Fim do Ning grátis e futuro da net

Utilizada por milhares de redes sociais em todo o mundo, por ter múltiplas funcionalidades (é como um Orkut particular) e ser de fácil configuração, a plataforma Ning está em crise. Na quinta-feira, o executivo-chefe da empresa que a mantém, Jason Rosenthal, anunciou, num comunicado interno, a demissão de 70 funcionários — cerca de 40% da equipe. Além disso, comunicou algo de muito maior impacto. Em breve, o Ning encerrará sua versão gratuita, passando a cobrar uma tarifa mensal dos que criam redes na plataforma.

Dezenas de redes sociais brasileiras  — entre muitas outras, portal Luís Nassif, 100 Canais (jornalismo cultural) e Louco por Ti, Corinthians (com mais de 100 mil participantes) usam Ning como plataforma. Entre muitos usuários, a reação ao anúncio tem sido de inconformismo. Existe  um desejo saudável de que a net continue a ser um território livre do dinheiro e das desigualdades que ele provoca.

Mas, para tanto, é preciso entender as causas da crise e procurar saídas. A multiplicação de sistemas de comunicação horizontal, na internet, expressa o entusiasmo do público com o fim da comunicação dirigida por poucos. É uma tendência de enorme repercussão, que pode mudar as próprias relações de poder, nos próximos anos e décadas.

Mas — com raras exceções, como o Google — ainda não há formas de financiamento das plataformas que surgem. Elas consomem recursos vultosos: equipes, bases de dados, processamento, banda na rede etc. Como ainda não há receitas, surge uma tensão, que se manifesta por exemplo na crise (real, não inventada) do Ning.

Há dois caminhos para ação: a médio e longo prazos, criar políticas públicas que financiem a comunicação compartilhada. O ministério da Cultura começou a fazer isso timidamente, ao institutir o prêmio Pontos de Mídia Livre. É preciso pensar informação e comunicação não como mercadoria. Do mesmo modo que um professor de universidade, um comunicador público pode ser remunerado pela sociedade, por meio de mecanismos instituídos pelo Estado. O desafio é criá-los, estabelecendo processos de seleção justa, qualidade, desempenho etc.

Recursos públicos também devem financiar o desenvolvimento tencológico (inclusive plataformas como o Ning) e, em especial, a formação para participar da internet produzindo conteúdos — e não apenas como receptor. Há um enorme campo para pensar políticas, aqui.

TEXTO-MEIO

No curto prazo, há a saídas de buscar, entre os vários exemplos apontados no fórum, uma plataforma grátis e boa. Outras Palavras mantém, em Ning, uma rede social ainda em fase de construção. Um participante do portal de Luís Nassif postou mensagem com um conjunto de opções, em software livre. Estão copiadas abaixo. Talvez seja possível analisá-las colaborativamente, aqui no site.

Buddypress (http://www.buddypress.org)
Pligg (http://www.pligg.com/)
Elgg (http://www.elgg.org/)
LovdbyLess (http://lovdbyless.com/)
Mixxt (http://www.mixxt.com/)
Insoshi ( http://github.com/insoshi/insoshi)
Xoops (http://www.xoops.org/)
Community Engine (http://www.communityengine.org/)
Astrospaces (http://sourceforge.net/projects/astrospaces/)

TEXTO-FIM
The following two tabs change content below.

Antonio Martins

Antonio Martins é Editor do Outras Palavras