Mariana-Brumadinho e nossa infraestrutura em pedaços

Além das tragédias nas cidades mineiras, pontes e viadutos interditados, prédios incendiados e vias alagadas revelam a inépcia do poder público em fiscalizar estruturas e edificações. Como evitar mais prejuízos e perdas de vida?

Serviço:
Engenharia de Manutenção (etapa do projeto Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento)
Data: 17 de junho de 2019
Horário: 14h
Local: Rua Genebra, 25 – Bela Vista, São Paulo

O ano de 2019 teve início com a maior tragédia envolvendo barragens da história no Brasil, levando-se em conta o número de vítimas fatais, próximo de 300. A ruptura, em 25 de janeiro, na Mina do Feijão, em Brumadinho (MG), uma reedição ainda mais grave do ocorrido em Mariana em 2015, trouxe à tona questão fundamental à segurança e ao bem-estar da população e ao desenvolvimento nacional. É preciso abandonar a precariedade e o improviso e, decididamente, implantar uma política de inspeção, conservação e manutenção permanentes no país.

Longe de ser um caso isolado, o episódio que ceifou centenas de vidas, destruiu o Rio Paraopeba e contribuiu para encolher o Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre insere-se num cenário de estruturas e edificações (as mais diversas) deixadas ao abandono. 

Nas grandes cidades, os efeitos dessa realidade caótica se mostram em pontes e viadutos que precisam ser interditados, em prédios tomados por incêndios por falta de condições mínimas de segurança, pelas vias alagadas e muros desabados devido a problemas de drenagem urbana.

O porquê dessa situação crítica e como evitá-la foram as questões tratadas no seminário Pontes, viadutos, barragens e a conservação das cidades – Engenharia de manutenção para garantir segurança e qualidade de vida, promovido pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp), em 16 de abril último, com apoio da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE). A partir dessa discussão inicial e com a colaboração de especialistas, foi elaborada uma nova edição do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, intitulada “Engenharia de Manutenção”, que se propõe a discutir os razões políticas e econômicas do descaso, bem como soluções técnicas e administrativas para revertê-lo. O trabalho tem lançamento marcado para 17 de junho, às 14 horas, em São Paulo.

Ao longo de meses de debate, com a participação de profissionais e autoridades, consolidou-se uma proposta que a FNE considera imprescindível: o poder público deve assumir a responsabilidade pela fiscalização e garantia de manutenção de forma regular, tomando medidas cabíveis em relação aos responsáveis privados pelas obras. Para que isso se dê efetivamente, as administrações nos níveis municipal, estadual e federal devem instituir um órgão com dotação orçamentária e corpo técnico qualificado de Engenharia de Manutenção.

Além de propiciar a proteção das pessoas e do meio ambiente, a medida permitirá a correta aplicação dos recursos públicos de forma programada e responsável, e não em ações corretivas emergenciais sempre muito mais dispendiosas que a prevenção.

Colocar tal proposta em prática exigirá vontade, coragem e responsabilidade política por parte dos gestores públicos. Executá-la com base em planejamento e com excelência técnica é missão para a engenharia e seus profissionais, que devem ter protagonismo nessa empreitada.

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