Anvisa quer priorizar tecnologias desenvolvidas no país
• As prioridades da Anvisa em 2026 • Pobreza menstrual em presídios • Ajuda humanitária: EUA exigem contrapartidas • E MAIS: infecções em hospitais; “falha” em oxímetros; greve da enfermagem nos EUA; Farmanguinhos •
Publicado 16/01/2026 às 14:54 - Atualizado 16/01/2026 às 15:01

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pretende, em 2026, priorizar a análise regulatória de inovações desenvolvidas no Brasil, com foco em produtos estratégicos para o SUS. Em entrevista à Agência Brasil, o diretor-presidente da agência, Leandro Safatle, afirmou que a meta é reduzir a fila de análises e dar maior celeridade a medicamentos, vacinas, dispositivos médicos e tecnologias em saúde produzidas no país.
Segundo Safatle, a Anvisa busca corrigir uma dependência histórica de inovações importadas, fortalecendo a capacidade nacional de pesquisa, desenvolvimento e produção. A estratégia inclui reorganizar fluxos internos e critérios de priorização, sem abrir mão do rigor técnico e da segurança sanitária, para estimular a indústria nacional e ampliar o acesso da população a tecnologias desenvolvidas localmente.
Pobreza menstrual acomete mulheres encarceradas
Um levantamento do centro de pesquisa JUSTA, com dados de 2023, obtido pelo G1, revela a precariedade do acesso a absorventes em presídios femininos no Brasil. Segundo o estudo, os estados gastam menos de R$ 3 milhões por ano com itens de higiene menstrual para detentas, valor que corresponde a apenas 0,01% do orçamento total do sistema prisional.
A insuficiência de recursos obriga mulheres privadas de liberdade a improvisar com pedaços de colchão, papel ou panos durante o período menstrual, expondo-as a riscos de infecção e violando direitos básicos de saúde e dignidade. O levantamento reforça críticas sobre a negligência estrutural do sistema prisional em relação às necessidades específicas das mulheres encarceradas – e a má condição de saúde da população encarcerada em geral.
EUA impõem novas regras para ajuda financeira à saúde global
Os Estados Unidos estão reformulando sua política de ajuda internacional em saúde após o desmonte da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID). Segundo o New York Times, o Departamento de Estado dos EUA iniciou negociações de acordos bilaterais com países do Sul Global, principalmente na África, que vinculam a liberação de bilhões de dólares em ajuda à saúde a contrapartidas financeiras e compromissos orçamentários assumidos pelos próprios governos nacionais na saúde de seus países.
A mudança rompe com décadas de cooperação baseada em programas multilaterais contínuos, como os de combate ao HIV, à tuberculose e à malária. Especialistas alertam que o novo modelo pode aprofundar desigualdades, fragilizar sistemas de saúde já sobrecarregados e deixar populações vulneráveis sem assistência caso os países não consigam cumprir as exigências impostas por Washington.
* * *
Infecções em hospitais públicos
Um projeto do SUS conseguiu reduzir em 26% as infecções relacionadas à assistência à saúde em UTIs de hospitais públicos. Entre setembro de 2024 e outubro de 2025, a iniciativa Saúde em Nossas Mãos gerou uma economia estimada de mais de R$ 150 milhões. Saiba mais.
Oxímetros e o racismo
Oxímetros de dedo usados em casa tendem a superestimar a oxigenação em pessoas com tons de pele mais escuros, aponta estudo publicado na BMJ. A falha pode atrasar a busca por atendimento médico e agravar quadros clínicos. O problema ganhou visibilidade após a popularização do aparelho na pandemia. Entenda.
Greve em NY
Cerca de 15 mil enfermeiros entraram em greve nesta segunda (12) em grandes hospitais de Nova York, no que já é considerado o maior movimento da categoria na história da cidade. A paralisação pressiona por limites máximos de pacientes por profissional, reajustes salariais e mais segurança nas unidades. Qual a posição do prefeito Mamdani?
Reciclagem na Farmanguinhos
Um projeto da Fiocruz transforma embalagens de medicamentos em móveis ecológicos. A iniciativa reaproveita blísteres descartados na etapa fabril de Farmanguinhos, sem contato com os remédios e sem risco de contaminação, reduzindo resíduos e dando novo uso a materiais que iriam para o lixo. Conheça a iniciativa.
Outras Palavras é feito por muitas mãos. Se você valoriza nossa produção, seja nosso apoiador e fortaleça o jornalismo crítico: apoia.se/outraspalavras

