Entidades da saúde condenam intervenção na Venezuela

Com denúncia ao imperialismo, organizações apontam mortes causadas por ataques prévios dos EUA e relembram as colaborações da Venezuela com o brasil durante a pandemia

© Leandra Felipe – Repórter da Agência Brasil/EBC
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Levada a seu clímax no último dia 3 de janeiro, com o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças especiais dos Estados Unidos, a intervenção norte-americana na Venezuela foi amplamente condenada por entidades e movimentos sociais da Saúde Coletiva e da Ciência. Suas manifestações criticam o assassinato de cidadãos latino-americanos, a violação da soberania venezuelana e o desrespeito ao direito internacional.

Através de nota, a Frente pela Vida lembrou que a agressão ao território da Venezuela veio após meses de ataques dos EUA contra barcos civis, que resultaram em dezenas de mortes. Na visão dessa articulação que reúne as principais entidades do movimento sanitário no Brasil, os interesses estadunidenses “residem nas suas pretensões imperiais colonialistas, de domínio sobre a América Latina”.

Por sua vez, o Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (CLACSO) pronunciou-se “fazendo um chamado à comunidade acadêmica, às redes intelectuais e aos movimentos sociais de todo o mundo para articular uma resposta coletiva de solidariedade, baseada na denúncia crítica e na mobilização coordenada, a fim de deter a agressão”.

Já a declaração assinada pela Associação Latino-Americana de Medicina Social e Saúde Coletiva (Alames) e o Movimento pela Saúde dos Povos (MSP) reitera que “a luta contra a agressão militar imperialista, a ocupação de nossos territórios e a defesa de nossa soberania e autodeterminação também é uma luta pela saúde”.

A transformação de equipamentos sanitários em objeto de bombardeios ilustra os riscos da intervenção neocolonial à saúde dos povos latino-americanos. Entre outros alvos, o ataque do dia 3 de janeiro destruiu o maior depósito de medicamentos e insumos médicos do país, localizado no estado de La Guaira, segundo o Instituto Venezuelano de Seguridade Social (IVSS). 

Em resposta à agressão, o Brasil anunciou a doação de 100 toneladas de insumos médicos para a Venezuela. “Não podemos esquecer que, durante a pandemia da covid-19, a Venezuela nos disponibilizou 130 mil metros cúbicos de oxigênio para o tratamento dos nossos cidadãos”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A pasta também enviou uma equipe da Força Nacional do SUS à fronteira entre os dois países, para “avaliar o cenário sanitário” da região e atender um possível fluxo de refugiados da crise.

A saúde é o foco de um dos mais conhecidos programas sociais da Revolução Bolivariana: a Misión Barrio Adentro. A iniciativa, criada ainda durante a presidência de Hugo Chávez, ampliou largamente a oferta de cuidados nas regiões mais pobres do país, antes esvaziadas de serviços e profissionais de saúde.

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