Hilariante se não fosse trágico

No desmonte da Petrobras, um patético “turismo do óleo”: produção nacional é enviada para fora — e, depois, comprada por bilhões como diesel e fertilizantes. Agora, querem importar caminhões a gás – e liquidar outro setor industrial

O Brasil produz petróleo, muito petróleo.

O Brasil sabe produzir diesel há muitas décadas, tem um parque de refinarias que faz isso e que pode e deve ser expandido.

Por razões que só os especuladores conhecem, o Brasil tem preços de diesel fixados pela cotação internacional e não a partir dos custos de produção interna.

Por razões que só os atravessadores conhecem, o Brasil inventou a Óleo Tur, mandando cru para ser refinado a milhares de quilômetros de distância e trazendo de volta derivados pelas mesmas distâncias, tudo pago em dólares que o Brasil não emite e dos quais tem falta.

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Aí o diesel fica caríssimo, ao mesmo tempo em que a Petrobras fecha fábricas de fertilizantes, para obras de novas plantas e engaveta projetos na área, alegando uma inexistente falta de gás natural, pois queimamos zilhões de metros cúbicos em meio ao mar.

Importamos bilhões de dólares de um insumo decisivo para nosso setor agrícola, criando a Adubo Tur, com viagens só de vinda.

Frente ao quadro, o que quer fazer a “trading” J. Messias, Ipiranga&Co.?

Reduzir o imposto de importação de caminhões movidos… a gás!

O Brasil produz caminhões e domina a tecnologia dos motores GNV/GNL.

Os corretores de Homer Cado, em um só lance, querem manter a margem abusiva no diesel, continuar a levar petróleo e adubo para passear e liquidar mais um setor industrial, o da fabricação de caminhões.

É a clássica piada do traído que queimou o leito conspurcado, com consequências estratégicas que não merecem sequer meio sorriso.

As informações detalhadas estão em reportagem da FSP.

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