São Paulo prepara festival de culturas imigrantes

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El Pepino, espécie de rei momo da Bolívia, abre as festividades

Em tempos de xenofobia crescente, um contraponto: neste fim de semana projeto Visto Permanente exibe expressões dos povos que nos formam: da poesia à performance, da música ao teatro, da fotografia à dança
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Território Artístico Imigrante – Festival de expressões culturais de imigrantes
Sábado e domingo, 11 e 12 de fevereiro
Praça Coronel Fernando Prestes, Bom Retiro, São Paulo — metrô Tiradentes
(veja programação ao final)

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Trazer a cultura para a rua é uma reivindicação pelo direito imigrante de viver em paz e ver respeitadas sua cultura e cidadania. Partindo dessa ideia, o projeto Visto Permanente, um acervo digital de expressões artísticas de imigrantes em São Paulo, e outros coletivos ligados à questão da imigração organizaram um festival que acontece no próximo sábado e domingo, dias 11 e 12 de fevereiro, no tradicional bairro do Bom Retiro.

Expressões culturais de países como Angola, Bolívia, Cuba, Palestina, R.D. do Congo, Colômbia, Argentina, Guiné-Conacri, Chile ou Uruguai fazem parte da programação, uma amostra de como os imigrantes seguem construindo a cidade. Da poesia à performance, da música ao teatro, da fotografia à dança, o Território Artístico Imigrante é um momento de conexão criativa de artistas e grupos culturais com linguagens e propostas artísticas diferentes, que transformam e reinventam São Paulo – esse território imenso que é também de artes e culturas dos povos que se juntam a nós. Continuar lendo

TEXTO-FIM

Inglaterra: governo amplia “caça” aos imigrantes

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Suspeitos são detidos e têm fotos divulgadas, para provocar temor. Parte da população começa a reagir, nas redes sociais

home office (espécie de ministério do Interior) do governo inglês levou aina mais adiante as práticas de discriminação anti-imigrantes, já relatadas por Outras Palavras em 30/7. Desde quarta-feira, as detenções de estrangeiros suspeitos de não terem documentos passaram a ser fotografadas e divulgadas amplamente pela polícia (inclusive nas redes sociais…). Só nesta quinta-feira, orgulha-se o home-office, 139 pessoas foram presas. O objetivo é aterrorizar os imigrantes considerados “ilegais”. Ao mesmo tempo, circulam em Londres e arredores out-doors sobre rodas, que incitam a população a denunciar não-britânicos indocumentados em sua vizinhança.

Felizmente, cresceu, entre setores da população, a resistência a tal tipo de barbárie. A edição de hoje do Guardian relata uma batalha no Twitter, entre os partidários do preconceito e os que defendem posturas humanistas.  Um jornalista do Daily Mirror sugeriu a seus leitores: “Se todos denunciarmos o @ukhomeoffice como spam, não poderão nos deportar. FAÇAM ISSO. Pelo menos, acho que não poderão nos deportar. Certamente tentarão. Especialmente, se você for meio escurinho”…

Os britânicos agora caçam… imigrantes!

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Começa em Londres campanha publicitária estatal para estimular população a denunciar estrangeiros sem documentos

Numa Europa cada vez mais contaminada por ideias xenofóbicas, até o proverbial humor britânico parece, às vezes, atirado à lata do lixo, quando entram em cena as relações com estrangeiros. Há alguns dias, seis municípios da zona metropolitana de Londres passaram a promover, em caráter de “teste” uma campanha publicitária que visa espalhar terror entre imigrantes sem documentos. Consiste em fazer circular, pela cidade, out-doors móveis com os seguintes dizeres: “[Está] no Reino Unido ilegalmente? Volte para casa, ou se arrisque à prisão”. Para tornar a mensagem mais realista, informa-se aos não-britânicos o telefone que devem acionar, caso tenham interesse em ser repatriados “voluntariamente”; e anuncia-se, bairro por bairro, o número de “clandestinos” presos pela polícia, até o momento.

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Os segredos da Europa Fortaleza

Dois projetos votados a toque de caixa podem tornar continente ainda mais inacessível para pobres e instalar novos sistemas de vigilância e controle sobre cidadãos

Por Antonio Martins

Chamam-se Eurosul e “Fronteiras Inteligentes”. Entrarão em debate no Parlamento Europeu no próximo dia 10, sem que os eurodeputados tenham muita margem de manobra para alterá-los. São os dois novos projetos que, desenvolvidos por tecnocratas da Frontex, (a agência europeia de vigilância das fronteiras, com sede em Varsóvia), pretendem tornar mais intransponíveis as fronteiras europeias — recorrendo para isso à coleta de dados pessoais dos viajantes e até ao uso de aviões teleguiados (drones). Uma reportagem sobre ambos, assinada por Frank Mulder, está disponível no site da rede PressEurope.

O primeiro projeto, Eurosul, deverá estar implantado em menos de um ano — até 1º de outubro de 2013. Ao custo estimado de 340 milhões de euros (analistas preveem que “aditivos” deverão duplicar ou triplicar este valor), estabelecerá padrões únicos de vigilância sobre todas as fronteiras do Velho Continente, obrigando os Estados a trocar permanentemente informações sobre os visitantes que chegam à Europa. Parece destinado a enquadrar nações que servem supostamente, por seus sistemas policiais antiquados, de “porta de entrada” para os imigrantes de regiões do mundo mais pobres. Os drones, por exemplo, serão utilizados para localizar africanos que tentam cruzar o Mediterrâneo.

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Nova imigração: estamos preparados?

Pesquisa recente revela: brasileiros são, no mundo, a população mais receptiva aos imigrantes. Mas até que ponto superamos os preconceitos?

Por Carolina Mazzi

Pesquisa divulgada pela BBC em meados do ano passado mostra que os brasileiros são a população mais receptiva à imigração em todo o mundo. Segundo o instituto de pesquisa Ipsos Mori, que ouviu 17 mil pessoas em 23 países, quase metade dos brasileiros (49%) dizem que os imigrantes tornam o país um lugar mais interessante de se viver, e 47% afirmam que a entrada dos estrangeiros beneficia a economia nacional.

No entanto, a mesma pesquisa aponta que 38% dos brasileiros acreditam que os imigrantes atrapalham na hora de se conseguir emprego e 41% afirmam que há um número excessivo de estrangeiros morando no país. O número é baixo comparado aos países desenvolvidos, mas relevante para uma nação que se torna um pólo cada vez mais atrativo para os estrangeiros.

Dados do Ministério da Justiça apontam um crescente na entrada de trabalhadores no Brasil: em apenas um ano, o número de vistos concedidos mais do que dobrou. O número de imigrantes legais no país já chega a 1,5 milhões de pessoas, e o de ilegais é estimado em 600 mil, muitos deles vivendo em condições precárias nas grandes cidades. Continuar lendo

Como os EUA temem os imigrantes

Crescem os sinais de que políticas xenófobas causam prejuízos à sociedade e economia. Mas preconceito regride muito pouco

Por Carolina Mazzi

Uma sondagem divulgada pela Gallup Poll, agência de pesquisas nos EUA, mostrou que a maioria dos americanos não está satisfeita com a presença de imigrantes no país. De acordo com o estudo, 64% dos nativos gostariam de diminuir o número de imigrantes. Ainda assim, é uma redução discreta – quatro pontos percentuais – em relação aos que manifestavam o mesmo ponto de vista na última pesquisa, em Janeiro de 2008.

A pesquisa também mostrou que os partidários do Partido Republicano são os que demonstram maior preocupação em relação aos estrangeiros: apenas 19% deles estavam satisfeitos com o número de imigrantes do país, contra 33% dos democratas e 29% dos independentes.

As políticas anti-imigração adotadas por diversos estados no país já demonstravam uma insatisfação dos norte-americanos em relação aos estrangeiros. Culpando os altos níveis de desemprego e uma “perda de identidade” nacional, diversos políticos utilizavam-se destes argumentos para implementar leis severas e com isso, angariar votos. O que surpreende na pesquisa é que, antes da crise, os americanos demonstravam insatisfação ainda maior em relação aos estrangeiros. Continuar lendo

A nova imigração e seus desafios

Cresce fluxo de estrangeiros que chegam em busca de trabalho. Brasil pode recuperar condição de país acolhedor, mas precisa adotar políticas para isso

Por Carolina Mazzi

A partir desta segunda-feira (9/1), o ministério da Justiça começa a expedir vistos para os haitianos (foto) que entraram irregularmente no país pelas fronteiras do Peru e da Bolívia. De acordo com Nilson Mourão, secretário de Justiça e Direitos Humanos do Acre, espera-se que cerca de 40 imigrantes deixem o estado diariamente, em busca de oportunidades nas capitais do Norte (principalmente Manaus) e nas construções das usinas hidrelétricas Jirau e Santo Antônio, em Rondônia.

Os haitianos relatam dificuldades para chegar ao Brasil. Segundo eles, “coiotes” aliciam pessoas ainda no Haiti, prometendo oportunidades e emprego. A viagem custa cerca de quatro mil dólares e começa com a travessia de barco da capital, Porto Príncipe, até o Panamá. De lá, eles seguem de avião até o Equador para continuar o trajeto a pé, passando pela Bolívia e o Peru. No caminho, há relatos de mortes, roubos e estupros.

Apesar de um movimento bastante particular – pelas condições subumanas no Haiti – este fluxo migratório revela um cenário desconhecido para o Brasil. Com um crescimento econômico forte e o aumento na demanda por mão de obra, a tendência é que o país atraia também imigrantes que entram por meios ilegais, através de nossa vasta fronteira, a partir de vizinhos que vivem momentos econômicos distintos. Bolivianos e equatorianos já são alguns dos maiores grupos de estrangeiros no Brasil.

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Brasil: Um novo oásis?

Operação da Polícia Rodoviária Federal evidencia crescimento no fluxo de estrangeiros que entram no país

Por Carolina Mazzi

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu na última segunda-feira (12) um ônibus com 27 estrangeiros que trafegava pela rodovia Rio-Santos (BR-101), na altura de Angra dos Reis. De acordo com os policiais, o veículo foi parado durante uma revista de rotina e os passageiros, com idade entre 15 e 70 anos, não apresentaram documentos que comprovassem estadia regular no Brasil. A PRF ainda informou que as nacionalidades variavam entre americanos, belgas, colombianos, argentinos, ucranianos e equatorianos.

Apesar de um evento isolado, a apreensão rotineira de estrangeiros em situação ilegal no país — principalmente sul-americanos — pode se tornar um evento cada vez mais comum. Com a crise financeira que afeta os países desenvolvidos, o Brasil tem se tornado um pólo atrativo para imigrantes à procura de novas oportunidades. O número de brasileiros que retornam aumenta a cada dia e, com o crescimento econômico, os nativos devem se misturar aos imigrantes que chegam.

Embora não existam ainda estatísticas e números oficiais que demonstrem o movimento, a percepção geral é de uma tendência na mudança dos fluxos migratórios, principalmente àqueles do Sul ao Norte.