As alianças solidárias pelo Auxílio Emergencial

Às 20h, o ativista Zé Antônio conta em live uma experiência etnográfica particular. Como funcionam as redes que emergiram para driblar burocracias e garantir os R$ 600. O que oferecem. Que revelam sobre a população em pandemia

Hoje, mais da metade da população brasileira foi beneficiado pelo auxílio emergencial – ou seja, 107,11 milhões de pessoas, no final das contas. Mas isso não aconteceu assim, simplesmente: “as pessoas foram beneficiadas” e pronto. De 96,9 milhões de CPFs que estavam cadastrados em 12 de maio:

* 50 milhões tinham recebido a primeira parcela do auxílio em maio de 2020;
* 32 milhões de pessoas tiveram seu pedido negado;
* 14 milhões de pedidos estavam “em análise”;

Como todas essas pessoas, muitas delas antes invisíveis para o Estado, conseguiram o benefício apesar desses obstáculos? Elas tiveram que arrumar um celular ou alguém com um celular para ajudar. Tiveram que fazer ou regularizar seus cadastros – e nisso descobrir se eram pobres ou não, o que era a pobreza no Brasil. Tiveram que aprender a recorrer. Alguns tiveram que entrar na justiça pra tentar pedir o benefício, o que aconteceu com 41 milhões de brasileiros que puderam recorrer à defensoria pra tentar obter o auxílio. Para fazer tudo isso, muitos recorreram à construção de alianças reais e virtuais para sobreviver à espera, conseguir dicas, saber os próximos passos e ajudar uns aos outros a passar pelo processo.

Essas alianças solidárias para conseguir o auxílio emergencial aconteceram aos milhares, envolvendo grupos de bairro já estabelecidos de venda e troca, formação de novos grupos específicos de aprovados, não aprovados e recorrentes e diversas outras formações de acordo com a necessidade e a conveniência. Essas alianças foram importantes para o processo prático de implantação do auxílio emergencial no Brasil. E para o sentido político que o recebimento do auxílio obteria depois.

Para conversarmos sobre o que foram essas alianças, quais os seus limites, as potências e aonde essa mobilização afinal chegou, o Transe Hub convida para uma live que vai contar com Victor Hugo Viegas, integrante do Transe, de host, e com Zé Antônio – ativista que fez uma observação etnográfica e um acompanhamento militante de dezenas de grupos de Facebook e de WhatsApp de ajuda mútua durante o período mais intenso de mobilização em busca do auxílio. A live vai acontecer quinta feira, dia 27/08, às 20h, no canal Transe.

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