[Podcast] A dimensão popular da luta ambiental

Nova articulação começa a se formar. Reúne sem-terras, artistas, catadores, sindicalistas e muitos outros, para resistir à devastação. Querem “furar” elitismo, ampliar pauta e mostrar que para salvar Natureza, é preciso enfrentar o sistema

José Roberto Cabrera em entrevista a Rôney Rodrigues, no Tibungo

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Diversos movimentos sociais, organizações da sociedade civil, sindicatos e coletivos ambientais articulam-se, desde o ano passado, para criar o Fórum Popular da Natureza. Propõem dar uma caráter verdadeiramente popular para a resistência à devastação da Natureza e, para isso, preparam um grande evento, que será realizado dos dias 4 a 7 de junho, em São Paulo, marcando a Semana Mundial do Meio Ambiente.

Para os organizadores, muitas vezes, a pauta ambiental é sequestrada por corporações em busca de “marketing verde” ou, então, se restringe ao debate institucional, por governos e organizações internacionais, e a “círculos de ativistas” que, embora bem-intencionados, não tem capilaridade na sociedade. Esse seria, portanto, o momento para popularizar a defesa do Meio Ambiente, conectando-a com a luta por melhores condições de vida e de trabalho. Para contar mais sobre essa instigante iniciativa, conversamos com José Roberto Cabrera, membro do Sindicato dos Professores de Campinas e um dos articuladores da Frente.

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Segundo ele, a iniciativa tem livre inspiração nos Fórum Social Mundial (FSM), surgido em 2001, em Porto Alegre, como um contraponto ao Fórum Econômico Mundial (que reúne a elite financeira mundial em Davos, na Suíça), articulando diversas organizações sociais, de forma descentraliza e horizontal, para construir alternativas políticas e econômicas ao neoliberalismo. Além disso, o contexto das Greves Globais pelo Clima também catapulta a criação do Fórum Popular da Natureza, já que aproximou o debate sobre as mudanças climáticas da juventude.

Diante da grave crise ambiental no Brasil, agravada após a eleição de Jair Bolsonaro, o Fórum terá um árduo trabalho pela frente. Afinal, a Amazônia ardeu em chamas enquanto o presidente minimizava a situação. No dramático episódio da contaminação dos mares no Nordeste, a respostar tardou e foi inócua. No último ano, Bolsonaro também liberou mais de 460 agrotóxicos, muitos deles extremamente nocivos à saúde e à Natureza, desmantelou importantes órgãos de fiscalização ambiental, como ICMBio, a Funai e o IBAMA e, por meio de suas declarações estapafúrdias, parece ter dado “sinal verde” para a invasão de terras indígenas e o assassinato de lideranças.

Por isso, ao reunir professores, sindicalistas, jornalistas, sem-teto, sem-terra, ativistas ambientais, partidos políticos, catadores de materiais recicláveis, defensores de direitos humanos, entre outros; para trocar experiências, aprofundar o conhecimento ambiental e agir, um importante espaço de articulação política começa a se formar. O Fórum Popular da Natureza é aberto a quem quiser participar e organiza diversas atividades, que podem ser conferidas em seu site.

Apresentação e edição Gabriela Leite | Entrevistado José Roberto Cabrera | Roteiro Gabriela Leite e Rôney Rodrigues | Direção Antonio Martins | Fale com a gente [email protected]

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