São Paulo começa a conquistar Tarifa Zero

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Depois de anos de luta, moradores do Extremo Sul e MPL obtêm da prefeitura linha regular de ônibus. Será gratuita: primeiro sinal de que também nas metrópoles a Mobilidade Urbana pode ser direito de todos 

Com informações do Movimento Passe Livre

Caiu no sábado passado (23/5), em São Paulo, um grande tabu que limitava o Direito às Cidades nas grandes metrópoles. Após anos de luta, os moradores dos bairros do Marsilac, Barragem, Bosque do Sol e Jusa, no extremo sul da cidade, conquistaram quatro novas linhas de ônibus, que garantirão pela primeira vez o acesso pleno ao transporte público. O transporte será gratuito, pela primeira vez na maior metrópole do país.

A vitória foi alcançada em reunião com o Prefeito Haddad, os secretário dos Transportes e do Verde e a SPTrans, operadora das linhas de ônibus no município. O encontro ocorreu na subprefeitura de Parelheiros. Enquanto representantes dos moradores e do Movimento Passe Livre (MPL) dialogavam com os governantes, a população protestava na avenida. Nessa reunião, foi decidido o seguinte:

    • Criação imediata de uma linha regular de transporte urbano no bairro do Bosque do Sol até o Varginha, com atendimento na Estrada do Jusa.
    • Criação de uma linha de ônibus rural no itinerário Mambu – Marsilac, com Tarifa Zero para os moradores e caráter experimental por 180 dias, após aprovação da Cetesb.
    • Estudo para a criação de duas linhas circulares na região da Barragem com o mesmo caráter rural, experimental e gratuito aos moradores.
    • Melhoria de todas as vias e construção de uma nova ponte sobre o Rio Mambu.

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Nada veio de graça. Nos últimos anos, a população do Extremo Sul de S.Paulo — uma enorme área de natureza preservada e em parte rural, porém empobrecida e com serviços públicos precários —  organizou um movimento em suas comunidades um movimento autônomo pelo acesso ao transporte público. Enfrentou condições difíceis: como as linhas não eram consideradas economicamente vantajosas, pelos empresários de ônibus, em alguma áreas remotas só se tinha acesso ao serviço após até uma hora de caminhada. Reagiu articulando formas criativas de luta: uma delas, uma Tarifa Zero experimental, em ônibus fretado pela própria comunidade (na foto), a partir de arrecadação própria. Teve apoio constante do MPL.

O resultado dessa reunião mostrou também que o problema do transporte na região foi sempre uma questão política, e não técnica. Foi a luta popular que fez valer um aspecto decisivo do Direito à Cidade. Segundo o MPL, “a caminhada não vai parar por aqui. A luta vai continuar para garantir que as conquistas da reunião se efetivem na prática”.

 

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