O hemibourbonismo e a volta da dívida externa

Incapaz de apoiar Estados em crise, governo Bolsonaro quer obrigá-los a se endividar no exterior. É receita certa para desastre cambial – mas há quem tudo esqueça, e nada aprenda…

Fernando VII, um Bourbon da cepa original

Por Artur Araújo| Imagem: Francisco Goya, Retrato de Fernando VII de Espanha em suas vestes de Estado (1815), detalhe

Dizia-se dos Bourbons que “nada aprendiam e nada esqueciam”. Paulo Ipiranga, a mando de Homer Cado, quer praticar uma versão carijó do bourbonismo, fazendo do Brasil um país que tudo esqueça e nada aprenda.

Pretende retomar com gosto o processo de formação de dívida externa, com seus juros flutuantes e enormes riscos cambiais, cenário aterrorizante de que só viemos a nos livrar, depois de décadas, durante o governo Lula.

A título de “socorrer os estados”, propõe aval da União para garantir gordíssimos lucros para bancos estrangeiros, cacifando operações em moeda não soberana.

Como reporta a Folha de S.Paulo:

Instituições públicas, como BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Banco do Brasil e Caixa, que no passado socorreram governadores, ficarão de fora desta vez.

Citibank, JPMorgan, BofA, BNP Paribas e Santander sinalizaram interesse em emprestar aos estados, desde que tenham a União como fiadora.”

[assim até eu, que sou muito mais bobo e nem dinheiro tenho, mas toparia captar a juro externo e emprestar a Selic + spread + indexação à prime, se avalizado pelo Tesouro]

O hemibourbonismo terá como resultado inevitável o duplo castigo das crises de balanço de pagamentos e a tomada de comando dos estados por credores internacionais. Mas Homer, certamente, pode ganhar muito dinheiro fácil, cortesia da turma de J. Messias&Co.

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