A realidade submersa sob a marca de 1 milhão

Em uma semana, casos dobraram; ontem, foram 5 mil mortos no mundo. Mas dimensão real da pandemia é subnotificada — e pânico pode aumentar quando mais testes forem feitos ou mortes superarem estatísticas, como no Equador

Por Maíra Mathias e Raquel Torres

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CHEGAMOS A 1 MILHÃO

Já era esperado, mas não deixa de ser assustador: ontem, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que chegamos a um milhão de casos confirmados de covid-19. Um gráfico feito pela Al Jazeera mostra como, depois dos 200 mil casos, a curva de transmissão começou a virar uma linha reta. Na última semana, os casos dobraram. Isso significa que em muito, muito pouco tempo, a notícia do primeiro milhão deve ficar velha.

Até o início desta semana, a tuberculose ainda era a doença que mais matava por dia no mundo todo: 4,1 mil pessoas. Na quarta, a covid-19 bateu esse número, alcançando 4,6 mil mortos, e ontem, já foram mais de cinco mil. Acontece que o número de óbitos por tuberculose, ainda que muito alto, se mantém mais ou menos estável – ao contrário da nova doença, cujas infecções crescem exponencialmente.

Mas, apesar do marco, sabemos que o número real de infectados deve ser muito maior: como temos abordado aqui, o problema da falta de confirmações é uma realidade quase no mundo inteiro.

O COLAPSO NO EQUADOR

Como explicar o colapso do sistema funerário em um país que só tem oficialmente três mil casos e cerca de cem mortes? O Equador talvez seja o exemplo mais dramático de um lugar que se vê em frangalhos sem conhecer direito o que o atinge.

A segunda maior cidadeequatoriana, Guayaquil, tem 70% dos casos do país e é onde o problema se escancara. Os relatos de familiares que precisam conviver com cadáveres durante dias em casa ou que, por desespero, colocam os corpos de parentes na calçada, têm tomado as redes sociais. As imagens são arrebatadoras. Só na última semana de março, mais de 300 corpos foram recolhidos em diferentes casas pela polícia equatoriana, segundo a BBC. Nesta quarta, foram retirados 150 das ruas, segundo O Globo e o El País. “O corpo está completamente embrulhado em plástico, toda a casa cheira mal, cinco crianças e sete adultos vivem em casa”, diz um morador em reportagem do jornal El Comercio, citada pelo Estadão.

Mas não se sabe quantos ou quais desses casos são relacionados ao novo coronavírus. Até agora, foram feitos menos de dez mil testes em todo o país. Na dúvida, funerárias se recusam a receber os mortos por medo de contágio. Além disso, por determinação, os mortos por covid-19 devem ser cremados, mas só há trẽs crematórios em Guayaquil, todos privados, e com preços inacessíveis aos mais pobres.

Quase 20% da populaçãoda cidade vive em condições de pobreza ou extrema pobreza, e muitas pessoas não podem respeitar a quarentena porque precisam trabalhar. Aliás, a proteção a trabalhadores informais está muito menos do que suficiente no governo de Lenin Moreno. E, em todo o país, 46% do mercado de trabalho é tomado pela informalidade – um cenário muito próximo ao brasileiro, por sinal.

Olhando o mapa da Universidade Johns Hopkins que ilustra em tempo real o panorama do coronavírus pelo mundo, ficamos nos perguntando em quantos outros países a realidade pode estar submersa, pronta para explodir quando a capacidade de testes aumentar ou quando imagens das mortes ultrapassarem as estatísticas.

MAIS UMA ULTRAPASSAGEM

Mais um país ultrapassou a China em número de casos: a Alemanha, que agora tem mais de 84 mil confirmações. Como o país é um dos que mais testam para coronavírus, é possível que esteja pegando também muitos casos assintomáticos, daí o grande número de infecções confirmadas – e a baixa mortalidade, de pouco mais de 1%.

Feitas essas ressalvas, ainda assim a escalada preocupa porque o número de mortes dobrou nos últimos cinco dias. Agora, já passam de mil. Ontem, foram registradas 145 óbitos e mais de seis mil novos casos. O país não chegou a decretar quarentena, mas, no dia 22 de março, estabeleceu medidas de distanciamento social, como proibição de festas e fechamento de determinados estabelecimentos e serviços e suspensão de aulas. Havia então 18,6 mil casos confirmados e 55 mortes.

Especialistasdizem que o governo não está testando o suficiente, o que deixa boa parte do resto do mundo – os países que, como o Brasil, estão terrivelmente longe do volume de testes alemão – em uma situação desesperançosa, para dizer o mínimo. “O país tem hoje capacidade para realizar até 500 mil testes por semana, mas precisa aumentá-lo para mais de um milhão, ou 200 mil testes por dia”, diz, segundo a matéria do Guardian, um estudo confidencial encomendado pelo governo. O Brasil está tentando a duras penas chegar a 50 mil diários…

O problema também evidencia a delicada questão sobre a necessidade de compartilhamento de dados pessoais para rastreamento de casos. Isso é ostensivamente usado em países como China e Coreia do Sul, que tiveram os melhores resultados no enfrentamento aos surtos. Agora, a Alemanha e outros países europeus estudam formas de fazer o mesmo sem ferir sua legislação de proteção de dados.

O VÍRUS JÁ ESTAVA AQUI

Umas dúvida de muita gente foi respondida ontem pelo Ministério da Saúde: o novo coronavírus já circulava no Brasil antes daquele primeiro caso oficial, do homem que veio da Itália e teve a infecção confirmada no fim de fevereiro. A partir de uma investigação de óbitos por síndrome respiratória aguda grave, foi possível descobrir que uma mulher de 73 anos morreu no dia 23 de janeiro por conta da covid-19. Aconteceu em Minas Gerais e também se tratou de um caso importado, quando a pessoa é infectada fora do país. 

Só para ter uma ideia do que isso significa em retrospecto, na mesma data dessa morte, começou o lockdown que limitou a circulação dos 11 milhões de habitantes de Wuhan. Poucos dias depois, em 26 de janeiro, Jair Bolsonaro – que estava em viagem oficial à Índia – disse que o novo coronavírus não era “uma situação alarmante”… 

E, ontem, chegamos a 299 mortes por coronavírus e 7.910 casos confirmados. Houve mais de mil confirmações de quarta para quinta-feira. 

Em São Paulo, que continua sendo o estado mais afetado pela doença, com 3.506 casos e 188 óbitos, o vírus já circula em pequenas cidades do interior. A única saída para esses locais, onde não há estrutura hospitalar, é reforçar medidas de isolamento social. Em Ilha Comprida, barreiras foram erguidas na única ponte que dá acesso ao município. A circulação ainda acontece: todos os dias, 1,6 mil veículos passam pela barreira. Mas o prefeito estuda adotar medidas mais rígidas de controle. “Pensamos que muitas coisas podem ser adiadas”, disse Geraldino Junior ao Estadão, referindo-se aos motivos que levam as pessoas à cidade vizinha, Iguape. “O negócio é ficar em casa”, resumiu o secretário municipal de saúde de Águas de São Pedro, João Victor Barboza. Por lá, também se estudam proibições na circulação.  

“PEÇO COMPARTILHAR”

A essa altura, todos sabemos que o principal meio de comunicação de Jair Bolsonaro com a população é o Twitter. Por lá, ele colocou mais lenha na fogueira ontem, ao pedir para que seus mais de seis milhões de seguidores compartilhassem um vídeo em que uma apoiadora, daquelas que ficam plantadas na porta do Palácio da Alvorada todos os dias, pede que o presidente “coloque os militares na rua” para obrigar comércios e outros serviços a voltarem a funcionar. A mulher se diz professora da rede particular e ataca a mídia, o governador do DF e até a renda básica emergencial de R$ 600 (chamada de esmola do governo). A certa altura, Bolsonaro diz a ela: “você fala por milhões”. 

Em entrevista à rádio Jovem Pan, ele provocou: “Para abrir comércio, eu posso abrir em uma canetada. Enquanto o Supremo e o Legislativo não suspenderem os efeitos do meu decreto, o comércio vai ser aberto”. De acordo com Bolsonaro, já há um texto pronto, reconhecendo como atividade essencial “toda aquela exercida pelo homem e pela mulher através da qual seja indispensável para levar o pão para casa todo dia”. O presidente falou que recebe “ameaça” para não assinar o decreto – incluindo acenos de impeachment. E fez um apelo: “Eu estou esperando o povo pedir mais porque o que eu tenho de base de apoio são alguns parlamentares. Tudo bem, não é maioria, mas tenho o povo do nosso lado”. 

A ex-aliada e deputada estadual pelo PSL de SP, Janaína Paschoal – que já defendeu o afastamento de Jair Bolsonaro antes – respondeu ontem à publicação do vídeo da professora nos seguintes (e perigosos) termos: “Se o senhor não parar com essas postagens, os militares vão para a rua para retirar o senhor, com base no artigo 142 da Constituição Federal”. O dispositivo é aquele famoso, que dá às Forças Armadas o papel de garantir ‘a lei e a ordem’, desde que por iniciativa de algum dos poderes constitucionais, neste caso, Legislativo ou Judiciário.  

Longe de chamar os militares, os ministros do Supremo Tribunal Federal têm dado variados sinais de que limitarão qualquer ação do governo que vá contra o isolamento social recomendado pela OMS e pelo Ministério da Saúde. A Folharesgatou toda a movimentação da Corte nesse sentido, começando no dia 24 de março pela decisão de Marco Aurélio de manter a legalidade de todos os decretos estaduais e municipais que estabelecem quarentenas até a determinação de Alexandre de Moraes, de 1º de abril, dando 48 horas para que o presidente explicasse suas ações, no âmbito da ação movida pela OAB. O prazo acaba hoje, aliás. 

Mas, no caso, o militar que mais se beneficiaria do afastamento de Bolsonaro voltou a defender que a “política de isolamento”. De acordo com o vice-presidente Hamilton Mourão, as medidas precisam ‘atravessar’ abril para que se enfrente em melhores condições o pico da covid-19. A declaração foi dada em uma entrevista ao vivo transmitida pelo banco de investimento BTG Pactual. 

DE VOLTA À GUERRA COM MANDETTA

Jair Bolsonaro fez novas críticas ao seu ministro da Saúde ontem, naquela mesma entrevista concedida à Jovem Pan. De acordo com o presidente, que trata a crise sanitária nos mesmos termos que uma briga de condomínio, Mandetta quer fazer as próprias vontades, lhe “falta humildade” e, “em alguns momentos”, o ministro teria que “ouvir um pouco mais o presidente da República”. “A gente está se bicando há algum tempo”, afirmou, acrescentando que nenhum ministro é indemissível.

Perguntado sobre as declarações do presidente, Mandetta rebateu que não teve tempo de assistir a entrevista: “Estou trabalhando aqui”. Segundo a coluna Painel, o ministro confidenciou a aliados que gostaria de deixar o cargo. Mas voltou a reafirmar que o ônus da saída terá que ser de Bolsonaro. 

NÃO VAI SER FÁCIL

O Ministério da Saúde quer cinco milhões de profissionais de outras áreas relacionadas a saúde – dentistas, veterinários, nutricionistas, biólogos, psicólogos, etc. – para combater o coronavírus. Com base em uma portaria publicada ontem, foram enviados ofícios a 14 conselhos de classe para solicitar os dados de suas bases. A ideia é cadastrar esses trabalhadores para, em seguida, recrutá-los e capacitá-los.

“Estamos começandoa construir agora esse cadastro e focando primeiro nos profissionais de saúde que têm disponibilidade e que querem contribuir e enfrentar de peito aberto, indo para os estados onde houver maior necessidade para reforçar equipes médicas em todo o Brasil. Por enquanto, estamos apenas cadastrando para saber, repito, quem pode, quem quer e quem tem disponibilidade para ajudar os estados”, disse Mandetta ontem. De acordo com ele, é uma medida necessária quando há afastamento de profissionais infectados: “Na Itália, por exemplo, logo no começo da epidemia perderam 45% da força de trabalho. Normalmente, nos casos mais leves, as pessoas levam até 14 dias para voltar ao trabalho e esse tempo é muito grande nesse momento de pandemia”.

É claro que já deu confusão com os médicos. O Cremerj, Conselho Regional de Medicina do Rio, moveu uma ação judicial para impedir a convocação de seus filiados para atuar em outros locais do país. O ministro engrossou: “Primeiro, quero dizer que isso não existe. Médico enfrenta a situação. Segundo, que a lei prevê a requisição de bens e serviços. Se tiver necessidade, a gente vai requisitar, sim. Terceiro, eu lembro bem quando teve uma epidemia de dengue no Rio de Janeiro. Eu era secretário de outro Estado, mas coordenei a ida de médicos de outros Estados para ajudarem no Rio de Janeiro a enfrentar a epidemia de dengue”.

NÃO TEM BOM CENÁRIO

Mesmo se o Brasil conseguir “achatar a curva” de transmissão do coronavírus, ou seja, se o contágio evoluir lentamente, os hospitais não vão dar conta. A projeção é de um grupo ligado ao Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG. Segundo o estudo, se 0,1% da população contrair o vírus em um mês, vão faltar leitos de UTI em 44% das regiões  de saúde.

Os municípios que não vão ter condições de atender aos pacientes graves vão acabar tendo que recorrer à estrutura de cidades maiores e próximas, mas mesmo assim isso depende do quanto estas últimas vão ser atingidas. “Em muitos desses lugares, é possível que a oferta de ambulâncias equipadas e profissionais preparados para o transporte dos doentes que necessitarão de maiores cuidados seja mais decisiva do que a disponibilidade de leitos”, afirma o demógrafo Gilvan Guedes, um dos pesquisadores envolvidos.

A matéria da Folha cita ainda outra projeção, feita por um grupo da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard, nos EUA. De acordo com ela, se os casos evoluírem no mesmo ritmo observado na China, na cidade de São Paulo vão faltar leitos comuns e de UTI a partir da segunda quinzena de abril. A própria Prefeitura anunciou essa mesma previsão ontem.

FALTA TUDO, INCLUSIVE PERSPICÁCIA

O drama dos equipamentos de proteção individual continua. Isso porque as perspectivas não são boas. Por ora, o Ministério da Saúde está distribuindo 40 milhões de itens aos estados. Ontem, Mandetta inclusive disse que alguns estados pediram que a Pasta pare de entregar equipamentos por falta de central de estoque… Mas o problema é que as tentativas de comprar outras centenas de milhões EPIs lá fora ainda não deram em nada. “Temos um momento intenso de ajuste de toda produção e logística. Às vezes a pessoa fala: ‘Tenho recurso, eu compro’. E a empresa responde: ‘Eu te vendo, mas não tenho avião’. Então, você tem de descer em outro aeroporto, transportar a carga. Querem pagamento à vista. O mercado mudou muito”, disse.

O cenário de produção nacional é preocupante. E adivinha por quê? Mais da metade das matérias-primas necessárias à produção dos EPIs são importadas também. A maioria, da Ásia. “Sabemos que já falta no mercado o material filtrante, insumo usado como filtro bacteriano nos descartáveis hospitalares”, disse César Matias, gerente da empresa Protdesc, em entrevista ao Globo. A companhia, que dobrou sua produção desde o fim de janeiro, e fabrica hoje seis mil caixas com 50 máscaras cada por dia, dispõe de estoque para continuar trabalhando por mais 60 dias. 

Outro enorme entrave é que faltou ao governo federal perspicácia e agilidade para regular o mercado. Foi só no dia 31 de março que o projeto de lei 668, que proíbe a exportação de EPIs e respiradores durante a pandemia, foi à sanção presidencial. O PL foi uma iniciativa do próprio Congresso. Uma consulta ao Diário Oficial feita às 5h de hoje mostrou que Jair Bolsonaro ainda não havia sancionado o texto. 

“Nosso problema não é só organizar o sistema para atender os pacientes da covid-19, mas ter acesso aos materiais básicos necessários. Com o dólar a R$ 5, estamos em desvantagem e o governo não regula o mercado. Muitos produtos que precisamos foram exportados pelas empresas, porque está vantajoso vender no exterior e não aqui dentro”, criticou Januário Carneiro da Cunha Neto, integrante do Conasems, o Conselho de Secretários Municipais de Saúde, também em entrevista ao Globo

Além disso, os preços do que é produzido por aqui precisariam ser segurados. Nessa reportagem do jornal carioca, há outra declaração muito significativa das mudanças de pensamento trazidas pela pandemia: “Sou a favor do livre mercado, mas num momento de crise como esse, o mercado não pode ser tão livre assim. É preciso que o governo federal atue”. A frase é do presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo, Yussif Mere Junior. 

Ontem, o ministro da Defesa Fernando Azevêdo e Silva se encontrou com membros da chamada Base Industrial de Defesa – que reúne tanto empresas estatais, quanto privadas – para pedir que, ao invés de equipamentos de guerra, as empresas orientem suas plantas à produção do que for necessário ao enfrentamento da covid-19. Como se vê, o governo continua nessa linha educada dos “pedidos”. 

USAR, NÃO USAR

Na esteira do que vem sendo indicado em outros países, o Ministério da Saúde mudou ontem a orientação sobre o uso de maścaras pela população em geral. Se, antes, a fala era a de que elas só deveriam ser usadas por profissionais de saúde, doentes e pessoas cuidando de infectados – o que ainda é o posicionamento da OMS –, agora a Pasta indica que todo mundo use. Mas faltam máscaras cirúrgicas e as N 95 (mais eficientes) até mesmo para profissionais, como sabemos, de modo que as pessoas devem usar só versões caseiras, feitas com tecido. Na semana passada, o secretário-executivo da Pasta João Gabbardo já tinha cantado a pedra.

Na verdade, não há nenhum consenso sobre isso, já que não há muita pesquisa a respeito, mas cada vez mais especialistas fazem coro à sugestão, Na BBC, o  presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, Fernando Spilki, explica que essa barreira funciona melhor para evitar a contaminação dos outros do que para proteger quem usa, mas, ainda assim, acaba sendo importante para frear as infecções. O que não dá é pra substituir as orientações anteriores e sair de pano no rosto achando que está tudo bem. “O que é preciso lembrar é que manter a distância das pessoas e lavar as mãos corretamente são medidas muito mais importantes para prevenir o contágio do que o uso de máscaras”, diz.

RISCO SE REPETE

O governo está desrespeitando uma decisão judicial. No dia 31 de março, o juiz federal Manoel Pedro Martins de Castro Filho, da 6ª Vara de Brasília, determinou que atividades religiosas de qualquer natureza não podem ser consideradas serviços essenciais, como Bolsonaro definiu por decreto. Mas, até ontem à noite, a decisão, que precisava ser acatada em até 24 horas, não havia sido cumprida.

Aliás, o presidente fez um aceno a simpatizantes evangélicos, indicando que pretende, em parceria com pastores, convocar um chamado nacional de jejum religioso para o domingo (5). O jejum é para que “o Brasil fique livre desse mal o mais rápido possível”…  

Em menor escala, a cidade de Aquiraz, na região metropolitana de Fortaleza, está experimentando uma situação semelhante à da Coreia do Sul, que viu as infecções saltarem entre os membros de uma igreja. Isso porque o município tem a maior taxa proporcional de infectados do Ceará. E o foco de casos confirmados e suspeitos é a Comunidade Católica Shalom, onde há 12 membros infectados e 37 aguardando confirmação de exames. Por lá, as autoridades de saúde receberam relatos de que os fiéis teriam sido infectados após a realização de um evento religioso no Carnaval que contou com convidados estrangeiros (a Comunidade nega).    

PELO MENOS ISSO

Em meio à pandemia, o ministro do STF Ricardo Lewandowski suspendeu a portaria do Ministério da Agricultura que determinava a liberação automática de novos agrotóxicos caso o governo demorasse mais de 60 dias para decidir sobre o registro. Na decisão, ele diz que o sistema de saúde poderia ficar ainda mais sobrecarregado com a “liberação indiscriminada”: “Contribuiria para aumentar ainda mais o caos que se instaurou em nosso sistema público de saúde, já altamente sobrecarregado com a pandemia que grassa sem controle”.

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