Em Cuba, desafios de uma nova era

Diaz-Canel (à esquerda) com Raul Castro

Diaz-Canel, o novo presidente, enfrentará situação econômica difícil — marcada por duas moedas, desigualdade crescente e incertezas sobre setor privado

Por Antonio Martins

Foi como se esperava. Os deputados cubanos elegeram nesta quarta-feira (18/4), como novo presidente do país, Miguel Mario Díaz-Canel Bermúdez, um engenheiro eletrônico de 57 anos, que respondia pela vice-presidência e desempenha há décadas papeis de liderança no Partido Comunista. A eleição marca uma ruptura. Pela primeira vez desde 1959, o país será dirigido por alguém que não participou da luta revolucionária que derrubou Fulgencio Baptista e levou ao poder Fidel Castro (aqui, a relação dos novos dirigentes). A transição completa, porém, ainda levará alguns anos. Raúl Castro, presidente até ontem, manterá, além do mandato de deputado, o posto de dirigente máximo do PC Cubano.

Quais os desafios do período pós-”geração histórica”? Vale ler texto publicado em março nos Cadernos do Sul e reproduzido por Outras Palavras. No artigo, o analista político basco Daniel Cubilledo Gorostiaga, argumenta que o Díaz-Canel, o novo presidente, terá de se defrontar sobretudo com quatro problemas econômicos.

São eles: a) a existência de duas moedas paralelas (o peso e o CUC, atrelado ao dólar). O abismo de poder de compra entre as duas moedas cria desigualdade crescente, ao favorecer a parcela da população que tem acesso ao CUC (por receber remessas em dinheiro do exterior ou trabalhar em contato com o turimo); b) a existência de um grande número de trabalhadores “por conta própria”, ou seja, que não recebem do Estado. Ela expressa dinamismo empreendedor necessário a Cuba, mas não estão claros, legalmente, os direitos e os limites à atuação deste contingente; c) o status das empresas privadas (inclusive estrangeiras). Sua atuação é vista por alguns como germe de desigualdade, desafio ao poder Estatal e ameaça ao “poder socialista”.

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