Oriente Médio: uma voz sensata em Israel

Partido de tradição socialista propõe acatar de imediato reconhecimento da Palestina pela ONU, e iniciar negociações amplas de paz

Por Sérgio Storch

O partido socialista israelense Meretz, filiado à Internacional Socialista, emitiu sexta-feira (30/11) um documento que deve ser levado em conta por campanhas internacionais em favor da Palestina. O texto propõe quatro pontos para uma paz duradoura entre os dois povos: a) Aceitação imediata, por Israel, da decisão da ONU que reconheceu o Estado palestino; b) Início imediato de negociações governo a governo, sem condições prévias; c) Criação de um grupo de países influentes no Oriente Médio, interessados em apoiar e contribuir para as negociações de paz. Seria composto por Egito, Arábia Saudita, Jordânia e Turquia; d) Compromisso de Israel em reconhecer e valorizar este esforço internacional.

Embora pequeno, o Meretz é, no cenário institucional israelense, o partido mais determinado a lutar por um acordo permanente de paz justa. Conduziu, com parceiros palestinos, a Iniciativa de Genebra (2003), mesmo no contexto do governo de direita de Ariel Sharon. Tais entendimentos  tornaram-se uma trincheira de resistência contra os retrocessos promovidos pela coalizão de direita de Netanyahu, que hoje governa Israel.

O Meretz tem se empenhado nos últimos anos em desmontar o discurso de Netanyahu, de que “não há parceiros para a paz”. Concentra-se, especialmente, em desmontar (inclusive entre as comunidades da Diáspora judaica) a propaganda do governo israelense, que primeiro cria impasses para a paz e depois, alegando a existência destes obstáculos, constroi novos assentamentos judaicos nos territórios palestinos ocupados. líder do Meretz, Yossi Beilin, veio ao Brasil este ano, em companhia do líder palestino Yasser Abed Rabo. Juntos, explicaram às Comissões de Relações Exteriores do Congresso, em sessão promovida pelo deputado federal Alfredo Sirkis (PV), essa tática diversionista do governo Netanyahu.

Os antecedentes do Meretz estão vinculados aos primeiros momentos da formação da sociedade israelense. Ele é sucessor do partido socialista Mapam, que na época da criação do Estado de Israel travava lutas sindicais em que judeus e árabes estavam lado a lado, e defendia um estado binacional com os palestinos. No Brasil a presença do Mapam e do Meretz é maior no movimento juvenil Hashomer Hatzair, que continua atuante, principalmente no Rio de Janeiro.

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5 comentários para "Oriente Médio: uma voz sensata em Israel"

  1. Boa notícia. Seria importante divulgar mais o papel histórico do Mapam, pois ele distoa muito da visão estereotipada atualmente dominante do sionismo.

  2. No solo sensata, sino segun los sondeos , puede ser que tambien eficiente !!!

  3. Baby Siqueira Abrão disse:

    É sensata uma proposta que pretende levar à mesa de negociações os maiores apoiadores de Israel no Oriente Médio? Não, não é. É sensata uma proposta que apoia a solução de dois Estados numa realidade em que existe um Estado só? Não, não é. É sensata uma proposta que, ao defender dois Estados, está automaticamente impedindo a volta de milhões de refugiados a seu país de origem e às terras que os sionistas roubaram para construir Israel? Não, não é. O Meretz faz uma proposta que pode parecer avançada dentro do contexto doentio da política israelense hoje, de extrema-direita, mas que, em si, apenas repete aquilo que os não radicais de Israel propõem. Setores mais avançados dentro de Israel — infelizmente minoria até agora — propõem a volta dos refugiados e um único Estado com direitos iguais para todos. Essa sim é uma proposta sensata. O resto é perfumaria para vender a ideologia sionista sob um disfarce de modernidade.

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