Por que ateus podem rezar pelo Sínodo para a Amazônia

Encontro, que começa dia 6, pode ser decisivo para defesa da floresta. Transcende religiosidade e merece ser acompanhado. Até por quem votou em Bolsonaro — já que os efeitos catastróficos da devastação afetam a todos, democraticamente

Papa Francisco em Puerto Maldonado, Peru, em 2018 (L’Osservatore Romano Vatican Media/Pool Photo via AP)

Você pode ser um petralha, socialista, comunista, seguidor da Teologia da Libertação, um melancia, verde por fora e vermelho por dentro, mas você precisa de água para beber, de um alimento sadio para comer, de um ar limpo para respirar, de um clima regulado com boa temperatura para não morrer de calor ou de frio.

Você pode ser um bolsomínion, fascista, nazista, adorar torturadores, ditadores, mentirosos, espalhador de fake news, mas você precisa de água para beber, de um alimento sadio para comer, de um ar limpo para respirar, de um clima regulado com boa temperatura para não morrer de calor ou de frio.

Você pode ser ateu, religioso, evangélico ou católico verdadeiro, evangélico ou católico hipócrita, ou de outra religião, ou de nenhuma religião, mas você precisa de água para beber, de um alimento sadio para comer, de um ar limpo para respirar, de um clima regulado com boa temperatura para não morrer de calor ou de frio.

Você pode até não se ver em nenhum desses rótulos, mas você precisa de água para beber, de um alimento sadio para comer, de um ar limpo para respirar, de um clima regulado com boa temperatura para não morrer de calor ou de frio.

É a Amazônia que nos oferece grande parte do ciclo das águas que caem sobre todo o Brasil, que retém bilhões de toneladas de carbono que iriam aumentar o calor global, que ajuda regular esse clima, que nos oferece uma incomensurável biodiversidade e a variedade e sabedoria dos povos que a habitam. Logo, a dependência da Amazônia é de ordem vital para todos nós, não importa a política, religião ou a ideologia. E a Amazônia, com todas as suas dádivas, só continuará existindo se a floresta permanecer em pé.

Então, defendamos nossos interesses e o de nossas famílias – se for um pouco mais generoso pense na humanidade e em toda a comunidade da vida -, em vez de defender os interesses do agronegócio, das mineradoras, dos desmatadores, ou dos Estados Unidos em se apossar da Amazônia, principalmente de seu subsolo, rico em tantos minerais como ferro, nióbio, ouro, petróleo, gás e assim por diante.

Para o bem de todos nós, é melhor a Amazônia em pé que queimada pelo fogo. O Sínodo para a Amazônia pode ser o grande ponto de inflexão e de virada da humanidade. Que todos rezem por ele.

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