Polícia ataca Occupy Wall Street com violência e desrespeito às liberdades

Área cercada. Manifestantes feridos e presos. Operação policial começou na madrugada, com tratores e helicópteros

(Publicado em 15/11, às 8h15)

Os direitos à livre expressão e ao protesto pacífico estão sendo violados esta manhã (15/11) pela policia de Nova York, numa enorme operação para remover o acampamento Occupy Wall Street da “Praça da Liberdade” (Zucotti Park). Ordenada pela prefeitura da cidade, a desocupação forçada começou no meio da madrugada (1h19, ou 4h19 de Brasília). Seus primeiros movimentos estão descritos neste texto do New York Times. Os novos fatos também podem ser acompanhados no próprio site do Occupy Wall Street

O ataque policial emprega centenas de homens, helicópteros e tratores. A tática adotada foi cercar o parque, para evitar que os acampados tivessem apoio da população. As estações de metrô das redondezas foram fechadas, assim como a Ponte do Brooklin. Manifestantes que tentaram se aproximar, ao saber da operação, foram barrados por barricadas policiais a um quarteirão do acampamento. A própria imprensa está impedida de entrar na área.

O desalojamento propriamente dito começou por volta das 2h (5h de Brasília). Os policiais, equipados com capacetes e escudos, leram a ordem de despejo do prefeito, segundo a qual o acampamento oferecia perigos às saúde e ao trabalho dos bombeiros. Anunciaram que seriam presos os que tentassem resistir. Em seguida, começaram a remover com violência as barracas e colchões. Uma biblioteca de 5 mil livros doados foi atirada a um contêiner de lixo.

Parte dos manifestantes refugiou-se na cozinha do acampamento. Foi atacada por gás pimenta. À altura em que este post é publicado (7h30), parece haver ainda resistência. Segundo o site do Occupy Wall Street, os manifestantes deram-se as mãos e disseram que não sairão. Os detalhes são incertos. Ydaniz Rodriguez, um membro do parlamento local (o New York City Council) foi preso e teria sido ferido na cabeça.

Occupy Wall Street, um movimento que ganhou as manchetes em todo o mundo, começou de maneira singela na noite de 17 de setembro. Um pequeno grupo de ativistas, com colchões e cobertores, passou a habitar o Zucotti Park — a praça mais próxima de Wall Street, sede da bolsa de valores de Nova York e símbolo do poder dos mercados financeiros. Em poucas semanas, o protesto havia se espalhado por diversas cidades norte-americanas. Ganhou expressão mundial em 15 de outubro, quando manifestações e novos acampamentos ocorreram em centenas de cidades no globo.

Os desdobramentos da operação policial são totalmente incertos. Em 2 de outubro, três semanas após o início do Occupy Wall Street outra grande blitz tentou liquidar o movimento prendendo centenas de manifestantes que marchavam pela Ponte do Brooklin. Foi um tiro pela culatra: a repressão policial deu publicidade internacional ao acampamento, e estimulou sua replicação em dezenas de cidades.

MAIS, SOBRE O OCCUPY:

> Aqui, uma palestra recente de Noam Chomsky ao Occupy Boston

> Aqui, uma seleção de textos publicados em Outras Palavras sobre o tema

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