Resistência, arte e um Makunaíma na selva de pedra

Último relato da série sobre indígenas nas metrópoles. Na escola e no poder público, ele viu as engrenagens de apagamento da vida ancestral – e as brechas para resistir. Formou-se inquieto artista que busca conectar o urbano e o ancestral

Relato de Jaider Esbell a Angela Pappiani, na coluna Trincheiras Indígenas nas Cidades

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Jaider Esbell nasceu na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, dentro da tradição do povo Makuxi, os netos de Makunaima, herói civilizador apropriado por Mário de Andrade, que o fez conhecido através da literatura. Jaider, agora com 42 anos, vem fazendo, desde criança, um percurso de apropriação das tecnologias e conhecimentos do mundo dos “brancos” para trazer até nós esse herói e tantos outros seres e histórias do povo Makuxi através de sua arte, seja na literatura, desenhos, pinturas, vídeos, instalações. Um artista múltiplo, curioso, em constante movimento criativo, rompendo fronteiras, com posicionamento político, estético, filosófico para que brasileiros e estrangeiros conheçam as cosmologias dos povos originários e possam escutar e respeitar seus conhecimentos e sua forma de estar no mundo.

Ele recebeu prêmios importantes, conquistou espaços reconhecidos no mundo da arte como a Pinacoteca de São Paulo, a Galeria Millan, o MASP, o festival CURA de Belo Horizonte, a 34ª Bienal de São Paulo, entre tantos outros, para sua obra e para outros artistas indígenas, num movimento coletivo que ganha cada vez mais força e projeção. A Galeria Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea, em Boa Vista, Roraima, é considerada a primeira galeria de arte indígena independente, com um trabalho de pesquisa, criação, diálogo e acolhimento de muitos outros artistas indígenas do país. A instalação Entidades, realizada em setembro de 2020 no Viaduto Santa Tereza, em Belo Horizonte, trouxe duas enormes serpentes coloridas e iluminadas, de 17 metros de altura, que subiam pela estrutura de ferro do viaduto e se encontravam no espaço central, sob o céu da cidade. A obra foi visitada por milhares de pessoas, demandando um esquema especial de trânsito na região para evitar congestionamentos, e foi objeto de centenas de matérias na mídia nacional e internacional. Causou espanto, admiração, reflexão, discussões, encantamento e também manifestações de intolerância e ameaças de vandalismo, reflexo do momento que vivemos. Jaider agora aguarda o reconhecimento como doutor por notório saber pela Universidade Federal de Minas Gerais, o que vai lhe permitir assumir oficialmente a orientação de outras pessoas que estão cursando mestrado, doutorado, abrindo um precedente para que se construa outras relações no mundo da pesquisa.

Instalação Entidades (2020), em Belo Horizonte

Assim, a presença, a obra, o movimento estético e político desse artista viajam além de sua aldeia, nos campos lavrados de Roraima, para conquistar e ampliar as trincheiras no coração das cidades. Com a palavra, Jaider Esbell:

“Quando nasci, em 1979, Normandia (RR) já era um município, dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Nós morávamos fora, mas eu ficava nesse interflúvio entre as aldeias e a sede do município onde estudei todo o ensino básico fundamental, onde desenvolvi minhas primeiras interações para ampliar, desde muito cedo, essa ideia de mundo urbano, desenvolvendo a relação com a cidade.

“Minha infância é o núcleo de minha existência, de ter a memória como um recurso de projeção de mundo. Foi, e tem sido, a melhor fase da minha vida porque vem me alimentar de múltiplas vivências desses universos. Tive o privilégio de nascer e crescer na zona rural, fora da cidade, e pude desenvolver a intimidade com minha própria cultura, embora a necessidade de estar mais tempo na escola tenha me privado de um contato mais direto e melhor com a língua Macuxi. Por outro lado, pude usufruir do contato com a cultura, com as tradições e com a cosmologia.

“Venho dessa linhagem cosmológica do Makunaima. Na infância tenho os primeiros contatos com fragmentos dessa cosmologia, mas parte de minha pesquisa artística vem buscando enveredar ainda mais por essas infindáveis narrativas que se intercruzam e compõe o bojo, o computo de nossa cosmologia, de nossa relação de mundo, de nossa chegada ao mundo”.

A escola… me afasta da minha cultura e me prepara para ser um indivíduo competitivo, o que é totalmente diferente da educação na comunidade, que é voltada para a coletividade”

A escola entra com um papel determinante. Ao mesmo tempo que ela não deixa de me apartar de meu mundo Makuxi, acaba me possibilitando uma conexão com o mundo não indígena de uma forma mais autônoma, por meio das leituras que a alfabetização proporciona. Eu fui alfabetizado em casa, pela minha mãe e irmãs que também me introduziram nas operações matemáticas. Quando vou para a escola já tenho essa base. A escola talvez tenha me dado uma outra visão, a possibilidade de ampliar os horizontes, mas não é uma relação unicamente de bem-querer. Ela, além de introduzir muitos assuntos que não condizem com a realidade de meu povo, ainda me afasta da minha cultura e me prepara para ser um indivíduo competitivo, o que é totalmente diferente da educação na comunidade, que é voltada para a coletividade, para a interação. Na escola, eu tive também contato com os primeiros atos violentos, fui colocado de castigo na sala escura, peguei a palmatória, uma herança da educação nordestina pela qual minha mãe também passou.

Foi na infância que eu tive contato também com os movimentos sociais mais organizados pelo povo indígena. Minha mãe já nasceu católica e acabei sendo educado pelo sistema cristão. Estive muito tempo envolvido diretamente com a igreja. Junto com os padres, pude percorrer boa parte do meu território, que ainda não era demarcado. E fui analisando toda essa relação complexa, de como a igreja se relaciona com o meu povo.

Então, eu começo a minha pesquisa muito cedo, já percebo essa vontade de conhecer mais sobre nossa origem e sobre nossa relação com essa realidade. Eu vou para o garimpo, com esse mesmo intuito de pesquisar, de saber como é. Quando minha família achava que eu ia trabalhar, garimpar, eu fui pesquisar, analisar. É na infância que tenho contato com tudo isso, esse contato direto com a violência, com os fazendeiros tocando o terror em nosso povo, barbáries neonazistas, torturas de todos os tipos, tentativas de ecocídio, genocídio e todas as aberrações que eu pude acompanhar. Ter a dimensão de que a gente estava realmente numa guerra.

Foram várias coisas que aconteceram na minha vida que me fizeram esse ser que hoje ainda está em construção. Foi na infância que desenvolvi todas essas experiências e também todas essas ilusões com o mundo, essas vontades de conhecer mais o mundo dos brancos. Aos 18 anos, quando termino o ensino médio, tem esse momento decisivo na vida dos meninos, que é a história do alistamento militar, para o qual eu não fui selecionado e que, de certa forma, agradeço.

Acho que subjetivamente a arte tem me orientado em relação ao que fazer da vida. Embora não sabendo que se chamasse arte, eu já desenvolvia um talento desde muito cedo. Como não precisava aprender a ler e escrever, enquanto meus colegas estavam nesse período de alfabetização, eu fugia da sala de aula por meio do desenho, da elaboração de textos. Considerando essas duas habilidades, pelo menos, a contação de história escrita e a elaboração de desenhos, isso vem alimentando todo o meu imaginário, preenchendo todo o meu tempo. Não tenho dúvida de que fui descobrindo aos poucos que o que gostava de fazer era arte.

…ideia de pesquisa que venho desenvolvendo desde a infância, buscar por essa memória, essa ligação maior com Makunaima e com a tradição

Depois de terminar os estudos no interior, decidi ir para Boa Vista, tentar a aproximação de mundos, alcançar mais. Nessa época, todos os meus irmãos mais velhos já moravam em Boa Vista, porque ainda não tinha o ensino médio em Normandia. Fui morar com minha irmã. Tive o apoio de um amigo conterrâneo que me indicou para uma empresa estatal e consegui meu primeiro emprego na cidade, aos 19 anos. Oito meses depois, quando surgiu um concurso público para eletricista de alta-tensão, para cuidar do sistema elétrico que estava vindo da Venezuela, fiz, fui aprovado e fiquei nessa função até 2016, quando me demito oficialmente. Esse tempo que fiquei na empresa foi fundamental para que eu entendesse mais da dinâmica do mundo, foi quando fiz Geografia na Faculdade Federal de Roraima e especialização em Gestão Ambiental.

Tentei mestrado por duas vezes. Quando não fui aceito, decidi, de fato, me dedicar às artes que já vinha desenvolvendo. Já havia participado de alguns concursos de poesia, ganhado prêmios, estava desenhando com mais frequência. Em 2009 participo do edital de bolsas para novos escritores para a região amazônica e ganho uma bolsa que resulta no livro Terreiro de Makunaima, mitos, lendas, histórias em vivências. É um marco. Onde começo a me encarar mais profissionalmente como artista, respeitar mais o meu talento. Até então, eu produzia literatura e rasgava, jogava fora. A partir daí começo a guardar meus textos originais e desenhos para montar um acervo. O livro é a publicação de uma primeira ideia de pesquisa que venho desenvolvendo desde a infância, buscar por essa memória, essa ligação maior com Makunaima e com a tradição, estando em contexto de urbanidade, de mundo não indígena. O livro sai somente em 2012, mas em 2011 faço a minha primeira exposição que chamo I Mostra Jaider Esbell de Artes Integradas, na sede do município onde nasci. Levo para Normandia uma exposição de artes plásticas, pintura, fotografia digital, de vídeos com celular e o projeto do livro. É uma espécie de volta para casa depois de 15 anos morando e trabalhando em Boa Vista. Uma reapresentação para o meu povo, meus próprios parentes, colegas, amigos, para a sociedade da cidade. No mesmo ano, em Boa Vista, na universidade onde fui aluno, acontece a exposição Cabocagem – O Homem na Paisagem, que já começa a gerar matérias em jornal, onde começo a consolidar as vendas do meu trabalho e acaba sendo um marco da minha carreira.

Foi por meio do trabalho na Eletrobras, pelo salário, pela dimensão que me deu, que pude realizar pesquisas, aprender muito sobre o sistema que me fascina, entender a dinâmica das corporações, como funciona uma empresa. Também pude desenvolver boa parte da minha habilidade, até artística e comunicacional, onde assumi funções nas questões de meio ambiente, uma área que gosto muito e onde queria me especializar. Fiz essa intermediação entre a empresa e as comunidades indígenas por onde a linha de transmissão passava. Foi muito prazeroso e construtivo.

Saio da empresa quando tinha essa estrutura básica, já tinha construído a casa para minha família na cidade, tinha me estruturado melhor e, em 2013, sou convidado a dar algumas aulas nos Estados Unidos e preciso me desligar pela primeira vez. Fui dar aulas no Pitzer College, na Califórnia, a convite da professora Leda Martins, que é roraimense e lecionava lá. Esse ano foi importante também porque é quando eu começo a viver do meu sustento por meio das artes, do meu trabalho. Quando retorno para o Brasil, acontece o II Encontro de todos os povos, que desenvolvi durante três anos aqui em Roraima em parceria com universidades, organizações, empresários, onde exercitei bastante essa prática curatorial, de produtor, articulador. O I Encontro aconteceu em 2013, antes de ir para os EUA. Esses encontros geraram um acervo de obras que permite abrir a Galeria Jaider Esbell, meu estúdio, e realizar uma série de atividades na cidade envolvendo as comunidades, coletivos de artistas, artesãos, em volta da nossa cultura, consolidando esse lugar que hoje é considerado a primeira galeria de arte indígena essencialmente mantida e administrada por indígenas, e o maior acervo dessa natureza no Brasil.

…nossas cosmologias, nossa espiritualidade são o sustento de nossa sobrevivência mesma e tudo que a gente tem, de fato, vem daí”

De 2013 a 2016 fiquei em licença da empresa, sem remuneração, postergando, só então me demiti de fato e saio em itinerância pelo Nordeste, desde S. Luiz do Maranhão até São Paulo, onde participo da instalação Oca Tapera Terreiro do Bene Fonteles na Bienal, junto com o Ailton Krenak. Foi um ano em que disseminei bastante meu trabalho, minhas ideias e me levou para um outro lugar bem estratégico nessa conexão, de construção de um outro pensamento em conjunto com os não indígenas, de integrar, de construir conexões.

Um dos elementos fundamentais de minha ideia de trabalho é a denúncia, dizer que nossas cosmologias, nossa espiritualidade são o sustento de nossa sobrevivência mesma e tudo que a gente tem, de fato, vem daí, e que esse contato com o mundo branco é uma forma de marcar nossa presença e tentar minimamente fazer parte disso, das grandes decisões. Usufruir não só do lado negativo da tecnologia, mas aproveitar integralmente o que se constitui como desenvolvimento. Uma ideia de levar as populações indígenas a um outro patamar de sociedade que não nos prive, não nos coloque atrás de uma linha divisória de um tempo de história onde a gente ainda passe por atrasado ou subdesenvolvido, ou outras questões que não nos deem condições de paridade. Colocar nossos conhecimentos, visões, toda a medicina, espiritualidade, os rezos, como tecnologia e conhecimento, não como apenas crendices, num lugar de esoterismo.

Nossa arte, nosso movimento, não é uma moda da estação, que depois passa. A gente veio para ficar”

Me vejo nesse lugar de levar essas questões todas que a arte acaba envolvendo, numa dimensão maior, até pela facilidade que tenho de me comunicar, de acessar esses lugares. Tenho visto a repercussão do meu trabalho na construção da carreira de outros artistas expoentes, como o Denilson Baniwa. Posso considerar que ele é um aprendiz, junto comigo, com a Daiara Tukano, num apoio para caminhar no mundo enquanto artistas, com as próprias pernas. Acaba sendo uma escola, um movimento que vem com o cuidado de não se desconectar da razão primordial, da anterioridade, do movimento de base, pensando nossa atuação enquanto projeção do movimento indígena em outros lugares onde só iria mesmo com a arte. São outras estratégias de pensar o que a gente faz, a maneira como faz.

Tenho acompanhado a pesquisa acadêmica de muitos graduandos, pós-graduandos. Tenho escrito teoricamente sobre a arte indígena contemporânea, alguns comportamentos que envolvem as nossas sociedades como a ideia do txaismo, buscando criar sinalizadores para o nosso tempo, entender as urgências, o que de fato a gente está fazendo, quais as chances que a gente teria nessa agenda, quais os riscos que a gente corre. A chance seria se a gente sempre atuasse como coletividade nessas estratégias, e o risco é quando a gente se desgarra disso e tenta esquecer da luta em detrimento de uma carreira.

A gente vem desse lugar, de uma longa trajetória, quando os parentes precisavam se deslocar a pé do Rio Grande do Sul para Brasília para fazer denúncias. Isso é performance, isso é político, artístico também. São outras performances, maneiras de se fazer política e arte. Aí vem a Constituição de 1988 com a imagem do Ailton Krenak (pintando seu rosto de preto no Congresso Nacional), simbólica, decisiva, fundamental, vem essa evolução dessa geração que chega aprendendo muito rapidamente e já está passando a bola para uma galera que está vindo na sequência.

Nossa arte, nosso movimento, não é uma moda da estação, que depois passa. A gente veio para ficar e está bem interessado em ver a coisa acontecer. Nossa arte precisa estar contemplada nos acervos de todas as instituições, pelo modo mais justo e honesto que é por meio das aquisições com preços justos pelo nosso trabalho, que não seja um trabalho menor, ou nos peçam doação.

…você é parte de um povo que está em guerra e você é um guerreiro”

São várias questões políticas envolvidas e eu acabo representando a figura mais articulada, mais política, que não é meramente do artista que só sabe pintar ou desenhar, ou tecer, ou trançar, mas que sabe se envolver nas questões, cobrar, se posicionar historicamente e politicamente. Temos uma lista de artistas indígenas convidados para a 34ª. Bienal de São Paulo depois de uma boa articulação de bastidores, de educar esse pensamento do curador institucional branco. Daiara Tukano, Gustavo Caboco Wapichana, Uyra, eu mesmo e a Sueli Maxacali. No começo eles diziam que a Bienal não tinha nenhuma linha de pensamento que direcionasse um recorte de arte indígena. E agora vejo publicações onde a própria Bienal assume que a arte indígena vai ser uma vertente importante da sua exposição. Isso é fundamental para que o Brasil perceba que talvez seja a arte que venha a dizer o que a gente ainda não conseguiu durante esses 500 anos. Não que as coisas não tenham sido ditas, mas a sociedade talvez não tenha ouvido. A arte tem essa capacidade de falar muito pelas linguagens, de fazer o seu trabalho silencioso, fino, transformador, de uma maneira própria. Precisamos chegar nesses lugares da apresentação para nos colocar enquanto parte de uma sociedade, de uma civilização, da maneira melhor que a gente entender que deve ser.

O que estamos construindo não são espaços dados, são conquistas construídas com muitas estratégias ao longo de muito tempo. O tipo de educação que eu recebo para enxergar o mundo de uma forma diferente, muito cedo na infância, para eu me virar sozinho por esses caminhos, parte da consciência de que você é parte de um povo que está em guerra e você é um guerreiro. Porque a responsabilização pela coletividade vem muito cedo também, você se sente parte daquilo, se sente desafiado por toda aquela violência. Então você vai fazer sua trajetória.

…fazer de cada ação artística um manifesto de vida, falar o máximo que puder através das imagens e dos gestos”

A cidade passa a ser um lugar primordial para nossa projeção porque é da cidade que vêm os maiores malefícios. É na cidade onde acontece também o apagamento, a invisibilização total desses conhecimentos, das nossas realidades múltiplas, diversas, das nossas várias particularidades. Então a gente precisa pensar em como construir essa apresentação nesse lugar, onde a gente consiga, de fato, nos posicionar, nos autoapresentar. E tem várias formas de fazer isso. Uma das formas é tentar, com muita habilidade, fazer de cada ação artística um manifesto de vida, falar o máximo que puder através das imagens e dos gestos.

Tivemos a oportunidade de participar do CURA – Circuito Urbano de Arte, em Belo Horizonte. Colaborei com Daiara Tukano na pintura empena (painel na lateral de um prédio) A mãe do rio, fazendo relação com a cidade e o estado de Minas Gerais, um estado garimpeiro, pela devastação que fizeram com o rio Mariana, o Watu (Rio Doce) e outros riscos de colapso que estão por acontecer a qualquer momento. Criei também a instalação Entidades, no Viaduto Santa Tereza:

As duas cobras que levaram para um espaço público uma ação inédita em meu trabalho, e a repercussão foi gigantesca. Trouxe à tona muitas discussões, inclusive as intolerâncias que são, muitas vezes veladas, mas que, com um ato artístico desses, provoca uma reação nas pessoas que são intolerantes, ignorantes. São muitas formas de alcance do meu trabalho, provocações no campo afetivo, das subjetividades. São caminhos políticos que estamos buscando percorrer a partir de nossas práticas.

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