O poder econômico flerta com o fascismo

Jair Bolsonaro e Paulo Guedes — que já assessorou Augusto Pinochet…

Como uma parcela crescente do mercado financeiro está voltando as costas para Alckmin e bandeando para o candidato que defende a tortura e a ditaduras

Por Antonio Martins | Vídeo: Gabriela Leite

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Acabou a brincadeira: a campanha eleitoral começou para valer. Ontem à noite, o Jornal Nacional divulgou uma nova pesquisa do Ibope, de intenções de voto, mas os mercados financeiros sentiram o golpe hora antes. O dólar subiu mais 1,07% e atingiu R$ 3,96 – o valor mais alto em dois anos. Os investidores reagem aos sinais de que Lula mantém enorme popularidade e de que Geraldo Alckmin estacionou num patamar muito baixo – próximo aos 5%. Temem, em especial, uma outra pesquisa, da Confederação Nacional dos Transportes e do instituto MDA, segundo a qual Fernando Haddad já chega a 15%, quando se aponta aos eleitores que é o candidato de Lula.

Os sinais de que o programa de contrarreformas do golpe, muito favoráveis ao poder econômico, é antipopular e pode ser derrotado estão provocando um forte movimento entre os banqueiros e empresários. É algo que pode alterar profundamente o cenário eleitoral. Uma parte dos mais ricos começou a bandear claramente para o lado do ex-capitão Jair Bolsonaro, e a abandonar seu candidato natural, Geraldo Alckmin, do PSDB. A este movimento corresponde uma mudança de planos do deputado, que se aproxima das elites e adota posições cada vez mais distantes do nacionalismo, que ele fingia expressar.

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Parque do Bixiga, possível respiro na metrópole

Audiência pública sobre a criação do Parque na Câmara Municipal de SP

Ao invés de três torres e mil carros nas ruas estreitas do centro de SP, uma área para o cultivo da convivência, de árvores e pássaros. É possível participar desta luta, a partir de 5 de agosto

Por Cafira Zoé

Desta terra,
nesta terra,
para esta terra.
E já é tempo

(Oswald de Andrade)

Há 38 anos um território de 11 mil m² no bairro do Bixiga resiste ao avanço da especulação imobiliária no centro de São Paulo. Último chão de terra livre na região central, as terras entre as ruas Jaceguai, Abolição, Santo Amaro e Japurá, onde habita o Teat(r)o Oficina, são o marco de uma luta pelo direito à cidade, e, sobretudo, pelo direito a imaginar, descobrir e criar a cidade que queremos.

Circula na Câmara Municipal de São Paulo o projeto de lei (805/2017) que prevê a criação do Parque Municipal Do Bixiga, agitando os átomos da imaginação num exercício de constituição do comum sob o signo da diferença: Parque Municipal Das Terras do Bixiga, de toda gente, do rio do Bixiga que atravessa o terreno subterrâneo; do pomar tomado de pé de jaca, romã, pitanga, abacate, manga; das maritacas; dos beija-flores; de toda a sorte de flores, sementes e hortas pra matar a fome – tanto do estômago quanto dos pulmões que tem fome de ar no centro intoxicado de cimento, carros e prédios construídos já há muito tempo sem o charme e a sensibilidade arquitetônica de outras épocas.

Atravessado pelo Rio Do Bixiga que corre subterrâneo, e junto ao Rio Saracura e o Rio Itororó desembocam no Anhangabaú, o chão do futuro Parque Municipal do Bixiga pede por liberdade. Propriedade do grupo Silvio Santos, com seu braço imobiliário – Sisan, que desde a década de 80 vem comprando imóveis na região para demolir (incluindo a antiga Sinagoga e casas históricas), o território de 11 mil m², e o Bixiga, tradicional bairro de SP, tem sofrido com práticas conhecidas da especulação imobiliária: destruir para criar desertos de abandono e depois, no ato final da farsa capitalista, trazer a salvação: construções faraônicas, que não levam em consideração a história e a cultura de regiões como o Bixiga no centro da cidade, um bairro tombado pelo Confresp – órgão municipal de defesa do patrimônio. O mais recente projeto do grupo Sisan prevê a construção de 3 torres de 100m de altura, com uma injeção de pelo menos 1000 carros na frota das estreitas ruas do Bixiga, adensando e saturando também as saídas pro minhocão na altura da rua Jaceguai.

São Paulo realmente precisa de mais prédios, construídos a toque de caixa? De mais carros vomitando CO² nas nossas ruas a qualquer preço? O Bixiga guarda 1/3 dos imóveis tombados de toda cidade. O traçado das ruas aqui é tombado. Colocar uma frota de cerca de 1000 novos carros nas ruas estreitas do Bixiga, entupindo as saídas para o elevado, aumentando a poluição do ar num bairro com o menor índice de áreas verdes por habitante da cidade parece uma péssima ideia de progresso. Um empreendimento imobiliário como esse do grupo Silvio Santos é um retrocesso ecológico, social, econômico e cultural para o Bixiga, e para São Paulo. Se há o Tabu da propriedade privada, é preciso devorá-lo. No Art 5º da Constituição Federal se diz:
XXII – é garantido o direito de propriedade;
XXIII – a propriedade atenderá a sua função social;
XXIV – a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição.

Assim, além do direito de propriedade não ser um direito onipotente e isolado, tendo em vista os incisos anteriores citados, o terreno de 11 mil m² é área envoltória de bens tombados pelos órgãos de preservação do patrimônio, (Iphan, Condephaat, Conpresp), configura-se como uma área especial no centro da cidade, com direito a ser protegida e preservada. A especulação imobiliária cria desertos. São áreas mortas nas cidades, seja pela demolição desenfreada de bens, muitas vezes históricos, artísticos, culturais, que nos conectam a nossa memória viva, seja pela criação de uma arquitetura estéril, sem conexão estética, cultural, histórica, com as áreas escolhidas para construção. Ceder à tara dessa forma de especulação da vida nas cidades é uma maneira de nos entregar às políticas de morte dos tecidos urbanos, da terra, e de nossos próprios corpos.

O Parque Municipal do Bixiga é um desejo em movimento que se alia a outros territórios em disputa na cidade de São Paulo pelo direito à cidade, em luta pela terra, pela vida, por uma saída aos modos de existência impostos pela especulação imobiliária, pela sanha privatista, que vem massacrando a vida, os corpos e a ecologia nos grandes centros urbanos. O Parque Do Bixiga é uma cri(a)ção para uma ecologia cosmopolítica no centro de São Paulo, onde importa que possam existir das ruas aos rios, das construções aos corpos, sem o perigo do extermínio. É uma luta de todas e todos pela vida, pela terra, pela liberdade, numa cidade cinza como a nossa.

Nos conectamos aos mais de 40 territórios que compõem a Rede Novos Parques em luta por áreas verdes na capital; nos conectamos à luta dos povos indígenas pela terra; nos conectamos aos movimentos de agricultura urbana e agroecologia, e também à preservação de rios urbanos; nos conectamos à luta pela preservação dos nossos patrimônios históricos, artísticos e culturais; nos conectamos ao Bixiga, para que nosso bairro não sofra com mais essa violência urbana (a primeira, de grande porte, foi a construção do elevado Júlio de Mesquita Filho, que deixou a cicatriz de uma divisão estúpida no bairro).

Esse território especial, entre as ruas Jaceguai, Santo Amaro, Japurá e Abolição abriga um Teatro vivo, aliado dessas terras há 38 anos, cultivando-as no seu fazer artístico, protegendo-as do falso progresso da especulação imobiliária neoliberal: Oficina, obra de Lina Bo Bardi e Edson Elito, patrimônio artístico, arquitetônico e cultural, considerado o mais intenso e bonito teatro do mundo pelo jornal britânico The Guardian. Atrás do Teat(r)o Oficina, em direção às ruas Santo Amaro e Japurá, existe um pomar, nele, pés de pitanga, abacate, manga, romã, cerejas selvagens, jaca, resistem há anos.

Essa é uma luta pelo direito ao respiro, pelo direito ao vazio que mantém livre da egotrip dos prédio essas terras. Um vazio não é um deserto, um vazio é um embrião de mundo, grávido de possibilidades… árvores, rio, frutos, hortas urbanas, um centro de distribuição de sementes crioulas, uma cozinha pública coletiva aberta, autogestão, cultivo das artes, dos corpos, da saúde, numa terra livre.

Você prefere um parque ou mais uma torre ao seu lado? Visite: http://bit.ly/CartilhaPqdoBIXIGA

Segurar o avanço da especulação imobiliária no Bixiga, um bairro tombado, é fundamental, abre precedente de uma luta vitoriosa, dando força e fôlego para que ela não chegue destruindo outros territórios em São Paulo. A luta por áreas verdes, de cultivo da vida, da terra, das artes, é uma luta pela vida de toda cidade.

No dia 5 de agosto, um grande ato pela transformação dessas terras em Parque Municipal acontecerá na Avenida Paulista, em frente ao MASP, a partir das 13h. Venham viver essa luta!

Uma voz singrando as águas


Filme de Letícia Simões (na foto), no Festival Mulheres no Cinema, hipnotiza ao narrar as memórias de um escritor da Ilha de Marajó e seu amor particular

Por Inês Castilho

O Chalé é uma ilha batida de vento e chuva, da carioca Letícia Simões – um dos seis filmes da mostra competitiva nacional do Festival Internacional de Mulheres no Cinema (FIM), que acontece em São Paulo até dia 11 – me cativou com seu afeto, ritmo, delicadeza.

“O título vem de um capítulo do primeiro livro de Dalcídio, Chove nos Campos de Cachoeira, em que ele narra a enchente que acometeu sua casa, o chalé, levando com as águas suas memórias e as parcas roupas” – explica Letícia sobre o título perturbador que escolheu para seu filme.

O Chalé narra cartas de Dalcídio Jurandir (1909-1979), escritor nascido na Ilha de Marajó com 11 livros publicados, amados na Amazônia mas pouco conhecidos por aqui. Em 1939, recém-saído da prisão por protestar contra a ditadura Vargas, aceita o único emprego que lhe aparece: o de inspetor das escolas da maior ilha fluvio-marítima do mundo. São as cartas que escreve à mulher amada, Guiomarina, e ao filho de 9 meses, Alfredo, que Letícia Simões narra nesse filme.

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IV Salão do Livro Político debate país pós golpe


Mesa de abertura, 18 de junho, reúne pré-candidatos à presidência. Participam Fernando Haddad, Jessé Souza, Ladislau Dowbor e Sueli Rolnik. Na feira de livros, descontos chegam a 50%
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MAIS
Salão do Livro Político
De 18 a 21 de junho, das 10h às 22h.

Tuca: Rua Monte Alegre, 1024, São Paulo
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Crise, eleições, cenário econômico, censura e ciências, fake news e os 30 anos da Constituição de 1988 versus o atual protagonismo do Poder Judiciário, no Brasil pós golpe de 2016, são os temas debatidos nesta IV edição do Salão do Livro Político. Em paralelo uma feira de livros oferecerá centenas de títulos, de cerca de 30 editoras, com descontos de até 50%.

Além do Brasil pós-golpe serão abordados a situação política do Oriente Médio e fatos que marcaram a história global e continuam ecoando: maio de 1968, 50 anos depois, Marx e o marxismo no bicentenário do nascimento do filósofo alemão e os rumos da Revolução Cubana, após quase 60 anos. No ano da Copa do Mundo e no momento em que se desvela a corrupção na Fifa, o futebol também está na pauta do evento.

A mesa de abertura, dia 18 à noite, reunirá candidatos do campo de esquerda à presidência da república. Lula e o PT estarão representados pela senadora Gleisi Hoffmann. Guilherme Boulos (PSOL), Manuela D’Ávila (PCdoB) e Vera Lúcia (PSTU) já confirmaram presença. Para as demais mesas estão confirmados o ex-ministro da Educação Fernando Haddad e intelectuais como Jessé Souza, Ladislau Dowbor, Marcio Pochmann, Leda Paulani, Laura Carvalho, Ricardo Antunes, Esther Solano, Olival Freire, Gilberto Maringoni, Sueli Rolnik e Marcelo Semer, além do jornalista e acadêmico Leonardo Sakamoto mediando o debate sobre fake news.

Este ano o curso gratuito ministrado durante o Salão, “A teoria da revolução”, será dividido em quatro aulas que abordam Marx (com o professor Mauro Iasi), Lênin (Augusto Buonicore), Bakunin (Acácio Augusto) e Rosa Luxemburgo (Isabel Loureiro).

Em sua terceira edição, que homenageou Antonio Candido e contou com a presidenta Dilma Rousseff na abertura, o Salão recebeu cerca de 3,5 mil visitantes entre estudantes, professores universitários e militantes de movimentos sociais e partidos políticos de vários estados, que participaram de 13 mesas e conferências, inclusive com autores internacionais, além de cursos e apresentações culturais.

Iniciativa de um grupo de editoras independentes de grandes grupos editoriais, desde o ano passado em parceria com a Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), o Salão do Livro Político tem como objetivo fortalecer as editoras, aumentar a visibilidade de suas obras políticas no mercado e incentivar as vendas e a leitura desses livros. Os livros políticos representam atualmente algo em torno de 2,5% do total de obras publicadas no país a cada ano, considerando-se as três áreas correlatas (sociologia, filosofia e economia).

Para pensar políticas públicas cuidadoras


Encontros sobre o futuro, que a Fiocruz promoverá em 20/6, debatem com Leonardo Boff cuidados na saúde como elemento de espiritualidade e sustentabilidade nas relações humanas e com o planeta
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MAIS
“A ética do cuidado: atenção sustentável na saúde”
Promoção: Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz
Data: 20 de junho de 2018
Horário: de 14h às 17h
Transmissão on-line, em tempo real, pelo perfil do Facebook do CEE-Friocruz (https://www.facebook.com/ceefiocruz/) e pelo blog (http://cee.fiocruz.br/).
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Associar a dimensão do cuidado à sustentabilidade, visando a prevenção e a promoção de saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e a formulação de políticas públicas cuidadoras é o tema que inaugura a série de encontros “Futuros do Brasil e da América Latina”, iniciativa do Centro de Estudos Estratégicos da Fundação Oswaldo Cruz (CEE-Fiocruz).

O escritor e teólogo Leonardo Boff, que elaborou o conceito de cuidado para pensar a espiritualidade e as relações de homens e mulheres entre si e com a terra, estará no centro desse primeiro encontro falando sobre “A ética do cuidado: atenção sustentável na saúde”, em debate coordenado pelo ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão, pesquisador do Centro. Continuar lendo

Agenda: Golpes e Mídia em debate em Florianópolis

Nilson Lage e Bernardo Joffily dialogam sobre a relação entre o poder autoritário das elites e a tentativa de naturalizá-lo

Por João Victor, do Círculo de Tradutores de Outras Palavras

Cada vez mais o debate público tem se aproximado das teses que identificam o golpe de 64 a um tipo de golpe “branco” jurídico-parlamentar em 2016 que depôs a presidente eleita, Dilma Rousseff, de seu mandato. Nessa conjuntura, vozes e perspectivas analíticas destoam do coro dominante apontando caminhos interpretativos diversos que permitem ampliar a reflexão do longo período autoritário no Brasil, a sua abertura democrática, e o seu espirito do tempo atual. Dado o papel central dos meios de comunicação em suas novas fronteiras tecnológicas, é imprescindível retomar o debate a partir das experiências jornalísticas que participaram destes eventos históricos no século passado.

Nesse sentido, O Instituto Ignacio Rangel (IIR) em parceria com o Laboratório de Estudos Urbanos e Regionais (LABEUR) e o Núcleo de Estudos Asiáticos (NEAS) da Universidade Federal de Santa Catarina convida o público para o DEBATE no dia 07/06  na Universidade Federal de Santa Catarina, – AUDITÓRIO ANEXO “E” Centro de Filosofia e Ciências Humanas – CFH/UFSC:

“O GOLPE DE 64, A DITADURA MILITAR E O BRASIL HOJE”
com a presença dos ilustres jornalistas Nilson Lage e Bernardo Joffily, e do geógrafo Armen Mamigonian.

 

PALESTRANTES:

Nilson Lage,

jornalista, nascido em 1936, mestre em Comunicação, doutor em Linguística e Filologia. Foi professor da UFRJ e do Departamento de Jornalismo da UFSC. Como jornalista trabalhou no Jornal do Brasil, Última Hora, TV Educativa do Rio de Janeiro, entre outros veículos de comunicação. Colabora, atualmente, com o blog Tijolaço.

Bernardo Joffily,

jornalista, nascido em 1950, participou da resistência à ditadura, tendo sido vice-presidente da UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) entre 1968-1970. Filiou-se ao PCdoB em 1973, sendo eleito para o Comitê Central deste partido em 2005.

DEBATEDOR:

Armen Mamigonian,

geógrafo, nascido em 1935, com doutorado na França e livre docência na USP.

Teatro Oficina: Silvio Santos ataca de novo

A grande janela do teatro, essencial para o contato com o entorno, pode ser bloqueada por duas torres imobiliárias

Dois espigões de cem metros podem descaracterizar terreno histórico do teatro e emparedar construção projetada por Lina Bo Bardi. Zé Celso prepara arraial e maratona de resistência

Por Cafira Zoé*

Na última sexta-feira (25), o IPHAN-SP, deu parecer favorável ao projeto de Edifício da RBV, Residencial Bela Vista Emprendimentos Imobiliários Ltda., aprovando as últimas alterações feitas pela Sisan Empreendimentos Imobiliários — braço imobiliário do grupo Silvio Santos, para a construção de dois mastodontes de concreto de 100m de altura — além dos andares de estacionamento subterrâneo — no último chão de terra livre do centro de São Paulo, entre as ruas Jaceguai, Abolição e Japurá, no Bixiga, onde vive e respira o Teatro Oficina.

O processo para a construção do empreendimento imobiliário, que havia sido encaminhado pelo IPHAN em Brasília, para análise e posterior decisão para a Superintendência do IPHAN em São Paulo, teve o parecer favorável do relator Marcos Carillho.

O Teatro Oficina foi tombado em 1983 pelo Condephaat, quando o órgão era presidido pelo geógrafo Aziz Ab’Saber. Depois vieram os tombamentos nas instâncias municipal, Conpresp, e federal, Iphan. Continuar lendo

Eu avisei!, dizem Ciências Humanas sobre crise nos transportes

Caminhões fecham a Rodovia Régis Bittencourt, em São Paulo, 25 de maio

Ao contrário da maioria da população, pesquisadores já sabiam quanto poder o petróleo tem, nas condições atuais, sobre funcionamento da vida cotidiana

Por Antonio Gomes

A pesquisa acadêmica é, para nós das Ciências Humanas, um trabalho muitas vezes ingrato.

Não importa o quanto nos dediquemos, passando horas a fio queimando os miolos em uma biblioteca, discutindo interminavelmente nos grupos de estudo ou pensando em nossos temas de pesquisa no travesseiro antes de dormir: invariavelmente, somos questionados (inclusive por nós mesmos) sobre o sentido de passar anos vivendo de parcas bolsas para escrever um trabalho que possivelmente vá ficar “empoeirando em uma prateleira de biblioteca sem que quase ninguém o leia”.

Mais do que isso, somos acusados de “viver às custas do governo”, “torrando” dinheiro público em pesquisas “sem utilidade alguma” enquanto faltam remédios nos hospitais e livros nas escolas, e também nos acusam de viver em um mundo de fantasias, de teorias e conjecturas que “só existem em nossas cabeças”, enquanto a suposta “realidade” da vida prática seria mais simples e menos “metida a besta”.

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