As novidades do próximo Ubuntu-Linux

O blog Tecnologia Etc testa e analisa a nova versão do sistema operacional que incomoda o Windows. Será lançada em 28/4, e promete inovações surpreendentes

Como alguns já devem saber, dia 31 de Março foi lançado o primeiro beta da próxima versão da distro Linux mais usada no mundo: o Ubuntu. De acordo com o calendário da distribuição, a versão 11.04 ainda terá mais um beta (dia 14 de Abril) antes do lançamento definitivo no dia 28 de Abril.

Esse poderia ser mais um lançamento qualquer com atualização de pacotes, novas funcionalidades, novo tema e/ou mudanças estruturais. Mas dessa vez a Canonical resolveu mexer pesado na parte que o usuário mais percebe: a interface. Com o Unity (que é a interface padrão do Ubuntu Netbook Edition desde a versão 10.04, que aliás, deve desaparecer nessa versão) muitos paradigmas do desktop tradicional que estamos acostumados são quebrados. Isso e outras mudanças serão avaliadas no decorrer desse artigo, um teste completo da próxima versão do Ubuntu.

Antes de começar essa avaliação queria deixar uma coisa clara: o Unity e o Gnome Shell que eu avaliei alguns dias atrás não tem nada a ver. O Unity usa como base o Gnome 2.32 e basicamente é uma série de extensões do Compiz, enquanto o Gnome Shell é a peça central do Gnome 3 e usa o Mutter como compositor de tela. Nada impede que numa versão futura do Unity a Canonical passe a usar o Gnome 3 como base, mas por enquanto isso não passa de especulação.

Instalador do Ubuntu 

Começando pelo início, o programa de instalação do Ubuntu está fantástico: apesar de ele não ter mudado muito da versão anterior, vale a pena comentar como ele é simples e inteligente. No início, ele pergunta o idioma e se o usuário deseja instalar ou testar o sistema. Se o usuário escolher para instalar, somo levados a tela acima onde o instalador verifica se os requisitos recomendados para a instalação são satisfeitos. Nessa tela também, é possível escolher para baixar as atualizações durante a instalação (uma reclamação comum de usuários com internet lenta, já que baixar os pacotes durante a instalação pode demorar demais) e instalar o codec MP3 da Fluendo (o que permite ouvir MP3 de forma completamente legal, já que a Fluendo licencia o codec). Outra coisa que acho legal comentar é que depois que você escolhe em que partição deseja instalar o sistema, ele já começa a cópia de arquivos enquanto pergunta para o usuário o resto das informações necessárias (fuso horário, nome e senha de usuário, nome do computador, etc.), o que permite ganhar um pouco de tempo.

No final da instalação o Ubuntu pergunta se você deseja reiniciar o sistema. Depois da reinicialização, me chamou a atenção o fato que pela primeira vez na história o time do Ubuntu resolveu mexer no GRUB2: agora ele está em português (se você tiver escolhido português durante a instalação, claro), com um fundo combinando com as cores do Ubuntu e na resolução nativa do monitor. Não é nada comparado com o que o time do OpenSUSE faz, mas já é algum progresso. Na tela de login, agora você tem várias opções de desktop já na instalação padrão: o “Ubuntu” leva ao Unity que falei acima, enquanto o “Ubuntu Classic” leva a uma interface que mistura algumas novidades do Unity com a interface tradicional do Gnome que estamos acostumados (falarei dessa opção mais tarde).

Tela de login e a opção de iniciar o Unity ou a interface clássica 

O Unity

Antes de começar a falar do Unity propriamente dito, recomendo a leitura desse texto. É uma entrevista com o Ted Gould da Canonical onde ele explica muitas dúvidas comuns sobre a nova interface.

A Área de Trabalho do Unity 

A tela acima mostra a Área de Trabalho do Unity em ação. Logo de cara nota-se a falta do clássico painel inferior, que foi substítuida por esse “Dock” na lateral esquerda. Mas apesar de menos notável a primeira vista, o painel superior é o que sofreu mais mudanças: primeiro, não existe mais menu de Aplicativos/Locais/Sistema: no lugar entra o botão “Ubuntu”, que basicamente é um grande “Procurar” (falarei dele mais embaixo). Segundo, esse painel atua como um menu de contexto: o título do aplicativo sendo executado é mostrado aí, e se você maximizar o programa os botões de Fechar/Minimizar/Maximizar eles também são mostrados aí. Terceiro, ele não pode ser mais personalizado, movido ou editado. Se você não gostou da forma que ela está, conviva com isso ou use o “Ubuntu Classic”.

Firefox 4 no Unity, quase nenhuma perda de espaço 

Notou a falta do menus de Arquivo/Editar/Exibir/etc? Eles também migraram para o painel superior. Colocando o cursor do mouse em cima do título do aplicativo todos os menus citados anteriormente aparecem como mágica. Se o pessoal já reclamou que a mudança dos tradicionais ícones de manipulação de janela (Fechar/Minimizar/Maximizar) da parte superior direita para a esquerda foi cópia do Mac OS X, quando eles virem essa “novidade” vão falar mal do Ubuntu até a próxima existência. Mas foi uma novidade bem vinda e economiza muito espaço na tela, sem diminuir a produtividade. O “Dock” também automaticamente se esconde para aproveitar o máximo possível do espaço disponível (colocar o mouse em cima do botão Ubuntu mostrá-o de novo). Os donos de netbook agradecem.

Selecionando um programa com mais de uma instância aberta 

Além de tentar economizar espaço ao máximo, outro foco do Unity é a facilidade de uso. O “Dock lateral” lembra muito o dock do Mac OS X, programas como o Cairo-Dock e Docky, assim como a nova barra de tarefas do Windows 7. Os ícones aí do lado tem função dupla: servem tanto como atalho para seus aplicativos favoritos como para mostrar quais aplicativos estão sendo executados no momento: aplicativos sendo executados incluem uma pequena seta na lateral do ícone. Se duas ou mais instâncias do mesmo programa estiverem abertas, essas múltiplas instâncias são indicados por traços. E ao clicar num ícone com mais de um traço, aparece a tela acima, um efeito “Exposé-like” que torna muito mais simples escolher entre duas janelas abertas do mesmo programa.

O “menu” de aplicativos do Unity 

Mas a mudança que mais chama a atenção no Unity está no fim do menu de Aplicativos tradicional. Ao clicar no botão “Ubuntu” o usuário é levado para a tela acima, onde pode usar algum dos atalhos disponíveis, procurar pelo aplicativo usando a barra “Search” ou mostrar o resto dos aplicativos usando o botão “More Apps”. É nessa área que surge as minhas maiores críticas sobre a nova interface: a tela inicial do Unity é redundante, já que colocar os devidos atalhos no “Dock” economiza mais tempo.

Outro problema, se você esqueceu o nome do aplicativo que queria usar o trabalho para procurá-lo fica torturante. Primeiro é necessário clicar no botão “Ubuntu”, depois em “More Apps”, ver se com sorte ele aparece nos aplicativos “Usados com maior frequência”, pois se não só clicando em “Instalado->See more results” para cair numa lista confusa com TODOS os aplicativos instalados. Se você quiser separar por categoria de aplicativo como acontece na interface clássica do Gnome, clique em “Todos os aplicativos” e selecione a categoria desejada. Ou seja, cinco cliques para fazer uma coisa que você faria com dois. Claro, essa é uma situação extrema, já que é possível procurar pela descrição do aplicativo também (o que também não ajuda sempre, já que muitos aplicativos só tem uma descrição mal elaborada ou em inglês), mas não deixa de ser irritante às vezes.

É possível notar também na imagem acima que o Unity sugere novos aplicativos para o usuário instalar, mas pelo menos no meu caso eles apareceram de forma completamente aleatório: cada vez que entrava na tela “More Apps” outros aplicativos eram sugeridos e sem relação com os anteriores. Talvez seja pelo fato de não ter instalados muitos aplicativos na máquina de teste ou por ser uma versão beta, mas não custa comentar.

Procurando arquivos 

Também é possível procurar arquivos pelo Unity usando o botão “Pesquisar Arquivos” ou mesmo no “Search” da tela principal, mas isso deixa a impressão que a interface é redundante demais: os botões “Media Apps” e “Internet Apps” fazem quase a mesma coisa que o “More Apps”, só que só mostram aplicativos de mídia e internet, respectivamente. Entretanto você poderia simplesmente ir em “More Apps” e classificar os aplicativos em internet ou multimídia.

A interface clássica

A área de trabalho do “Ubuntu Classic” 

Apesar do nome, o “Ubuntu Classic” não é exatamente a interface que estamos acostumados com as versões anteriores do Ubuntu, e sim mistura de alguns elementos do Unity com a interface tradicional do Gnome. Assim como no Unity, acabou a separação em três menus (Aplicativos/Locais/Sistema), mas a escolha de aplicativos continua sendo feita por um menu que passa a lembrar bastante o do KDE 3. Os paineis superiores e inferiores continuam sendo personalizáveis também. Até aqui, muito parecido com a interface da versão anterior, certo?

Firefox e o “Ubuntu Classic” 

Ao abrir um aplicativo vemos um comportamento misto entre o Unity e a interface tradicional do Gnome: a barra de menus do aplicativo aparecendo no painel superior, a la Mac OS X, mas infelizmente a barra de título continua aparente. A solução ficou agradável aos olhos, porém não se economiza tanto espaço como o Unity.

Se mesmo essa interface não agradou você, saiba que é possível retornar a interface do Gnome tradicional com apenas algumas mudanças, já que as versões antigas dos widgets continuam disponíveis.

Conclusão

O Unity não é uma interface para qualquer um – ou mesmo para qualquer hardware: aquele mesmo notebook que rodou o Gnome 3 de forma bem razoável ficou lento com o Unity. Aliás, se o seu hardware não suporta o Compiz esqueça: a interface será o “Ubuntu Classic” não importando o que você escolha na tela de login (percebi isso ao rodar o Ubuntu 11.04 numa máquina virtual). Ou espere pelo <a href=”http://lifehacker.com/#!5735942/unity-2d-speeds-up-ubuntus-unity-interface-on-low+powered-computers” style=”padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px;

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