Microfascismos, gênese e saídas possíveis

Em debate do canal Transe, chaves para entender como as redes sociais revigoraram o ativismo político, mas geraram dinâmicas autoritárias e narcisistas — inclusive à esquerda sem estratégia de oposição, que rende-se à cizânia…

Apresentação de Stefanie Cirne

Na última década, a instabilidade que caracteriza o nosso momento histórico revigorou as formas da militância e do ativismo político. Sobretudo entre as gerações mais jovens, as redes sociais tornaram-se a arena pública mais familiar, na qual manifestações e saberes de diversas ordens se articulam.

Além de pautas latentes na sociedade – algumas reminiscentes de outros tempos –, uma multitude de afetos se encadeia a partir da internet, surtindo efeito sobre as organizações militantes e a subjetivação dos ativistas. Um dos efeitos mais importantes desse movimento tem sido a intensificação de dinâmicas autoritárias e narcisistas de poder – ou de microfascismos, conforme a terminologia de Deleuze e Guattari.

O fenômeno evidencia o desdobramento, no campo da esquerda, de políticas de caráter fascista em ascensão no Brasil e outras partes do mundo, fomentadas pela crise de representação política. Dessa deriva, resultam interdições significativas ao debate de estratégias de oposição – bem como um desencantamento dos ativistas para com os próprios pares, agenciado por afetos tristes como medo, culpa e ódio.

Para pensar a gênese dos microfascismos e saídas possíveis para este cenário, o TranseHub organizou em julho um encontro conduzido pelas residentes Marcelli Cipriani e Stefanie Cirne. As convidadas do debate foram Alice de Marchi de Souza, autora do livro “Modulações Militantes por Uma Vida Não Fascista” (Criação Humana Editora), e a criminóloga Mariana Nóbrega. A seguir, as três primeiras partes da conversa:

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