“Parecia petista”: na Paulista, dois casos de violência fascista

Fã de Bolsonaro decretou, antes de comandar agressão no Metrô: “Se não gritar fora Lula é petista”; no Masp, dois jovens foram agredidos por “parecerem petistas”

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O vídeo acima mostra um casal de amigos sendo ameaçado e agredido por uma turba. A acusação: “Parecem petistas”. A prova: ele estava com uma bicicleta vermelha. Não foi o único caso, ontem, durante a manifestação na Avenida Paulista pela derrubada de Dilma Rousseff e contra a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro. No Metrô, um estudante teve de sair correndo porque não gritou “fora Lula”. “Se não gritar fora Lula é petista”, decretaram.

O vídeo fala por si só. Vejamos o relato de Klismann Matos, estudante de Geografia na USP:

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Sobre a matemática peculiar da Polícia Militar de SP

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Foto: Paulo Pinto/ Agência PT

Quantas pessoas derrubaram o Muro de Berlim? 3 mil. Quantas fizeram a Revolução Francesa? 3 mil. Quantos policiais atuam no Estado de São Paulo? 3 mil

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Acima e abaixo, as 3 mil pessoas nas manifestações de ontem contra o golpe e pela democracia, conforme os cálculos da Polícia Militar de São Paulo:

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Maria Lúcia, vítima de fascistas em BH, tem a coragem que nos falta

Pedagoga vai com criança protestar contra golpe e é expulsa por manifestantes fascistas; esquerda indiferente tem certeza que as coisas não vão piorar?

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Observem o vídeo acima. A pedagoga e sindicalista Maria Lúcia Barcelos estava numa manifestação a favor do impeachment, no domingo, em Belo Horizonte. Em sua camiseta branca, uma frase: “Xô, golpe”. É expulsa, quase linchada. E é linchada verbalmente. Os manifestantes de verde e amarelo a xingam de “vagabunda”, “filha da puta”, “lixo”, “petista de merda”.

Pouco antes das agressões, como mostra reportagem do jornal Hoje em Dia, Maria Lúcia estava de mãos dadas com uma menina de uns 4 anos. Sua filha? Não sabemos. O que dá para saber é que, enquanto a polícia retirava a pedagoga do tumulto (sem nenhum esforço de rechaçar os fascistas mais agressivos), a menina não mais lá estava. Terá assistido a tudo aquilo? Continuar lendo

Fator Fiesp: golpismo de Skaf e empresários reedita 1964

fiesp

Em 2014, protesto na Avenida Paulista contra apoio do empresariado paulista ao golpe de 64

Em entrevista ao Estadão, Paulo Skaf defendeu abertamente o impeachment; e ainda há quem acredite em um movimento decorrente do “clamor popular”

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Candidato derrotado pelo PMDB ao governo paulista, Paulo Skaf deu entrevista ao Estadão como presidente da Fiesp, neste domingo, em defesa explícita do impeachment de Dilma Rousseff. As duas faces desse senhor – política e empresarial – caminham juntas. E representam o mesmo golpismo, tema historicamente muito caro à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, apoiadora do golpe de 1964.

A diferença está apenas na usurpação, por oportunistas, de uma sigla partidária – o PMDB – que já representou a luta pela redemocratização. Nem o porta-voz mudou: o Estadão, que depois resistiria ao endurecimento da ditadura, foi um dos fiadores da derrubada de João Goulart e da chegada ao poder do general Humberto de Castelo Branco. Hoje abre suas páginas para as investidas contra Dilma Rousseff.

São 50 anos de golpismo em cinco letras: F, i, e, s, p. Continuar lendo

Esquerda indiferente a golpe maximiza Dilma e relativiza democracia

cunha

É preocupante ver a proliferação de um pensamento conformista em relação às manobras da direita; como se defeitos da presidente justificassem o retrocesso

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Está em curso um raciocínio distorcido, à esquerda do espectro político. São enumerados todos os incontáveis defeitos do governo Dilma Rousseff (o horror das políticas indígena, agrária e ambiental, a conivência com mineradoras, sua truculência pessoal, a política econômica, as traições de campanha) para em seguida se dizer: não importa, portanto, que ela caia; ela não representa a mim e nem os excluídos, e sim aquela nossa velha plutocracia de sempre.

Essa percepção ignora o decisivo fato de que estamos em uma democracia. Imberbe, um arremedo, mas uma democracia. E traz embutida uma certa ingenuidade. Como se vivêssemos em uma curiosa espécie de parlamentarismo onde só esses setores da esquerda apitassem. Um jogo de xadrez só com as nossas peças. “Não gostamos?” – pensam esses indignados veementes subitamente transformados em indignados blasé. “Que troquem – pois não faz diferença mesmo”. Continuar lendo