O batismo de Jesus e o caráter do cristianismo

O batismo de Jesus – Cláudio Pastro

Cristãos e cristãs católicos de todo o mundo celebram hoje o domingo do Batismo do Senhor. É um dos momentos culminantes na vida dos católicos. Neste domingo encerra-se o Tempo do Natal –começa a ficar para trás a contemplação da espera/nascimento de Jesus e da sua vinda no fim dos tempos. Começa o Tempo Comum, onde contemplaremos a missão de Jesus.  Faremos isso por cinco semanas, até o início da Quaresma, sempre na dinâmica do tempo litúrgico, da vida litúrgica que encharca (ou deveria encharcar) o cotidiano dos membros da Igreja –milhões e milhões de pessoas mundo adentro. Segundo afirmou o Papa Francisco na manhã deste domingo àqueles que são batizados, como Cristo o foi têm “a responsabilidade de seguir Jesus” –se quiser, leia aqui reportagem sobre o discurso do papa.

A Liturgia da Palavra proclamada nas missas de hoje indica exatamente o caráter da missão de Jesus. Portanto, os cristãos –e, creio, as pessoas de bem em geral- precisam (precisamos) conhecer e apreender qual é o caráter, o conteúdo, a centralidade desta missão. São três as leituras das missas de hoje. A cena do batismo de Jesus, tirada do Evangelho de Lucas, um dos cantos do Servo Sofredor, do livro do profeta Isaías, e um trecho crucial dos Atos dos Apóstolos (ao final, reproduzo as três leituras). Concentro-me nos três pontos que são cruciais para entender a missão de Jesus:

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O capitalismo, sistema de morte (2) – a indústria da moda

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Trabalho escravo na cadeia da moda em pleno centro de São Paulo

Escrevo duas breves meditações sobre o capitalismo a partir do ensinamento da Igreja e do Papa Francisco, que no II Encontro dos Movimentos Populares, em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), em julho de 2015, qualificou o sistema de “ditadura sutil”. Para o Papa, o capitalismo “é insuportável: não o suportam os camponeses, não o suportam os trabalhadores, não o suportam as comunidades, não o suportam os povos…” Antes, em abril, um dos líderes da reforma da Igreja , o cardeal de Tegucigalpa, Óscar Andrés Rodriguez Maradiaga, ex-presidente da Cáritas mundial e coordenador do grupo encarregado da reforma da Cúria romana havia afirmado que o capitalismo é “um sistema econômico que mata”. Não são ensaios nem artigos, apenas breves meditações que buscam colocar-se a serviço da Igreja, que busca retomar o caminho original dos ensinamentos de Jesus -a anterior foi sobre os bancos.

Este artigo foi republicado  no site de comunicação independente Outras Palavras em 11.01.2016 -se quiser, leia aqui; e na agência de notícias do Instituto Humanitas Unisinos em 12.01.2016 – está aqui.

2. A indústria da moda

Tempos atrás, quando o dólar ainda estava ao preço “me engana que eu gosto” e a classe média se esbaldava na Flórida e pelo mundo afora, minha mulher e eu fomos a NY. Conhecemos algo novo. Roupa a preço de banana. Numa tal Forever 21 compramos um vestido a US$ 7 dólares (R$ algo como $ 15 à época); numa outra H&M, preços inacreditáveis também. Numa japonesa, Uniqlo, igual. Ressoava em nossos ouvidos a cantilena da direita: é mais barato porque o mercado é imenso e porque eles não têm a quantidade de impostos daqui do Brasil! Mas eis que a Forever 21 abriu quase 30 lojas no Brasil e… praticam os mesmos preços!

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O capitalismo, sistema de morte (1) – os bancos

Emil Nolde, Máscaras (1911)

Escrevo duas breves meditações sobre o capitalismo a partir do ensinamento da Igreja e do Papa Francisco, que no II Encontro dos Movimentos Populares, em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), em julho de 2015, qualificou o sistema de “ditadura sutil”. Para o Papa, o capitalismo “é insuportável: não o suportam os camponeses, não o suportam os trabalhadores, não o suportam as comunidades, não o suportam os povos…” Antes, em abril, um dos líderes da reforma da Igreja , o cardeal de Tegucigalpa, Óscar Andrés Rodriguez Maradiaga, ex-presidente da Cáritas mundial e coordenador do grupo encarregado da reforma da Cúria romana havia afirmado que o capitalismo é “um sistema econômico que mata”. Não são ensaios nem artigos, apenas breves meditações que buscam colocar-se a serviço da Igreja, que busca retomar o caminho original dos ensinamentos de Jesus. Publicado no Outras Palavras em 31.12.2015 – se quiser veja aqui. Republicado pela Agência de Notícias do Instituto Humanitas Unisinos em 06.01.2016 -se quiser, leia aqui.

1. Os bancos

Minha nova atividade profissional fez-me frequentar um ambiente no qual não pisava há quase 20 anos: as filas de agências bancárias. O que tenho testemunhado é um verdadeiro massacre.  Toda vez que uma pessoa chega para fazer um pagamento ou retirar dinheiro ou qualquer outra operação nos caixas dos grandes bancos e seu cartão é inserido nas maquininhas, abre-se uma tela para o funcionário do banco com as informações necessárias para espoliar a pessoa.

Os velhos e velhas aposentados são as vítimas preferenciais. Os bancos tentam arrancar seu dinheiro sem dó nem piedade, aproveitando-se do fato de estes aposentados terem uma renda mensal garantida. Nos caixas, jovens bem falantes, articulados e obrigados à “venda”, sob o risco de não “atingirem as metas” e, no limite, serem demitidos por isso. É um sistema infernal. Outro dia minha mulher testemunhou um velhinho quase aceitando um crédito de 40 mil reais diante da insistência do caixa: “O senhor não está precisando trocar de carro? Tem aqui 40 mil, podemos fazer já. O senhor usa e paga um pouquinho por mês”. Ela quase se meteu para impedir o assalto, mas a ultima hora o senhor recusou. Outro dia vi uma cena semelhante, com uma senhora que visivelmente não estava entendo a oferta criminosa da caixa do banco. Ao ver que eu estava ao lado olhando, a funcionária do banco recuou e desconversou. Imagine quantas milhares de vezes ao dia a cena se repete. E quantas vezes o assalto é bem sucedido.

Agora, os bancos inventaram um jeito de poderem praticar o crime de maneira mais discreta, reduzindo o risco da indignação pública nas filas. Meteram umas divisórias de vidro que impede aqueles que estão na fila vejam ou escutem o que acontece na boca dos caixas. A desculpa chega a ser ridícula. Dizem os gerentes de duas agências em que perguntei a razão da medida que é “para segurança dos clientes” –teoricamente para evitar assaltos à saída das agências. Conversa fiada. É para facilitar o assalto que acontece dentro das agências, para garantir privacidade à ação criminosa dos caixas. Não, em sua imensa maioria eles não são criminosos, são igualmente vítimas da engrenagem. Em minha família há duas pessoas que são funcionários de grandes bancos e estão gravemente adoentadas emocionalmente por isso.

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Até onde vai o Papa?

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O Papa e filhos e filhas de presos e presas das cidades de Bari e Trani que foram ao Vaticano sábado 30.05.2015.

O editor de Outras Palavras, Antonio Martins, amigo de anos a fio, hora mais perto, hora mais longe, propôs-me um artigo com o título acima. O mote do artigo seria a encíclica lançada há três semanas pelo Papa Francisco, sobre o planeta. Acabou que decidi esperar a realização do II Encontro Mundial dos Movimentos Populares, organizado pela Igreja em Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, durante a viagem de Francisco à América Latina (Equador, Bolívia e Paraguai). Um convite inusitado, pois vazado por um cristão católico radical num site em que, pré-Francisco, talvez fosse inimaginável tal espaço. O artigo foi originalmente publicado em 21.07.2015 -se quiser ver, clique aqui.

Até onde vai o Papa?

Talvez o melhor seja mirar menos o ponto de chegada e mais o percurso. Uma questão central na visão cristã da história de cada pessoa e do planeta é que a cada dia se chega –e nunca se chegará. Inspirados por Cristo, seus seguidores querem chegar ao Reino de Deus, uma reconstrução da originalidade perdida no desastre do Éden, quando Adão tornou-se símbolo do ensimesmamento que tem pautado a história da humanidade e dos sistemas de dominação que se sucederam um após o outro.

Assim como Jesus, os cristãos olham –ou deveriam olhar- para tudo a partir de uma lógica reinocêntrica. O que contribui para a chegada do Reino (tempo e lugar de Paz e amor, isento de sofrimento, de fome e de misérias) é parte deste percurso. Tudo o que afasta o Reino é traição a este caminho. Pedro Casaldáliga, um dos maiores líderes da Igreja, perseguido implacavelmente durante anos pela hierarquia romana e hoje doente de Parkinson em São Félix do Araguaia, é um dos que tornou esta visão essencial do cristianismo em prosa e poesia (assista um filme imperdível sobre a trajetória de Casaldáliga, “Descalço sobre a terra vermelha”, clicando aqui).

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