A independência da Catalunha, segundo o Podemos

Beto Vazquez, assessor político de Pablo Iglesias, defende a autonomia – mas não a divisão da Espanha. Ele provoca: conservadores – espanhóis e catalães – refugiam-se no nacionalismo, para esconder ataque aos direitos sociais

Entrevista a Outras Palavras, 4V e Opera Mundi

TEXTO-FIM

Xploit 02 — Força Bruta

Segundo episódio da websérie “Xploit – Internet sob Ataque” mostra como as forças de repressão utilizam as redes sociais para repressão e monitoramento

Por André Takahashi

Neste episódio, a perseguição aos ativistas a partir das plataformas digitais, Os “23 do Rio”, o caso Balta Nunes e os ataques nos espaços periféricos. A mini-série Xploit, que é uma realização da TVDrone / Actantes em associação com a Heinrich-Böll-Stiftung e apoio da Rede TVT, pretende abordar uma guerra silenciosa que acontece longe dos PCs, laptops e dispositivos móveis mas cujo o resultado interfere diretamente em nossas vidas online e offline.

Dirigida por Fabrício Lima, com produção executiva de André Takahashi, a websérie conta com a ajuda de um seleto grupo de entrevistados. Entre eles, estão o co-criador do sistema GNU Richard Stallman, o jornalista James Bamford, a advogada Flávia Lefèvre, a jornalista Bia Barbosa, a cientista social Esther Solano e o sociólogo e cyberativista Sérgio Amadeu da Silveira — a série introduz o espectador nas disputas políticas políticas e econômicas que resultarão consequencias diretas em nossos diretos essenciais dentro e fora do mundo digital.

Assista aqui a série completa aqui

Xploit 01 – Democracia Hackeada

Websérie da TV Drone e da Actantes explica, de forma didática, as disputas na Internet brasileira. Outras Palavras publicará um episódio por semana

Por André Takahashi

No primeiro episódio, mostra-se o cenário de avanço vigilantista no Congresso Nacional e nas interpretações do Judiciário brasileira. Os entrevistados apontam como iniciativas importantes como o Marco Civil da Internet vêm sendo descontextualizados para justificar medidas de controle da internet brasileira.

A mini-série Xploit, que é uma realização da TVDrone / Actantes, em associação com a Fundação Heinrich-Böll-Stiftung e com apoio da Rede TVT, pretende abordar uma guerra silenciosa que acontece longe dos PCs, laptops e dispositivos móveis mas cujo resultado interfere diretamente em nossas vidas online e offline.

Contando com a ajuda de um seleto grupo de entrevistados como o co-criador do sistema GNU Richard Stallman, o jornalista James Bamford, a advogada Flávia Lefèvre, a jornalista Bia Barbosa, a cientista social Esther Solano e o sociólogo e cyberativista Sérgio Amadeu da Silveira a série introduz o espectador nas disputas políticas políticas e econômicas que trarão consequencias diretas em nossos diretos essenciais dentro e fora do mundo digital.

Em São Paulo, uma luta emblemática pelo SUS

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Avenida Doutor Arnaldo, em São Paulo, paralisada pelos manifestantes, em protesto.

Política privatista do governo Dória ameaça um Centro de Saúde histórico, reconhecido por sua excelência. Usuários e trabalhadores unem-se para defendê-lo

Por Eveline S. Araujo*

Se você paga, não deveria / Porque saúde não é mercadoria”. Com esse slogan ocorreu, nesta segunda-feira (30/10), a primeira de uma série de manifestações públicas previstas pelos usuários e trabalhadores do Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza (CSEGPS-USP). Há 92 anos o centro, que tem história singular, presta atenção básica na Saúde em São Paulo. É tido como unidade de excelência. Mas encontra-se sob risco, porque a prefeitura, sob a gestão João Dória, reluta em manter os recursos que garantem sua existência.

A manifestação desta segunda utilizou como estratégia vários bloqueios temporários no trânsito de duas vias importantes da zona oeste da metrópole – Doutor Arnaldo e Teodoro Sampaio. Buscou dois objetivos: alertar a população sobre os riscos de desmonte do SUS e pressionar a prefeitura a manter um convênio essencial ao funcionamento do Centro de Saúde

Criado em 1925 ele está ligado à história do sanitarismo no Brasil. Foi o primeiro Centro de Saúde em São Paulo (chamado, por isso, de “Modelo”) e, para alguns, no país. Está instalado, desde 1931, num alegre casarão, que foi habitado – e mais tarde doado ao serviço público – por Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. Ligou-se, em 1945, à Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, onde permanece.

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A internet não é como você pensava

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“Xploit”, produção brasileira de baixo orçamento, pode surpreender no Festival de Webséries do Rio ao expor, de modo didático porém incisivo, as ameaças de vigilância e controle que pairam sobre a grande rede

Por André Takahashi

A websérie documentário Xploit Internet sob Ataque trata das questões invisíveis que regem os caminhos da internet. Das leis em tramitação no Congresso Nacional, dos seus direitos enquanto usuário, de como a coleta indiscriminada dos seus dados pessoais afeta a sua vida.
Indicada para concorrer aos prêmios de “Melhor Roteiro de Não Ficção” e “Melhor Série de Documentário” do III Festival Internacional de Webséries do Rio (Rio WebFest 2017) com concorrentes do Brasil e do mundo, Xploit coloca a Internet em uma outra – e preocupante – perspectiva.
Xploit conta a história da origem da rede mundial de computadores e a sua transformação de um repositório de conhecimento e inovação a um espaço de consumo e perseguição política, alvo de ataques constantes por parte de governos e corporações de telecomunicações.

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Crise em Brasília — Cobertura ao vivo

15.02

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Skaf de olho em Temer: se a agenda de retrocessos naufragar, empresariado pode abandonar governo

CONTEXTO: SE CONFIRMADO, ADIAMENTO DA VOTAÇÃO SERÁ DESASTROSO PARA O PLANALTO

Duas pressões, de sentido oposto, parecem estar por trás das dificuldades do governo Temer para enterrar, na Câmara de Deputados, a segunda denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente. Por um lado, o Planalto fez uma série impressionante de concessões às bancadas conservadoras, buscando comprar seus votos. Tentou impedir a fiscalização do trabalho escravo (para contentar os ruralistas). Ofereceu vantagens ainda maiores aos devedores da Receita. Liberou aceleradamente emendas parlamentares que pesam no Orçamento.

Por outro lado, aproximam-se as eleições. Em consequência, um número cada vez maior de parlamentares teme associar-se ao governo mais impopular da História. Temem sofrer uma derrota fragorosa em 2018 — e, no limite, perder a cadeira no Congresso. É exatamente por isso que o governo, para surpresa de muitos, não conseguiu, até o momento (15h58) reunir o número de votos necessário para livrar Temer das denúncias da PGR.

Caso a situação persista, as perspectivas são sombrias. Tudo indica que amanhã não haverá quorum na Câmara — muito menos na semana que vem, véspera do feriado. A votação só poderia ser retomada a partir de 6 de novembro, já próximo ao recesso parlamentar de dezembro. Estaria comprometida parte da agenda de concessões ao poder econômico que o governo pensava implementar. Com isso, estaria em risco também o próprio apoio dado até agora ao governo pelos grandes empresários — e pelas bancadas ligadas a eles no Congresso

14.47

FALTAM NOTÍCIAS PRECISAS SOBRE A SAÚDE DE TEMER

Segundo informou o próprio Palácio do Planalto, o presidente foi internado no Hospital do Exército às 13h, após sofrer “desconforto” e ser diagnosticada, pelos médicos da Presidência, “crise urinária”. Mais de duas horas depois (às 15h40), não há nenhuma notícia precisa sobre o estado de saúde de Temer. Há cerca de meia hora (pouco depois das 15h), o porta-voz do Palácio do Planalto, Alexandre Parola, cancelou comunicação à empresa, em que falaria sobre o tema.

14.31

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ESQUEMA PARA SALVAR TEMER PARECE FRAGILIZADO

Nos sites que acompanham ao vivo o plenário da Câmara, emerge uma constatação. Mesmo tendo feito inúmeras concessões às bancadas conservadoras, nos últimos dias, o Palácio do Planalto não conseguiu assegurar os votos necessários para enterrar, na Câmara, a denúncia da Procuradoria Geral da República, por associação criminosa.

No fim da manhã, antes de se anunciar a internação de Temer, as próprias bancadas governistas haviam pedido adiamento da votação, por falta de quorum. Segundo a Globo News, a oposição sente-se fortalecida e está unida para não registrar presença na sessão — o que pode provocar seu adiamento e um novo desgaste da Presidência

14.21

PRIMEIRA NOTA OFICIAL: TEMER TERIA SIDO INTERNADO POR CRISE UROLÓGICA

Saiu há pouco (15h10) o primeiro boletim do Palácio do Planalto sobre a situação de Michel Temer. É imprecisa. Diz que Temer sofreu desconforto pela manhã e, atendido pelo serviço médico do Planalto, constatou-se crise urológica. Teria sido então enviado para o Hospital do Exército, onde estaria fazendo exames. Não há nenhuma notícia sobre seu diagnóstico ou seu retorno

14.18

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URGENTE: TEMER INTERNADO NO CENTRO CIRÚRGICO DO HOSPITAL DO EXÉRCITO

Há cerca de dez minutos (às 14h35), o plantão da Rede Globo informou que Michel Temer passou mal pela manhã e foi levado ao centro cirúrgico do Hospital do Exército, em Brasília. Não há, por enquanto, confirmação oficial. O contexto é tenso para o Palácio do Planalto. No final da manhã, a base governista na Câmara dos Deputados pediu adiamento da sessão que poderia autorizar o processo contra o presidente. Embora majoritários no plenário, os governistas não foram capazes de reunir o quorum necessário para enterrar a denúncia da Procuradoria Geral da República

 

 

Pode a Arte encontrar-se com o Comum?

"Noiva", da fotógrafa colombiana Évelin Velazquez. Ela integra o coletivo Casa Tres Patios, de Bogotá -- um dos "nós" do Colaboratório das Artes

“Noiva”, da fotógrafa colombiana Évelin Velazquez. Ela integra o coletivo Casa Tres Patios, de Bogotá — um dos “nós” do Colaboratório das Artes

Ou: o dia em que conheci o notável Colaboratório das Artes, uma rede de organizações artísticas que busca trocar o egocentrismo pela produção coletiva e o debate permanente

Por Georgia Nicolau


MAIS:
Texto em três partes: leia as duas primeiras abaixo

A dura — e indispensável — construção dos Comuns
Claramente anticapitalista, ideia de proteger das lógicas de mercado cada vez mais aspectos da vida precisa tornar-se popular. Como fazê-lo?

Comuns: a Holanda constrói com cuidado
No centro do país, uma cooperativa assume ações de assistência antes executadas pelo Estado e enfrenta o desafio de manter o caráter público dos serviços, introduzindo a participação direta dos usuários.

O encontro com a rede Colaboratório das Artes (Arts Collaboratory-AC) foi a grande surpresa de minha participação pelo Instituto Procomum na 16ª Conferência Bienal da Associação Internacional para os Estudos do Comum (International Association for the Study of the Commons- IASC)  entre os dias 10 e 14 de julho deste ano na Holanda. Já tinha ouvido falar da rede e sabia que envolvia centros culturais e artísticos de vários países, mas ignorava que eles se utilizavam do conceito de comum como valor central. Como se espera de um coletivo de artistas, quando cheguei à oficina liderada pela rede notei que haviam mudado o formato e a estética da sala.

A IASC é uma conferência bastante tradicional nos formatos, resquícios de sua origem acadêmica. Os labs de praticantes, como eram chamados os espaços onde os comuneiros apresentavam suas experiências a partir da prática (e não da academia), eram mais dinâmicos, mas ainda assim seguiam o formato expositivo. No encontro da AC, no universo da arte, tudo era bem diferente.

Na oficina da AC havia painéis e papéis grudados na parede. Entre eles, os princípios éticos da rede (que eram também escritos em meias que eles depois doaram aos participantes), que eles chamam de trabalho em desenvolvimento (work in progress).  Entre eles destaco as que mais me chamaram atenção: imaginação radical, autocuidado, micropolítica, decrescimento, abertura, auto-organização, solidariedade, hospitalidade, estudo. Veja todos aqui. Continuar lendo

O jovem infrator, por ele mesmo

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Há 30 anos, filme de Lucila Meirelles desafiava os preconceitos da narrativa oficial e dava voz aos internos da antiga Febem. Obra volta a ser exibida (e debatida) neste sábado
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Exibição de Pivete – 30 anos
Sábado, 21 de outubro, às 19 horas – Grátis
Coletivo Digital
Rua Cônego Eugênio Leite, 1117, Pinheiros, São Paulo
Confirme presença aqui
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O Coletivo Digital, que mantém uma programação cultural mensal com filmes, música, exposições e mostras de artes tratando de temas ligados aos Direitos Humanos, exibe neste sábado, 21, às 19h, o curta metragem Pivete, de Lucila Meirelles. A diretora participará de uma roda de conversa ao final do filme.

Há 30 anos, Lucila conseguiu autorização para entrar em uma unidade da Febem do Tatuapé para filmar os menores. Destas filmagens, em que os jovens falam livremente para a câmera e o microfone, surgiu o curta Pivete, de 7 minutos, filmado em VHS.

A ideia principal era romper com o olhar institucional sobre o menor infrator nos documentários, e partir para uma linguagem mais poética e informal, valorizando gestos, olhares, atitudes. A visão do menor por ele mesmo.

Passadas três décadas, o curta, que foi premiado no Festival VideoBrasil e na Jornada de Cine/Video Maranhão, e participou de mostras na França, EUA e Alemanha volta a ser assistido e debatido com a própria diretora. A grande pergunta é: o que mudou na condição do menor, no Brasil, de 1987 para cá?

O Coletivo

Fundado em 2005, o Coletivo Digital luta pela internet livre em campanhas com outros grupos (Campanha banda Larga é um Direito Seu! e Coalizão Direitos na Rede) e vem atuando em projetos voltados à Inclusão Digital, utilizando-se dos softwares livres como meio principal. Em 2009 transformou-se em OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público).

Mostra da Cooperifa desafia perseguição à arte

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Sueli Carneiro, Sarau das Pretas, Paulo Lins, Wagner Moura e Xico Sá são alguns [email protected] [email protected] para o evento, que acontece a partir deste sábado na Zona Sul de São Paulo

Comemorando os 16 anos de existência da Cooperifa – o sarau de poesia que deu início ao deslocamento da melhor cultura paulistana para a periferia da cidade –, começa dia 21 de outubro a 10ª Mostra Cultural da Cooperifa. Até o dia 29, a mostra leva à Zona Sul de São Paulo artistas consagrados na periferia da metrópole juntos a nomes estrelados da cultura brasileira. É o caso da teórica do feminismo negro Sueli Carneiro, ao lado do Sarau das Pretas, coletivo que celebra a vida com poesia, teatro, contação de histórias e brincadeiras com crianças.

“Vivemos um período de censura à arte e cultura. Nós da Cooperifa resistimos e vamos levar o que há de melhor na periferia e fora da periferia para a Mostra”, afirma o poeta Sérgio Vaz, fundador do coletivo, lembrando os episódios recentes em que exposições em museus ou centro culturais foram atacadas por setores conservadores da sociedade brasileira.

Se no ano passado teve show gratuito do Criolo, desta vez a mostra tem Wagner Moura, Xico Sá e Dexter na mesma programação que apresentará a cantora Fernanda Coimbra, o poeta Akins Kintê e o rapper Cocão.

“É importante trazer gente de fora, mostrar que a periferia se tornou um importante palco da cultura brasileira. Mas a maior parte da programação é, e tem que ser, de nomes que a periferia já conhece e que produzem muito do que é consumido pela periferia”, afirma Vaz.

Confira aqui a programação completa.

MST denuncia desmonte da Reforma Agrária e Agroecologia

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Ministério do Planejamento ocupado. Políticas de Temer podem devastar famílias camponesas e dizimar produção orgânica, em país já castigado pelos agrotóxicos

Cerca de 1000 trabalhadores e trabalhadoras rurais Sem Terra (MST) de Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal ocupam o andar térreo do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, em Brasília. Em São Paulo e outras cidades o MST ocupa as sedes regionais do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

A mobilização é parte da Jornada Nacional das Lutas de Outubro e denuncia o desmonte da política de Reforma Agrária e o corte brutal de diversas políticas públicas para a agricultura familiar no projeto de lei orçamentário de 2018.

Aprovada, a proposta do governo Temer trará impactos irreparáveis para o campo e a cidade, alerta Silvia Reis Marques, da direção do MST no Rio Grande do Sul. “As famílias camponesas serão devastadas e será o fim do processo produtivo de alimentos saudáveis e de cuidado com a terra. Isto vai se refletir no conjunto da sociedade brasileira, porque quem produz 70% da comida são os pequenos agricultores e assentados.” Continuar lendo