Em São Paulo, festival de quadrinhos, edições independentes e contracultura

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Ugra Zine Fest de 2014

Ugra Zine Fest de 2014

Ugra Zine Fest, que ocupará CCSP este fim de semana, revela: onda conservadora não inibiu multiplicação de coletivos culturais empenhados em construir vida e arte anti-hegemônicas

Por Gabriela Leite e João Rabello

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A cena de publicações impressas independentes e alternativas no Brasil passa por um momento bastante vivo e interessante. Nesse contexto, acontece a Ugra Zine Fest, um dos eventos mais importantes para os quadrinhos e publicações independentes do Brasil. Com debates, oficinas, uma feira e uma exposição, a arte impressa — especialmente a que passa longe das grandes editoras — tomará conta do espaço do Centro Cultural São Paulo, no Paraíso, nos dias 19 e 20 de setembro.

A Ugra Press, organizadora do evento, editora independente e loja de livros do gênero, encabeçada pelo casal Douglas e Daniela Utescher, merece atenção especial. Douglas começou a fazer quadrinhos e fanzines com 14 anos, na década de 80, e foi parte importante da cena alternativa, principalmente ligada ao punk rock, desde então. Em 2010, decidiu pesquisar e catalogar o que estava acontecendo na cena de fanzines do momento, o que deu origem ao Anuário de Fanzines, Zines e Publicações Alternativas e, com ele, ao selo Ugra Press. Já em 2013, eles criaram uma loja online, para vender tais livros. Há alguns meses, o casal deu outro passo: abriu uma loja física em uma galeria na Rua Augusta. A fachada do espaço escancara: “quadrinhos e contracultura” — e é isso que encontra-se lá, entre publicações próprias da Ugra, estão os principais quadrinhos independentes nacionais e estrangeiros.

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Entre as atividades do festival, destaca-se a feira de livros independentes. Artistas de várias cidades do país, que acreditam na filosofia do faça você mesmo, estarão vendendo e trocando suas publicações de quadrinhos, ilustração, fotografia, literatura, poesia e ativismos. A pluralidade de temas e formatos tem surpreendido o público em feiras do gênero, assim como seu crescimento: este ano o número de inscritos bateu o recorde, tanto que o Centro Cultural decidiu ampliar o espaço da feira. Entre os participantes, estão veteranos como o grande Marcatti, que faz quadrinhos de forma independente (e os imprime na própria impressora offset em casa) há anos; e a nova geração, representada, por exemplo, pela quadrinista cearense Sirlanney Nogueira, artista feminista, também conhecida como “Magra de Ruim”.

O quadrinista Marcatti, na Ugra Zine Fest de 2014

O quadrinista Marcatti, na Ugra Zine Fest de 2014, à esquerda. Ao seu lado, Kiko Garcia e Murilo Martins

No sábado e no domingo também haverá oficinas de zine e de processo gráfico, bate-papo sobre a produção de quadrinhos independente no Brasil, sobre o machismo ainda muito presente nessa linguagem, além de shows e a exposição “Panorama Internacional de Zines e Publicações Independentes de 2015”. A programação completa está no site da Ugra Zine Fest.

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