Luiz Eduardo Soares sintetiza absurdo das prisões de manifestantes

Uma cena comum nas ações do BOPE

Uma cena comum nas ações do BOPE

“Se Justiça, Ministério Público e Polícia Civil agissem com equidade, governador do Rio estaria preso, acusado de formação de quadrilha”

Por Luiz Eduardo Soares*

“Homens de preto, qual é sua missão? É invadir favela e deixar corpo no chão”. Essa estrofe foi cantada à luz do dia, diante de inúmeras testemunhas, nas ruas da cidade, por policiais militares uniformizados, comandados por oficial. Se a Justiça, o MP e a Polícia Civil agissem com equidade, aplicando às equipes do BOPE a mesma chave de interpretação que aplicaram às conversas telefônicas entre manifestantes, os membros do BOPE e seus superiores, inclusive o secretário de segurança e o Governador, estariam presos, acusados de formação de quadrilha armada.

Como, além de anunciar que o fariam, equipes do BOPE efetivamente mataram centenas de pessoas nas favelas, cumprindo a mórbida ameaça, a condenação por homicídio qualificado seria líquida e certa. Por que são diferentes, os pesos e as medidas?

Luiz Eduardo Soares é um antropólogocientista político e escritor. Considerado um dos maiores especialistas em segurança pública do país, foi Secretário Nacional de Segurança Pública no governo Lula, afastado por pressões políticas. É co-autor I Elite da Tropa e Elite da Tropa 2. Este comentário foi pastado em sua página do Facebook

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Um comentario para "Luiz Eduardo Soares sintetiza absurdo das prisões de manifestantes"

  1. Luiz Alberto Dias disse:

    Será que eventuais erros de políciais, juízes e promotores podem servir de apanágio para a impunidade de quem destruiu patrimônio público e privado de forma violenta, a comando de quem interessava desbaratar a participação da polpulação em manifestações legítimas?

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