Pochmann enfrenta o "mito da grande classe média"

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Em novo livro, economista destaca: milhões de ocupações criadas na Era Lula são mal remuneradas; mas perturbam elite conservadora, que perdeu antiga rede de serviçais baratos

Pela Editora Boitempo

Márcio Pochmann debaterá as ideias sustentadas no livro nesta quinta-feira (8/5), às 19h, em São Paulo (Biblioteca Mário de Andrade)

Depois de seu aclamado Nova classe média?, livro que reconfigurou o debate contemporâneo sobre o tema, o economista Marcio Pochmann lança O mito da grande classe média: capitalismo e estrutura social, para retomar a discussão sobre a economia política da mobilidade social, apontando para duas questões especiais. A primeira relacionada à tensão aberta em torno da abissal diferença entre a qualidade de vida entre ricos e pobres.

Desde a década de 2000, a inclusão social em massa interfere na base geral da prestação de serviços baratos pelos pobres aos ricos. Por dispor de enorme força de trabalho barata e expressiva para atender aos serviços familiares e pessoais, as elites detêm qualidade de vida consagrada pelo consumo equivalente ao dos ricos nos países desenvolvidos, acrescida ainda por verdadeira rede de serviçais.

O salto na geração de ocupações formais reduziu sensivelmente o desemprego, sobretudo entre os pobres, tornando menos abundante oferta dos serviços baratos, o que implicou alguma transferência de renda privada de famílias ricas para as pobres. Na sequência, a elevação no padrão de consumo dos trabalhadores pobres, impulsionada por políticas públicas inclusivas adicionais como na educação, transporte e habitação gerou o desconforto da desmonopolização de oportunidades consagradas fundamentalmente aos segmentos de maior rendimento.

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A segunda questão emerge do entendimento de que a sustentação do crescimento econômico com geração de emprego pela maior progressividade no gasto público se tornou mais decisiva do que os atributos individuais dos emergentes no processo recente de mobilidade social. Do saldo de mais de 21 milhões de novos postos de trabalho abertos durante a década de 2000, despontou o protagonismo do setor terciário (serviços e comércio) e a concentração das remunerações em até 2 salários mínimos mensais.

Esse ambiente de forte geração dos empregos com menor rendimento se mostrou funcional à absorção da população trabalhadora pertencente à base da pirâmide social. No quesito atribuição pessoal dos brasileiros emergentes, a migração do campo para a cidade perdeu importância, com maior expressão urbana e de escolaridade entre os que mais ascenderam no País.

O sucesso da retomada da mobilidade social proporcionada por reforço das políticas públicas tornou um mito a versão da grande classe média. Tal como nas economias desenvolvidas, o Brasil repete a possibilidade – cada vez mais distante do neoliberalismo em vigor no mundo – da ascensão e fortalecimento das classes trabalhadoras. Este é o desafio a ser explicado pelo recém lançado livro O mito da grande classe média: capitalismo e estrutura social, em um ciclo de debates em São Paulo e em Brasília.

Serviço

São Paulo

8 de maio | 19h | Debate “O mito da grande classe média”, com Marcio Pochmann

Biblioteca Mario de Andrade | Rua da Consolação, 94, Centro | São Paulo

Brasília

3 de junho | Debate “O mito da grande classe média”, com Marcio Pochmann

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