Contra o consumismo… pipocas!

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Experimento revela: mastigar nos torna imunes à publicidade no cinema. Mecanismo oral de assimilação dos nomes ou conceitos pelo cérebro explica fenômeno

Por Bruna Bernacchio

Em uma sala de cinema, metade dos espectadores comem pipoca e a outra metade, não. O segundo grupo tem resposta psicológica positiva ao anúncio publicitário que abre o filme, enquanto o primeiro não se mostrou atingido. A partir disso, pesquisadores da Universidade de Cologne notaram que o simples ato de manter a boca ocupada poderia tornar as pessoas imunes do efeito persuasivo da propaganda. O estudo acaba de ser publicado no Journal of Consumer Psicology, com breve resenha no The Guardian.

Isso porque, para que nosso cérebro imprima e memorize novas marcas, conceitos, ou nomes em geral, é necessário que pronunciemos as palavras, ainda que apenas internamente. É uma reação do subconsciente, em que nossa boca automaticamente pratica a fala para aprender. A mastigação de qualquer alimento tornaria inútil a repetição dos anúncios.

Que farão os publicitários, diante da nova revelação? Alguma estratégia para prevenir a venda de  pipocas e guloseimas, antes dos filme no cinema? Os donos das salas aceitarão? E pra nós, espectadores, o que isso significa: doces para as crianças?

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Um comentario para "Contra o consumismo… pipocas!"

  1. Sérgio César Júnior disse:

    A partir do que o texto informa sobre o combate ao consumo por meio da mastigação, nós podemos ver isto por um lado com bons olhos, mas por outro pode se tornar um problema, porque para se combater o consumo não basta uma ação paliativa frente a um informe publicitário. A única forma que temos de evitar ações compulsivas das práticas de consumo é por meio da promoção da consciência, sobre a persuasão dos comerciais e assim sensibilizar o ser humano, para que procure se perceber mais como cidadão e manter um comportamento moderado como consumidor. Devemos sim conhecer as marcas, saber sobre os fabricantes e de preferência possuir uma linha cronológica que identifique sua origem no tempo e espaço, para se obter uma noção da atuação das indústrias e seus produtos no contexto da nossa sociedade e de outras existentes no mundo. O ato de mascar talvez nos desconcentre de um momento no cinema, porém pode nos fazer inconscientemente em outro, quando não estivermos mascando, e desde então entrarmos na armadilha de consumir com mais vontade ao aceitarmos em outro momento a sugestão da propaganda. E não esquecer que o consumo de guloseimas durante a sessão de cinema é também, uma forma de promover o consumo, durante um momento de entretenimento e cultura. O cidadão educado, saudável, vivendo uma vida confortável e tranquila possui, condições propícias para refletir sobre a sua sociedade e não aceitar com facilidade qualquer proposta que lhe impõem.

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