Revolução mantém ímpeto, Mubarak não sai

Por Juan Cole, do Informed Comment | Tradução: Bruno Cava

Os protestos no Egito marcaram várias vitórias na sexta-feira, mas não conseguiram de fato fazer com que o presidente Hosni Mubarak renunciasse. Suas realizações incluem:

1. As centenas de milhares (a imprensa egípcia árabe está falando em um milhão no país todo) de manifestantes mostraram que eles não amarelaram ante os ataques deploráveis dos capangas do ministério do interior na quarta e quinta, que mataram sete e feriram mais de mil.

2. Com sua determinação e perseverança, puseram o exército egípcio na posição de ter de protegê-los de mais ataques dos marginais e da polícia secreta infiltrada a mando do ministério do interior. A alternativa teria sido um banho de sangue que desestabilizaria o país e teria atraído mais condenação internacional.

3. Demonstraram que eles ainda possuem ímpeto substancial e que mudanças cosméticas feitas pelo governo (substituindo os empresários corruptos por generais autoritários nos ministérios) realmente não atendem as suas demandas por reforma.

4. Mostraram que se trata de um movimento amplo, de muitas classes, com a classe trabalhadora de egípcios claramente compondo uma proporção significativa da multidão na Praça Tahir [NT. Libertação].

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5. Demonstraram que são um movimento de abrangência nacional, trazendo centenas de milhares às ruas em Alexandria, Suez, Ismailiya, Mansoura, Luxor, Aswan e em outros lugares.

6. Pressionaram o governo de Obama para que colocasse Mubarak na parede para que parta logo do Egito.

7. Eles reafirmaram ao primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan que são [eles a decidir] o futuro do Egito e que o líder turco pediu a renúncia de Mubarak por sua conta e risco.

8. Fazendo parecer certa a saída de Mubarak, instigaram novos candidatos a presidente na arena, como o secretário-geral da Liga Árabe Amr Moussa, que visitou as multidões na Praça Libertação sob algum aplauso.

9. O otimismo criado pelas ações da multidão motivaram o vencedor do prêmio Nobel Mohamed El Baradei a dar meia-volta e declarar que estaria disposto a concorrer a presidente se convocado.

10. Deram respaldo ao Partido Ayman Nur do Amanhã (Ghad) e outros líderes de partidos políticos da oposição em manter a demanda pela saída de Mubarak.

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Juan Cole

Juan Cole é historiador americano, estudioso do Oriente Médio e sul da Ásia, também é tradutor de árabe e persa. Tem um site: juancole.com