Em livro, a potente voz das mulheres negras

Filósofas, catadoras, psicólogas, domésticas, deputadas. Textos, que abarcam 250 anos do feminismo negro no Brasil, denunciam opressão e apagamento histórico. Lançamento, em SP, conta com debate com algumas dessas vozes insurgentes

Conceição Evaristo, escritora, doutora em literatura comparada, professora e militante do movimento negro. Um de seus poemas fecha o livroVozes Insurgentes de Mulheres Negras

LANÇAMENTO:
Quarta-feira, 24/7, às 19h, em São Paulo
na Fundação Rosa Luxemburgo
Rua Ferreira de Araújo, 36 – Metrô Pinheiros (mapa)
Debate com Matilde Ribeiro, Nilma Bentes,
Bianca Santana e Juliana Gonçalves
(mediação: Christiane Gomes)
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“Enquanto feminista negra, empolga-me a ideia de acompanhar a genealogia do pensamento feminista negro no Brasil. E, quando penso o quanto até hoje as feministas negras sofrem ataques que ignoram as construções políticas realizadas ao longo dos anos, reforça-se a percepção de que poucos leem o que escrevem as mulheres negras.” Assim a jornalista e ativista Juliana Gonçalves apresenta o livro Vozes Insurgentes de Mulheres Negras – do século XVIII à primeira década do século XXI. Ela será uma das debatedoras no lançamento da publicação, que acontece amanhã, 24/7, em São Paulo.

Na semana em que a morte de Marielle Franco faz 500 dias, ainda sem respostas, este livro recupera as tantas vozes de mulheres negras que ousaram se levantar contra as opressões no Brasil, desde a época de sua colonização. Trata-se de uma importantíssima reunião de textos históricos de mulheres como Carolina de Jesus, Mãe Stella de Oxóssi, Sueli Carneiro, Conceição Evaristo. “A doméstica, a catadora, a deputada, a ialorixá, a médica, a escritora, a psicóloga, a filósofa… São tantas vivências de mulheres negras aqui registradas que conseguimos traçar um amplo espectro histórico do que significa essa identidade de mulher negra.”

Outras Palavras publicou um dos capítulos do livro, da filósofa, historiadora e professora Lélia Gonzalez, que aprofundou o debate do papel da mulher negra tanto no feminismo quanto na luta contra o racismo. Publicado em 1980, o texto é de uma atualidade desconcertante, e também muito enriquecedor ao enxergar os papéis impostos à mulher negra historicamente, no Brasil. Leia abaixo:

Editado pela Mazza Edições e pela Fundação Rosa Luxemburgo, o livro é um farol em tempos de retrocessos históricos. Mostra que a resistência e a criação de uma sociedade mais justa são centenárias e precisam ser compreendidas como um processo contínuo. Juliana termina: “Sonho aqui que este livro será um grande instrumento para as mulheres negras. E […] espero que possamos com Vozes insurgentes de mulheres negras sentar em roda, ler em voz alta esses inscritos, trocar, para que juntas possamos, cada vez mais, ressignificar o passado e sonhar o futuro.”

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