Olimpi(c)Leaks aponta: esporte pode fazer mal à sociedade

 

Num site colaborativo, denúncias sobre os ataques aos direitos humanos no Rio, em nome da “preparação da cidade” para os Jogos Olímpicos

Talvez a concepção geral traga uma dose exagerada de pessimismo: no logo do site, os anéis olímpicos são substituídos por algemas… Mas é de grande importância o recém-lançado Olimpi(c)Leaks, um espaço colaborativo voltado à denúncia de violações de direitos humanos no Rio de Janeiro, em função das obras para os Jogos Olímpicos de 2016. O foco principal, até o momento, são os desalojamentos de comunidades para construir avenidas.

Informações a este respeito podem ser postadas pelos próprios internautas, bastando cadastrar-se. As primeiras notícias dão conta de que, em inúmeros casos, as remoções são feitas de modo claramente abusivo: os moradores de casas desapropriadas têm prazo exíguo para deixá-las; não se cumpre o rito de negociações estabelecido pelo Estatuto das Cidades; as indenizações pagas (quase sempre a famílias de baixa renda) são irrisórias.

Nada disso seria necessário. Assim como a Copa do Mundo, os Jogos Olímpicos poderiam ser uma excelente oportunidade. Os investimentos que os eventos atraem poderiam servir para renovar regiões degradadas das cidades, multiplicar redes de transportes coletivos, instalar equipamentos esportivos e culturais que ficariam como herança para a população. É o que propõe, por exemplo, o movimento Copa do Povo, que começa a se articular em diversas capitais brasileiras (foto) — inclusive com participação da Associação Nacional de Torcedores.

 

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