COP: Marcha Saúde e Clima e a ocupação da “zona azul”
Em ato, movimentos sociais expõem consequências esquecidas da crise ambiental. Em seguida, grupo promove ocupação de espaço reservado a autoridades
Publicado 12/11/2025 às 09:42 - Atualizado 12/11/2025 às 09:56

Nesta terça-feira (11), em Belém, ocorreu a Marcha Saúde e Clima, ato que reuniu profissionais do SUS, movimentos de juventude e dos povos originários. O evento, que faz parte da programação da Cúpula dos Povos, encontro popular paralelo à COP30, ocupou as ruas sob o mote “Saúde é clima, clima é saúde”.
Em entrevista ao Outra Saúde, a enfermeira Adriana Neves da Silva, colaboradora do Conselho de Enfermagem do Pará (Coren-PA), apontou que “hoje a saúde, ou a ausência dela, tem sido reflexo das alterações climáticas”. A profissional diz ainda que as populações em vulnerabilidade, como os quilombolas e ribeirinhos, sofrem com a falta de recursos e alimentos, além da precarização econômica e social decorrentes da crise climática.

Em certo momento, o bloco do ato se separou em dois trajetos distintos, com os indígenas e estudantes seguindo rumo à “zona azul” da COP30, espaço onde ocorrem as negociações oficiais da conferência. Ali, não são permitidos blocos de manifestações, e só é possível a entrada de pessoas com credenciais. O ato protestava por uma escuta real dos povos originários no maior evento mundial pelo clima.
O grupo, formado por indígenas do baixo Tapajós e manifestantes ecossocialistas, reivindicava a não privatização do rio Tapajós-Arapiuns, a não exploração de petróleo na foz do rio Amazonas e a taxação dos bilionários, além de denunciar a falta de abertura à população e aos povos originários na Conferência das Partes.

A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) participou da manifestação e, em entrevista a este boletim, comentou a importância do ato. Para ela, a ação denuncia a existência de duas COPs: uma que diz respeito aos países poluentes, que nem sequer mandaram seus representantes, e outra que pertence às populações mais afetadas.
O espaço oficial teria, segundo a parlamentar, a função de mercantilizar o direito de poluir, e a ausência de ações efetivas contra a emissão de gases poluentes. Fernanda complementa dizendo que a intenção de exploração de petróleo na foz do rio Amazonas por parte do governo federal configura um negacionismo econômico.
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