Parque Augusta: mais um ato na luta pelas cidades

Mobilização de longa data: festa popular no Parque Augusta, em dezembro de 2013

Mobilização de longa data: festa popular no Parque Augusta, em dezembro de 2013

Movimentos sociais convocam população de São Paulo para manifestar-se, em 18/4, em defesa das reminiscências de Mata Atlântica no centro da metrópole
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MANIFESTAÇÃO EM 18 DE ABRIL:
Concentração: 12h no Parque Augusta, esquina rua Augusta com rua Caio Prado.

Saída: 13h rumo ao Palácio da Justiça,Viaduto Dona Paulina, 80

No dia 18 de abril de 2017, no Palácio da Justiça, ocorrerá a 4° audiência pública de conciliação sobre o Parque Augusta, em São Paulo. É uma nova tentativa entre os diferentes atores dessa disputa (movimentos, população, prefeitura e empresas) de chegar a um consenso sobre o destino da última área verde do centro metropolitano de São Paulo.

Essa audiência é parte da Ação Civil Pública aberta pelo Ministério Público (MP) de São Paulo onde é exigida a devolução da área verde para a cidade de São Paulo e a cobrança de R$ 500 milhões em multas das empresas Setin e Cyrela, pelo fechamento ilegal do parque para a população.

O desejo popular é que a juíza que analisa hoje a ação, Maria Gabriella Pavlópoulos Spaolonzi, condene as empresas Setin e Cyrela a devolverem o Parque Augusta e a pagarem a indenização milionária para a cidade.

Essa indenização, caso aplicada, será destinada à desapropriação das outras áreas verdes de São Paulo ameaçadas pelo mercado imobiliário. Em um momento muito oportuno, em que a Secretária do Verde e do Meio Ambiente – hoje sob o comando de Gilberto Natalini do Partido Verde – afirma não ter dinheiro disponível para cuidar dos parques existentes e muito menos, adquirir novos.

Há 40 anos, o Parque Augusta  é protegido pela população contra o assédio das construtoras e prefeitos. Nos últimos anos, tornou-se um símbolo contra a especulação imobiliária em São Paulo e contra a aliança promíscua entre Prefeitura e construtoras na exploração da coisa pública e nas práticas ilícitas de mercantilização da cidade, através da aprovação e construção de empreendimentos ilegais.

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Em Filhos do rio-mar, caminho para enxergar a Amazônia

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Letícia Freire expõe, em S.Paulo, imagens de comunidade ameaçada. Exposição — que retrata, além dos clichês, ribeirinhos e sua relação com rio,  propõe visita guiada e rodas de conversa

Por Gabriela Leite

Em uma mistura de arte, crônica e jornalismo, a exposição de fotos Filhos do rio-mar, da fotógrafa Letícia Freire, mostra uma comunidade à beira do rio Tapajós, na Amazônia. A área está ameaçada por um grande complexo hidrelétrico, que arrisca devastar a mata, o rio e os seres que ali vivem. Nas imagens de Letícia, acompanhamos uma fração do cotidiano de pessoas que cultivam uma rica relação com seu ambiente.

A mostra carrega fragmentos da Amazônia diretamente para um pedaço de Mata Atlântica no meio do asfalto: o Instituto Butantan, em São Paulo. Com visitas guiadas e rodas de conversa, será possível conhecer outro lado do Brasil para além do clichê. Letícia, a fotógrafa e colaboradora editorial de Outras Palavras, chegou ao Tapajós junto com a pesquisadora Ana Teresa Reis da Silva, da UnB. Tinha a ideia de retratar os ribeirinhos, a importância do rio e de seus afluentes. Algumas das fotos da exposição foram publicadas em nossas páginas . Continuar lendo

Casas sem químicos tóxicos também serão possíveis?

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Como substituí, com enorme vantagem, o sabão de pó, o detergente, o desinfetante e dezenas de produtos “de limpeza” por receitas naturais limpas, fáceis e baratas

Por Claudia Visoni

Sabe aquelas gôndolas do supermercado onde ficam centenas de produtos de limpeza? Não frequento mais. Quer dizer, entro naquele corredor de vez em quando só para pegar álcool líquido e fujo logo porque o cheiro me faz mal e as embalagens descartáveis prometendo maravilhas dão vontade de chorar.

Reduzir o consumo de plástico é uma das razões pelas quais eu recuso os produtos de limpeza industrializados. Então vou fazendo meus produtos e reutilizando mil vezes as mesmas garrafas pet. A outra é a sopa química de ingredientes que polui nossas águas e cujos efeitos na nossa saúde são pouco conhecidos. Não conseguiria voltar para os limpadores “normais” nem que quisesse. Desacostumei (ou será desintoxiquei?) e tenho dor de cabeça instantânea na presença deles. Até mesmo quando a vizinha lava o quintal fecho as janelas para tentar me proteger do cheiro do sabão em pó.

Então, como eu me viro?

Lavar roupas: Sabão de coco em pó + bicarbonato de sódio. Lavo em bacia e assim toda a água dá para reutilizar na rega das plantas. Agora estou experimentando adicionar um copo de enzima do lixo ao sabão. Que história é essa de enzima do lixo? Explico abaixo, com fotos. Detalhes sobre meu método ecológico de lavagem de roupas aqui.

Lavar a louça: Sabão de coco em barra e bucha vegetal. Com enzima do lixo também dá para lavar, já tentei e ainda estou me habituando. Neide Rigo fala sobre isso no blog dela.

Faxina Geral: Vassoura de palha, aspirador de pó, pano úmido com desinfetante caseiro de citronela (receita abaixo) ou pano úmido com enzima do lixo bem diluída (uma colher por litro). Manchas e sujeira mais grossa: sabão de coco e/ou enzima do lixo sem diluir.

Limpar o banheiro:  Água da cisterna e sabão de coco em pó. Mais nada.

> Agora, onde comprar:

Sabão de coco – Uso a marca Milão e compro na loja online de um colega permacultor. O pedido mínimo é de R$ 300 então vale a pena juntar a família, os vizinhos e fazer compra coletiva.

Bicarbonato – O supermercado vende só saquinhos com 30 gramas (não dá para nada). Como o bicarbonato é também meu xampu e eventualmente desodorante (no momento, estou usando um desodorante artesanal que a permacultora Clarice Pimentel faz, mas o bicarbonato também funciona muito bem), compro por quilo em lojas online como essa. Os cosméticos são tema para outro post, que vou fazer em breve.

> Como fazer?

Desinfetante:
1. Pegue um montão de folhas de citronela (eu tenho no quintal e é facílimo plantar e cuidar), pique e coloque dentro de um litro de álcool. Quanto mais, melhor. Você pode tirar um pouco do álcool para caber no recipiente.
2. Espere alguns dias para o álcool ficar verde-citronelado.
3. Coloque dois copos desse álcool numa garrafa PET de 2 litros, acrescente umas 4 colheres de bicarbonato, preencha com álcool. Pronto!
Além da limpeza da casa, serve para lavar as mãos e o corpo em caso de emergência, vide Manual de Sobrevivência para a Crise da Água, páginas 17 e 20.

Enzima do lixo:
Descobri a existência disso por meio do Luiz Felipe Pacheco, num curso de permacultura. É um fermentado de 3 partes de cascas de cítricos, 1 parte de açúcar mascavo e 10 partes de água. Demora três meses para ficar pronto e tem mil utilidades.

O produto final é um líquido amarelo, cheiroso, poderoso e imperecível que serve para limpeza, fertilizante líquido (1 colher por litro) e até para tratar esgoto e desentupir canos. Foi inventado na Malásia pela doutora Rosukon Poompanvong. Tem muita informação sobre isso na internet. Se você entende inglês, pesquise “garbage enzyme”.

Mais informações sobre a enzima do lixo, aqui e aqui.
Para saber mais sobre permacultura, aqui.

Passo a passo da enzima do lixo
1 – Congele as cascas de limão e laranja. Quando tiver uma boa quantidade, coloque numa garrafa pet lembrando que são 3 partes desse ingrediente.
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2 – Agora acrecente uma parte de açúcar mascavo.
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3 – Coloque 10 partes de água e lembre de deixar um espaço vazio na garrafa para conter os gases da fermentação. Escreva a data. Abra e mexa todos os dias por um mês.
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4- Depois de 3 meses ou mais a aparência é assim. Não se assuste, coe!
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5- Eu uso uma peneira e essa primeira filtragem vai para o balde.
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6 – As cascas deixo secar bem no sol para depois fazer fogueira em casa (é bem cheiroso) e usar as cinzas como adubo.
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7- Aí passo na peneira mais fina e coloco no galão.
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8 – Do galão vai para a garrafa. Espero decantar uns dias e está pronto para usar!
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Parque Augusta: é possível desapropriar a custo zero

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Em SP, movimento pelo Direito à Cidade está a um passo. Para que área da Mata Atlântica torne-se pública, falta decisão final da prefeitura. Ela virá?

Pelo Organismo Parque Augusta

A polêmica em torno do Parque Augusta promete ser reacendida nas próximas semanas com a desapropriação do local pela Prefeitura de São Paulo. Há dois anos (no dia 23 de dezembro de 2013) o prefeito Fernando Haddad decretou a lei de criação do parque, porém sem indicar como isso seria viabilizado. Logo depois anunciaria que o parque não era prioridade pra cidade e na sequencia o parque foi lacrado ilegalmente pelas atuais proprietárias do terreno, as construtoras Setin e Cyrela, situação nunca ocorrida em 45 anos e que permanece até hoje.

Nesse período houve intensificação das mobilizações de ativistas e da sociedade – que incluíram festivais, ocupações, debates na Câmara Municipal, reuniões com Secretarias e Executivo, diversos relatórios técnicos ambientais, urbanísticos e jurídicos  –   finalmente estamos chegando a um final. Hoje a disputa gira em torno da questão: “quanto custa o Parque Augusta?”.

Nos últimos meses a estratégia do Organismo Parque Augusta (OPA) foi focada na atuação de pressão do poder público. Logo após a ocupação do Verão 2015 do Parque Augusta, o laboratório biopolítico conhecido como “vigília criativa”, o movimento enfatizou na pressão interna na Prefeitura com o objetivo de informar a real situação do terreno: suas restrições de ocupação, as tentativas ilegais de aprovação de projetos e sua correta valoração para a desapropriação – que para o OPA é de custo zero. Continuar lendo

Para desbanalizar a mudança climática

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Feita por jovens, com metodologia inovadora apoiada em encontros presenciais, “Viração”, quer produzir número extra sobre aquecimento global. Veja como apoiá-la, em financiamento colaborativo

A Revista Viração, projeto social da ONG Viração Educomunicação, lançou no último dia 10 de julho, a campanha de financiamento colaborativo Eu tô no clima da Viração. Quer viabilizar a produção de uma edição especial sobre um tema que é tratado com banalidade pela velha mídia, mas tem enorme relevância. O número extraordinário debaterá as mudanças climáticas e os encontros internacionais que podem enfrentá-las — desde que haja vontade política e disposição para enfrentar interesses poderosos.

Com uma tiragem de 5 mil exemplares, a nova revista terá distribuição gratuita para escolas públicas e grupos juvenis de todo o Brasil. Será produzida também de maneira coletiva: surgirá a partir de discussões de estudantes de escolas públicas e grupos de jovens.  A ideia é contribuir para a discussão acerca do novo acordo mundial sobre o clima que será discutido por 193 países na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Paris, em dezembro deste ano. Continuar lendo

Sobre a velocidade dos automóveis e a potência da bicicleta

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Andar sobre pedais permite outra forma de se relacionar e integrar com o mundo — oposta à do motorista que, escondido atrás do parabrisa, aliena-se da realidade.

Por Maurício Ayer

Neste texto, da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), há uma explicação inteligente e informada do porque de se baixar as velocidades máximas das Marginais. Não vou falar do conjunto da ideia aqui, mas comentar um aspecto que me interessa em particular.

Vi hoje dois vídeos (1 e 2) mostrando ciclistas andando a 50km/h na Marginal, e os motoristas, que filmavam com seus celulares, sendo um deles em uma moto, apontavam este absurdo em plena revolta.

Nem vou comentar o fato de um cidadão dirigir uma moto ou um carro na Marginal filmando com o celular. Ainda mais que o faz no exato instante em que acusa um outro de descumprir alguma regra, quando não é o caso. A bicicleta é um meio de transporte reconhecido como tal e pode usar todas as vias da cidade. Continuar lendo

Debate: O impasse brasileiro e uma possível saída

País estará condenado a oscilar entre “ajustes fiscais” regressivos e “desenvolvimento” capitalista desigual e devastador? Haverá alternativas? Observatório da Sociedade Civil e Outras Palavras convidam a debater, em 29/7


Quando: Quarta-feira, 29/7, a partir das 19h30
Onde: Ateliê do Gervásio: Rua Conselheiro Ramalho, 945 (veja mapa), Bixiga, S.Paulo — Metrô São Joaquim ou Brigadeiro
Informações completas aqui

O Brasil vive hoje um impasse político, econômico e social. Pressionado pelo prolongamento da crise internacional, o governo Dilma Rousseff adotou um “ajuste fiscal” regressivo, ao mesmo tempo em que mantém um modelo de desenvolvimento calcado em obras faraônicas e apoio ao agronegócio predatório, colocando em risco o meio ambiente e atacando os direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais. Por outro lado, a oposição de direita, cuja visão econômica é uma ameaça ainda mais perigosa para os direitos sociais, utiliza as investigações de corrupção em curso para tentar inviabilizar o governo, com amplo apoio da grande mídia.

Há alternativas – ainda que ocultas pela imprensa – a esse falso dilema. Em todo o país, organizações e movimentos sociais desenvolvem projetos que demonstram: existem outros caminhos para um desenvolvimento socialmente justo, que respeite as tradições dos povos originários e promova uma relação responsável com a natureza. São ações que estão em linha com a Carta de Santa Cruz, documento final do Encontro Mundial de Movimentos Populares, que defende a superação de um “modelo social, político, econômico e cultural onde mercado e o dinheiro se converteram nos reguladores das relações humanas em todos os níveis”. A preocupação também aparece na encíclica Laudato Si, em que o Papa Francisco adota uma postura importante em defesa da justiça social e da preservação do meio ambiente. Continuar lendo

No Xingu, o desafiador povo do céu

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Reportagem fotográfica mostra como, no norte de Mato Grosso devastado por soja e gado, os índios Wauja preservam suas aldeias, cheias de beleza e arte

Texto e fotos de Hélio Carlos Mello, integrante de Jornalistas Livres

De encanto meus olhos já se enxugavam há tantos dias entre rios, mas eis que o Xingu se revela novamente e surpreende meus sentidos

Estou no Estado de Mato Grosso, entre os municípios de Paranatinga e Gaúcha do Norte, região essa que viu suas florestas caírem na engorda do gado e a soja florescer em poucas décadas. Sobraram intactas apenas a área do Parque Indígena do Xingu e outras terras indígenas no Mato Grosso.

 

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SP sem água, 29 e 30/10 – Nas mãos do Cacique Cobra Coral

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Sistema Alto Tietê, em Mogi das Cruzes

De como a política do governo Alckmin está esvaziando, um a um, os reservatórios da metrópole — sem que surja a decisão óbvia de racionar. E os sinais de que os homens do palácio, em desespero, convocaram estranho personagem…

Por Camila Pavanelli de Lorenzi

30/10

– Ontem, enquanto todo mundo ria (de desespero) com a notícia “governo de SP consulta Cacique Cobra Coral” (http://glo.bo/1nRRgv1), esta outra, muito mais importante, passou despercebida: o Sistema Alto Tietê, segundo maior manancial de SP, está secando (http://bit.ly/1tQ0YA6). É o que venho repetindo aqui há um tempo: depois de drenar o Sistema Cantareira até a última gota, a Sabesp (com a anuência do DAEE) está fazendo o mesmo com o Sistema Produtor Alto Tietê (SPAT).

– Para entender isso melhor, li a ação que o MPE/SP propôs contra a Sabesp e o DAEE, pedindo a redução da captação do SPAT (http://bit.ly/1wKDGcz).

– Antes de passar à ação, porém, quero responder ao argumento do advogado do diabo. O advogado do diabo diz assim: “Com que então um bando de promotores se acha no direito de gerir os recursos hídricos de SP? A gestão desses recursos é uma questão técnica e a Sabesp e o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) sabem (ou pelo menos deveriam saber) o que estão fazendo”.

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A poesia contra a motosserra

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Conquistas e impasses de engenheiro florestal que se especializou em combater deflorestamento identificando corporações que tiram proveito dele — e denunciando-as em ações poderosas de anti-marketing 

Por Eduardo Tollendal

O semanário Courrier International (No. 1229, de 22 a 27 de maio de 2014, França) traz uma matéria (extraída do diário The Sydney Morning Herald, da Austrália, de 29 de março último, assinada por Michael Bachelard) em que o engenheiro florestal Scott Poynton nos é apresentado como o homem que pode salvar o planeta com seus poemas. Se o prognóstico se confirma, considerando-se que para salvar a humanidade seria bom salvar primeiro o planeta que nos constitui e sustenta, Scott Poynton pode se candidatar a ser alguém mais importante – ou mais efetivo – que Jesus Cristo e outros candidatos a Salvador.

Sua estratégia é direta: agir sobre as grandes empresas devastadoras das nossas floresta e sobre seus consumidores. A primeira abordagem é mais delicada e exige uma condição privilegiada para se ter acesso aos senhores executivos e suas consciências – ambos, quase sempre, inacessíveis, pelo menos, para os comuns mortais. Mas Scott Poynton tem esta condição privilegiada – e, por isso, não descarta a importância de agências como o Greenpeace, que considera promoverem ações eficazes, indispensáveis e complementares ao seu trabalho. Continuar lendo