Contra as florestas no mercado de carbono

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Floresta amazônica

Organizações e movimentos sociais denunciam falsa solução à crise do clima e defendem posição histórica do Brasil, agora ameaçada

A inclusão das florestas em mecanismos de compensação de carbono (offsets), que possibilitam a indivíduos e empresas investir em projetos ambientais para descontar de suas próprias pegadas de carbono, coloca em risco a integridade ambiental do país e do planeta, ameaça o cumprimento das responsabilidades históricas de países desenvolvidos e o Acordo de Paris. São um jogo de soma zero, pois o que se reduz por meio da não-emissão florestal é emitido em outro setor – sem benefício à redução de emissões.

Essa a visão de mais de cinquenta organizações e movimentos sociais, povos indígenas e comunidades tradicionais brasileiras que assinam carta contra essa falsa solução à crise climática, que hipoteca o futuro de populações que já nascerão destituídos de soberania sobre seus bens comuns.

A carta abaixo, dirigida ao ministro Sarney Filho, foi protocolada dia 15.07 no Ministério de Meio Ambiente e na Subsecretaria-Geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Itamaraty.

Carta em defesa da posição histórica do Brasil sobre offsets florestais

Ao longo dos 23 anos de existência da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, muitas propostas surgiram como solução à crise climática. A inclusão das florestas em mecanismos de compensação de carbono (offsets) é uma dessas. Desde que as primeiras propostas sobre o tema foram apresentadas, inúmeras organizações e movimentos sociais, ONGs, representantes de povos indígenas, povos e comunidades tradicionais no Brasil e no mundo vêm apontando preocupações e denunciando o que se convencionou em chamar de falsa solução à crise do clima.

No atual contexto das negociações internacionais e da conjuntura nacional, alguns atores têm usado o momento de negociação de implementação do Acordo de Paris, a crise política e a turbulência econômica pela qual o país e o mundo passam como pretexto para demandar medidas a favor de offsets. As organizações signatárias desta carta vêm tais proposições com preocupação, e defendem a manutenção do posicionamento histórico do Brasil contra offsets florestais, concordando que qualquer mudança nesse sentido colocaria em risco a integridade ambiental do país e do planeta, além do cumprimento das responsabilidades históricas por parte de países desenvolvidos, e a arquitetura do Acordo de Paris.

Por que os offsets florestais são uma falsa solução?

1. Apresentam uma falsa equivalência entre o carbono proveniente dos combustíveis fósseis, que está acumulado debaixo da terra, e aquele que é acumulado pelas florestas. A capacidade que árvores e ecossistemas têm de remover e fixar carbono da atmosfera é muito mais lenta que o ritmo de emissões quando se queimam combustíveis fósseis, e o carbono acumulado em florestas é vulnerável a desmatamentos e queimadas.
2. Servem como incentivo para países segurarem a ambição de seus compromissos. O Acordo de Paris é baseado em compromissos nacionais determinados voluntariamente por cada governo, e só cortes de emissões que vão além desses compromissos poderiam ser comercializados em mercados de offsets. Com offsets, quanto mais baixos fossem os compromissos nacionais, mais sobraria para vender, criando um estímulo para a baixa ambição.
3. Não trazem benefício adicional para a redução de emissões, porque é um jogo de soma zero. Nunca são reduções efetivas, pois o que há é a compensação. O que se reduz por meio da não emissão florestal continua sendo emitido em outro setor.
4. Transferem a responsabilidade que deveria ser de setores que vêm contribuindo para a crise climática para quem sempre protegeu as florestas: povos indígenas, populações tradicionais, agricultores familiares e camponeses.
5. Aprofundam e geram novas formas de desigualdades, já que quem tem dinheiro e poder pode pagar e continuar emitindo sem fazer a sua parte. O conceito de poluidor-pagador, criado inicialmente para pressionar os países e setores a reduzir sua poluição, é capturado por quem pode continuar poluindo desde que pague por isso.
6. Hipotecam as florestas para cumprir as dívidas de venda de créditos de redução de emissões. Para isso, são firmados compromissos de décadas, que implicam também na hipoteca do futuro de milhares de pessoas que já nascerão sem que o Estado e os povos em seus territórios possam ter a soberania sobre qual política e ações poderão ser criadas para a proteção e uso de seus bens comuns.
7. Abrem espaço para governos e outros atores tirarem o foco das discussões da redução da queima de combustíveis fósseis, que representam cerca de 70% do total mundial das emissões de gases de efeito estufa – e ainda em trajetória de crescimento – para as florestas.
8. Tiram o foco do enfrentamento aos reais problemas florestais nacionais promovidos por grupos de interesse que querem enfraquecer as políticas de proteção florestal no país, e ainda alimentam o discurso de quem quer solapar a legislação ambiental brasileira.

No âmbito internacional, há pelo menos duas décadas a posição negociadora brasileira na convenção tem sido caracterizada pela rejeição da inclusão das florestas em mecanismos para compensar as emissões de gases de efeito estufa lançadas na atmosfera por setores como energia e transporte.

No âmbito nacional, vemos uma conjuntura de retrocessos nas leis e políticas que garantem a proteção dos direitos territoriais e do meio ambiente. No meio dessa crise e ofensiva, retorna o discurso de que a compra e venda de carbono florestal seria uma solução para o enfrentamento do desmatamento que vem crescendo e para a captação e recebimento de recursos necessários para vigilância e monitoramento. Isso vem aliado a esforços para reconfigurar a Comissão Nacional para REDD+ (CONAREDD+) e o Fundo Amazônia de forma que também abririam espaço a offsets. Por mais que o discurso pareça atraente, os argumentos acima mostram que se trata da defesa de uma falsa solução, voltada a beneficiar um pequeno grupo de atores (aqueles que continuariam emitindo gases de efeito estufa ou receberiam recursos mobilizados), mas traria graves consequências para o Brasil e o mundo.

Não podemos desviar a atenção das verdadeiras soluções e das políticas necessárias de enfrentamento à crise climática.

Por isso, demandamos a manutenção do posicionamento histórico brasileiro contra offsets florestais.

Assinam:
Amigos da Terra Brasil
Alternativas para Pequena Agricultura no Tocantins – APA-TO
Articulação de Mulheres Brasileiras – AMB
Articulação Nacional de Agroecologia – ANA
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB
Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo – APOINME
Associação Agroecológica Tijupá
Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia – AOPA
Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural – AGAPAN
Cáritas Brasileira
Central de Movimentos Populares – CMP
Central Única dos Trabalhadores – CUT
Centro de Apoio a Projetos de Ação Comunitária – CEAPAC/Santarém/PA
Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará – CEDENPA
Conselho Indigenista Missionário – CIMI
Comissão Pastoral da Terra – CPT
Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares – CONTAG
Conselho Nacional dos Seringueiros – CNS
Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas – CONAQ
Engajamundo
Fórum da Amazônia Oriental – FAOR
Fase – Solidariedade e Educação
Fórum Brasileiro de Segurança e Soberania Alimentar e Nutricional – FBSSAN
Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense – FMAP
Fórum Mudanças Climáticas Justiça Social – FMCJS
Greenpeace Brasil
Grupo Carta de Belém
Iniciativa Internacional da Carta da Terra (Leonardo Boff)
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas – IBASE
Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
Instituto de Políticas Alternativas para o Conesul – PACS
Jubileu Sul Brasil
Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
Movimento de Mulheres Camponesas – MMC
Marcha Mundial das Mulheres – MMM
Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
Núcleo de Estudos e Pesquisas em Desastres – NEPED/UFSCar
Pastoral da Juventude Rural – PJR
Rede Ecovida de Agroecologia
Sempreviva Organização Feminista – SOF
Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Belterra – STTR/Belterra
Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Santarém – STTR/STM
Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Mojuí dos Campos – STTR-MC/PA
Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Alenquer – STTR/ALQ
Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos – SDDH
Sociedade Civil da Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais – CNPCT
Terra de Direitos
350.org
Via Campesina Brasil
Vigência!

TEXTO-FIM

Em defesa da Universidade do Mercosul

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Retrocesso político coloca em risco a Unila, voltada ao intercâmbio cultural, científico e educacional da América Latina. É possível resistir

Uma petição pública em defesa da Universidade de Integração Latino-americana (Unila), mais conhecida como Universidade do Mercosul, foi dirigida ao Congresso contra a emenda do deputado Sergio Souza (PMDB-PR), que a transforma na Universidade Federal do Oeste do Paraná. A medida acabaria com o projeto acadêmico e político da Unila, de integração com nossos vizinhos, já que prevê paridade de professores e alunos com Paraguai, Bolívia, Argentina e outros países da AL.

“Nosso movimento tem o objetivo de defender a manutenção da Lei de Criação da Unila, sua identidade original e sua missão, que é formar sujeitos aptos a contribuir com a integração latino-americana, com o desenvolvimento regional e com o intercâmbio cultural, científico e educacional da América Latina”, afirma a petição, lembrando que a Constituição brasileira estabelece que o país “buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações”.

“A missão da Unila é a de contribuir para o avanço da integração da região, com uma oferta ampla de cursos de graduação e pós-graduação em todos os campos do conhecimento abertos a professores, pesquisadores e estudantes de todos os países da América Latina”, afirma a instituição em seu site. “Como instituição federal pública brasileira pretende, dentro de sua voca­ção transnacional, contribuir para o aprofundamento do processo de integração regional, por meio do conhecimento compartilhado, promovendo pesquisas avançadas em rede e a formação de recursos humanos de alto nível, a partir de seu Instituto Mercosul de Estudos Avançados (IMEA), com cátedras regionais nas diversas áreas do saber artístico, humanístico, científico e tecnológico.”

A América Latina engloba 21 países: Argentina, Belize, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.

É mais um corpo estendido no chão

170717_Manifestação contra a morte do catador Ricardo. Foto Marlene Bergamo, Folhapress 2

Amigos de Ricardo fazem ato no dia seguinte ao assassinato | Foto Marlene Bergamo

Amigos do carroceiro Ricardo — o Negão, executado pela polícia em São Paulo — convidam para celebração na Sé: “que sua morte dê voz e visibilidade às demais vítimas da violência policial no país”

Por Inês Castilho


Missa-manifestação na Catedral da Sé

Quarta-feira, 19.07, às 12 horas
Em memória do catador Ricardo Silva Nascimento, o Negão

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Ricardo Silva Nascimento, o Negão

A execução, por um policial militar, de um conhecido catador de lixo reciclável e morador de rua em Pinheiros, tradicional bairro de classe média na Zona Oeste de São Paulo, no entardecer da quarta-feira, dia 12, comoveu e revoltou os moradores do bairro e amplos setores da população paulistana. No dia seguinte, um ato de protesto reuniu no local uma pequena multidão, que rezou com cartazes de protesto em defesa da vítima.

“Esse não foi um caso isolado. Justiça, já!”, clamavam os manifestantes – moradores do bairro amigos de Ricardo, catadores, cidadãos. A carroça de Ricardo, pintada de branco, recebeu flores, velas acesas e retratos, e foi colocada na esquina das ruas Mourato Coelho e Navarro de Andrade. A silhueta do corpo, desenhada no asfalto, tinha manchas de tinta vermelha. Entre os presentes estava o padre Júlio Lancellotti, pároco da Igreja São Miguel Arcanjo e integrante da Pastoral Católica do Povo da Rua.

Dispostos a garantir que a “a morte do Ricardo dê voz e visibilidade às demais vítimas da violência policial no País”, um grupo de moradores do bairro e representantes de grupos mobilizados pelo acontecimento, além de jornalistas, carroceiros e pessoas que trabalham com o padre Lancelotti, programaram uma nova manifestação. Em encontro realizado no sábado, dia 15, decidiram convidar a população paulistana para a celebração de uma missa em homenagem a Ricardo na Catedral da Sé, às 12hs da próxima quarta-feira, dia 19, com a presença do Padre Julio Lancellotti, moradores do bairro, carroceiros e da população em geral.

“Queremos externar nossa indignação com a morte do Ricardo e ao mesmo tempo também com todas as demais mortes que vêm ocorrendo em circunstâncias semelhantes em todo país”, explica a jornalista Monica Soutelo, uma das organizadoras do ato.

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Velas e flores na manifestação | Foto: Lívia Machado

O CRIME

O crime, a sangue frio e com dois tiros no peito, foi seguido por irregularidades – como a retirada do corpo do local pelos próprios PMs, antes da perícia chegar; a violência contra as testemunhas que gravaram a cena; e o recolhimento das cápsulas das balas pelos policiais.

A polícia foi chamada por uma pizzaria – Pizza Prime, na esquina da Rua Mourato Coelho com Navarro de Andrade – onde Ricardo Silva Nascimento, de 39 anos, conhecido na vizinhança, teria ido pedir um pedaço de pizza e, maltratado pela atendente, a teria ameaçado com um pedaço de pau. Moradores estranham a versão, visto que Negão, como era conhecido, não costumava pedir comida mas sim lixo reciclável no comércio da região.

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O corpo de Ricardo estendido no chão

MISSA E MANIFESTAÇÃO

Na missa das 10h deste domingo na capela da Universidade São Judas Tadeu, em São Paulo, Padre Júlio Lancellotti convidou os presentes a manifestar repúdio à violência praticada contra o povo da rua participando da celebração em memória de Ricardo. “Foi uma ordem que a polícia recebeu, matou o Ricardo como matou o Leandro lá na favela do Moinho e tantos anônimos espalhados pela periferia.”

Padre Lancellotti apontou a importância das pessoas filmarem os abusos que veem na cidade, pois graças às gravações realizadas pelas testemunhas da execução de Ricardo foi possível saber o que ocorreu, rejeitando a versão da polícia. “Uma testemunha diz que filmou a ação do agente, mas teve o celular retirado por outros policiais, que apagaram as imagens. De acordo com o rapaz, os PMs chegaram a apontar uma arma para ele ao exigir o aparelho. Um senhor foi ferido na mão porque teve o celular arrancado. Mas alguns filmes escaparam.”

O padre adiantou o lançamento do programa Olhos da Rua, “para que quem vir algum ataque a catador ou morador de rua, seja do Rapa, seja da GCM ou da PM fotografe, filme e mande pra um número que vamos divulgar, de modo que nós todos possamos cuidar desse fenômeno que se espalha pelo mundo”. Com o crescimento da desigualdade, a população de rua está aumentando no mundo inteiro, lembra: “em São Paulo são mais de 20 mil, em Nova York 60 mil, em Los Angeles 40 mil. Em Roma o número também é grande, e o Papa Francisco criou uma lavanderia para atender os pobres e moradores de rua, um refeitório, hospedarias.”

Yanomamis: imagens que salvam

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Mulheres e crianças durante apresentação do estudo ISA/Fiocruz sobre contaminação de mercúrio pelo garimpo ilegal na TI Yanomami, região do Papiú

Povo indígena pede ajuda para fortalecer centro de audiovisual, usado nas lutas e reivindicações de suas comunidades no Amazonas

Por Inês Castilho | Imagem: Marcos Wesley / ISA

Os Yanomami da região amazônica sofrem há décadas com as invasões de suas terras pelo garimpo ilegal. Hoje, enfrentam a grave contaminação por mercúrio e outros metais pesados usados pelos garimpeiros em suas aldeias: algumas chegam a ter mais de 90% das pessoas contaminadas, conforme estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Instituto Socioambiental (ISA) realizado em 2016.

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Davi Kopenawa: “O ouro vem parar na avenida Paulista”

“Estamos tomando água poluída, de mercúrio. O povo yanomami vai sumir”, denunciou pela segunda vez na ONU, em abril, seu líder político e xamã Davi Kopenawa, autor de A queda do céu. Investigações indicam que o volume de negócios gerado pela venda do ouro ilegal foi de R$ 1 bilhão, entre 2013 e 2014, e vem sendo negociado na Ouro Minas DTVM, uma das principais distribuidoras de ouro no país, na sede da empresa, em São Paulo, e na filial em Rondônia, com o envolvimento de políticos e empresários. “Alguém financia os equipamentos, o combustível, os aviões, a alimentação dos garimpeiros”, diz o procurador Fábio Brito, do MPF de Roraima.

Sua arma de luta são as imagens. A campanha de financiamento coletivo Núcleo Audiovisual Xapono 2017 foi criada para fortalecer o “centro de produção, formação, discussão, reivindicação, luta e imaginação de e para os povos indígenas e yanomami” do Amazonas, em particular do rio Marauiá.

O Núcleo Audiovisual Xapono foi criado em 2016 por uma parceria entre a Associação Yanomami Kurikama, Rios Profundos, Fábrica de Cinema e Escola Xapomi. Graças à contribuição de mais de duzentas pessoas via campanha de financiamento coletivo, foi possível comprar equipamentos e realizar uma oficina de três semanas de introdução à produção e linguagem audiovisual.

Agora, querem consolidar o trabalho de produção, exibição e discussão audiovisual. “Queremos fazer do Núcleo Audiovisual Xapono um centro de produção, formação e discussão sobre vídeo e cinema como ferramentas de produção de narrativas de reivindicação, luta e imaginação, de e para os povos indígenas”, sustentam.

A meta da campanha é de 40 mil reais, incluindo a compra de equipamentos para ampliar os meios de produção do Núcleo Audiovisual Xapono e a realização de duas oficinas: a primeira durante 4 semanas, entre agosto e setembro, e a segunda de 3 semanas, em dezembro, com os profissionais Renato Batata, professor convidado do curso de Comunicação e Multimeios da PUC-SP, e Rodrigo Siqueira Arajeju, roteirista e diretor dos filmes Índio Cidadão?, Índios no Poder e Tekoha – som da terra, este em parceria com Valdelice Veron Kaiowa.

Parque Augusta, luta coletiva a um passo da vitória

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Um quarteirão livre de prédios no centro de S.Paulo, com a Mata Atlântica conservada, Um espaço público e autogestionado que começa a ser desenhado hoje, em fórum de debates durante todo o mês de julho

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Fórum Parque Augusta
Abertura hoje, 4 de julho, às 19 horas
Matilha Cultural, na rua Rego Freitas, 542 — São Paulo
Veja ao final programação completa
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Começa hoje o Fórum Parque Augusta, um mês inteiro de debates cujo objetivo é criar um sistema de autogestão para a implantação do Parque Augusta, uma área verde de 24 mil m² com reminiscências de Mata Atlântica no centro de São Paulo. O terreno, tombado pelo Patrimônio Histórico em 2004 e que abrigou o colégio feminino de elite Des Oiseaux e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Sedes Sapientiae, fica na região da rua Augusta, entre as ruas Caio Prado e Marquês de Paranaguá. O Fórum, aberto ao público, conta com a participação de “pesquisadores, acadêmicos, antiacadêmicos, especialistas e desespecialistas”, conforme os organizadores. Na abertura haverá uma apresentação do status legal do Parque e das negociações sobre o terreno, do processo coletivo de luta pela área e dos pesquisadores que acompanham o processo.

A criação de um parque público que conserve a Mata Atlântica ali restante é resultado de décadas de disputa entre os movimentos sociais e as últimas gestões municipais, contra a especulação imobiliária. Mobilizações festivas, “vigílias criativas”, ocupações artísticas, festas de rua e aulas públicas foram realizadas pelo movimento Organismo Parque Augusta, até que uma lei criando o Parque foi sancionada pelo prefeito Fernando Haddad, em 23 de dezembro de 2013. Dias depois, em 29 de dezembro, o parque foi lacrado ilegalmente por seus proprietários atuais, as construtoras Setin e Cyrela.

O valor da área estaria na época em torno de 70 milhões de reais, inviável para os cofres públicos. Os proprietários queriam privatizar o terreno, construindo torres em parte deles, e abrir o resto para o público. Diante da rejeição dos moradores da região e coletivos ativistas, cuja demanda é o parque sem prédios, público e sob autogestão, com desapropriação não onerosa do terreno, foi feito um acordo entre o Ministério Público, a prefeitura (já na gestão Dória) e os proprietários para que o terreno seja pago por meio da troca com outras áreas municipais.

“Diante da atual perspectiva de conseguirmos o Parque Augusta definitivamente sem prédios e através de muita pressão feita na atual gestão municipal, conseguimos que o projeto de implantação do parque augusta 100% seja desenvolvido pelo movimento Parque Augusta em conjunto com a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente que será a responsável legal-burocrática desse processo”, afirma o Movimento Organismo Parque Augusta, que reúne os ativistas.

A luta
No decorrer da luta, o movimento ajudou a criar a Rede Novos Parques SP, que luta pela preservação e criação de outros parques em São Paulo, como o Parque dos Búfalos, na zona sul da cidade, e foram estabelecidos contatos com movimentos semelhantes dentro e fora do país: receberam a visita de ativistas do Parque Gezi, da Turquia, e entraram em diálogo com movimentos brasileiros como o Ocupe Estelita, de Pernambuco, o Ocupa Golfe, do Rio de Janeiro, e o Santuário dos Pajés, do Distrito Federal.

“O projeto comunitário para o Parque Augusta parte de um consenso fundamental que se estabeleceu a partir das ações que marcaram o desenvolvimento do movimento social pelo Parque Augusta sem prédios: a assimilação de que este parque é e deve permanecer um ícone da luta por uma nova sensibilidade social e urbana, a favor da prevalência da função social da propriedade em detrimento de seu uso privatista (que fomenta a especulação imobiliária e reforça o processo de gentrificação e de desigualdade social), ícone este que inclui a indignação com os rios que foram canalizados e soterrados sob ruas e avenidas durante o século 20, e o fomento à luta por novas formas de autogestão de espaços públicos/comuns (com gestão direta da comunidade plural que frequentam o respectivo imóvel, livre de empresas privadas e também, sempre o máximo que possível, do estado e suas terceirizações corruptíveis)” – afirma o movimento.

Programação

Julho
04/07 – ABERTURA – terça-feira às 19h na MATILHA CULTURAL (rua Rego Freitas, 542)
5 qua. montagem exposição (16h – Tapera Taperá)
6 qui. abertura da expo #parqueprocesso (19h – Tapera Taperá)
8 sáb. lua cheia
11 ter. conferências socius (19h – Tapera Taperá )
12 qua. mesa aberta povo de rua (19h – Tapera Taperá)
13 qui. oficina aberta urbanismo (18h – Tapera Taperá)
13–15. LAB Derivas (16h – na rua e no Tapera Taperá)
15 sáb. cinemata 
18 ter. conferências ambiente (19h – Tapera Taperá)
19 qua. oficina aberta tecnologia e autonomia (19h – Tapera Taperá)
20 qui. oficina aberta reflorestamento e água (19h – Tapera Taperá)
22 sáb. fim de semana em aberto
25 ter. conferências subjetividades (19h – Matilha Cultural)
26 qua. oficina aberta autogestão (19h – Tapera Taperá)
27 qui. oficina aberta arquitetura (19h – Tapera Taperá)
28 sex. última sexta livre
29 sáb. fim de semana rock’n (Parque dos Búfalos)

Agosto
1º ter. encerramentos • batucada

Greves e protestos: participe e acompanhe nas mídias alternativas

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Cobertura em tempo real da mídia alternativa minuto a minuto

Brasil de Fato

Esquerda Online

Acompanhamento com fotos, textos e vídeos as manifestações

Mídia Ninja

Jornalistas Livres

Agenda de protestos por todo Brasil

AC
Rio Branco – 8h, no Palácio do Governo do Estado

AL
Delmiro Gouveia – 6h, no Coreto
Arapiraca – 13h30, na Praça Luis Pereira Lima
Maceió – 10h, na Praça dos Martírios

AM
Manaus – 8h, na Praça do Congresso

AP
Macapá – 8h, na Praça da Bandeira

BA
Salvador – 6h, no Iguatemi
15h, em Campo Grande
Camaçari – 10h, na Praça Desembargador Monte Negro
Feira de Santana – 7h, em frente à Prefeitura

CE
Iguatu – 7h30, na Caixa Econômica
Fortaleza – 9h, na Praça da Bandeira

DF
Brazilandia – 8h, no Estacionamento da BRB
Paranoá – 9h, na Avenida Central
Taguatinga – 9h, na Praça do Relógio
Planaltina – 9h, no Terminal Rodoviário
Valparaíso – 8h, na Câmara Municipal
Formosa – 8h, na Praça Anisio Lobo

ES
Vitória – 12h, na Assembleia Legislativa

GO
Goiania – 8h, na Praça Cívica

MA
São Luis – 6h, no Porto do Itaqui

MT
Sinop – 7h, na Praça da Bíblia
Rondonópolis – 8h, na Praça Brasil e Praça dos Carreiros
Cuiabá – 15h, na Praça Ipiranga

MS
Campo Grande – 9h, na Praça Ary Coelho

MG
Viçosa – 16h, na 4 Pilastras
Juiz de Fora – 9h, na Praça da Estação
Uberlândia – 16h, na Praça Ismene Mendes
Belo Horizonte – 9h, na Praça da Estação

PA
Marituba – 7h, na Entrada da Alça Viária
Marabá – 7h30, no Estádio Zinho Oliveira
Santarém, na Praça São Sebastião
Altamira – 8h, no Mercado Municipal
Belém – 11h, na Praça da República

PB
João Pessoa – 12h, na Lagoa

PR
Araucária – 8h30, na Prefeitura
Cascavel – 10h, no Núcleo Regional de Educação
Guarapuava – 8h30, na Praça 9 de Dezembro
Londrina- 9h, no Calçadão
Paranavaí – 9h, no INSS
Ponta Grossa – 8h30, na Praça Barão de Guaraúna
Paranaguá – 16h, na Praça 29 de julho
Curitiba – 17h, na Boca Maldita
Maringá – 9h, em frente ao INSS
Foz do Iguaçu – 8h, no Bosque Guarani

PE
Petrolina – 8h30, na Praça do Bambuzinho
Recife – 15h, na Praça do Derby

PI
Campo Maior – 10h, na Praça Luis Miranda
Picos – 7h, no Fórum
Tereseina – 8h, na Praça Rio Branco

RJ
Rio de Janeiro – 17h, na Candelária
8h – mobilizações (Fórum de Saúde RJ), nos hospitais Cardoso Fontes, Ipanema, dos Servidores
10h – Aula Pública (ANDES-RJ) – “Universidades contra as reformas”, no Palácio Guanabara
10h – Aulas Públicas Sinpro Rio, no Lgo do Machado, Saens Pena e Calçadão de Campo Grande
15h – Ato da Saúde, no NIERJ (R.México, 128).
15h – Ato do Sintufrj, no IFCS
Niterói – 16h, ato pelo Fora Pezão, na Estação das Barcas

RN
Natal – 15h, em frente ao shopping Midway
Mossoró – 15h, na Igreja do alto de São Manoel

RO
Porto Velho – 8h, na Praça Três Caixas D`água

RR
Boa Vista – 6h, no Bloqueio da Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes

RS
Sapucaia do Sul – 10h, no Calçadão
São Leopoldo – 8h, no Centro (rua Independência)

SC
Chapecó – 9h, no Trevo da BR 282
Lages – 16h30, na Praça João Costa
Caçador – 9h, no Largo Caçanjure
Blumenau – 13h30, na Praça Victor Conder
Campos Novos – 8h, na BR 282
Rio do Sul – 9h, na Praça da Catedral
Itajaí – 17h, no Centro
Araranguá – 8h, no INSS
Florianópolis – 15h, no Ticen

SP
São Paulo – 16h, no MASP
8h, no Aeroporto Congonhas
4h30, no Aeroporto de Guarulhos
São Bernardo do Campo – 9h, no Sindicato dos Metalúrgicos
Ribeirão Preto – 9h, na Rua Alvares Cabral
Mogi das Cruzes – 6h, na Praça Marisa
Santos – 6h, na Avenida Presidente Wilson
Jundiaí – 9h, na 15 de novembro
Bauru – 6h, na Avenida Rodrigues Alves
Campinas – 11h e 17h, no Largo do Rosário
São Carlos – 7h, na Praça Santa Cruz
São José do Rio Preto – 17h, no Terminal Urbano
Sorocaba – 9h, na Praça Coronel Fernando Prestes
Araraquara – 7h, na Praça Santa Cruz

SE
Aracaju – 14h, na Praça General Valadão

TO
Palmas – 7h, na Av Jucelino Kubitschek

França
Paris – Paris Apoia Greve Geral 30/06 Brasil!
18h, Fontaine de Innocents

Tribunal Tiradentes julgará legitimidade do Congresso Nacional

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III Tribunal Tiradentes condenou Lei da Anistia, que protegeu os torturadores, na PUC-SP, em 2014

Deputados e senadores envolvidos em múltiplos crimes de corrupção podem pisar sobre os direitos sociais? Inspirada no Tribunal Russel, iniciativa examinará Legislativo e reafirma postura altiva da CNBB

Por Inês Castilho
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IV TRIBUNAL TIRADENTES

Em16 de agosto de 2017 — Brasília
(a confirmar)
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Qual a representatividade da maioria parlamentar do Congresso Nacional, hoje? Qual sua legitimidade para, em nome do povo brasileiro, impor reformas não discutidas pela sociedade e a desconstrução de direitos estabelecidos pela Constituição de 1988? Essas são as questões que estarão em julgamento no IV Tribunal Tiradentes, a ser realizado em Brasília no próximo agosto.

Organizado pela Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – que tem à frente Carlos Moura, referência da luta pela igualdade racial no Brasil –, a iniciativa pretende ajudar a conscientizar os eleitores sobre a necessidade de que o Parlamento represente de fato a população em nome da qual, numa democracia, legisla sobre as normas de vida coletiva e fiscaliza as ações do governo.

A CBJP solicitará o apoio das Comissões Justiça e Paz de todo o Brasil para a organização de amplo acompanhamento da sessão do Tribunal pela internet, em suas cidades. Várias instituições da sociedade civil e movimentos sociais, como a CNBB e o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), estão sendo consultadas para constituir um corpo de entidades apoiadoras. Espera-se que reitores de universidades e diretores de escolas secundárias também estimulem estudantes e comunidades populares a acompanhar a sessão do Tribunal.

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A disputa que não aparece em sua tela

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Vigilância, controle da informação, novos monopólios Minissérie de vídeos expõe os riscos a que está submetida a Internet. Assista, neste sábado, a dois episódios e um debate


“EXPLOIT”, EPISÓDIOS 2 E 3, SEGUIDOS DE DEBATE
Com Rafael Zanata e Marina Pita
Sábado, 1º/7, às 18h
Rua Conselheiro Ramalho, 945 — Bixiga — S.Paulo — Metrô S.Joaquim ou Brigadeiro (mapa)
Grátis

Uma guerra silenciosa acontece longe dos PCs, laptops e dispositivos móveis que usamos diuturnamente, e seu resultado interfere diretamente em nossas vidas, online e offline. Este é o tema da minissérie XPLOIT: Internet Sob Ataque, realizada pelos coletivos Actantes/TVDrone em associação com a Fundação Heinrich Böll e apoio da Rede TVT. A série prevê temporada com seis episódios, três deles já disponíveis no youtube.

Com entrevistados como Richard Stallman, cocriador do sistema GNU, James Bamford, jornalista do The New York Times, a advogada Flávia Lefèvre, a jornalista Bia Barbosa, a cientista social Esther Solano e o sociólogo e ciberativista Sérgio Amadeu da Silveira, a série introduz o espectador nas disputas políticas e econômicas com resultados que terão impacto direto em nossos direitos essenciais, dentro e fora do mundo digital. O evento apresentará os dois episódios mais recentes, seguidos de debate com a jornalista Marina Pita e o advogado Rafael Zanata, ambos personagens da web-série.

O episódio 3, “Colonialismo 2.0”, observa que a internet é tratada como um espaço de conhecimento e inovação democrático e distribuído desde o seu surgimento, mas que sua existência conta com uma estrutura física concentrada no chamado Norte global – principalmente nos EUA. Está, portando, sujeita às suas leis políticas e econômicas, em detrimento de uma suposta soberania ou independência que estados, empresas e usuários, fora desse Norte, imaginam desfrutar.

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Por um MTST ainda mais esperto

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Integrantes do movimento acampados na Paulista comemoram uma vitória, em 8 de março de 2017

Conhecidos pela radicalidade de sua luta e profundo trabalho de base, sem-teto precisam de recursos para manter e ampliar esforço de formação política. Contribua até amanhã!

Por Inês Castilho

O MTST está pedindo colaboração para sua campanha de financiamento coletivo, no valor de 40 mil reais, com o objetivo de reconstruir o Centro de Formação de militantes em São Paulo. A dois dias do final da jornada, o movimento já arrecadou 75% do total, mas ainda faltam cerca de 10 mil reais para atingir o valor necessário.

O centro de convivência e formação do MTST é um amplo barracão localizado junto à sede, em Taboão da Serra, onde se realizam formações políticas, reuniões, assembleias e cursinhos populares para a juventude. No último período de chuvas, a estrutura e o telhado do barracão ficaram danificados.

Em estudos realizados junto a arquitetos que colaboram com o movimento, chegou-se à conclusão de que a escolha mais ecológica e econômica seria o telhado verde, “É uma alternativa sustentável que une a luta por moradia à luta pelo meio ambiente”, diz Guilherme Boulos, da coordenação nacional.

O movimento

MTST, a luta é pra valer. Com esse grito de guerra, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, 20 anos de luta nas periferias urbanas de 12 estados brasileiros, tem marcado presença nas principais manifestações populares ocorridas no país.

Estavam entre os milhares de manifestantes que marcharam até o Congresso Nacional em Brasília, no dia 24 de maio, em protesto às contrarreformas Trabalhista e da Previdência, e em defesa das eleições diretas antecipadas para a presidência. Em outro exemplo de ousadia e coragem, acamparam durante 22 dias numa das esquinas mais nobres da capital paulista, a da avenida Paulista com rua Augusta. “Queremos a liberação das contratações do programa Minha Casa Minha Vida na faixa 1 (famílias com renda mensal de até R$ 1,8 mil), suspensas desde o começo do governo Temer”, disse Boulos na ocasião. Conseguiram.

O MTST integra a Frente Povo Sem Medo, composta por mais de 30 movimentos nacionais. Luta por moradia digna, pelo direito à cidade e por transformações profundas na sociedade brasileira. É um dos movimentos sociais mais importantes, hoje, de uma esquerda que procura reinventar-se.

As informações sobre a campanha e forma de contribuir podem ser encontradas aqui.