Para o país que os ricos estão desenhando não haverá muros suficientes

O muro que separa os ricos do Morumbi dos pobres da favela de Paraisópolis, em São Paulo. O país que o governo Temer está desenhando. Foto: Tuca Vieira

Eduardo Fagnani é um professor dos bons. Ilumina o que está à frente, a partir da experiência passada; ensina que é preciso escolher um lado, e escolheu o dele -o dos pobres lascados; é rigoroso com o estudo, a necessidade de profundidade; sabe que conhecer é um caminho de humanidade e poesia.Tornou-se o maior especialista na malfadada reforma da Previdência Social pretendida pelo governo golpista.

Concordo com ele: as elites brasileiras são predadoras, tacanhas, não têm compromisso com o país. O tripé composto pela emenda constitucional de restrição dos gastos públicos, pela terceirização e demais medidas da reforma trabalhista e pela reforma da Previdência é o sonho (pesadelo) de páis dos ricos escravocratas, que nunca renunciaram à volta da senzala para os pobres.

Fagnani garante:  “O cenário é catastrófico” se não houver reação vigorosa dos pobres. Haverá miséria e muito sofrimento neste país os ricos que vivem de costas para o Brasil e com os olhos postos em Miami. Leia a entrevista/conversa que tivemos, publicada originalmente no site Previdência, Mitos e Verdades.

________

O professor Eduardo Fagnani é hoje um dos mais profundos conhecedores dos temas vinculados à Previdência Social –foi ele o coordenador do estudo mais abrangente sobre a “reforma” do governo Temer, Previdência: reformar para excluir?. Ele diz que a combinação da emenda constitucional que limita os gastos públicos, a terceirização irrestrita das relações de trabalho de demais medidas na reforma trabalhista e a “reforma” da Previdência tem uma consequência dramática: “eles estão matando o futuro do país”.

“O cenário é catastrófico, um desastre sem precedentes” –afirmou. Fagnani diz que a melhor imagem para o projeto do governo de Temer e associados é a “cidade linda” do prefeito de São Paulo, João Dória: “O que eles estão fazendo é ampliar para o país o ’cidade linda’ do Dória; linda para menos de 20%, um inferno para mais de 80%. São Paulo vai virar uma cidade de muros para impedir que os pobres reajam. É o que acontecerá com o Brasil, o país do muro a separar os ricos dos pobres. Mas eles precisarão de muito muro, muito mesmo”.

Ele explicou que hoje quase a metade (49%) dos trabalhadores e trabalhadoras já estão na informalidade –a soma dos que trabalham no setor privado e domésticas sem carteira assinada, o trabalhador por conta própria e os “ empreendedores individuais”, onde se concentram os trabalhadores PJ (Pessoa Jurídica). “Não é exagero supor que em pouco tempo esse percentual de trabalhadores informais chegará a 70% do total”, projetou Fagnani.

“A Previdência vai quebrar”, afirmou categoricamente. Com a brutal redução de recursos no INSS por conta da terceirização combinada à informalização selvagem será “uma implosão”: “O estoque de contribuintes sofrerá uma redução drástica, com o processo de demissões em massa dos trabalhadores com carteira assinada e sua recontratação como terceirizados; os trabalhadores rurais não irão mais aportar com a obrigação de contribuição mensal; os jovens entrantes no mercado de trabalho não serão mais contribuintes da Previdência, pois ingressarão já no contexto da terceirização; e como a percepção da crise do sistema logo se espalhará, haverá uma debandada dos contribuintes de renda mais alta para os planos de previdência privada”. Qual o prazo para desastre final? “A Previdência vai quebrar em 10 a 15 anos, se tudo continuar na batida atual”.

Continue lendo

Pastoral Carcerária: “se colocassem cães e gatos nos presídios, tratados como as pessoas o são, teríamos milhões nas ruas”

Padre Valdir em visita a um presídio – foto de arquivo pessoal

O padre Valdir Silveira, coordenador da Pastoral Carcerária no Brasil, é uma das pessoas que mais conhecem o sistema prisional do país. São anos de escuta aos presos, presas, seus familiares, funcionários e autoridades. Ele não tem dúvida: “O sistema prisional brasileiro está estruturado para torturar e matar –para mais nada.” E completa: “se colocassem cães e gatos nos presídios brasileiros, tratados como as pessoas são tratadas atualmente, teríamos milhões nas ruas e mobilização mundial contra o Brasil.” Ele concedeu entrevista ao blog Caminho pra Casa na tarde desta segunda (10) pouco antes de embarcar para a região Norte.

Desde 2012 a autoridades carcerárias e os governos estaduais e federal são informados pela Pastoral sobre o barril de pólvora que são as prisões, em todo o país, com relatórios específicos sobre a região Norte, sem qualquer ação. “Há massacres em todo o país, e eles acontecem em grandes números, como vimos agora, ou em conta-gotas.“ Para ele, a declaração do ex-secretário nacional da Juventude (“Tinha que fazer uma chacina por semana”) foi a mais “autêntica” e “sincera”: “É o que o governo deseja, de fato. Ele caiu, mas foi o porta-voz do governo”.

Padre Valdir contesta a estatística oficial que posiciona o Brasil com a 4ª maior população carcerária; diz que ela está defasada e que o país já passou a Rússia. Dos quatro países com maior população aprisionada –EUA e China, além do Brasil e Rússia- apenas em um o número de presos cresce, exatamente o Brasil; nos demais, há diminuição ano a ano.

São mais de 6.500 agentes da Pastoral em todo o Brasil, atuando diuturnamente nos presídios e delegacias e testemunhando situações desde a violência física até a ausência de sabonete, papel higiênico –e absorvente íntimo para as mulheres. O que faz a Pastoral? “Nossa missão é em primeiro lugar evangelizar: uma ação na qual o anúncio de Cristo só existe se estamos implicados na vida digna das pessoas encarceradas. (…) Não podemos esquecer que nosso Mestre foi também um preso, e um preso torturado.“ Para ele, o Papa Francisco “é um profeta” também no tema carcerário.

Caminho pra Casa –  Como a Pastoral Carcerária avalia os massacres do início de 2017, com 64 mortos em Manaus (AM), entre 1 e 8 de janeiro e mais 33 mortes em Boa Vista (RR) , no dia 6?

Padre Valdir Silveira – Os massacres não foram uma surpresa. Desde 2012 a Pastoral Carcerária faz relatórios, encaminhados às autoridades, sobre a situação limite dos presídios no país, com destaque para os do Norte, tanto no Amazonas [aqui] como em Roraima [aqui]. O governo sabia do que podia acontecer. Há rebeliões em todo o país. Vimos o massacre de Pedrinhas (PI), que aconteceu em três ondas sucessivas, entre 2010 e 2013, com 97 mortes no total.

Há massacres em todo o país, e eles acontecem em grandes números, como vimos agora, ou em conta-gotas.  Mesmo nestes casos, do massacre continuado em aparente pequena escala, que sequer é notícia, os números quando consolidados são terríveis. E olhe que os levantamentos são todos precários, sempre subestimados. Aos presos pobres não é dado o direito nem mesmo de figurar em estatísticas.

Veja estes números, são chocantes: só no primeiro semestre de 2014, o Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça (Depen) informou 565 mortes no sistema prisional, sendo mais ou menos metade delas classificada como intencionais, violentas –portanto, algo como 280. Isso apenas no primeiro semestre de 2014! E quer saber mais? Sem que os estados de São Paulo e Rio apresentassem seus dados! O governo de São Paulo, que tem um terço da população carcerária nacional, ignorou o levantamento federal! Em 2016 o governo Alckmin informou mais de 400 mortos no sistema penitenciário no Estado –e garantiu que apenas 17 teriam sido mortes violentas. Dá pra acreditar?

O sistema prisional brasileiro está estruturado para torturar e matar –para mais nada.

Continue lendo

Policia Militar invade igreja no Rio e usa-a como base para atacar manifestantes

pm-invade-igreja-2

Policiais atiram contra manifestantes de janela da Igreja São José, no centro do Rio

A Polícia Militar (PM) do Rio de Janeiro invadiu a Igreja São José, no centro da capital, e usou-a como “bunker” para atirar e lançar bombas contra manifestantes que protestavam em frente à Assembleia Legislativa devido à crise financeira sem precedentes do Estado, que está levando ao corte de salários de servidores  públicos em meio a um escândalo de corrupção que ja leou o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) à prisão.

A cena, durante a manhã e parte da tarde de terça-feira (6) nunca havia sido vista no Brasil, nem no tempo da ditadura militar, quando agentes policiais chegaram a invadir templos para prender opositores do regime, mas sem que haja notícia de terem usado uma Igreja como plataforma para repressão em massa.

Veja o vídeo dos PMs atirando contra a multidão das janelas da Igreja:

O episódio acontece em meio a uma onda crescente de violência das forças de segurança contra pessoas que saem às ruas pra protestar contra o governo que subiu ao poder em 31 de agosto depois de um golpe de Estado parlamentar contra a presidenta eleita Dilma Roussef, iniciado em 17 de abril com uma votação na Câmara dos Deputados. O governo de Michel Temer, o presidente empossado pelo golpe, tem editado medidas econômicas que cortam drasticamente os programas sociais do governo federal, reformam a educação no país sem qualquer escuta a estudantes e professores, e finalmente, no mesmo dia da invasão da igreja, praticamente acabam com a Previdência Social no país (pelo projeto do governo, as pessoas só poderão se aposentar com 65 anos de idade e, daqui a alguns anos, apenas com 67, e só terão direito à aposentadoria integral depois de 49 anos de contribuição). O atual presidente e praticamente todos os membros de seu ministério são acusados de corrupção e seis deles já foram obrigados a pedir demissão por isto.

A cena da utilização da Igreja de São José pelas tropas causou enorme impacto e protestos generalizados. A Irmandade do Glorioso Patriarca São José, que administra o templo, de 1807, distribuiu nota na tarde de ontem relatando que “uma tropa da PM invadiu a Igreja pela porta dos fundos, de acesso dos empregados e, subindo às sacadas, no 2º andar, de lá de cima jogavam bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral e gás pimenta”. Segundo a nota, os manifestantes, “se revoltaram” com a cena e começaram a lançar pedras contra os PMs encastelados nas sacadas. Os dirigentes da entidade procuraram as autoridades para protestar contra a invasão e prestar queixa formal.

No final da nota, a Irmandade solicitou que a Arquidiocese do Rio orientasse o “caminho a seguir” para que “nossa imagem, católica e pacifista, não fique atrelada a desmandos da Policia local”. Não foi o que aconteceu. Depois de pressão de lideranças católicas leigas, a Arquidiocese distribuiu uma nota no fim da tarde sem qualquer menção à invasão da Igreja pela PM, fazendo referência apenas a “uma ação relacionada aos protestos desta manhã”  e dizendo que iria “apurar os fatos”. A nota gerou protestos de dezenas de pessoas na página da Arquidiocese no Facebook. O cardeal arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, limitou-se a declarar que o episódio fora “lamentável” em breve entrevista a um jornal carioca no começo da noite, mas sem qualquer condenação à ação da PM.

Na manhã de quarta (7), houve um café da manhã  entre o comandante-geral da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, coronel Wolney Dias, e dom Orani. Apesar de pedir desculpas pela invasão, o coronel a justificou-a, alegando que as tropas estariam supostamente “sob risco”. O cardeal esquivou-se de protestar contra a invasão e explicou que o chefe da PM manifestou “dor em relação ao que aconteceu” e considerando-se satisfeito com a promessa de que haverá “um protocolo para que isso não aconteça mais”.

Dom Orani e o comandante da PM (de farda) na Arquidiocese. Depois da invasão da Igreja, café da manhã. Foto da Arquidiocese

Dom Orani esteve recentemente no noticiário brasileiro quando liderou uma comitiva de bispos em visita a Michel Temer no Palácio da Alvorada -residência oficial dos presidentes no Brasil. A visita ocorreu exatamente no dia em que se votava na Câmara dos Deputados a emenda constitucional que congela por 20 anos todos os gastos públicos, especialmente os da saúde e educação -o único gasto não congelado foi o .pagamento dos juros dos títulos da dívida pública aos bancos e rentistas. A visita, sob alegação de que iria tratar de assuntos relativos à Rede Vida (uma emissora de TV católica), acabou servindo como símbolo do apoio dos segmentos mais conservadores da Igreja ao governo oriundo do golpe. [leia aqui]

O cardeal arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, ao lado de MIchel Temer em outubro. Foto: Beto Barata/PR

Logo depois, durante o segundo turno das eleições para a Prefeitura da capital do Rio de Janeiro, a Arquidiocese informalmente liberou os padres rigoristas a fazerem campanha aberta pelo candidato da Igreja Universal, neopentecostal (que venceu o pleito), enquanto buscou cercear a manifestação de leigos e católicos em apoio ao candidato socialista.

[por Mauro Lopes]

 

Quer entender 2016? Talvez valha a pena olhar para 1970 e 1972

Foi uma derrota; não uma hecatombe.

A manutenção dos sistemas de dominação depende de renovações sistemáticas do “definitivo”. É da sua própria lógica: para as classes dominantes, é sempre um risco permitir que a história seja lida e interpretada pelos pobres.

Um dos momentos mais emblemáticos dessa tentativa reiterada dos ricos e seus agentes de construção de consensos foi a tese do “fim da história”. Em artigo publicado em 1989 com o título de “O fim da história”, Francis Fukuyama causou furor nas mídias conservadoras ao redor do planeta ao afirmar que o capitalismo e a democracia burguesa constituiriam o coroamento da história da humanidade e que nada haveria depois disso.

Era o momento culminante do neoliberalismo. Reagan estava encerrando seus mandatos (1981-89) e preparando-se para passar o bastão para o “falcão” George Bush; Margareth Tatcher reinava na Inglaterra (1979-90). Enriquecer, liquidar com os sindicatos, promover o capital financeiro… Tudo isso parece novidade criada pela atual onda dos conservadores, mas era o grito da moda de então.

A previsão de Fukuyama  deu certo –para ele. Enriqueceu, mora numa mansão milionária em Palo Alto na Califórnia, mas ninguém dá dois tostões pela tese dele. A história não acabou, como mostraram a crise cambial europeia de 1992/93, a quebra do México (1994), a crise asiática, seguida da crise russa (1997-98), o estouro da bolha da Internet (2000), a crise argentina (2001) e, finalmente, a grande crise no centro do império, em 2008. Como sabemos, há outra vindo, ali na esquina.

Mas as elites insistiam à época que a “prosperidade” neoliberal não teria fim –na verdade, era um colossal processo de concentração de riqueza e alastramento da pobreza e da miséria ao redor do planeta.

Continue lendo

Dez passos para entender didaticamente como os bancos nos empurraram abismo abaixo

 

O Casamento Desigual (1525-1530), atribuída a um seguidor do artista flamengo Quentin Metsys,

Em apenas dez passos você poderá entender claramente como os grandes bancos globais, os verdadeiros detentores do poder no capitalismo, empurraram o planeta e 99% de sua população abismo abaixo. Eu achava que era coisa para economista com muitos anos de estudo, para experts. Mas, não -ainda bem! A leitura combinada de um entrevista e um artigo veiculados no Outras Palavras esclarece tudo.

1. Comece pela entrevista do economista norte-americano Michael Hudson clicando aqui -não se apavore, é curta. Ele é especialista em sistema financeiro e consultor de governos como os da Grécia, Islândia e China. Ao lê-la, você entenderá o processo de submissão da economia mundial ao sistema financeiro explicado de maneira simples, direta. O dilema brasileiro atinge todo o capitalismo neste momento: “Quando se diz ‘pagar os bancos’, o que eles realmente querem dizer é pagar os detentores de títulos bancários. São basicamente o 1% mais rico. O que estamos vendo realmente neste relatório [do FMI, nota minha], neste crescimento de dívida, é que o 1% da população detêm aproximadamente 3/4 de todos os créditos. Significa que há uma escolha: ou você salva a economia, ou você salva o 1% de perder um único centavo”.

2. Lendo a entrevista você compreenderá (se eu compreendi todos podem!): é ilusão pensarmos que a PEC 241, que liquida com gastos públicos no país, e a reforma da Previdência são “invenções” dos golpistas brasileiros; descobrimos com Hudson que as duas políticas (redução brutal dos gastos públicos e reforma de sistemas previdenciários) são globais, ditadas pelo processo de financeirização do capitalismo.

3. O que deixa claro: o golpe não foi um evento nacional, “bananeiro”, mas parte de um processo global conduzido pelo sistema financeiro e os rentistas de todo o mundo. Há desmonte de políticas públicas e reformas dos sistemas previdenciários acontecendo em todo o planeta para, como no Brasil, destinar os recursos públicos para os bancos e o pagamento dos juros das dívidas públicas a eles e aos rentistas.

Continue lendo

A ocupação na zona sul de SP – um teste para sua humanidade

No Valo Velho, extremo sul de São Paulo, uma pergunta-chave. Foto Mídia Ninja

Mais de 3 mil pessoas ocuparam na madrugada de sábado (9 de abril de 2016) um terreno de 1 milhão de metros quadrados no Valo Velho, extremo sul de São Paulo, e que há 30 anos encontra-se abandonado sem função social. Prevê-se que em poucos dias este número deverá dobrar.

A posição de cada pessoa na cidade de São Paulo em relação a esta ocupação define a maneira como cada qual enxerga a humanidade e sua própria humanidade. É um verdadeiro teste para sua humanidade.

Como é isso?

Continue lendo

Dilma foi eleita de novo. E agora?

Dilma e a generosa oferta dos pobres. Foto: Lula Marques

Você está vendo a foto de uma oferta de posse. Em 30 de março de 2016, os movimentos sociais foram a Brasilia dizer a Dilma: governe com os que a elegeram

O que o país viveu nos últimos dias foi uma campanha presidencial. E Dilma foi eleita de novo. Não por seus méritos. Não por seu governo. Não pela trajetória recente do PT. Não.

Dilma foi eleita de novo porque aqueles que a haviam elegido pela segunda vez em 2014 e muitos dos que sequer haviam votado nela entenderam que está em marcha um golpe de Estado jurídico-parlamentar (apoiado pelas PMs de todo o país).

Continue lendo

Dois Brasis

O país das elites que resolveram ir às ruas: um país branco, rico, que odeia, que vive no Brasil mas sonha com os Estados Unidos.

O país dos pobres que também resolveram ir às ruas: misturado, lascado, que sofre mas tem esperança, que vive no Brasil e sonha com o Brasil.

Continue lendo