cientistas chineses controlam o Sunway TaihuLight, mais poderoso supercomputador do mundo, no Centro de Supercomputadores de Wixi

Cientistas chineses controlam o Sunway TaihuLight, mais poderoso supercomputador do mundo, no Centro de Supercomputadores de Wixi

Principal revista científica ocidental admite: supremacia dos EUA cairá em breve, também neste domínio. Consequências geopolíticas podem ser vastas

Por Antonio Martins

Para boa parte da opinião pública no mundo ocidental — inclusive a que se julga “de esquerda” –, a China é, ainda, um tigre de papel. Ela produz quase todos os eletrônicos e eletrodomésticos que usamos, mas, segundo a crença, apoia-se para tanto em mão de obra barata. Ela tornou-se, desde 2014, o país de maior PIB do planeta (quanto se considera o poder de compra real das moedas); porém, seria apenas graças a sua gigantesca população. Um estudo recente da revista Nature — possivelmente, a publicação científica mais respeitada do mundo — poder corroer mais um pilar deste pensamento preconceituoso.

A China, diz a Nature, está à beira de converter-se no principal centro de investigações científicas do mundo. A avaliação emerge da edição mais recente (2016) do Indice Nature, um sistema sofisticado e complexo de aferições, criado e mantido pela revista. Baseia-se na publicação de artigos originais naquelas que são consideradas as 68 revistas científicas mais importantes do mundo. Leva em conta, portanto, cerca de 60 mil artigos por ano. Continuar lendo

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Automação: a ambígua Revolução dos Robôs

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Novo estudo sugere: nos próximos vinte anos, máquinas inteligentes eliminarão um terço dos trabalhadores – e poderão gerar crise social inédita. Há alternativas, porém

Por Antonio Martins

No Japão, robôs alocados na linha de produção de automóveis já trabalham, sem descansar um segundo e sem supervisão, por trinta dias ininterruptos. Em todo o mundo, foram realizadas, no ano passado, 570 mil cirurgias assistidas por robôs; e no Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York, um supercomputador que dá assistência a elas é capaz de ler e processar 1 milhão de textos por segundo, para orientar diagnósticos e procedimentos. Em breve, será possível transferir para máquinas profissões penosas (como chapeiro em restaurantes industriais), subalternas (como cuidador de idosos) ou maçantes (como analista de crédito). Mas todos estes desenvolvimentos, que poderiam aliviar a vida humana, estão prestes a se converter num tormento, multiplicando desigualdade e desemprego.

Estas observações não vêm de estudos hipotéticos de intelectuais marxistas, mas de um relatório ainda inédito, produzido pelo Bank of America e relatado na edição de hoje do Guardian. Está em curso, diz o estudo, uma quarta revolução industrial – depois da máquina a vapor, da produção em massa e da eletrônica. Continuar lendo

Ônibus Hacker: o Percurso Minas Gerais

onibus hackerVídeo registra ações desencadeadas pelo laboratório de apropriação de tecnologias ao rodar o Estado — por onde encontrou o Abril Poético, organizado todos os anos por artistas mineiros

Por Redação

Conhecido por estimular novas relações entre seres humanos e máquinas — rejeitando a alienação e o consumismo e destacando a possibilidade de programar equipamentos digitais — o projeto Ônibus Hacker deslocou-se em abril por Minas Gerais. Dessa vez, o ônibus encontrou-se com outra caravana: o festival itinerante de poesia, realizado todo ano pelo coletivo LESMA. E assim, BH e pequenas cidades mineiras receberam de coração aberto oficinas de TV e rádio Livres, Scraping, Crochê, Ukulele, Como Fazer um projeto de Lei, Lambe-lambe da Transparência, Poesia Hacker, Jogos de Tabuleiro Políticos, Cinema de Massinha, Circuito eletrônico com ferro de passar, Dados Abertos e Jornalismo Hacker, entre muitas outras atividades. É o que mostra abaixo o vídeo síntese de todo o percurso, filmado e editado por Anne Galvão, que compôs o diverso grupo viajante:

Na página do Ônibus Hacker, também é possível ver um e dois álbuns de fotos inspiradoras. Pra conhecê-los melhor, procure a Casa de Cultura Digital ou hackeie do seu jeito: eles vão adorar.

RIOT, o novo espião social da internet

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Revelado sistema sigiloso para monitorar ação dos cidadãos nas redes sociais e prever seu comportamento futuro. Crescem sinais de que disputa pelo futuro da rede está se acirrando

Por Antonio Martins

O caráter político do aparato sobressai já no nome: ele chama-se RIOT — revolta, motim, ou manifestação, em inglês. Trata-se de um software com enorme capacidade de obter informações sobre pessoas; identificar seus atos e comportamentos; prever suas ações futuras. Desenvolvido pela Raytheon, a quinta maior empresa privada de serviços militares do mundo, colhe e cruza informações a partir das redes sociais — em especial Facebook, Twitter, Instagram e Fourquare. Segundo seus criadores, é capaz de analisar “trilhões de entidades” — indivíduos, grupos, comunidades, organizações — no ciberespaço. Foi apresentado em abril de 2012 ao governo norte-americano, numa conferência nacional sobre “inovações secretas e reservadas”. É um dos sinais de que a internet permanece como um espaço em permanente disputa. Ela multiplica a potência das ações libertadoras, antiautoritárias e pós-capitalistas; mas pode ser utilizada para estabelecer controle social opressivo e high-tech. Continuar lendo