Na cama, mesa & banho com o inimigo

Ao invés de lutar pela Previdência pública, há setores do sindicalismo dispostos a aderir ao modelo de “capitalização canadense” – e, assim “virar brother dos banqueiros”…

Por Artur Araújo

Maria Cristina Fernandes, em sua coluna no Valor de hoje (28/2), reporta movimentos inaceitáveis por parte de dirigentes de centrais sindicais. A sedução pela “solução mágica” para a crise financeira, provocada pela deforma trabalhista, tem que ser abatida no nascedouro, sob pena de se criarem condições privilegiadas para a aprovação da PEC da deforma das aposentadorias, que massacra os trabalhadores representados pelas próprias centrais. Eis o texto:

Social e financeiro unidos

Circula entre dirigentes da Força Sindical, CUT e UGT um texto que ensina como o modelo de fundo de pensão adotado no Canadá e nos Estados Unidos foi capaz de promover a ‘união entre o social e o financeiro’.

Com uma arrecadação, em 2018, equivalente a menos de um décimo daquela do ano anterior, quando vigia o imposto sindical, as centrais já planejam uma associação com bancos ou, até mesmo, a criação de bancos próprios que possam gerir os fundos previdenciários a serem regulamentados pela reforma.

João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, reconhece que seus planos vão ‘arrepiar’ muitos sindicalistas, mas é o único caminho que enxergam para a sobrevivência das centrais que, desde a reforma trabalhista, não têm assegurado nem mesmo o repasse das contribuições voluntárias feitas pelos trabalhadores aos seus sindicatos.

Na venda de seu patrimônio, enfrentam compradores que, cientes da penúria, jogam na lona o valor de imóveis.

Para assegurar que as centrais possam encabeçar esses fundos, as centrais pretendem rediscutir a unicidade sindical. Acham que terão mais musculatura para negociar com os bancos como representantes dos metalúrgicos da Força Sindical, por exemplo, e não apenas daqueles de um determinado município.

Na audiência com o vice-presidente, Hamilton Mourão, o presidente da CUT, Vagner Freitas, foi aconselhado a convencer seus companheiros de que não havia outra saída para as centrais. As conversas com os partidos estão embrionárias, mas o elogio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, à proposta de capitalização mitigada do PDT, sugere que a velha aliança entre o presidente licenciado da Força, o deputado Paulo Pereira da Silva (SD), Maia e o ex-presidenciável Ciro Gomes, ainda pode gerar dividendos.

Ainda não se sabe se, na negociação com os bancos, as centrais pretendem reduzir as taxas de administração cobradas ou se serão seus sócios. As duas únicas certezas são a de que uma parte de sua base quer entrar no negócio e que, na nova era, banqueiro está para virar ‘brother’.”

A coluna de Maria Cristina Fernandes, na íntegra, está aqui.

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