O burrinho apicultor

Onde se examina a atenção notável que um homem do campo dedicou a seu ajudante em meio à regressão trabalhista e secular negligência com os animais, como já apontavam Drummond e Machado, antecedentes dos atuais animalistas

Por Priscila Figueiredo

Circulou nas últimas semanas em redes sociais a foto de um burrinho, chamado Boneco, residente em Itatira, cidade do Ceará, e vestido com um uniforme de trabalho e devida máscara cuidadosamente concebidos por seu dono no ofício com que este ganha a vida, que é o de apicultor. O servente era assim poupado, por iniciativa própria de seu mestre, Seu Juraci, e não pela observação de alguma lei, de estar sujeito a picadas, que seriam como que a insalubridade desse tipo de trabalho. Quem postou a foto, milhares de vezes compartilhada, escreveu: “Este apicultor se preocupou em proteger muito bem o seu ajudante”. A maior parte dos comentários mostrava comoção e admiração; uns tantos falaram em empatia, amor, respeito, sabedoria e consideração pelos bichos “que sentem como nós”. Houve quem usasse a palavra senciente, em sintonia talvez com o movimento animalista ou com projeto de autoria do deputado Ricardo Izar e há pouco aprovado no Senado, o qual reivindica a consideração dos animais como seres sencientes, passíveis de sofrimento, dando-lhes o direito, entre outros, de virem a ter habeas corpus. Alguns, homens e mulheres, opinavam que não deixava de ser louvável o cuidado do homem, embora o desejável fosse mesmo não explorar o burrico. Com mais humor, uma pessoa disse que, assim paramentada, a dupla parecia de “astronautas agrícolas”, paradoxo interessante e poético, pelo qual sentimos a hesitação entre voar e radicar, entre o flutuante e o gravitacional. Um senhor julgou não sei se o feito ou as reações a ele: “Tá aqui militando, mas vê um cavalo sendo chicoteado até a beira da morte e não faz nada! Nada para ajudar o animal! Quantos cavalos explorados nas grandes cidades você ajudou hoje!” (a partir do “nada”, o enunciado era gritado, pois estava todo em maiúsculas). Achei implicante e exagerado, pois ele não tinha como provar o que acusava nos opinadores, a quem ele não devia conhecer pessoalmente, e parecia antes disfarçar a sua indiferença com a sorte dos carroceiros, que têm nas carroças um meio de vida num contexto em que o miserável subjuga o mais miserável ainda, embora eu já tenha visto um puxador falar com carinho ao pé do ouvido do seu cavalo, a quem parecia mesmo grato, e isso talvez não seja raro. Em todo caso, a pobreza às vezes pode ser cruel e insensível à natureza, mas ela mesma, como condição histórica, resultou de subjugação ou espoliação, de modo que me parece que faltou a esse homem o senso dos problemas. O homem que em geral colhe materiais para reciclar não teve como trocar a caleça por uma máquina, mas não é o caso da polícia montada, e dá muita pena ver ainda cavalos desfilando em meio ao trânsito, ouvindo sons nos decibéis que são obrigados a ouvir e cheirando o que cheiram vindo do escapamento dos carros.

Embora talvez fossem um pouco injustas com Seu Juraci, não vejo como discordar das observações mais “animalistas”, como agora se diz, que supõem um alto grau de consideração pelo direito dos bichos. Um lamentava, por exemplo, que, estando no agreste nordestino, Boneco devia sentir ainda mais calor com a roupa. Vieram outros e acrescentaram: “Explorar sem consentimento não é algo que deve ser romantizado; se ele fizesse por querer, não seria obrigado por cabresto”; “Respeito? Fazer o animal carregar o que não quer! E ainda vai lá explorar e matar abelhas!”; “Com o calor desse Estado, seria melhor deixá-lo afastado do local de trabalho”. São todas considerações sérias, embora pareçam um pouco ranzinzas – em outro estágio da civilização brasileira certamente não serão mais vistas como picuinha ou pelo em ovo, mesmo por mim, embrutecida como tantos por alguns dos nossos hábitos. Claro que podíamos saltar as etapas, pois o progresso não precisa ser lento e gradual – mas enquanto não ocorre nem este nem se dão pulos mais altos, não posso deixar de sentir que a prática nesse caso é em geral mais uniforme ou monocromática que os comentários que vi. Quanto ao calor mais intenso que castigaria o burrico estando assim todo envelopado, como alguns sensivelmente imaginaram (não vou reclamar que não levassem também em conta o abafamento infernal para quem vive nos presídios superlotados e sem ventilação no Ceará, para ficar apenas no Estado em que Boneco vive, pois se eu fizesse tal cobrança seria tão leviana como o sujeito acima que sem prova os acusa de apatia ante o sofrimento dos cavalos nas cidades), apenas me ocorre ponderar que o tecido usado para o uniforme parece do mais puro e ventilado algodão branco; além do quê, não é seguro afirmar que, fora do expediente, o empregado continue a vesti-lo.

Não será fácil, aliás, a operação de vesti-lo e desvesti-lo, pois o traje é complexo, resultado de toda uma reflexão sobre essa anatomia quadrúpede, reflexão que vai além daquela que chegou à roupa para aquecer os cães, pois aqui se trata de imaginar cada cantinho do corpo e do couro asinino que uma abelha poderia ferir, e então se cogitou que praticamente só os cascos, aqui parcialmente cobertos, seriam menos vulneráveis; deve ter sido muito difícil construir a mesma peça inteiriça típica do apicultor, o macacão, ainda que a roupa do animal seja um pouco mais descontínua e possua mais de uma peça. São quatro mangas ou pernas, uma outra parte que parece avulsa, assim como a que cobre o lombo e a que vai no peito, além de uma mangona que envolve o longo pescoço, sobre o qual ainda se estica uma larga tira de pano, pois é nele que vai o cesto de instrumentos; há ainda uma espécie de touca, costurada nesse caso de modo a apanhar as duas orelhas de uma vez, pois, talvez se julgando que seria custoso, além de desnecessário, respeitar o formato folicular de cada uma, preferiu-se deixá-las folgadas num recorte quadrado, como o chapéu de um mestre-cuca. O conjunto todo ainda inclui uma máscara, que parece de tela, algo como uma longa viseira.

Em todo caso, pensando ainda no trabalho sob um sol chicoteante, alguns países, como a Bélgica, proíbem que se faça trabalhar, sob temperaturas muito altas (creio que acima dos 30 graus) ou muito baixas, operários da construção civil, e quem sabe isso não se estenda ao animal – a lei recomendaria no caso deste e do operário ao ar livre “deixá-lo afastado do local de trabalho”, como disse alguém mencionado acima. Isso se nesse país ainda for possível “explorar sem consentimento”, “usar o cabresto”, “fazer o animal carregar o que não quer!” (o que supostamente não é o caso dos pedreiros belgas, que carregam e são explorados porque querem), para retomar outras críticas que vi fazerem ao apicultor. Não vi cabresto na foto e talvez este não seja necessário no caso nem o dono do jumento goste de usá-lo. Quanto a quem o incriminou de explorar e matar abelhas (não sei se isso é coisa que acontece nesse ofício), sem dúvida seria preferível que elas não fossem espoliadas do produto do seu trabalho, mas antes lhes fosse feita uma contra-oferta ou um pedido delicado, como o que vi formular um confrade de Francisco de Assis no filme para a televisão que lhe dedicou Rossellini: irmão Leitão, permita-me cortar a sua perna – irmão Fulano está acamado há dias e sente necessidade agora de comer um pouco de carne. O porco não lhe diz nada, ou o franciscano, tal como o fundador de sua ordem, talvez conhecesse a linguagem dos pássaros e da natureza, de modo que só depois de ouvir um tipo de consentimento é que mutilou o amigo.


Embora ache radical no bom sentido reivindicar os direitos daqueles insetos trabalhadores e melíferos, pois sou favorável ao fim da servidão involuntária dos animais, para o que seria necessário rever todo o processo de assujeitamento da natureza pelo homem que veio a dar no capitalismo, creio que é preciso também considerar, à luz de um fato como o da morte de 500 milhões de abelhas nos três primeiros meses deste ano devido à descarga área de agrotóxicos, que essa violência é de outro grau no país onde ainda vicejam o latifúndio e o trabalho “análogo ao escravo”, grau que sobe mais ainda agora a ponto de nos evocar o ímpeto destrutivo do colonizador, sem que houvesse no tempo deste, é verdade, tanta tecnologia de destruição como a que dispomos hoje.

Se Machado de Assis saísse da sepultura, acho que diria a mesma frase que Castro Alves pôs na boca de uns defuntos célebres que levantam a campa no poema “A visão dos mortos”: “Oh! É preciso inda esperar cem anos!”. Estavam se referindo com assombro, em meados dos anos de 1860, à situação dos escravos no Brasil e então, desanimados porque a viam no mesmo ponto em que a tinham deixado antes de morrer, voltavam no final do poema a fechar a lousa da sepultura sobre si, provavelmente por mais cem anos. Pois agora o observador ressuscitado manifestaria o mesmo espanto não só com a situação dos descendentes de escravos, mas também com a dos animais – espanto talvez seja um termo exagerado porque, cético como era em relação ao destino dos pobres e escravos no Brasil, para o que diversas vezes chamou a atenção o crítico Roberto Schwarz, não deixou de adivinhar ou pressentir o quanto a emancipação seria incompleta e por vezes realizada de forma cínica pelas elites do país. Talvez ele ainda repetisse 2/3 do dito popular que corria a segunda metade do século 19: “Para português, negro e burro, três ps: pão para comer, pano para vestir e pau para trabalhar”ii – o mais importante aí, claro, não é tanto o pão, tampouco o pano, que nem cabe ao burro, pelo menos até o apicultor de Itatira, mas sim o pau, que cabe a todos.

Machado veria a bárbara rinha de galo – apreciada por um personagem vulgar e sórdido de Brás Cubas – ser incentivada com projeto de lei, que ainda apoia as vaquejadas e cujo autor deseja liberar também a caça a animais silvestres, registraria os 30 milhões de animais abandonados, muitos deles em rodovias, as bolas de carne envenenada que ainda lhes dão, como Bentinho quase dera em Dom Casmurro a vira-latas de rua, as violações, mutilações, a zoofilia, as pescas fora de época ou em santuários ecológicos, as queimadas e os muitos animais carbonizados, o desastre de Belo Monte, os de Mariana e Brumadinho etc., soterrando homens, animais e árvores; certamente se afligiria com os cavalos, éguas e mulas, velhos e doentes, abandonados em lixões, com a falta de anestésicos em centros de zoonoses, as muitas eutanásias arbitrárias, a vivisseção ainda praticada ao arrepio da lei, esta já tardia, sem contar a técnica industrial da criação animal, aqui como em toda parte do mundo modernoiii. Veria se misturar no país, como numa vertigem, as muitas gradações na brutalidade com os seres que em seu tempo chamavam brutos, assim como nos pitacos sobre o uniforme do burrinho pudemos ver confundidos vários níveis históricos na consciência de sua proteção. Sem dúvida ele lamentaria a sorte do cavalo esquálido que puxa os carros, mas não menos a sorte do carroceiro. Talvez não imaginasse mais sua existência quando refletiu por vias maliciosas e pela época da Abolição dos escravos sobre a condição das bestas que seriam deixadas ao deus-dará depois do advento do bonde elétrico, que já começava a rodar na cidade. Sim, era o progresso urbano – mas qual seria o destino dos bichos? Sim, eram maltratados, levavam paulada no lombo, com tílburi ou bonde por eles tracionado, e sua condição comoveu engenheiros ingleses que instalavam o congênere mais moderno – mas e agora, o que aconteceria a eles, sobretudo com os mais velhos e esfolados? Teriam pão e pano, além de um descanso digno?

Contando ter visto um burro deitado aos pés dos trilhos dos bonds, ou antes caído, como logo corrige, com os ossos lhe furando a pele, cabeceando, indiferente ao capim e à água que alguma boa alma ou mesmo o dono, num último senão único lance de piedade, tinham posto a seu lado, e em torno do qual alguns passantes se detinham para contemplar o seu definhamento, um para quase lhe espetar a anca com uma vara, o cronista como que ouve o animal fazer uma longa meditação, pela qual se pergunta qual o motivo de seu sofrimento em vida, pois, “por mais que vasculhe a consciência, não acho pecado que mereça remorso” e, mais adiante, “passando à ordem mais elevada de ações, não acho em mim a menor lembrança de haver pensado sequer na perturbação da paz pública. Além de ser a minha índole contrária a arruaças, a própria reflexão me diz que, não havendo nenhuma revolução declarado os direitos do burro, tais direitos não existem. Nenhum golpe de Estado foi dado em favor dele; nenhuma coroa os obrigou. Monarquia, oligarquia, democracia, nenhuma forma de governo teve em conta interesses da minha espécie. Qualquer que seja o regímen, ronca o pau. O pau é a minha instituição um pouco temperada pela teima, que é em resumo meu único defeito (…). Nunca perguntei por sóis nem chuvas; bastava sentir o freguês no tílburi ou o apito do bonde, para sair logo”iv. No dia seguinte, o animal já era um cadáver, e à tarde não “havia cadáver nem nada”; no entanto, reflete o narrador, “sem exagerar o mérito do finado, força é dizer que, se ele não inventou a pólvora, também não inventou a dinamite. Já é alguma cousa neste final de século. Requiscat in pace”. Se a sua espécie não teve técnica nem civilização, também não criou os meios para vir um dia destruir a si mesma e a todas as outras espécies. Na crônica seguinte da série A semana, outro asno, a quem chama Lucius, vem lhe pedir que interceda por ele “e por uma classe inteira, que devia merecer alguma compaixão”. Não almejava ficar isento de pancadas, pois “estamos prontos a apanhar, é o nosso destino”, mas que fosse com moderação, sem esse “furor de cocheiros e carroceiros”. Pois o que o analista chama furor é sempre o aspecto particular, brasileiro, da violência contra os pobres e os animais no Brasil – um a-mais especial, que vai além da razão de dominar, a qual ele irônica ou estrategicamente deixa intocada, como realidade imutável, para realçar antes o seu excesso. Assim é que o burro lhe pede também um Treze de Maio. Não para fugir à labuta e ao chicote, mas para que estes sejam um pouco mais moderados e para que não lhe falte o de comer e beber necessário.

Quando escreveu esses textos no jornal, em 1894, a Abolição completava pouco mais que três anos e a primeira associação civil de defesa dos animais seria criada um ano depois, como se lê em seu históricov, o que Machado deve ter saudado muito, pois poucos anos antes, em 1889, transpunha para sua coluna o diálogo, talvez imaginário, com um estranho homem, talvez político, a quem se dirigira para perguntar sobre a existência de instituições assim no Brasil, e o motivo da dúvida era que havia então na Câmara Municipal três projetos para exterminar cães de ruavi. Dois anos depois, publicaria o romance cujo título dá nome a um filósofo mas também a um cachorro, Quincas Borba, chutado de cá pra lá durante toda a narrativa. A proximidade das datas evoca o destino comum, para o bem (as tentativas emancipadoras) e para o mal, evidente por si só, que em algum ponto pareciam compartilhar os bichos e a população negra – a um grupo quilombola, aliás, o atual chefe de Estado tratou em termo de “arrobas de boi” numa recepção seleta da elite judaica, que deu gargalhadas com a comparação. “Ele é bom no conteúdo, mas ruim na forma”, diria meses depois um empresário que devia ter estado no clube aquele dia — sim, o conteúdo é velho, tradicional, reconhecemos, a forma é que é nova e por isso assombra. Mas a forma tem conteúdos que o conteúdo ainda desconhece. Em todo caso, as arrobas em que os quilombolas apareceram nessa expressão me evocam agora o boi que ano passado, com grande pavor enquanto era descarregado de um caminhão para ser conduzido ao Parque de Exposições de Salvador, escapuliu, pulou a cerca, atravessou a cidade, foi visto perto do aeroporto e chegou ao mar, mas aí se afogou, isto é, em alguma forma de liberdadevii.

Provavelmente nosso maior romancista estranharia a existência de tantos “pet shops” e “pets” e embatucaria um pouco com o uso desnecessário do nome estrangeiro, o fato de que o desejável carinho e gratidão aos animais domésticos também se tornara venal, palavra que gostava de usar, passível de ser explorado e incrementado pelo mercado, que mesmo há casos em que esse sentimento nem sempre se estende à espécie e à família de seu exemplar quanto menos ao conjunto da vida e das espécies, aí incluído o homem, ou o homem em certas condições; por outro lado, justapondo ao que deparasse de brutal, concluísse como Drummond numa crônica a propósito da excentricidade de um homem rico, que entre as malas que trazia quatro pertenciam a seu cachorro, como os funcionários do aeroporto de Congonhas descobriram quando as abria. O cronista não sabe como julgar o caso e então o relata a um cachorro amigo, Puck, que, com raciocínio pedagógico e em sintaxe e cadência perfeitamente machadiana, assim objeta ao argumento de que a excentricidade seria um sinal de descaso com parte dos humanos excluídos do consumo moderno: “(…) O que você enxerga no gesto do grã-fino é a falta de sensibilidade diante da miséria, quando eu enxergo precisamente um começo tímido de sensibilidade, a abotoar-se como uma florzinha anêmica”viii.

Na mesma seção do livro, chamada “Bichos”, vemos Drummond registrar e analisar a finura da linguagem com que um homem do século 19, de nome João Alves, procurava sua besta num anúncio de jornal. A acuidade visual da descrição, um retrato falado com pormenores que poderiam passar despercebidos para outros, “como a crina dividida em duas seções”, e a precisão no uso dos termos como que transcreviam o pulso da alta consideração e da ternura. Linguagem depurada, memória, mímese amorosa e equilíbrio racional se tornavam indissociáveis nessa peça singular, de valor literário, que, acrescentemos, devia ter figurado no jornal junto de anúncios, tão ou mais costumeiros, de escravos fugidos, nos quais a menção a cicatrizes e outros característicos físicos ocorria em geral a partir de um impulso em tudo contrário ao daquela procura, ainda que o jumento de João Alves talvez fosse um ajudante de trabalho. Que, aliás, não era fugido, mas talvez roubado, conforme a hipótese bem fundamentada do dono, e não é menos que notável a observação de Drummond sobre as frases “tudo me induz ao cálculo de que foi roubada” e “será razoavelmente remunerado”. Uma capacidade mimética afim creio que apareceu na roupa confeccionada para Boneco, cuja forma se estudou, e a conclusão foi, com ou sem possíveis projeções antropomórficas, que, afora os cascos, seu corpo inteiro, em cada parte, à qual coube um recorte adequado, poderia sofrer a dor das ferroadas.

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