Por que a corrupção em Belo Monte não ganha o mesmo destaque que a da Petrobras?

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Porque não se trata somente de combate à corrupção; interesses econômicos na demonização da estatal são os mesmos que naturalizam modelo predador de usinas

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Quando veremos uma capa de revista sobre a corrupção na usina de Belo Monte?

Embora o projeto originado na ditadura militar seja uma das maiores obras de infraestrutura já feitas no país, as notícias sobre corrupção na hidrelétrica não chegam aos rodapés das notícias sobre corrupção na Petrobras. Por quê? Continuar lendo

Não só no Rio Doce, não só em Belo Monte: a incrível história dos peixes dizimados

Notícia sobre morte de toneladas de peixes no Rio Xingu convida país a refletir sobre  uso de seus recursos hídricos; matança e contaminação não são excepcionais

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Em Altamira e Vitória do Xingu (PA), 16 toneladas de peixes morreram durante a formação do reservatório da Usina de Belo Monte. A multa para a Norte Energia – consórcio formado por Eletrobras, Chesf, Eletronorte, Petros, Funcef, Cemig, Vale – foi de R$ 8 milhões. A notícia foi divulgada no sábado: “Belo Monte é multada em R$ 8 milhões por morte de peixes“. Os pescadores estão entre os mais afetados pelo megaprojeto desenvolvimentista no Rio Xingu.

Alguém notou o nome Vale entre os acionistas da Norte Energia? (Vivemos em um país onde os meios de comunicação não citam os nomes de acionistas.) Pois a maior catástrofe socioambiental do país no Século 21 também leva a assinatura indireta da Vale, dona de 50% da Samarco. Assim como em Belo Monte, o problema na bacia do Rio Doce não se restringe aos peixes. Mas estes também foram vítimas em grande escala do rompimento da barragem em Mariana (MG). Quantas toneladas? No fim de novembro, onze. (Quem atualizará esse cálculo?) Continuar lendo

A lama da Samarco na Bahia também representa a “crise”

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Foto: Instituto Últimos Refúgios

Palavra “crise” também está em disputa; que modelo queremos para o planeta, para além da conjuntura econômica? Por que não se fala das crises inerentes ao sistema?

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

A palavra “crise” costuma ser enunciada de forma direcionada no Brasil. Como se apenas retrações econômicas devessem motivar a utilização do termo. As crises mais amplas do capitalismo – inerentes ao modo de produção – não costumam ser mencionadas. Como se coubesse somente a determinados governos prevenir ou não a “crise”. Os aspectos sociais são tomados de modo periférico – um indicador de desemprego aqui, outro ali. Os aspectos ambientais, nunca.

É como se não vivêssemos uma gigantesca crise ambiental, a exaurir os recursos naturais. A lama da Samarco/Vale/BHP (de mineradoras multinacionais, portanto) chega ao litoral baiano – como governo, empresas e certos pesquisadores garantiram que não chegaria – e tomamos como se fosse um acidente natural. Não como um resultado da… crise… do sistema. De um modelo que, para garantir o lucro de alguns (os primeiros a reclamar de crises econômicas sazonais), coloca em risco o próprio planeta. Continuar lendo